Dilson Menezes Barreto
19/07/2017 07:33:00
Dois pesos praticamente iguais e dois discursos diferentes

Como dizem alguns cientistas políticos, “o Poder fascina”. A luta pelo poder numa democracia torna-se legítima, desde quando não sejam utilizados mecanismos que, através da mentira e do engodo, encubram a verdade e iludam a plebe ignara. É justamente o que tem acontecido nas últimas semanas, relacionado com o comportamento das diversas correntes políticas quando na defesa de seus interesses particulares com vistas à sua manutenção ou retomada ao poder. A oposição, no caso do processo do ex-Presidente Lula, nega peremptoriamente a existência do triplex do Guarujá como de sua propriedade, pois não existe nenhum documento que comprove a materialidade do fato. De outro lado, o governo declara oficialmente sua inocência no caso da mala carregada pelo ex-Deputado Rocha Lures, recheada com R$ 500.000,00, da mesma forma alegando a não existência do seu recebimento por parte do Presidente Temer.

 

O paradoxo está nessas controvérsias: enquanto a oposição nega materialidade para o caso da acusação do ex-Presidente Lula e proclama sua inocência por falta de provas, todavia, na sequência, acusa Temer como recebedor da mala de Rocha Lures. Do outro lado, o governo e seus aliados encampa a denúncia de que Lula é o proprietário do triplex, ao mesmo tempo que nega a propriedade do dinheiro bondosamente doado por Joesley Batista. Existe por acaso de lado a lado uma teoria da conspiração? Quem estará com a razão? Aparentemente nenhum dos dois grupos, isto porque, em ambos os casos, queiram ou não, existem uma base material evidenciada: o triplex e a mala. Se esta base não existe para um grupo, também não pode existir para o outro, visto tratar-se de alegações de delatores cujo objetivo é safarem-se da cadeia, sem provas materiais. Nesta situação, ambos são inocentes.  Muito embora com todas as negativas dos envolvidos, existe uma coletânea de fatos que esclarecem a verdade, indicando que as provas não são fictícias e sim reais. Lula pode ser duplamente punido: primeiro por soberba, aos querer igualar-se a Jesus Cristo em termos de pureza d’alma e honestidade, caso gravíssimo de excomunhão por parte da Igreja; em segundo lugar, como se comenta, por enriquecimento ilícito se não dele, pelo menos dos filhos que não herdaram nem ganharam na loteria. Por sua vez, Michel Temer deve ser punido, no mínimo por prevaricação, pois ouviu do seu interlocutor a confissão de seu crime e nenhuma providência tomou frente à gravidade do caso.

 

Este é o retrato ao vivo e a cores do nosso mundo político: ninguém é desonesto, ninguém é culpado. Mesmo que a Polícia Federal, a Justiça e o Ministério Público atestem o contrário, os signatários tentam transmitir para a população uma ideia falsa de suas virtudes, uns de olho na reconquista do poder, outros, objetivando não serem arrestados do poder. E como fica o povo? Como sempre, massa de manobra, continuará na ilusão de que seus líderes estão sendo injustiçados, jamais se separando deles. Um grupo por questão ideológica, outro grupo por acreditar nas palavras messiânicas do seu tutor, outros ainda, embevecidos pela retórica governamental. Povo sofrido, embotado pela dissimulação, pela mentira e pela farsa de políticos que fingem pensar nele quando, na verdade, suas preocupações são com o poder agora e após as eleições de 2018. O mais grave é que esse mesmo povo agora enganado, massificado, anestesiado pelos falsos discursos e promessas vãs, ludibriados com um assistencialismo perverso, é que servirá de base para coloca-los de volta, dando seu aval para que tudo continue como antes como no quartel de Abrantes.

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Dilson Menezes Barreto
Dilson Menezes Barretor é economista, mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe e professor aposentado de economia da Universidade Tiradentes. Exerceu cargos de secretário de Estado nos governos de José Rollemberg Leite, de secretário municipal na gestão dos prefeitos Heráclito Guimarães Rollemberg, Jackson Barreto e Wellington Paixão, e de secretário de administração e de planejamento no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. É articulista do caderno mercado do Jornal da Cidade e autor do livro 'A Construção do desenvolvimento de Sergipe e o Papel do Condese (1964-1982)'.

 

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