Heleno revela traição e golpe baixo de André Moura dentro da coligação
Blogs e Colunas | Joedson Telles 23/09/2018 07:24

Candidato ao Senado Federal pelo PRB, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Canindé do São Francisco, Heleno Silva, vive, nas eleições 2018, o que o mundo político conhece como voo solo. Segundo ele, foi empurrado para a solidão, após constatar que a sua maior concorrência desleal estava dentro da própria coligação: o também candidato ao Senado André Moura (PSC). Heleno percebeu que enquanto pedia votos para André este não só dava de ombros para suas pretensões políticas como também agia de forma rasteira. “Atribuo isso a medo. Acharam que minha campanha não iria acontecer. Depois pensaram que era pra fazer número e depois passaram a ter medo de Heleno. Atacaram Heleno no WhatsApp distribuindo matéria contra mim”, lamenta Heleno Silva. A entrevista:

Como está sentindo o eleitorado sergipano, nesta reta final de campanha?

Sinto que o eleitorado, timidamente, começa a entender a eleição. Principalmente depois que o programa de TV começou a entrar nas casas, o eleitor começa a se manifestar. A tendência é, de agora pra frente, o eleitorado começar a entender mais esse momento importante para o país e despertar para a eleição. A grande pergunta que ninguém consegue responder é qual o nível de abstenção. Ninguém sabe. Está todo mundo esperando para ver o que vai dar. A sociedade se decepcionou muito com as questões políticas, a crise que afetou a todos, escândalos, prisões. Há um descrédito muito grande.

O eleitor está frio?

É. A frase é esta: o eleitor está frio. Mas a campanha tem que acontecer e nos resta provocar com propostas e ideias. Alguém vai ganhar e o grande diferencial é tirar o eleitor de casa e colocá-lo na urna para votar.

Será a eleição da credibilidade? 

Vai muito da credibilidade. Não será uma eleição de partido, mas de pessoas. A grande maioria dos partidos sempre teve alguém envolvido em problemas, principalmente os principais partidos protagonistas. A eleição de Senado, você vê um grande movimento que cada um está pensando só em si. Não houve grandes parcerias entre os candidatos. Vai ser interessante o resultado dessa campanha. A única certeza é que a pessoa vai para a apuração sem saber antecipadamente os vencedores.

As pesquisas ajudam ou atrapalham?

As pesquisas têm um peso emocional, mas oscilam muito. Se buscarmos os resultados das eleições passadas foram diferentes. As pesquisas servem para dar um norte. Quando são feitas em nível estadual é um resultado, quando são feitas em nível local é outro resultado. Os candidatos a governo e senador vão para as urnas sem saber a definição prévia do resultado. Hoje, todo mundo está no páreo. Temos para o Senado cinco candidatos fortíssimos e três candidatos a governo no páreo. Se a oposição não tivesse se dividido levaria a eleição no primeiro turno. Eu acho que foi um erro da oposição. Um erro estratégico. Toda decisão onde os líderes querem impor sua vontade na força nunca dá certo. A oposição sai fragilizada. O governo viu a divisão e está tentando entrar no segundo turno com seu candidato.  Governo é governo e talvez aconteça.

Heleno foi empurrado para esse voo solo ou foi de forma espontânea?

Eu fui empurrado. Eu tenho aliança com Eduardo Amorim, que é muito correto comigo. É bem intencionado e preparado. Tomara que ele seja governador do Estado. Nesse momento difícil que Sergipe passa, ele é o nome que eu vejo com força, com foco. Só que na campanha de senador, não tivemos a reciprocidade com o nosso candidato de chapa, André Moura. No início saímos apresentando ele aos nossos grupos como o nosso candidato de chapa e depois percebemos que os grupos dele não nos apoiavam.  A maioria dos candidatos ao Senado está no voo solo e vamos ver o que dá. É uma eleição de dois votos, mas está se tornando uma eleição de um voto só para os candidatos que têm chance de vitória. Está virando um “salve-se quem puder”. O diálogo não fluiu. Da minha parte, sempre eu esperei, mas não fluiu. Eu vim do outro grupo de coração aberto. Pronto a encarar. Percebi chances de eleger os dois senadores, mas, no desenrolar da campanha, eu vi em alguns atos que eu não era recebido com calor humano. No início, fiquei meio chateado. Em alguns momentos foi constrangedor pra mim.

E o que explica esta postura do candidato André Moura?

