Joedson Telles
19/09/2017 21:20:00
André e a dependência de bons advogados e de um marketing profissional

O deputado federal André Moura enfrentaria sérios problemas, se colocasse a cabeça para fora e anunciasse uma pré-candidatura a governador nas atuais circunstâncias. Seria até arriscar um suicídio político. Por mais desprovidos de inteligência que fossem os adversários, soa óbvio que pelo menos duas coisas seriam exploradas a exaustão com o objetivo de desgastá-lo: sua proximidade com um Michel Temer rejeitado pelo eleitor e com fama de golpista e suas condenações pela caneta do juiz Rinaldo Salvino do Nascimento.

 

Lógico e evidente que ainda estamos num país onde “todos são inocentes até que se prove o contrário”. Apesar de condenado, inclusive a perda dos direitos políticos, André Moura tem o direito de recorrer, e, certamente, o fará. Ainda pode ser inocentado. Se será é outra história, mas o fato é que ninguém pode negar-lhe direito à ampla defesa.

 

O problema, contudo, é que político vive da própria imagem. Ou, melhor colocando, da boa imagem junto ao eleitor, que, por sua vez, porta o único balão de oxigênio a garantir a sobrevivência: o voto. ser inocentado, portanto, não basta a André, neste momento: mas ser inocentado com urgência. 2018 é logo ali.

 

Não deixar a mínima dúvida na cabeça do eleitor da sua idoneidade é o desafio pra ontem, se, de fato, ele não externe, mas sonhe, sim, com o Palácio do Governo, como disse o ex-deputado José Carlos Machado, outro dia.   

 

André, se a eleição fosse hoje, contabilizaria a seu favor os recursos que está ajudando a viabilizar para os municípios sergipanos junto ao Governo Federal sem distinção de cor partidária. Contaria positivamente ser o político mais próximo do presidente Michel Temer, e sabe usar isso muito bem em benefício de Sergipe.

 

Todavia, em se tratando de uma candidatura, sobretudo majoritária, o mesmo André precisaria pesar isso na balança, tendo do outro lado o peso do que já mencionamos aqui: condenações e uma proximidade com um rejeitado Temer, que, paradoxalmente, ajuda Sergipe, mas prejudica André.

 

André Moura, além de não poder abrir mão do trabalho de bons advogados, precisa de um marketing profissional. Seu futuro político, sobretudo se for para uma disputa majoritária, insisto, depende muito, mas muito mesmo destes dois aspectos, que ainda precisam estar em harmonia. Se um funcionar, mas o outro não, nada feito.

 

Não se trata de uma questão de sentir amor ou ódio por André Moura. De torcer ou não pelo seu sucesso eleitoral. Mas de expor a verdade factual e seus possíveis desdobramentos com a independência editorial que obriga o bom jornalismo - e, sobretudo, ajuizar sem subestimar a inteligência do internauta.

19/09/2017 08:27:00
A vingança a espelhar que chegamos ao fundo do poço

Sergipe pode estar assistindo, neste momento, ao crescimento de uma cultura preocupante: sentindo-se desamparada, a vítima da marginalidade esta sendo estimulada a reagir com violência. Descartar a polícia por não acreditar mais na instituição e aplicar ela mesma o corretivo que o bandido merece. Longe de ser exceção, o exemplo do carroceiro que foi espancado, em via pública, no último domingo, dia 17, e precisou ser conduzido a um hospital ilustra. Um dos agressores, espontaneamente, confessa a violência, “justificando” uma reação à criminalidade. Alega que o carroceiro de trabalhador não tem nada. Trata-se de mais um bandido solto a tirar a paz.

 

Não é o primeiro caso sinistro. Vez por outra, esbarramos em notícias sobre um grupo de "justiceiros" que, com cólera, espanca uma só pessoa sem misericórdia, alegando se tratar de um bandido. Normalmente, a violência acontece mediante um flagrante. É o que o lugar comum chama de “fazer justiça com as próprias mãos”, apesar do uso também de pedaços de paus, barra de ferro, pedras, chutes...

 

Preocupante. Vivemos no país da moda e cuja imprensa, às vezes, sem querer, joga mais a favor da violência que da paz. À medida que a mídia exibe este tipo de coisa, é como se estimulasse novas reações violentas. Alguma dúvida desta pedagogia nociva?

 

A verdade é que, por um motivo ou outro, autoridades vacilaram e os bandidos tomarem conta do pedaço. Insegurança é o ar respirado. Por sua vez, a sociedade parece não acreditar mais na polícia. No Estado. Está exausta de permanecer no papel de vítima, custear vencimentos de quem não dá respostas satisfatórias e ainda assistir a tudo de braços cruzados. Partiu, então, para medidas extremas.

