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Cotidiano
06/12/2017 15:43:00
Ação busca conscientizar homens sobre respeito às mulheres

Por Saullo Hipolito

“Não devemos ter medo do que é ruim, devemos enfrentar, ter coragem e denunciar. Siga em frente, nós temos muitas pessoas que nos protegem. Não retire a queixa, lute pela justiça”. Assim se manifestou a bordadeira Maria das Graças, de 68 anos, que se separou aos 65, após sofrer a primeira ameaça de agressão por parte do então marido.

Hoje (6) ela foi uma das mulheres participantes de um evento na praça General Valadão, no centro de Aracaju, alusivo ao Dia Internacional do Engajamento dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, 6 de Dezembro. A campanha integra o movimento internacional “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, que teve início em 20 de novembro, junto ao Dia da Consciência Negra. O evento acontece em cerca de 150 países e tem como objetivo sensibilizar todos os cidadãos no enfrentamento a essa violência.

Segundo Edivaneide Lima, coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres Secretaria de Estado da Mulher, Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), a campanha – nomeada Laço Branco - tem por base a prevenção. Os participantes colocavam os laços em homens que passam pelo local, com a frase “Homens pelo fim da violência contra a mulher”, distribuíram panfletos e conversaram sobre o tema.”Queremos trabalhar com a informação”, disse Edivaneide. 

Para o servidor público municipal Hibrahim Mauad, 50, a campanha tem enorme importância para ambos os gêneros. “Vivemos infelizmente numa sociedade que maltrata e violenta as mulheres e essa violência tem proporções graves, sinal de que nossa sociedade está doente, com problemas gravíssimos a serem resolvidos”, afirmou.

Aumento de casos

As ações preventivas são mais do que necessárias. Dados recentes da ONU mostram que a capital sergipana lidera o ranking da violência sexual no Nordeste. São cerca de dois mil registros de violência contra a mulher, segundo o Departamento de Grupos Vulneráveis (DAGV), só esse ano.

“Percebemos que Aracaju despontou de forma negativa nessa questão, contudo esse trabalho vem prevenir e conscientizar mais mulheres e, principalmente, homens com o objetivo de diminuir o número de casos”, afirma Edivaneide Lima.

Ela atribui o aumento de registros aos direitos e punições do público feminino.  “O crescimento da violência acontece porque antigamente era tudo muito escondido, ninguém denunciava. Hoje, com o empoderamento das mulheres, com toda a informação, a denúncia é feita, o que vem na contramão é que os agressores se sentem mais ameaçados, contudo, antes da mulher denunciar já é agredida, mortas em alguns casos”, conclui.

A bordadeira Maria das Graças entrou na estatística das mulheres que reagiram a tempo. “Eu o denunciei e não tive medo, porque eu participo há muito tempo da Casa das Domésticas, lá são oferecidos muitos serviços, como psicólogas, assistentes sociais, advogados, que nos orientam a agir nestes casos”, disse. Ela se orgulha da providência que tomou e agradece aos pais a formação e o apoio que recebeu. 

Medo

Os fatores emocionais, econômicos e a exposição, ainda impedem que a mulher não faça a denúncia. “O agressor em potencial é uma pessoa com que a vítima tem um laço afetivo muito grande, é um marido ou um familiar, isso gera uma dificuldade na denúncia. Até novembro foram 2.800 denúncias registradas na polícia, com 1.200 inquéritos, esse viés denota essa relação”, comenta a coordenadora.

Vale ressaltar que não é necessária que a denúncia seja realizada pela vítima. Um vizinho ou um amigo podem fazê-la sem se identificar, por meio do número 180. De acordo com Edivaneide Lima, os atuais profissionais militares são capacitados, têm a sensibilidade e a capacidade de ouvir sem julgar.

"Com a lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a gente vê que as mulheres estão no enfrentamento para se proteger, por saber dos seus direitos. As leis deixam as mulheres mais seguras, apesar do processo ser lento, pois vem de uma cultura milenar, em que a mulher é submissa ao homem. É um trabalho de formiguinha, mas a gente vem obtendo bons resultados”, afirma Edivaneide.

Atendimento no interior

Nesta terça (5) houve uma feira da agricultura familiar e das mulheres artesãs, que visa também o empoderamento desse público. “Quando se abre espaço para a mulher criar sua renda, contribui para que saia do jugo desse suposto agressor”, analisa Edivaneide.

Existem ainda duas unidades móveis, que atendem a todo o estado, principalmente aos povoados onde não há acesso a informações. Dentre os atendimentos oferecidos estão os   psicológicos, serviço social e jurídico.

Outros eventos

No próximo dia 12, haverá a quarta reunião do Fórum Estadual do Organismo de Políticas Públicas para as Mulheres (FEOPM), quando vai ser lançada a campanha “Quem ama abraça”, que é desenvolvida nas escolas com educadores e educandos, por entender que a violência é cultural. “Nós mulheres que educamos nossos filhos; então, temos a obrigação de quebrar essa cultura patriarcal nas nossas famílias, acredito que é por aí que conseguiremos diminuir essa violência”, avalia Edivaneide Lima.

 

*Estagiário sob supervisão da jornalista Mônica Pinto (DRT/SE 515)

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