Infância Interrompida
“Ruan ainda pediu socorro ao ouvir grito da mãe”, conta avô
Crime choca a comunidade da zona Norte de Aracaju, que pede justiça
Cotidiano| Por Saullo Hipolito* 11/10/2018 11:30 - Atualizado em 11/10/2018 12:20

A morte com requintes de crueldade do garoto Ruan Henrique Oliveira, de oito anos, abalou toda a comunidade do bairro Soledade, na zona Norte de Aracaju. Para os moradores, o crime que aconteceu nessa quarta-feira (10) pode ser decorrente de um ritual religioso. Além do sentimento de revolta, a comunidade pede justiça.

Desolados, o pai e mãe da criança não conseguiam falar. Apenas as lágrimas eram suficientes para expressar a dor pela perda da criança. Também consternado, o avô, Roberto Alves, que trabalha como mecânico, contou como o menino foi encontrado, por volta das 23 horas, ainda com vida.

“Quando vi o Ruan, ele estava com o corpo em um local mais sólido do mangue e a cabeça dentro da água, ainda vivo. Os próprios moradores que acharam, ele ainda pediu socorro ao ouvir o grito da mãe. Estou me sentindo péssimo com tudo isso, queremos justiça, não é a primeira vez que acontece e nem vai ser a última se os responsáveis não forem capturados”, disse Roberto.

A Polícia Militar ajudou nas buscas pela criança. Após encontrar o corpo, os militares, junto com moradores ainda fizeram buscas para tentar encontrar os criminosos, que seguem foragidos.

Com o bairro silenciado pela violência, os sons de dor e desespero ecoavam por entre as ruas e de muito longe já era possível identificar onde o corpo estava sendo velado na manhã desta quinta-feira (11). A todo o momento, familiares, amigos e conhecidos chegavam à igreja evangélica do bairro para prestar solidariedade.

Sem a motivação oficialmente esclarecida, os moradores da Soledade buscam a origem do homicídio, dentre elas, a suposição de que a morte de Ruan tem relação com ritual religioso. “Eu penso se fosse eu, se fosse minha filha, a gente anda com medo. É o segundo caso parecido, é uma seita que estão fazendo, pegam crianças pois dizem que são puros. Isso não existe, tem que acabar, essas pessoas têm que morrer”, disse Débora Bezerra, autônoma.

Há três anos, Dafne Bianca Ferreira Gomes morreu após ser estuprada e ter as pernas quebradas, na mesma região de mata fechada em que Ruan foi encontrado. O pai da garota afirma que a busca pelos criminosos não vai terminar e os moradores estão mobilizados. “Fazem três anos e cinco meses que perdi a minha filha, encontraram ela próximo ao mangue. Mas isso não vai ficar assim, estamos procurando essas pessoas. Se não fizermos justiça aqui, Deus fará no céus”, disse Reginaldo Gomes de Almeida, autônomo.

"Não há sorriso nas ruas do Soledade, não há crianças em liberdade – e nem poderia - diante de tal fato. As pessoas estão amedrontadas, presas dentro das suas próprias casas", diz um morador que pediu para não ser identificado.

* Estagiário sob supervisão do jornalista Will Rodriguez.

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