Dilson Menezes Barreto
06/07/2017 16:58:00
Por quem os sinos dobram!

A crise econômica aliada à crise política está deixando o Brasil numa situação difícil em termos de credibilidade entre os agentes de mercado tanto internamente como no cenário internacional. O Presidente Michel Temer parece ter abandonado as reformas e, submetendo-se às chantagens dos políticos do chamado “baixo clero” patrocina as mais espúrias negociatas para se sustentar no poder, pouco se importando o quanto isto vai custar para o bolso do honesto cidadão brasileiro. Pousando de inocente e avocando uma postura de estadista que nunca conseguiu emplacar, realiza viagens ao exterior, deixando transparecer que sua desgastada presença irá proporcionar algum resultado positivo para o país.

 

Alguém no governo este pensando o quanto estas questões afetam a vida do cidadão brasileiro? O que ainda se salva é o trabalho da equipe econômica que, aceitem ou não, está tentando colocar nos trilhos uma economia totalmente esfacelada pela recessão e que resiste em imprimir velocidade. As projeções são cada vez mais deprimentes: de 1,0% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado no início deste ano de 2017, em função do aprofundamento da crise, essa estimativa cai para insignificantes 0,3%, ameaçando despencar ainda mais, aproximando-se de zero, se nada de favorável acontecer até dezembro, face às grandes incertezas que rondam o ambiente. Enquanto isso, mesmo com a taxa de juros sendo reduzida e a inflação caindo, o desemprego continua elevado, as famílias endividadas vendo suas rendas depreciando-se a cada tormenta, os investidores temerosos de aplicarem seus recursos em novos projetos e os gordos banqueiros preferindo emprestar ao governo mediante a compra de títulos públicos do que emprestar a empresas temerosos do risco de um possível calote.

 

Nestas circunstâncias está muito difícil recuperar o otimismo, isto porque, quando se tinha a esperança de que o país iria sair da recessão, o choque político de vários megatons fez desvanecer todas as esperanças. A coalizão política que dava sustentabilidade ao governo começa a esfacelar-se, cada grupo de olho nas próximas eleições, virando as costas para o país, fomentando um ambiente político extremamente explosivo. É difícil fazer previsões para amanhã, não obstante o Presidente Temer acredite que, com o seu poder de “convencimento” irá sair ileso de toda essa confusão e concluir o seu mandato.

 

Então, para quem os sinos dobram? Eles o fazem num processo solidário com o sofrimento do povo brasileiro que, sem culpa em toda essa confusão política, será o que, mais à frente, pagará toda a conta. Na perspectiva de um futuro incerto, o brasileiro honesto e que ganha o pão com o suor do seu rosto, sente-se marginalizado quanto ao direcionamento das políticas públicas, relegado a um plano inferior, isto porque, no momento atual, somente existe uma prioridade: salvar o Presidente da República mesmo que, para tanto, se esgotem as verbas orçamentárias. Os sinos dobram, portanto, num pranto cheio de clamor por uma população cuja voz não está sendo ouvida e cuja vez tem sido preterida. 

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Dilson Menezes Barreto
Dilson Menezes Barretor é economista, mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe e professor aposentado de economia da Universidade Tiradentes. Exerceu cargos de secretário de Estado nos governos de José Rollemberg Leite, de secretário municipal na gestão dos prefeitos Heráclito Guimarães Rollemberg, Jackson Barreto e Wellington Paixão, e de secretário de administração e de planejamento no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. É articulista do caderno mercado do Jornal da Cidade e autor do livro 'A Construção do desenvolvimento de Sergipe e o Papel do Condese (1964-1982)'.

 

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