Prevenção é o melhor remédio para combater a Leishimaniose canina
Conheça sintomas e formas de prevenir a doença que traz grave risco à saúde do seu pet
Blogs e Colunas | Coluna de Estimação 22/01/2019 13:32 - Atualizado em 22/01/2019 18:50

Sergipe tem registrado vários casos de Leishimaniose, doença conhecida como Calazar, em humanos, mas tem preocupado também os tutores de cães. O calazar se trata de uma zoonose, causada através da picada por um inseto vector, um deles o “mosquito-palha”, principal transmissor nos cães.

O inseto infectado, principal vilão, transporta o protozário parasita Leishmania ao picar no homem, no cachorro ou em outro animal. No animal forma-se um nódulo pequeno chamado de leishmanioma, que passa quase sempre despercebido. Depois, todo o processo se expande pelo organismo. A doença ataca o sistema imunológico e, meses após a infecção inicial, pode evoluir para uma forma visceral mais grave.

Os animais ou pessoas picadas pelo mosquito infectado se tornam em “reservatórios da doença”, ou seja, portadores da doença, mesmo que não apresentem sinais clínicos. O animal infectado vira um potencial transmissor do calazar, quando o mosquito o pica e pode transmitir a doença ao picar outros animais ou humanos.

“Lembrando que o cão não é o único vetor. Todos os animais de sangue quente podem ser vetores, incluindo raposas, ratos, gatos, saguis e até o próprio humano. Os cães acabam sendo mais contaminados por terem a temperatura mais alta que a nossa. Todo o país, infelizmente, é endêmico para a leishimaniose, a prevenção é combater o mosquito com uso de repelentes, principalmente”, alerta a médica veterinária Juliene Oliveira.

Sintomas

No cão, as manifestações vão desde o surgimento de dermatite e feridas na pele, ulceração, inclusive necrose, principalmente em regiões como focinho, ponta de orelha e cauda, como também emagrecimento, sangramento nasal, febre e problemas renais.

Os primeiros sintomas são: alopecia (regiões sem pelo); despigmentação dos pelos (perdem a cor); descamação da pele principalmente do nariz e úlceras na pele (orelhas, cauda, focinho).

Na fase mais avançada da leishmaniose visceral canina, os sintomas são: dermatites; problemas no baço; conjuntivites e outros problemas oculares; apatia; diarreia; hemorragias intestinais e vômitos.

No último estado pode apresentar: caquexia; paralisia das patas posteriores; inanição e a morte.

Prevenção

A prevenção ainda é o melhor remédio contra a doença. Para o cão existem medicações, repelentes, coleiras repelentes e pipetas que são aplicadas na nuca do pet, associadas à vacinação. A vacina, chamada leish-tec ®, só deve ser administrada após teste sorológico com resultado negativo para a doença. Deve-se aplicar três doses (1 ml/animal) com intervalos de 21 dias em cães, a partir de 4 meses de idade, e depois imunizá-lo anualmente em dose única usando como base a data da primeira dose do ano anterior.

Como todo produto biológico, podem surgir reações de hipersensibilidade, que deverão ser imediatamente tratadas de acordo com a orientação do médico-veterinário. Aconselhe-se junto ao veterinário sobre a possibilidade de vacinar o seu pet e os custos da vacina. A vacinação aumenta a chance de o animal ficar protegido e ajudar no controle da doença e do risco de transmissão.

Cuidados em casa

A doença geralmente está associada à desnutrição, mudança de ambiente, condições precárias de habitação e saneamento, sistema imunológico fraco e mudanças ambientais, como desmatamento, construção de barragens, sistemas de irrigação e urbanização. O inseto costuma se reproduzir em locais com matéria orgânica em decomposição.

Para evitar a proliferação do mosquito, a melhor maneira é deixar o quintal limpo, não acumular lixo, nem fezes, nem deixar lixeiras abertas. Deve ainda manter o canil ou a área em que o cachorro fica sempre protegido. Além de eliminar o lixo orgânico de forma adequada (restos de comida, folhas, frutos e restos de galhos), evitar água parada, limpar constantemente os abrigos de animais, e higienizar os bichinhos.

Ao anoitecer e ao amanhecer mantenha os cães dentro de casa, pois é o horário que os mosquitos se alimentam e transmitem o calazar.

Diagnóstico

Para diagnosticar a doença, o veterinário tem como base os sinais clínicos, porém o diagnóstico definitivo é feito através de exames parasitológico ou sorológico, tal como a medicina humana. No entanto, o parasitológico, apesar de ser método simples e eficaz, é considerado invasivo. O teste sorológico, recomendado pelo Ministério da Saúde, é feito através de amostra de sangue. O médico veterinário poderá indicar o método mais adequado.

Tratamento

Contrariando medidas como a eutanásia, já existe no Brasil medicamentos legalizados pelos ministérios da Saúde (MS) e da Agricultura (Mapa), para o tratamento da leishmaniose visceral canina, já realizado por médicos veterinários, surtindo efeitos positivos. Apesar da cura ainda ser discutível e depender de cada paciente, o tratamento sintomático, que envolve exames e medicação rotineira, aumenta a expectativa de vida e ameniza os sintomas, gerando maior qualidade de vida.

"Existem algumas medicações, mas precisa primeiro estadiar o paciente. Cura total ainda é um pouco controvérsio, tem pacientes que negativam a sorologia, mas precisam ser monitorados, e outros que apenas baixam a carga parasitária da doença. Depende muito de cada paciente. O tratamento é variável, existe a medicação Milteforan, liberada pela Portaria do Mapa, mas ele não deve ser a única forma preoconizada. Existe a forma de prevenção junto ao tratamento, para que o animal não seja reinfectado e não apresente risco à população e a outros animais mamíferos", explica a veterinária. 

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Fernanda Araújo é formada em Comunicação Social – Jornalismo pela UNIT, pós-graduada em MBA Marketing, Assessoria e Comunicação Integrada pela FANESE. Já trabalhou como assessora de comunicação em sindicato de classe, e atualmente, é repórter no Portal F5 News. Premiada em primeiro lugar no Prêmio João Ribeiro de Divulgação Científica da Fapitec, na categoria web jornalismo, em 2018.

E-mail: fernandaaraujo.jornalismo@gmail.com


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