Cardiologia
Mais de 200 pacientes aguardam procedimentos no Cirurgia
Sem salários há mais de cinco meses, cardiologistas paralisam atividades
Cotidiano| Por Aline Aragão 15/05/2018 19:00 - Atualizado em 15/05/2018 19:06

Médicos cardiologistas que trabalham no Hospital de Cirurgia, em Aracaju (SE),  paralisaram as atividades nesta terça-feira (15) e suspenderam os procedimentos.  Eles denunciam a precariedade da casa de saúde e dizem que estão há mais de cinco meses sem receber salários. Essa é a segunda paralisação da categoria em menos de um mês.

“A paralisação anterior foi por falta de material e agora chegou a um ponto que ninguém mais aguenta. Ninguém mais tolera passar seis, sete meses sem receber e não ter um posicionamento mais claro”, disse o coordenador da unidade cardiológica, Fábio Serra.

Segundo ele, o último pagamento recebido foi referente ao mês de outubro de 2017. “A direção nos passou que tinha uma promessa do dinheiro do Estado há 15 dias, mas não houve esse repasse. Estamos em uma situação precária”, diz.

Ele diz ainda que essa a pior situação do setor nos últimos dez anos e que a solução precisa ser tomada a partir de um planejamento estratégico. “A cardiologia pede socorro, em dez anos que a unidade vascular está aqui, nunca esteve numa situação como essa que está agora. E não é um adiantamento do Estado de R$ 3, 4, 5 milhões que vai resolver. Se for feito um planejamento, daqui a um mês, estaremos aqui novamente”, disse.

Risco de morte

Os pacientes que esperam por uma cirurgia cardíaca são os mais afetados pela paralisação. Segundo o coordenador, o hospital tem uma fila de espera com mais de 200 pessoas. Com a paralisação, essa fila tende a aumentar e esses pacientes podem morrer esperando.

“A pessoa que está com a válvula prejudicada e tem indicação de uma cirurgia cardíaca não pode esperar muito tempo. E cada vez mais a fila se distancia dessas pessoas. Muitos desses pacientes podem morrer na espera”, lamentou.

Fábio Serra diz ainda que o Hospital não está mais admitindo pacientes na UTI cardíaca, que pode ser fechada a qualquer momento - só não fechou ainda porque tem dois pacientes que não podem ser removidos sem que apresentem melhora.

“Estamos esperando esses pacientes receberem alta para a enfermaria, ou até mesmo serem transferidos para a UTI geral, e nós fecharemos a unidade até uma negociação mais clara com a direção do hospital”.

Por meio de nota, a direção do Hospital de Cirurgia informou que nenhuma das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) está fechada e tanto a UTI Cárdio quanto a UTI Geral possuem pacientes internados.

Em relação às cirurgias cardiotorácicas, a Direção comunica que está emitindo uma nota para o Conselho Regional de Medicina e para a Secretaria de Estado da Saúde informando que estas estão temporariamente suspensas por falta de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs). Informa ainda que estão em andamento os trâmites para que o Hospital receba verba do Governo do Estado que viabilize o pleno funcionamento da Instituição.

Quanto à Unidade Vascular Avançada (UVA), o hospital informou que  permanece recebendo pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio com supra na janela, que necessitam de atendimento emergencial.

Também por meio de nota o Governo do Estado informou que espera uma resposta da Procuradoria Geral para viabilizar o adiantamento.

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