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Especial
13/05/2017 16:13:00- Atualizado em 13/05/2017 21:19:43
Mulheres sergipanas driblam a crise e alavancam empreendedorismo
Pesquisa mostra que empreendedorismo feminino cresceu 11,1% em oito anos

Por Nathália Passos e Sthephani Bispo

Em tempos de crise é necessário ter criatividade e inovação para fazer o diferencial e conseguir destaque num mercado tão concorrido. Abrir um novo negócio está sendo a válvula de escape para aqueles que buscam estabilidade financeira. E as mulheres têm se destacado no ramo do empreendedorismo.

No mundo inteiro o empreendedorismo feminino chama atenção, as mulheres se destacam cada vez mais nos diversos setores da economia. E as sergipanas estão mostrando que podem e querem entrar nesse mercado competitivo e provar que são capazes de administrar um negócio. Em oito anos, o número de mulheres que resolveu abrir uma empresa cresceu 11,1% em Sergipe, de acordo com o Sebrae.

No estado, existem 20.459 microempreendimentos administrados por mulheres. A estimativa do Serviço é de que  o faturamento de 75% das empreendedoras chegue a R$ 24 mil por ano.

Um levantamento do Sebrae traçou o perfil das empresárias, que são sobretudo jovens: 40% delas com menos de 34 anos que estão concentradas, principalmente, em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%). A maior parte empreende na própria casa (35%).

Mas o que leva essas mulheres a querer empreender? É claro que a motivação financeira é uma das principais razões, mas para as mulheres esse motivo não costuma ter um peso tão forte quanto para os homens. Elas têm vontade de fazer a diferença e trazer algo de novo.

“A flexibilidade de horário de um dono de negócios é um atrativo para as mulheres que desejam organizar as finanças e, ao mesmo tempo, cuidar da família”, acrescenta o presidente do Sebrae nacionalmente, Guilherme Afif Domingos.

Incentivo

Para fomentar ainda mais o empreendedorismo no estado, a Federação do Comércio (Fecomércio) planeja a implementação da Câmara Mulher Gestora, que deve começar a funcionar ainda este mês.

Segundo o superintendente da Fecomércio/SE,  Mauricio Oliveira, a proposta é orientar as mulheres sergipanas ministrando palestras, cursos e incentivando cada vez mais o ato de empreender.  

“É interessante o contato entre várias mulheres para a troca de experiências e até mesmo para servir como suporte e incentivo”, diz.

Quem são elas?

Ser uma empreendedora ainda hoje é difícil, não só pelas barreiras no trabalho, mas também pelo preconceito em torno do gênero. Não precisamos ir muito longe para achar mulheres batalhadoras que com seu negócio sustentam suas famílias e tentam, diariamente, superar esse preconceito. F5News encontrou três mulheres que administram negócios diferentes do convencional, duas delas ocupam áreas até então dominadas por homens.

Dayse Adriana da Conceição, 41 anos, mora na cidade de São Cristóvão, onde trabalha em um colégio particular como auxiliar de serviços gerais e faz doces por encomenda. Até aí tudo bem, a diferença está no tipo de produto que Dayse criou. Com seu bom humor, a doceira conquista os clientes não só pelo paladar, mas também pelo tato e visão. Adriana, que faz dos chocolates verdadeiras obras de arte, encontrou nas prateleiras de lojas moldes bem picantes para chamar atenção da clientela.

“Vi formas eróticas e gostei, pois tem muito chá de lingerie, despedida de solteira, às vezes a pessoa vai casar e a colega quer dar de presente, aí junto do presente além do chocolate convencional, vai essa surpresinha, os chocolates com formatos eróticos. A partir disso, surgem as brincadeiras, que tornam o momento divertido e as pessoas gostam”, disse Dayse.

Segundo ela, embora o mercado atraia muitas pessoas como alternativa ao desemprego, ainda há demanda e espaço para  crescimento. A qualidade é o ponto forte do produto da sergipana, que ainda investe pouco na divulgação. “Evito fazer propaganda nas redes sociais porque sei que tem crianças que podem ver e acho impróprio.  Por isso, não vendo tanto para pessoas de fora, só para quem conhece meu trabalho e acaba falando aos amigos”, afirma a doceira.

Outra mulher de coragem é Rosana de Alcântara, 48 anos, de Aracaju. Mesmo tendo graduação em pedagogia,  informática, e iniciado o curso de engenharia civil, largou tudo pelo amor por pilotar motos. Aos 11 anos, seu pai a ensinou a andar sobre duas rodas e, desde então, sua paixão só cresceu. Após sair do emprego, decidiu com o incentivo do pai ser Motogirl.

“Trabalhei em uma empresa, mas resolvi sair e abrir meu próprio negócio. Hoje trabalho prestando serviços de entrega de encomendas, pagamentos de contas, etc. Não tenho um serviço fixo, vou para cartório, colho assinaturas, resolvo documentações”, conta Rosana.

De acordo com ela, o serviço é lucrativo, porém o mercado sergipano para este segmento ainda está restrito por conta do preconceito. “Acham que não temos o mesmo desempenho do homem, a mesma agilidade, quando, às vezes, temos até mais que eles, pois muitos motoboys são imprudentes. Eu sou mais cautelosa, não me arrisco em certas manobras para chegar mais rápido, procuro fazer tudo certo, e nem por isso deixo de cumprir os prazos”, diz.

A motogirl ainda sonha mais alto, pretende ampliar seu negócio e abrir uma cooperativa, para ajudar mulheres que assim como ela amam pilotar, mas ainda não tiveram oportunidade de entrar no mercado.

“Já vi algumas motogirls aqui em Aracaju, até entro em contato, pois tenho uma ideia de formar uma cooperativa só de mulheres”, disse.

A terceira empreendedora trabalha rodeada por homens, em um local que as mulheres não costumam frequentar. Ana Paula Moura Duarte Pinto é casada, tem duas filhas, é muito vaidosa e, além disso tudo, mecânica há mais de 30 anos.

Tudo começou na oficina do pai dela, que experimentava grande rotatividade de funcionários.

“Os homens que trabalhavam para o meu pai não duravam pelo fato dele ser muito bruto e exigente, então falei com minha mãe que iria trabalhar com ele para ver se com a filha seria diferente. Quando percebi, já estava fechando câmbio, fechando motor e outras coisas. Hoje praticamente só sei fazer isso, amo o que faço”, disse Ana Paula.

Ela já trabalhou em três multimarcas, onde aprendeu a mexer em vários carros, inclusive importados. Hoje tem a própria oficina  e trabalha com o irmão. Segundo ela, os clientes realmente confiam no seu trabalho e o negócio está dando tão certo que há pouco tempo contratou mais um ajudante.

“A minha preocupação era pelo fato de ser mulher, mas está dando muito certo e eu consegui conquistar meus clientes. A clientela chega a dizer ‘ainda bem que conheci você’ porque hoje em dia é muito difícil encontrar um mecânico de confiança”, afirma Paula.

Essas três mulheres são a prova de que o preconceito fica de lado quando a determinação de chegar aos objetivos é maior. São empreendedoras, mães, donas de casa, se arriscam todos os dias tentando inovar, e como bem cantou Milton Nascimento, sem perder a estranha mania de ter fé na vida.

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