Marcio Rocha
09/10/2017 17:08:00
Problemas conjunturais e estruturais inviabilizam manter uma empresa

Empreender no Brasil não é uma tarefa fácil. Na crise, os desafios ficam ainda maiores. Em 2015, apenas 37,8% das 733,6 mil empresas criadas cinco anos antes ainda se mantinham ativas. É o que aponta o último levantamento Demografia das Empresas, divulgado ontem pelo IBGE. Os dados mostram ainda que, pelo segundo ano consecutivo, o saldo de criação de empresas ficou negativo. Analistas observam que 2015 foi difícil para empreendedores porque, além da recessão, que se manifestou com força naquele ano, a inflação subiu para 10,67%, levando muitas famílias a segurarem os gastos. A queda no consumo, intensificada pelo aumento do desemprego e pelas altas taxas de juros, tornou inviável a operação de muitas empresas e inibiu os investimentos na criação de novas. O problema no Brasil, no entanto, não é apenas conjuntural, de acordo com o chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes. “É, também, estrutural. A alta carga tributária e o custo Brasil tornam muito difícil abrir, manter e até fechar uma empresa”, destacou. Para o economista, o retrato de 2016 virá tão ruim quanto o divulgado ontem. As micro e pequenas empresas (MPEs) foram as que mais sofreram no período de crise. Ciente da representatividade delas, que respondem por 98% do contingente de pessoas jurídicas no País, por 27% do PIB, e por 60% dos empregos, o governo criou ontem a Semana Nacional do Crédito. Ao longo do mês, sete bancos destinarão R$ 9 bilhões em recursos a empreendimentos de menor porte. Embora considere a iniciativa louvável, Fabio Bentes, da CNC, ressalta que é preciso mais. “O governo deve avançar na agenda reformista e sinalizar para os investidores a intenção de reduzir o custo de operar no País”, destacou.

 

Laércio Oliveira: lei da terceirização beneficia o setor de turismo

O seminário “Desafios da Aviação”, realizado pela CNC, reuniu os principais líderes de entidades ligadas ao turismo, um grande gerador de serviços que é sempre esmagado por impostos e taxas. O resultado é muitas vezes a inviabilização de negócios devido aos altos custos, como destaca o Portal Radar. O vice-presidente da CNC e deputado federal, Laércio Oliveira, foi o relator e defensor da lei da terceirização – que demorou 20 anos para ser aprovada – e responsável pela emenda do trabalho intermitente. De acordo com Laércio, a aprovação da reforma irá beneficiar diversos segmentos que envolvem o turismo, como prestação de serviços, de hospedagem, entre outros. Isso graças à redução de custos operacionais, alteração de taxas e recolhimento de impostos. Laércio ainda ressaltou a importância dos presentes no seminário não cruzarem os braços, pois ainda existe “um longo e árduo caminho a percorrer”. O executivo alertou que é necessário que os empregadores levem a informação correta aos seus funcionários e sindicatos ligados às suas atividades. “A lei vem para beneficiar a todos, vide o aumento do número de índice de crescimento de contratações após a aprovação da lei”, finalizou. 

 

Governo vai adiar pacote de medidas até fim da denúncia

O Valor Econômico destacou que o governo deve adiar, para o fim de outubro ou até para novembro, o pacote de medidas, anunciado há dois meses, com o objetivo de gerar receitas e cortar despesas em 2018. A equipe econômica alega que as medidas, que desagradam a funcionários públicos e empresas, são necessárias para o cumprimento da meta fiscal no próximo ano. Mas, pressionado pela base parlamentar que apoia seu governo, o presidente Michel Temer deve postergar o pacote, como já fez com a reforma da Previdência Social. A preocupação do Palácio do Planalto é com a segunda denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente, que precisa do apoio de sua base para que a Câmara dos Deputados rejeite a abertura da ação penal. O adiamento prejudica o esforço fiscal previsto para o próximo ano, quando o déficit primário das contas públicas (que não considera a despesa com juros da dívida) deverá ser de R$ 159 bilhões. 

 

Empréstimos do BNDES devem crescer 50% em 2018

Os empréstimos do BNDES devem oscilar entre R$ 110 bilhões e R$ 120 bilhões em 2018, um crescimento de até 50% em relação aos R$ 80 bilhões previstos para este ano, disse ontem o diretor da área financeira da instituição, Carlos Thadeu de Freitas. "Hoje, o que puxa a economia ainda é o consumo, apesar de restrições, mas no ano que vem será o investimento que está num patamar pífio", disse Freitas em entrevista à Reuters. Neste ano até agosto, os desembolsos do BNDES somam cerca de R$ 45 bilhões, com isso, a expectativa do banco é de uma aceleração nos últimos meses do ano. 

 

Política de preços da Petrobras tem efeito na inflação

Depois de cinco reduções seguidas, o preço do diesel volta a subir 0,5% hoje, como informa a Agência Brasil. Já o preço da gasolina se mantém em baixa desde o dia 29 do mês passado, acumulando retração de 7%. O novo reajuste definido pela Petrobras para esse combustível, de menos 0,7%, entra em vigor também nesta sexta-feira. Considerando os reajustes para cima e para baixo observados desde o dia 30 de setembro, o preço do diesel às distribuidoras caiu 6,7%. A mudança na política de preços dos combustíveis passou a ser adotada pela Petrobras no início de julho nas refinarias. Desde então, os preços da gasolina e do diesel estão sendo alterados, às vezes, de um dia para o outro. A estatal afirma que a ideia é repassar com maior frequência as flutuações do câmbio, do petróleo e, com isso, permitir “maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo”, dando condições de competir “de maneira mais ágil e eficiente”.

 

Movimento no comércio cresceu 3,4% em um ano

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, o movimento dos consumidores nas lojas registrou, em setembro, alta de 1,0% perante agosto, já efetuados os ajustes sazonais. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve alta de 3,4%. Foi o melhor resultado neste critério de comparação desde julho de 2015. No acumulado do ano até setembro deste ano, a atividade varejista recuou 0,4% frente ao período de janeiro a setembro do ano passado. Segundo os economistas da Serasa Experian, a retomada do crescimento da massa real de rendimentos, alavancada pela queda da inflação e pelo início de recuperação do nível de emprego formal, tem contribuído para a definição de uma tendência positiva da atividade varejista. Neste contexto, reduções das taxas de juros, a volta do crédito e a melhor confiança dos consumidores, amplificam este movimento. No mês de setembro, todos os segmentos varejistas pesquisados registraram crescimento: supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (1,2%), móveis, eletroeletrônicos e informática (4,1%), combustíveis e lubrificantes (1,2%), veículos, motos e peças (1,3%), tecidos, vestuário, calçados e acessórios (0,4%), material de construção (3,3%). 

 

 

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Marcio Rocha é jornalista formado pela UNIT e radialista formado pela UFS, especializado em economia, com experiência de quase 20 anos na comunicação sergipana.

 

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