Dilson Menezes Barreto
23/06/2017 12:39:00
A economia brasileira e a crise política

O Brasil vive nos dias atuais uma tempestade política cujo horizonte está ainda indefinido e sem perspectivas de solução a curto prazo. Cada dia uma nova agonia e esta torna-se mais penosa quando nela está envolvido a pessoa do Presidente Michel Temer, fazendo estremecer as bases da República. A população também tem a sua cota de sofrimento uma vez que, no final das contas é em suas costas que esbarra toda a penúria, seja quanto ao pagamento da fatura, seja pela perda de bem-estar, seja na falta de oportunidade de trabalho, especialmente agora que nascia uma luz de esperança.

 

À parte esta turbulência, a economia, parece não acompanhar a crise política e caminhar vagarosamente, pelo menos por enquanto, rumo a um possível equilíbrio. Mais alguns dias e se saberá se a mesma foi ou não afetada, tendo como sinalizadores principais o dólar, a Bolsa de Valores e a taxa de juros. Os números do início do segundo semestre serão reveladores. Os dados disponíveis até agora estão a indicar que o Produto Interno Bruto (PIB) até o mês abril vem sinalizando um comportamento positivo e, mantido os atuais níveis de temperatura e pressão deverá crescer entre 0,4% e 0,3%, deixando transparecer que estamos saindo vagarosamente do fundo do poço. Se nada mais grave acontecer politicamente e não mudarem as expectativas dos agentes econômicos de olho no comportamento dos fundamentos macroeconômicos e na gestão do Banco Central, poderá haver, a partir do quarto trimestre de 2017, um crescimento gradual da economia que se estenderá com mais vigor em 2018.

 

O motor desse crescimento estará assentado basicamente na agropecuária que, impulsionada pelo aumento da produtividade, no trimestre janeiro/março cresceu 13,4%, o maior desde 1996, com destaque para o milho, a soja e o arroz, sendo projetada para a mesma uma safra recorde da ordem de 233,1 milhões de toneladas, o que representará um aumento de 26,2% se confrontado com o ano de 2016. O pequeno início de recuperação da indústria foi totalmente destinado à acumulação de estoques, o que sinaliza para este setor que mantém ainda uma elevada ociosidade em sua capacidade de produção, um provável crescimento ao longo de 2017 de 0,4%. Enquanto isto a construção civil, com perda acumulada de 19,0%, e os investimentos que no acumulado entre o terceiro trimestre de 2013 até o presente registra uma perda de 29,8%, continuarão mantendo crescimento negativo, representando um significativo freio na locomotiva do PIB.

 

Enquanto a demanda doméstica permanecer deprimida a expansão do setor comércio, permanecerá travada. Segundo avaliação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, “a maior volatilidade do consumidor nos últimos meses também suscita dúvidas quanto ao fôlego do cidadão brasileiro para sustentar uma retomada das vendas de bens duráveis ainda este ano”, isto porque ainda é elevado o endividamento das famílias, muito acima inclusive do que ocorreu em recessões passadas. Por conseguinte, “a combinação de elevado comprometimento do fluxo de renda e desemprego recorde não soa animadora quanto a possiblidade de aceleração robusta das vendas a prazo”.

 

De outro lado, a taxa de desemprego está num patamar muito elevado (13,7%), com tendência ainda de alta, correspondendo hoje a um volume de 14,0 milhões de trabalhadores desempregados, o que contribui ainda mais para dificultar o aquecimento da economia e para que as vendas no comércio sofram enormes perdas. A reabilitação desse setor somente é esperada com a saída da recessão e a retomada das contratações por parte das empresas, o que poderá demorar mais algum tempo.

 

 Agora é torcer para que não aconteça um dilúvio e ponha a pique este grande navio que se chama Brasil.

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Dilson Menezes Barreto
Dilson Menezes Barretor é economista, mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe e professor aposentado de economia da Universidade Tiradentes. Exerceu cargos de secretário de Estado nos governos de José Rollemberg Leite, de secretário municipal na gestão dos prefeitos Heráclito Guimarães Rollemberg, Jackson Barreto e Wellington Paixão, e de secretário de administração e de planejamento no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. É articulista do caderno mercado do Jornal da Cidade e autor do livro 'A Construção do desenvolvimento de Sergipe e o Papel do Condese (1964-1982)'.

 

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do colunista.

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