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Cotidiano
14/11/2017 16:30:00- Atualizado em 14/11/2017 17:01:48
Em Sergipe, cavalo é ‘preso’ e vira piada na internet
PM que autorizou apreensão de animal em delegacia é afastado

Por Aline Aragão

O brasileiro é bem humorado e não perde a oportunidade de fazer piada. E quando o assunto é inusitado, não demora muito para encabeçar a lista dos mais comentados nas redes sociais, fazendo surgir uma enxurrada de memes. O assunto da vez é a “prisão” de um cavalo no município de Nossa Senhora da Aparecida, no agreste de Sergipe, que ganhou inclusive repercussão internacional.

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De acordo com as informações, o crime cometido por Faceiro, como é chamado o animal, aconteceu no domingo (12), durante uma cavalgada. O cavalo usou os próprios instintos e deu um coice na porta de um veículo.

O comandante do policiamento no município, capitão da Polícia Militar, Vagno Passos, afirmou que o animal foi usado como meio para cometer crime de dano e o proprietário teria se recusado a admitir a responsabilidade, culpando a condutora por ter estacionado na área da festa. Por esse motivo, Faceiro foi conduzido à delegacia. E segundo o comandante, só foi colocado dentro de uma cela para ficar protegido.

À luz da legislação, não é possível considerar a situação como prisão, mesmo tendo o animal passado a noite na minúscula cela de uma delegacia. Na verdade, o cavalo foi apreendido.

De acordo com a Lei 9.605/98, mesmo estando dentro dos requisitos para apreensão - quando abandonado ou fora do seu habitat natural, estando em risco a sua saúde ou onde em risco as pessoas -, o Estado deve dispor de condições adequadas. Não sendo adequado o local, o animal deverá ser posto em liberdade imediatamente.

O engenheiro civil e proprietário do animal, Wiliam Francisco dos Santos, disse que não estava com o cavalo quando tudo aconteceu. “Eu emprestei o cavalo e um rapaz saiu para dar uma volta, mas ele se assustou e deu um coice que atingiu o veículo de uma mulher da cidade de Ribeirópolis. Depois disso, um policial pegou o cavalo e o levou para à delegacia”, contou.

Wiliam disse ainda que se ofereceu para levar o animal e que pagaria pelo dano, mas o policial recusou dizendo que só seria liberado na segunda-feira (13). “Quando cheguei na delegacia encontrei ele em uma cela, como se fosse um marginal. E pior: sem comida, sem água e em um espaço onde não podia se mexer. À noite eu levei comida, mas no dia seguinte, quando cheguei, não me deixaram alimentá-lo”, desabafou.

O dono do cavalo fez um vídeo denunciando o fato, confira:

Justiça

O dono do cavalo registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) e pretende levar a situação para a Justiça. William disse também que Faceiro está mancando, por ter ficado tanto tempo em pé, sem poder se mexer direito. “Não existe nenhum procedimento contra mim, mas prenderam o meu cavalo. Precisei pedir ajuda para uma ONG de proteção aos animais e arrumar um advogado para soltá-lo”, diz.

A representante da Ong Educação Legislação Animal (Elan), Nazaré Morais, disse que também registrou um BO referente aos maus tratos sofridos pelo animal.

Punição

O secretário de Estado da Segurança Pública, João Eloy, determinou o afastamento do capitão Vagno Passos do comando da 3ª Companhia do 3º Batalhão da Polícia Militar, por ter autorizado a detenção de um cavalo na delegacia.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que foi uma decisão administrativa, mas que não iria comentá-la em função da repercussão do fato.

Por meio de nota a Policia Militar de Sergipe informou que, diante da repercussão do fato, o Comando da PMSE determinou que o oficial permanecesse trabalhando normalmente na sede do 3º BPM, em Itabaiana, até a conclusão da rigorosa apuração instaurada, principalmente no que se refere à denúncia de maus tratos supostamente sofridos pelo equino e as circunstâncias que motivaram a ação policial.

“É importante frisar que, apesar da ação cautelar ora adotada, o Comando da corporação reconhece o excelente trabalho que o Oficial vem desempenhando à frente da 3ª Cia/3º BPM desde abril do corrente ano, em Ribeirópolis,  onde sua ação de comando junto à tropa proporcionou a redução de todos os índices criminais, notadamente os homicídios dolosos, conseguindo a marca de 120 dias sem que nenhuma vida fosse perdida na área sob sua responsabilidade”.

Fotos: Reprodução/Rede social

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