Marcio Rocha
15/01/2018 08:58:00
Estamos pagando a conta do “cheque especial” da Petrobrás

Os problemas que toda a população está enfrentando para poder manter seus veículos circulando, considerando que o preço da gasolina está oscilando entre R$ 4 e R$ 4,40 em Aracaju, são grandes e difíceis de entender. Meramente colocam a culpa no governo, sem entender mais a fundo o que provocou todos esses danos. A conta dos combustíveis é a conta que todos estamos pagando pela corrupção. O que aconteceu para chegarmos a esse estágio em 2018, com preços que deverão atingir o dobro do valor cobrado pelos combustíveis em 2011? Tentaremos explicar de forma rápida.

 

Desde 2006, o Governo Federal usou a Petrobrás como o cheque especial de um banco, exercendo o controle dos preços, para controlar a inflação de maneira artificial. Isso transmitia a imagem de um país com a economia controlada e presumivelmente autossuficiente na produção de petróleo, o que criou a margem para manter os preços mais baixos que no mercado internacional. Mesmo com o preço do petróleo disparando por todo o mundo, havia importação de óleo venezuelano, que vinha a preços muito mais baixos. Isso fazia com que os combustíveis não sofressem majoração, porque os preços eram administrados pelo governo que segurava a intenção da Petrobrás de aumentar o valor.

 

A desvalorização artificial do preço do petróleo brasileiro seguia o caminho contrário dos preços de alimentos, bens de consumo e duráveis, que elevavam constantemente. O preço do barril de petróleo em julho de 2008 era de US$ 147 no mercado internacional, o maior preço dos últimos 10 anos. O mesmo barril encerrou 2017 custando pouco mais de 68 dólares, o que deveria puxar para baixo o preço dos combustíveis, certo? Errado! Justamente por não reajustar os combustíveis de acordo com o preço do barril no mercado durante os últimos anos, a Petrobrás, forçada pelo governo, construiu um poço sem fundo de déficit financeiro. A cifra aproxima-se do estratosférico valor de 100 bilhões de reais. Hoje, o custo da corrupção está sendo repassado para a população, já que não promoveram a variação dos preços dos combustíveis por vários anos.

 

Para melhor entendimento do leitor da coluna. Quando o preço do barril do petróleo estava em alta, as contas começaram a ser desequilibradas por meio da intervenção do governo que determinava a venda dos combustíveis sem reajuste. Isso foi perfurando cada vez mais o poço do controle inflacionário artificial. Com o fim do controle do governo sobre os combustíveis, depois da descoberta de trocentos escândalos envolvendo a subtração de centenas de milhões em recursos da própria Petrobrás, a empresa voltou a administrar por conta própria a cotação dos combustíveis. Por isso que o consumidor recebe impactos sucessivos como socos de um boxeador, sem tempo de reação, com um aumento atrás do outro. Esses recursos angariados com os preços astronômicos dos combustíveis no Brasil estão pagando a conta do que foi sublimado por tantos anos da Petrobrás. Obviamente, isso também está aliado à práticas lesivas como os desvios de 200 bilhões anuais oriundos de corrupção, bem como os altos gastos do Governo Federal, além da sua irresponsabilidade fiscal.

 

O maltrato com os recursos da Petrobrás durante tantos anos provocaram essa reação de elevação constante dos preços dos combustíveis, que causa tanta indignação em mim, em você, em todos. E o atual preço regulado com variação constante também irá prejudicar a economia, principalmente em nossa agricultura e pecuária, que depende basicamente do transporte rodoviário para escoar sua produção.

 

A consequência que estamos sofrendo atualmente poderia ter sido evitada com a administração dos preços de acordo com o barril do petróleo ao longo dos últimos anos. A cotação do combustível certamente estaria aproximada do valor atual, mas bens de consumo e alimentos, talvez não estivessem com um custo tão alto para as famílias como tem na atualidade.

 

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Marcio Rocha é jornalista formado pela UNIT e radialista formado pela UFS, especializado em economia, com experiência de quase 20 anos na comunicação sergipana.

 

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