Atribuo isso a um medo. Em dado momento, acharam que minha campanha não iria acontecer. Depois pensaram que era pra fazer número e depois passaram a ter medo de Heleno. Atacaram Heleno no WhatsApp distribuindo matéria contra mim. Depois tentaram me envolver  numa história de um cartão de abastecimento com um menino que eu nunca vi na minha vida. Começaram a ter medo de mim por conta do meu crescimento, partindo do sertão e da comunidade evangélica que me apóia muito e do meu crescimento em todo estado. Aí a palavra de ordem é que Heleno está forte e tentaram me brecar.

Mas não intimidou Heleno...

Eu tenho luz própria. Eu sou um líder natural de massas. Fui forjado nas feiras, nas ruas. Eu sei me deslocar sozinho. Eu lamento porque entendo que a união faz a força, mas, já que o jogo é assim, vamos jogando. Eu faço questão de registrar a figura de Eduardo Amorim: correção, seriedade. Sempre fui recebido de braços abertos e o parabenizo por isso.

Eduardo foi “engolido” por André?

Havia campanhas paralelas. André fez o trabalho dele e Eduardo também não teve muito o que fazer. Tomara que os dois trabalhem juntos, Eduardo vá para o segundo turno e chegue à vitória.

Esse rompimento com André Moura lhe deu mais autonomia para criticar, ser mais duro com o Governo de Temer?

O governo de Temer, na verdade, foi muito ruim para Sergipe, do ponto de vista social. Tivemos alguns ganhos com André sendo líder. Todo líder têm força no Congresso e André fez valer essa força junto ao orçamento e liberou recursos para Sergipe, principalmente na área de saúde. Muito bom para a gestão dos prefeitos. Na ponta, esse resultado não chegou. Enquanto isso, Temer cortou R$ 1,2 milhões do Bolsa Família no país, 20% dos aposentados por invalidez, os investimentos em área de infraestrutura estão abaixo de 20%, o menor desde a década de 60. Eu como sergipano, pensando no meu estado, tenho mais que o criticar.

Todas as promessas  que André Moura fez aos prefeitos foram cumpridas?

Pelas informações que eu tenho, as liberações de recursos para saúde foram executadas no orçamento. As outras, pela experiência que eu tenho de Congresso, devem estar empenhadas. Eu vi a história do levantamento que (Antônio) Samarone fez e os números não são bem assim. Mas a de saúde eu garanto que os prefeitos receberam e isso foi muito bom pra a gestão deles... A rejeição de Temer é de 90%. Claro que quem está perto dele pega um pouco da rejeição dele. Mesmo com as verbas, não deu para tirar o desgaste de maneira nenhuma. André sabe disso e paga um preço por isso. De certo modo, os recursos foram importantes e salvou muita gente. Não sei se o resultado eleitoral será o que ele espera. 

Nas caminhadas o eleitor mostra que está atento?

O eleitor está atento. A informação chega hoje muito rápida. Eles têm um poder de consciência muito grande. Lula é um fenômeno. As pessoas falam muito bem dele, não entendem porque está preso, tendo em vista muita gente, segundo eles, até Michel Temer solto, não entendem porque Lula não é candidato. A grande maioria do povo de Sergipe tem uma vontade muito grande de votar em Lula. Com Lula eles comeram melhor, vestiram melhor, tiverem uma expectativa de um futuro melhor. Ele deixou uma marca. A palavra com Lula é gratidão.

Isso influencia a eleição de Sergipe?

Não tanto porque as pessoas sabem diferenciar a liderança de Lula com aqueles que querem aproveitar do nome dele eleitoralmente. Eu falei de Lula num programa meu e a coligação do governo veio logo pra cima pra mandar tirar. Mas eu falei porque eu estava lá quando ele criou os projetos. Eu tenho força pra falar que quem botou a cara naquele momento foi eu, mas faz parte do jogo da política.

É muito difícil o voo solo?

É. Mas a minha vitória será pessoal. Minhas vitórias foram todas assim. Temos o PRB que é muito forte, temos alguns prefeitos que votam na gente, dado o nosso apoio a Eduardo Amorim.  Temos na chapa de Eduardo o nome de Ivan e Heleno. Contribuímos muito na criação desta chapa. Lamentamos que não tivemos, por parte de alguns ligados a André Moura, essa gratidão e esse apoio. Faltam 15 dias praticamente. Cada um tem atos que consideram importantes onde tem peso e quando der a gente se junta para fazer grandes atos junto com Eduardo e o próprio André. Nesse reta final, devo focar no sertão, o planejamento partidário está feito, as lideranças estão trabalhando. Vamos à luta. Será uma vitória de superação da minha parte.

Heleno tem o apoio fechado da igreja?

