Dilson Menezes Barreto
03/10/2017 09:38:00
Michel Temer e a intensa queda de popularidade

A economia brasileira no último trimestre do ano em curso tem dado sinais de recuperação, tudo fazendo crer que saímos do fundo do poço. Há probabilidade de que o Produto Interno Bruto (PIB) encerre o exercício na casa dos 0,7%, a taxa de juros fique situada em 7,5% e a inflação, o grande terror do passado, em níveis inferiores a 3%, abaixo, portanto, da meta estabelecida pelo Banco Central. De igual maneira, o desemprego está caindo e as famílias, em função do ganho em seu poder de compra e na queda do seu endividamento, começarem a aumentar seu nível de consumo, o que é salutar para a economia.

 

Então, qual a razão pela qual o nível de popularidade do presidente Temer continuar caindo seguidamente, chegando hoje a 3% de aprovação? Em meu entendimento, alguns fatores são circunstanciais para responder a esta questão:

 

-O governo não está sabendo se comunicar com a população massificando, da maneira mais simples possível em termos de notícias, os ganhos obtidos pela economia, não deixando transparecer que tais resultados sejam decorrentes da equipe econômica e não dele;
 

-Por sua vez, economia não é prato que interesse à população, especialmente os mais pobres, pouco se sensibilizando com números, por melhores que eles possam ser. O que lhes interessa é a barriga cheia, o dinheiro no bolso, o emprego, e isto vem ocorrendo de maneira muito lenta, não criando um fato positivo que a faça mudar de lado, reconhecendo o trabalho do governo;

-A falta de carisma de Temer não lhe permite ser identificado como um líder popular, criando assim barreiras que não consegue quebrar para aproximar-se do povo. Além disso, falta-lhe uma linguagem simples, capaz de ser entendida pela população;

-Sua imagem na televisão é de um personagem austero, almofadinha, que não tem cara de povo. Seu linguajar é rebuscado e cansativo, deixando transparecer que ele está falando não para 220 milhões de habitantes, porém para um seleto público - como ele, sofisticado.

-De outro lado, aumentando sua imagem negativa, a massificante divulgação de informações por parte dos diversos grupos de interesse que se sentem prejudicados com os projetos de reformas, de que as mesmas são prejudiciais ao trabalhador roubando seus direitos e que, de maneira competente, é assimilada pela grande maioria da população, caricaturam o presidente não como seu aliado, porém como seu mais terrível inimigo;

-A imagem construída pelos meios de comunicação, facilmente assimilada pelo povo, é que Temer está cercado de auxiliares da sua maior confiança identificados como corruptos, o que faz desacreditar o seu governo e suas intenções de governar para o povo;

-Finalmente, as constantes denúncias de corrupção que atingem seus auxiliares imediatos, verdadeiras ou não, por ação da Procuradoria Geral da República, procuram envolvê-lo diretamente, sendo precários seus mecanismos de defesa. Não sendo um líder carismático, Temer não tem condições de, mesmo mentindo, transformar a mentira numa verdade. Não soube beber na cartilha de um outro líder político que, mesmo acusado e condenado em primeira instância, tem a capacidade de fazer com que todos acreditem em sua inocência e permitir que sua popularidade aumente a cada dia. Além do mais e que pesa negativamente, a maneira pouco republicana utilizada pelo governo junto ao Congresso para salvar sua pele deixa transparecer que as denúncias são verdadeiras e que ele, o presidente, deve sair.

 

Sendo esta a imagem do presidente Temer construída na sociedade pelos seus opositores e pela Procuradoria Geral da República e difundida em larga escala pelos meios de comunicação, não poderia ser outra a tendência para a sua queda constante de popularidade, tornando-se difícil a reversão do processo por incompetência dos que estão por trás das comunicações palacianas e do próprio Temer, que não sabe descer do seu pedestal para melhor se comunicar com a população.

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Dilson Menezes Barreto
Dilson Menezes Barretor é economista, mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe e professor aposentado de economia da Universidade Tiradentes. Exerceu cargos de secretário de Estado nos governos de José Rollemberg Leite, de secretário municipal na gestão dos prefeitos Heráclito Guimarães Rollemberg, Jackson Barreto e Wellington Paixão, e de secretário de administração e de planejamento no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. É articulista do caderno mercado do Jornal da Cidade e autor do livro 'A Construção do desenvolvimento de Sergipe e o Papel do Condese (1964-1982)'.

 

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