DA SERGIPE GÁS DE “SEU” ALBINO AO GÁS DO SERGIPE DE AMANHÃ
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 03/05/2019 10:48

(Gás para industrializar Sergipe)

No final da década dos anos cinquenta um empresário sergipano, homem de poucas letras, todavia sabendo soletrar muito bem a palavra futuro, observou que os “lenheiros” espalhados pela cidade eram uma coisa obsoleta, superada, e imaginou trocá-los por algo mais condizente com o nível de desenvolvimento que deveria ter aquela ainda acanhada capital da “fazenda de cana, boi, e coco”, que era Sergipe, tendo  algumas indústrias têxteis, quase todas sucateadas. 

Nos “lenheiros” que existiam em grande número, vendiam-se lenha e carvão. A lenha era cortada em qualquer lugar onde havia matas, e também se fazia carvão à vontade, e isso gerava empregos, todos informais.

Na rua de Laranjeiras em frente ao prédio dos Correios , bem no centro comercial da cidade, Albino  Silva da Fonseca instalou o depósito dos botijões de gás, e no mesmo local a loja de venda dos fogões.

Ninguém ousou advertir para o perigo de um depósito daquela natureza. Seu Albino dizia que não havia risco nenhum, e que ele mesmo morava com a sua família num modesto prédio de apartamentos, quase vizinho ao depósito. Seu Albino era uma espécie de “coronel urbano”, e para reforço da sua vontade tinha, também, ao lado  do depósito de inflamáveis a comunicação sempre “ inflamada” da sua emissora de rádio, a Liberdade,  primeira particular que se instalou em Sergipe, e sufocou por completo a Difusora, que era estatal, e foi decisiva  para convencer às pessoas a   esquecerem da lenha e do carvão, comprando o gás e  os fogões que só  seu  Albino vendia, e, mais ainda,  para garantir a vitória a candidatos ao governo que   seu  Albino apoiava.

O polêmico depósito de gás foi finalmente fechado em 1967, quando o capitão reformado do exército Ewerton Valadares veio chefiar a Policia Federal, e fez duas forçadas transferências para bem longe do centro: da Sergipe-Gás e da zona de meretrício. Nesse tempo o grupo econômico de seu Albino  começara a ruir diante da cobrança a curto prazo, dos impostos federais e estaduais devidos há muito tempo.

Mas, toda a população de Aracaju e das maiores cidades do interior já aderira completamente ao gás de cozinha, abandonando a lenha e o carvão.

 Agora, o assunto gás em Sergipe é bem diferente.

O pré-sal não era uma ilusão, um engodo eleitoral, como se espalhou na época, atribuindo a Lula uma fantasia para ganhar eleição. O caso de Sergipe não é ainda o pré-sal, mas é também resultante de operações em águas profundas, possibilitadas pela tecnologia criada e utilizada pela PETROBRAS.

A capacidade de produção diária gira hoje em torno de 60 milhões de m³ de gás, e poderá ultrapassar 100 milhões. E nem nos referimos ao petróleo.

Os Emirados Árabes, a Arábia Saudita, formam um extenso deserto. Se dependessem dos recursos na superfície do solo, estariam hoje entre os países mais miseráveis do mundo. Mas não se limitaram apenas a exportar o óleo cru e o gás, como faz a desastrada Venezuela, um país rico e sem rumo. Todos montaram uma economia sofisticada, desde quando começaram a nadar nos “petrodólares”, e mesmo com a máquina de sugar dinheiro que são as suas realezas, criaram uma estrutura econômica que os manterá ricos, com sua população tendo emprego e alta renda mesmo depois da extinção completa das jazidas.

Sergipe tem a mesma sorte geográfica que beneficiou os pequenos Emirados, com superfícies diminutas, e flutuando num oceano subterrâneo de riqueza.

