Música
Artista sergipana Isis Broken invoca seu clã e reivindica espaço de fala
Cantora teve mais de cinco mil reproduções de suas músicas em 28 países no ano passado
Entretenimento| Por Victória Valverde* 09/02/2019 09:00 - Atualizado em 11/02/2019 07:13

“Ela nasceu de um grito de revolta”, Assim a cantora Isis Fontes fala sobre Isis Broken, seu alter ego dos palcos. Com mais de cinco mil reproduções em 28 países no Spotify em 2018, Isis é uma das artistas sergipanas emergentes mais dinâmicas do mercado.

Com influências musicais abrangentes  que vão de  Caetano Veloso, Rita Lee, Johnny Hooker e Racionais MC´s, Isis Broken chamou atenção com o seu single de rap “O clã”. Nele, a cantora usa a simbologia da bruxaria para mostrar seu posicionamento político.

“Eu escrevi O Clã em 2016. A bruxaria é uma alegoria para a gente poder falar de política, daquilo que está oculto. O patriarcado não quer a mulher no poder, a mulher com voz. A bruxaria também é o ato de ver a natureza como divindade e não como criação. Bruxaria é amor, é chegar aonde não consegue com os olhos carnais. É energia”, disse Isis. 

Por ser artista independente, nordestina, travesti e cantar rap – ritmo musical dominado por homens –, Isis encontra inúmeras desventuras na hora de propagar sua arte, mas não se desanima.

“Não é em todo lugar que eu sou aceita. Não é todo lugar que vai tocar minha música. Há muito trabalho a ser feito. O foco é prospectar novos públicos, por isso a gente está saindo dessa bolha de tocar só em boate. Também tem a dificuldade do cachê, já que muita gente não quer pagar. Artista independente tem que usar da criatividade, se não, não sai do lugar”, revela.

O começo

Por ser neta de repentista (poeta popular e improvisador) e vir de uma família musical, a música nasceu com Isis. Ela cresceu amando compor, ler e escrever. Sua veia artística começou na escrita, mas ela precisava da voz.  

Depois do lançamento de “O clã”, Isis começou a juntar um grupo de seguidores (denominado carinhosamente de clã) e a se apresentar em festivais e shows diversos.  A artista sempre se preocupou em ter uma estética forte e em se empenhar nas composições, sempre com um viés militante.

“O meu canto é muito mais político do que qualquer outra coisa. Acho que todo artista deve falar sobre o momento que ele está vivendo. Os grandes artistas atemporais fizeram isso. Quero construir um legado em cima das questões LGBT”, revela Isis.

 O seu alter ego, Isis Broken, nasceu de construções e desconstruções pessoais. De origem  egípcia, Isis significa “nascida de mim mesma”, já broken, em tradução livre do inglês, é aquela que rompe.

“No meu dia a dia eu sou Isis Fontes, mas quando estou em cima do palco, sou Isis Broken. Ela é um alter ego, uma deusa do sistema solar que intercede pela gente em uma causa justa. Ela nasceu da inconformidade sócio-política”, disse a cantora.

Grito de luta

Por acreditar que evolução e revolução vêm da arte, Isis promove uma mensagem de aceitação com a sua música. Dentro da sua casa, a cantora sempre teve a presença de diálogos sobre sexualidade e por isso entende a importância de se falar sobre o assunto.

“A gente precisa se perceber no mundo, entender as nossas vivências, nossas dinâmicas. Minha arte é sobre os processos de pessoas LGBTQ`s, como nossos corpos são assediados, hipersexualizados, desmerecidos. Precisamos evoluir e entender que gênero e sexualidade são algo muito individual. Todos merecem ser validados”, defende a artista.

Com a música, Isis se reafirma e dá voz para ao seu posicionamento. A cantora revela receber várias mensagens de indivíduos LGBTQ´s que ganham força através da sua arte. Isso a inspira a continuar.

O que vem pela frente

Em 2019, Isis Broken tem como meta principal expandir o seu alcance e fazer com que seu trabalho e mensagem “cheguem a todos os buracos desse país e do mundo”.  Para isso, as produções estão a todo vapor.

No dia 16 deste mês haverá o primeiro lançamento do ano em formato de mais um single, "Assassina Sideral". Já no dia 5 de junho – o seu aniversário – será lançado o seu primeiro EP.

“É meu primeiro bebê, meu primeiro parto, acho que ele tem que ser no dia do meu aniversário. Terá muita influencia nordestina, de brega, repente, rap, pop, muita coisa boa”, disse Isis, que afirma já ter alguns festivais marcados para 2019. 

 

*estagiária sob a orientação da jornalista Monica Pinto.

Foto: Rodrigo Coelho

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