Suicídio: é preciso falar sobre isso
Quase 100% das mortes estão relacionadas a transtornos mentais
Editorial | Por Monica Pinto 10/09/2019 14:00 - Atualizado em 10/09/2019 14:57

Hoje é Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, daí porque esse movimento organizado pela área médica acontece todos os anos com a campanha “Setembro Amarelo”, promovida desde 2014 no Brasil pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Ambos os órgãos definem o suicídio como um “grave problema de saúde pública”, ação desesperada cujo registro anual no país fica em cerca de dez mil – e em mais de um milhão por todo o mundo. 

Este ano, a campanha lançou a cartilha “Comportamento suicida: conhecer para prevenir”. Diz a apresentação: “As entidades médicas acreditam em uma sociedade engajada na defesa pela vida e em gestores comprometidos com políticas públicas que realmente transformem esse cenário. É possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os seus fatores de risco”.

O preparo de toda a rede de saúde de fato pode fazer muita diferença para evitar essa realidade sombria, a segunda causa de morte entre jovens – só perdendo para os acidentes de trânsito. “Quase 100% dos casos de óbito por suicídio estavam relacionados a transtornos mentais, em sua maioria não diagnosticados, tratados de forma inadequada ou não tratados de maneira alguma. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias”, afirma o material de divulgação do Setembro Amarelo à imprensa. Segundo o coordenador nacional da campanha, o médico Antônio Geraldo da Silva, este ano, se trabalha com o conceito de que combater o estigma é salvar vidas: “tendo em vista a relação entre o óbito por suicídio e a presença de transtornos psiquiátricos, não podemos ignorar esta informação”.

Entre os mitos e verdades expostos na cartilha editada pela campanha, consta como mito “Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.” Conforme os profissionais de saúde, um entendimento “falso”: “Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem”. E atribui ao estigma e ao tabu que ainda envolvem esse tema a dificuldade de encarar o problema de frente – e na dimensão a que ele corresponde. “Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais o suicídio foi considerado um grande ‘pecado’, talvez o pior deles. Por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública”, diz a apresentação da cartilha. “Um tabu, arraigado em nossa cultura, por séculos, não desaparece sem o esforço de todos nós. Tal tabu, assim como a dificuldade em buscar ajuda, a falta de conhecimento e de atenção sobre o assunto por parte dos profissionais de saúde e a ideia errônea de que o comportamento suicida não é um evento frequente condicionam barreiras para a prevenção. Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-sucedida”, advertem os profissionais.

Como se vê, também nessa questão – entre todas as outras da caminhada humana -, conhecimento, amor, respeito e misericórdia são ingredientes fundamentais, além da empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir suas dores, o melhor antídoto contra a intolerância.

 

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