Mercado de produtos eróticos quebra tabus e cresce em Aracaju
“As pessoas estão encarando como algo normal”, diz lojista
Economia| Por Victória Valverde* 09/02/2019 12:30 - Atualizado em 11/02/2019 09:40

Apesar do preconceito que ainda o cerca, o mercado erótico ganhou destaque na economia do país. De acordo com dados da Abeme (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual), o Brasil tem, atualmente, mais de 11 mil lojas atuando nesse nicho. O setor gera mais de 100 mil empregos e movimenta mais de um bilhão de reais por ano.

Segundo a Junta Comercial do Estado de Sergipe (Jucese), há cerca de 2.522 empresas  ativas em Sergipe dentro do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) de número 4789-0/99, categoria que enquadra a venda de produtos eróticos. Entretanto, como essa categoria também abrange outras atividades comerciais, é difícil contabilizar quantas lojas especificamente de produtos eróticos existem no estado. 

Sem Tabu

Apesar dessa lacuna, ao caminhar pelas ruas da capital, não é difícil se deparar com alguma loja desse tipo.

O comerciante João Ventim trabalha no ramo há 10 anos, sendo há um ano e meio em Aracaju. Sua loja atual, “Dia D”, no bairro Luzia, oferece uma gama variada de produtos - conforme o lojista, sempre atualizados com as novidades do mercado.

Segundo Ventim, o perfil da clientela varia, mas normalmente são homens e mulheres – é comum o casal ir junto à loja – entre 20 e 35 anos. As épocas mais movimentadas são no Carnaval e durante o final do ano.

O empresário também afirma que o tabu que norteia o mercado vem se dissipando. “As pessoas estão perdendo a vergonha e encarando tudo como algo normal. Independente de ser homem ou mulher, quando o indivíduo se propõe a vir no sex shop, ele vem com o espírito aberto”, disse ao F5 News.

 Alternativas de consumo

Outro modo de comercialização de produtos eróticos que está em crescimento é através da entrega em domicílio. A comerciante Monique Sanches trabalha com a venda de produtos sexuais desde 2016 através do instagram @esquentasex.

Com um estoque variado, que conta com lingeries, fantasias, brinquedos e cosméticos, a loja online não fica para trás em relação aos estabelecimentos físicos.  Além da gama de produtos, o consumo através da entrega em domicílio é uma boa opção para quem prefere fazer suas compras com mais discrição.

“Por conta do julgamento, as pessoas têm vergonha de entrar na loja, acredito que por medo de encontrar alguém conhecido ou algo do tipo.  Com a entrega em domicílio, o cliente se sente livre, eu procuro deixá-lo muito à vontadel”, relata Monique.

A lojista também afirma que o preconceito perante o mercado erótico está diminuindo. “Hoje em dia as pessoas estão se abrindo mais, até porque o sexo não precisa ser um tabu. É completamente normal, todo mundo tem relações sexuais e incrementar na hora do sexo só torna o ato mais prazeroso”, afirma.

As consumidoras e seus gostos

Com a recente popularização do movimento de empoderamento, cada vez mais mulheres estão perdendo a vergonha e frequentando sex shops, ambientes que antes eram predominantemente ocupados por homens.
Uma advogada de 28 anos, que preferiu não ter o seu nome revelado, frequenta lojas de produtos eróticos há mais de dez anos e não vê nenhum problema nisso. “Sempre fui sozinha ou em casal, não importa. Essa ideia de que mulher não pensa em sexo já é ultrapassada. Estamos ocupando todos os espaços, inclusive sex shops”, revela a advogada, que compra principalmente vibradores e fantasias. 

Já uma estudante de 21 anos, que também preferiu não ter seu nome revelado, começou a frequentar sex shops ano passado como uma estratégia de autoconhecimento e para dar uma apimentada nas relações. “Os produtos englobam um grau de intimidade e trazem companheirismo e direção para o sexo ser mutuamente prazeroso. Costumo comprar bastante gel, lubrificantes, vibradores e afins”, disse.

*estagiária sob a orientação da jornalista Mônica Pinto. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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