Saumíneo Nascimento
10/09/2017 12:53:00
The New Development Bank – O Banco dos BRICS

A discussão da internacionalização bancária está inserida no processo de internacionalização dos mercados financeiros e de capitais. Compreender  os diferentes modelos de internacionalização bancária em distintos países ajudará a posicionar o modelo de internacionalização bancária presente no Brasil.

 

Neste sentido farei uma breve análise da importância do Banco dos BRICS (New Development Bank) para a ampliação da internacionalização bancária no Brasil.

 

A idéia da criação do Banco dos BRICS surgiu na quarta Cúpula BRICS em Nova Deli (2012), os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul consideraram a possibilidade de criar um novo Banco de Desenvolvimento para mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos BRICS e outras economias emergentes , bem como nos países em desenvolvimento.

 

Na quinta cúpula dos BRICS em Durban (2013), os líderes concordaram com a viabilidade de estabelecer o Novo Banco de Desenvolvimento e tomaram a decisão de fazê-lo. Também foi acordado que a contribuição inicial para o Banco deveria ser substancial e suficiente para que ele fosse efetivo no financiamento de infraestrutura.


E finalmente na sexta cúpula BRICS em Fortaleza (2014), os líderes assinaram o Acordo que estabeleceu o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). Na Declaração de Fortaleza, os líderes enfatizaram que o NDB fortalecerá a cooperação entre os BRICS e complementará os esforços das instituições financeiras multilaterais e regionais para o desenvolvimento global, contribuindo assim para compromissos coletivos para alcançar o objetivo de um crescimento forte, sustentável e equilibrado.


O Banco foi criado com um capital inicial autorizado de US$ 100 bilhões e um capital já integralizado (aportado) de US$ 50 bilhões, com participação igual de 20% para cada um dos os membros fundadores. Mas também já existe um Centro Regional de Desenvolvimento do Novo Centro de Desenvolvimento será estabelecido na África do Sul. Em breve todos os países dos BRICS terão uma representação do novo banco internacional em seus países, inclusive o Brasil.


O primeiro e atual Presidente do Banco dos BRICS é o Dr. K.V. Kamath, ele é considerado um dos líderes empresariais mais bem sucedidos e reconhecidos da Índia. Ele começou sua carreira em 1971 com o ICICI, o maior banco do setor privado da Índia. Em 1988, ele se juntou ao Asian Development Bank. Já em 1996 ele retornou para a Índia como Presidente ICICI Bank. O Dr. Kamath é formado em Engenharia Mecânica e tem pós-graduação em administração de empresas no Indian Institute of Management, Ahmedabad.


O Executivo brasileiro que representa o Brasil no Banco dos BRICS é Paulo Nogueira Batista Jr, ele é Vice-Presidente e Diretor de Risco do Novo Banco de Desenvolvimento. Trata-se de um economista brasileiro que já foi Diretor Executivo representando o Brasil e dez outros países no Fundo Monetário Internacional (FMI) de abril de 2007 a junho de 2015 e, antes de ingressar no FMI, ele atuou como Secretário de Assuntos Econômicos no Ministério do Planejamento no Brasil, entre outros cargos.


Vale ressaltar que os membros fundadores (Brasil, Rússia, ìndia, China e África do Sul), reconhecem que são necessárias novas formas de cooperação para o desenvolvimento e para alcançar esses resultados uma nova instituição de desenvolvimento multilaterais seria necessária para somar-se às já existentes, criando uma estrutura para a busca de soluções das necessidades sociais existentes nestes países. Dessa forma, o New Development Bank (NDB) foi concebido por seus membros fundadores, para ser um verdadeiro banco multilateral de desenvolvimento do século XXI, fazendo uso de um novo modelo financeiro que possibilite eficiácia e efetividade em suas ações e, ao mesmo tempo conceba e implemente sistemas, práticas e uma cultura organizacional capaz de responder aos desafios e oportunidades que representa o atual contexto global. Para os países dos BRICS, a criação do New Development Bank é uma forma de expressar o crescente papel dos BRICS e de outras economias emergentes na economia mundial e sua maior disposição para agir de forma independente em questões de governança e desenvolvimento econômico internacional.


Isto está também expresso no documento da Estratégia Geral do Banco para 2017-2021, aprovado em 30 de junho de 2017, pelo Conselho de Governadores (BoG) do Novo Banco de Desenvolvimento. A Estratégia Geral do Banco estabelece como o NDB pretende cumprir seu mandato de mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos BRICS e outras economias emergentes e países em desenvolvimento, complementando os esforços atuais das instituições financeiras multilaterais e regionais para crescimento e desenvolvimento global.


Mas haverá espaço para entrada de novos sócios no novo Banco, pois os artigos do acordo de criação do Banco especificam que todos os membros das Nações Unidas podem ser membros do banco, no entanto, a participação das nações do BRICS nunca pode ser inferior a 55% do poder de voto.


O New Development Bank (NDB) já está em funcionamento e durante o primeiro ano do trabalho do NDB, o Banco assinou documentos de cooperação com o Mecanismo de Cooperação Interbancária BRICS, Banco de Desenvolvimento Asiático, Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF, Grupo Banco Mundial, Banco da China, Banco de Comunicações, BNDES, Banco de Construção da China, Banco ICICI, Banco Padrão da África do Sul. Atualmente, existe uma série de acordos de cooperação negociados ou em negociação e o Banco também está aberto para receber sugestões que permitem alcançar o objetivo de atender às necessidades de desenvolvimento dos Estados membros e outros países.


A gestão de recursos humanos do novo Banco está pautada na promoção de um ambiente de trabalho diversificado, construído sobre os pilares da meritocracia e da eficiência. Embora o mérito seja o princípio geral, o NDB dá a devida consideração ao recrutamento de forma diversificada, buscando uma ampla representação dos países membros em todos os níveis. A filosofia de recursos humanos do novo Banco é a de que uma equipe composta por profissionais jovens e qualificados trará idéias novas e novas abordagens, desafiando o status quo. Além disso, o Banco está recrutando pessoal qualificado e experiente para promover profissionais mais jovens que formem o núcleo do Banco no futuro. Eis aí uma grande oportunidade de atividades para jovens executivos que estão chegando ao mercado de trabalho.

 

 

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Saumíneo Nascimento
Saumíneo Nascimento é Economista, Mestre e Doutor em Geografia, tem Pós-Doutorado em Ciência da Propriedade Intelectual pela UFS, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, da Associação Brasileira de Relações Internacionais e da Academia Nacional de Economia.

 

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do colunista.

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