Hora de lançar a semente na terra e cultivar a esperança
Blogs e Colunas | Haroldo Araújo Filho 06/05/2019 12:20 - Atualizado em 06/05/2019 15:31

O início do período chuvoso marca a abertura de mais um ciclo da cultura do milho e, com ele, se inicia também outro cultivo, o da esperança, a maior virtude dos produtores rurais sergipanos.

O apogeu da produção de milho sergipana é relativamente recente, reportando-se ao final da década de 90, onde, paulatinamente, foram sendo inseridos os exitosos pacotes tecnológicos (tratos culturais, maquinários, créditos, sementes e insumos) por iniciativa quase que exclusiva das empresas (revendas) privadas e, claro, do espírito empreendedor do produtor sergipano.

Em Sergipe, os números da produção de milho são considerados surpreendentes, em que pese a pequena dimensão territorial do nosso estado. Vejamos alguns números aproximados:

-Área plantada com baixa, média e alta tecnologia: 300-350 mil hectares*;

-Valor de mercado direto (venda da produção): R$ 900 milhões*;

-Valor de mercado indireto (relacionadas ao custo de produção): R$ 770 milhões*;

-Todas as marcas do setor (equipamentos e insumos) estão presentes, sejam através de representantes comerciais, franqueados ou revendas.

Algumas singularidades da produção sergipana chamam atenção, por exemplo, a área plantada é composta por mais de 80% de pequenos e médios produtores, importante fato para elevar os índices de desenvolvimento socioeconômicos, além de desmistificar a ideia de que altos índices de produtividade só são possíveis em grandes propriedades. Outro importante ponto é a indispensável assistência técnica proporcionada pelos representantes comerciais, franqueados e revendas do setor.

A cultura do milho, como qualquer outra atividade rural, possui diversos riscos, previsíveis ou não, dentre eles a seca, responsável pela queda de 80% da produção na última safra. Porém, outras situações, não naturais e fora da governança direta dos produtores, podem por em cheque o sucesso do consórcio milho/esperança. Destacamos:

-Crédito bancário a contento e tempestivo, sem excessiva burocracia;

-Incerteza na disponibilidade satisfatória de fertilizantes em virtude da problemática referente à Fafen e às misturadoras de adubo;

-Falta de infraestrutura para o pós-colheita, silos e secadores para armazenamento da produção.

Assim, além de enfrentar os riscos inerentes ao negócio, esperar um bom ano de pluviosidade e bons preços para safra, os produtores anseiam que as instituições públicas façam sua parte, em que pese o setor ter se desenvolvido quase que por seus esforços próprios. Mas como dito aqui, há situações em que a ação governamental é indispensável, vejamos o caso da falta de infraestrutura para o pós-colheita, uma possível ação do Estado através de parcerias público-privadas objetivando a construção de silos, como feito no estado da Bahia, por consequência, poderia acarretar em melhores negociações para a venda da produção.

Portanto, há em Sergipe solos férteis, tecnologia de ponta, abnegados produtores, diversa rede comercial, enfim, vários fatores que propiciam o sucesso do setor, mas é indispensável que os entes governamentais façam sua parte, para que as culturas consorciadas milho/esperança não sejam ameaçadas.

*Fonte: GTerra Consultoria.

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Haroldo Araújo Filho
Engenheiro Agrônomo do Incra/Ministério da Agricultura, formado pela Universidade Federal de Sergipe, pós-graduado em Irrigação (UFS). Secretário de agricultura de Riachão do Dantas (2005-2007); Superintendente regional do Incra em Sergipe ( 2016-2017); Delegado da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário em Sergipe (2017). Antes de ingressar no serviço público atuou em empresas comerciais do ramo agropecuário.

E-mail: hafaraujo@yahoo.com.br


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