No final dos anos 50, um geólogo autodidata, Walter de Assis Ferreira Baptista, baiano que viveu toda sua vida em Sergipe, mantinha atenta uma plateia na sua maioria de professores e estudantes das poucas escolas superiores que tínhamos, ao descrever a enormidade das jazidas minerais sergipanas. Ressaltava que quase tudo estava localizado nos massapês da Cotinguiba, a curta distancia do porto de Aracaju e cortados pela linha férrea da Leste Brasileiro, hoje desativada por uma subsidiária da Vale, tão desleixada e irresponsável quanto. Mas isso já é outra estória.

O petróleo em terra surgiu em 63, e no mar em 68. Então, um economista, Aloísio de Campos, tendo ao lado a melhor equipe de técnicos e cidadãos dedicados ao serviço publico que já se formou em Sergipe, (eram do CONDESE) ampliava os limites traçados por Walter, com as imensas perspectivas do óleo e gás na  plataforma marítima, então, a pouca distancia da linha de praia, e agora em áreas variando entre 60 e 90 quilômetros. E aí a sorte nos beneficia mais ainda, pois estão quase todas as jazidas perpendiculares a alguns pontos da nossa costa. Isso nos assegura direito a impostos e royalties.

Antes de mais nada teremos de cuidar do nossos dois portos: o offshore e o de Aracaju. Neste, terá de ser ampliado rapidamente aquele limitado cais de atracação no rio Sergipe ao lado do Mercado Virginia Franco.    Aracaju precisa criar a estrutura indispensável para tornar-se o polo das operações logísticas da PETROBRAS , da Exxon, e de outras multinacionais.

Para cuidar de tudo isso, e muito mais, agora, com a participação do governo do estado, do governo federal através de ministérios e da Petrobras, planeja-se um seminário no inicio do segundo semestre. Aqui estarão empresas de grande porte, bancos, a CELSE - Centrais Elétricas de Sergipe, a Golan, a General Eletric, Universidades, investidores interessados no que fazer com tanto gás e tanto óleo. Para o gás já existem roteiros traçados, e causando mais impacto econômico do que o próprio petróleo.  O engenheiro professor da UFERJ Jose Augusto Pereira Carvalho, na Secretaria do Desenvolvimento e Tecnologia, o assessor para assuntos de energia na Casa Civil, economista Oliveira Junior estão mantendo os contatos e afinando a narrativa para os investidores.

O governador Belivaldo quer fazer do evento o instante decisivo para a reversão das expectativas pessimistas, desenhando um amplo leque de possibilidades aos investimentos e dinamização da economia, indo além das fronteiras de Sergipe.

No campo da inovação e das novas tecnologias, os investidores sergipanos devem estar atentos, especialmente os jovens empreendedores que fazem surgir startups na área de serviços.

O SERGIPTEC terá de ser revigorado, e um bom roteiro a ser seguido, já está sendo aberto pelo Innovation Center da UNIT.

Segundo o professor Ihanmarck Damasceno, Superintendente de Relações Institucionais e de Negócios da UNIT, o Centro será um irradiador de ideias que os empreendedores poderão usá-las na prática. Há um convênio com o MIT, Massachusetts Institute of Technology que, entre outras coisas, incluirá a área da saúde e biotecnologia da UNIT  num programa para a fabricação de um fígado humano artificial.   

Mas há, como acentua Oliveira Junior, a possibilidade concreta de a curto prazo haver  gás liquefeito em grande quantidade.

O gás liquefeito substitui com imensas vantagens o diesel, inclusive a de não ser poluente, e poderá ter preço inferior ao diesel. Desde que montadas as instalações necessárias para armazenamento e transporte, o gás que chegará sob forma liquefeita do Qatar poderia ser fornecido, inclusive para viabilizar a FAFEN em vias de ser arrendada, após a absurda “hibernação”. Há um navio enorme agora ancorado ao largo do porto da Barra, exatamente para atender à CELSE cujas turbinas entram em operação no início do próximo ano. Para substituir o diesel o gás permanece liquefeito, e isso causaria uma transformação radical no transporte rodoviário, urbano e interestadual, atendendo, possivelmente, à ânsia dos caminhoneiros presos à politica de preços da PETROBRAS. Tudo isso convergindo para o objetivo de redução do preço do diesel já anunciado pelo ministro Paulo Guedes.

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Luiz Eduardo Costa
É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com


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