O segmento evangélico está muito antenado este ano na questão política porque têm bandeiras que vão de encontro à igreja. Projetos como aborto, cobrança de impostos sobre dízimos, questão de família. Os grupos radicais em Brasília tentaram impor  goela a baixo alguns projetos que não estamos preparados pra isso. Os evangélicos votam muito em mim e eu fico feliz por esse grupo muito importante da sociedade. A Igreja Evangélica hoje tem um trabalho social muito grande de recuperação, que nunca foi visto pelo governo. Eu mesmo sou um recuperado do vício do álcool. 

Surgiram boatos que você estava afastado da Universal. Procede?

Nos afastamos do quadro pastoral para nos dedicarmos a política. Até a Igreja Católica determinou isso junto aos padres. O padre Inaldo também teve que se afastar. Acho correto porque a atividade de sacerdote demanda tempo. As minhas ligações com a igreja são profundas, sou membro. A fé continua viva.

Qual o plano para o resto da campanha?

É acelerar as visitas, fazer um corpo a corpo muito grande, visitar as bases principais, mover a convencer amigos, irmãos, vizinhos. Essa campanha é do corpo a corpo. Muita gente que está apostando as fichas em líderes vai quebrar a cara porque os líderes estão meio ressabiados, porque a campanha promete ser de dois turnos. Muitos estão dizendo que só entrarão na campanha no segundo turno. Mas eu estou confiante na minha projeção de crescimento. Estou feliz. Sairei maior na campanha. Meu partido sairá forte. Devemos eleger um federal e três estaduais. A gente vai sair maior do que entrou. Somos novos e vamos continuar lutando na vida pública e fazer aquilo que sabemos fazer que é lutar pelas causas nobres do povo. Nunca me esqueço de onde eu saí. É um milagre chegar aonde eu cheguei e eu não posso errar quando os mandatos me são confiados pelo povo. Eu sou humano, erro, mas procuro no meu erro corrigir e melhorar em cima dele, mas como homem público não nego minha defesa para quem mais precisa em Sergipe. Eu sou uma das pessoas simples e isso me faz forte a cada dia mais na minha vida pública.

Eleito senador vai pegar um cenário muito difícil. O que Sergipe pode esperar?

Sergipe pode esperar a defesa em favor da nossa terra porque no Senado a luta é muito grande, mas Sergipe no Senado é do mesmo tamanho de São Paulo. Vou enfrentar a discussão por Sergipe e pelo Nordeste de cabeça erguida, cobrar do Governo Federal investimentos nesse pequeno estado que faz muita diferença na vida do povo, investimentos nos grandes projetos, Petrobrás, Fafen, e nos pequenos que faz o dia a dia das  pessoas mais simples melhor, manutenção do Bolsa Família, manutenção do projeto Minha Casa, Minha vida, fortalecimento do Fies e ProUni. Sergipe pode esperar um senador livre e forte. O Senado é uma casa legislativa forte. As pessoas do meu estado podem esperar isso de mim. Não vendo minha consciência, não há cargo que me faça agir dessa forma e abandonar minhas convicções em relação ao nosso povo. Estou com 51 anos, muito maduro, sei como funciona e vou firme.

Tem arrependimento de ter deixado o grupo governista?

Não me arrependo. Belivaldo é uma pessoa muito correta. Jackson é um político profissional. Já esteve com todos, já xingou todos, hoje está me xingando muito no sertão. Não há espaço para os dois. Eu ousei e mudei acreditando que dois iriam se eleger em torno de um projeto de união. Não ocorreu como eu pensei, mas é assim mesmo. Eu sou um intruso dentro desta campanha porque são dois ex-governadores, um líder do governo e eu com minha ousadia popular botei a cara e estou fazendo história numa disputa muito dura. Tentaram puxar a escada, mas eu me equilibrei. Minha campanha é bonita, propositiva. A minha equipe de marketing são quatro amigos que a gente discute como fazer e eu estou muito feliz. Espero em Deus que o resultado seja positivo 

Antes de tomar a decisão de disputar o Senado, Heleno conversou com Deus?

A única explicação de eu chegar onde estou é a fé. Nas minhas orações que faço de gratidão eu digo isso a Deus. Eu estou combatendo o bom combate e guardando minha fé. Eu sei que nenhum resultado virá sem a permissão de Deus. Seja ele qual for eu continuarei de cabeça erguida e caminhando nesses passos que Deus me colocou que é lutar pelo povo de Sergipe. Em qualquer situação eu ficarei tranquilo. Na vitória eu não ficarei envaidecido e na derrota eu ficarei em paz.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: jornalismo@universopolitico.com.br


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