 

Evidente que se equivoca gigantescamente quem defende uma especie de guerra civil. Violência só gera mais violência. Não pode ser o caminho da luz. Entretanto, é preciso entender o desespero de quem não encontra soluções práticas nos caminhos legais. Quem quer trabalhar, pagar impostos, mas a polícia não impedir que um filho da puta aponte uma arma e anuncie o assalto? Não é certo estimular reações violentas, mas é preciso entender a revolta.

 

Passa do momento de ações eficientes substituírem discursos ocos. Precisamos de quantas vítimas mais? Quando uma pessoa de bem perde a cabeça ao ponto de partir para a violência, quase que se igualando ao bandido, chegamos ao fundo poço.

 

Se algo não for feito em caráter de urgência, a tendência é cada vez mais aumentarmos as estatísticas de vítimas que reagiram à ação marginal. Mais sangue. Mais mortes. Apenas punir quem rege não soa solução. Mesmo tendo amparo legal é apenas mais um estímulo indireto à criminalidade. E, óbvio, uma forma nada inteligente de deixar a sociedade ainda mais revoltada.

17/09/2017 07:32:00
“O plano “A” de André Moura é ser candidato a governador”, assegura Machado

O ex-deputado federal José Carlos Machado (PSDB) não esconde a sua preferência pelo nome do deputado André Moura (PSC) para ser o pré-candidato ao Governo do Estado pela oposição, nas eleições 2018. Machado reconhece como bons nomes também os senadores Eduardo Amorim (PSC) e Antônio Carlos Valadares (PSB), mas opta pelo estilo André Moura. “Se qualquer um entrar na disputa, eu estarei com o mesmo entusiasmo. Mas o estilo de André eu defendo: abrir as portas para quem tem poderes para resolver - e quando ele tem condições de resolver parte dos problemas de Sergipe, junto ao Governo Federal, resolve”, justifica. O tucano, que tem percorrido vários municípios sergipanos ao lado de André, vai mais além e assegura que o próprio André Moura pensa do mesmo jeito, apesar de não externar. “Ele está no papel dele em dizer que seu principal projeto é a reeleição. Mas você acha que com essa total desenvoltura dele é para estar pensando em reeleição? O plano ‘A’ de André Moura é ser candidato a governador. Eu, como bom observador, sinto total entusiasmo dele por uma candidatura majoritária ao Governo do Estado. E tenho dito a ele para aproveitar o momento, porque, talvez, não se repita ao longo da história”.

 

Assim como os demais políticos de Sergipe, José Carlos Machado já está percorrendo o estado, acredito. O que tem sentido na população?

Veja que triste legislação eleitoral a brasileira: não pode fazer campanha, mas de forma indireta está todo mundo fazendo. O brasileiro tem uma vocação para o jeitinho (risos). Estamos a mais de um ano da eleição. Tradicionalmente, em Sergipe, a gente deixava para discutir formação de chapa depois do Pré-Caju (do ano eleitoral). Este ano, a coisa se antecipou muito. Está se tratando da sucessão de 2018 desde o início de 2017.

 

A população ganha ou perde com esta antecipação?

Isso não é bom para o estado. Todo político portador de mais ou menos talento, de mais ou menos espírito público deveria se concentrar na busca por alternativas para resolver os problemas de Sergipe, que são graves. E não pensar em eleição. Sergipe convive, hoje, com 140 mil desempregados. Ninguém discute isso. Com um déficit da previdência de mais de R$ 100 milhões por mês. É o que Estado gasta com a saúde pública. É uma coisa de difícil solução. Graças a Deus, já estão criando juízo e começando a buscar alternativas para resolver esse problema. A segurança é um problema gravíssimo. O vereador Zezinho do Bugio me deu um dado que eu fiquei estarrecido. Ele me disse que quando a população de Sergipe era menos de um milhão de habitantes, a Polícia Militar tinha sete mil homens. Hoje, a população é de 2,2 milhões e o contingente da PM é de 4.500. Isso já explica a falta de segurança. O deputado Venâncio Fonseca foi muito feliz, quando denunciou, no programa de televisão do seu partido, a falência da região da citricultura de Sergipe, que já foi o segundo estado maior produtor de laranja do Brasil. Eu quero parabenizar o deputado Venâncio por essa iniciativa de abrir os olhos do governo. O Rio São Francisco está morrendo e ninguém quer discutir isso. Lamentavelmente, no serviço público o que é lógico não prevalece. Esta semana, quatro governadores se reuniram em Penedo (AL) para tratar da situação crítica pela qual passa o rio. Eu até pensei numa frase muito oportuna do deputado José Carlos Aleluia (DEM/BA): “O rio não corre: o rio chora”. Eu brincando disse que se essa reunião fosse, há 30 anos, seria servido no almoço surubim na brasa. Hoje, nem pensar porque o surubim desapareceu do rio. Está morrendo o principal patrimônio de Sergipe, responsável pelo abastecimento de mais da metade da população.

 

Mas é uma morte anunciada, não?

O ex-governador João Alves Filho anunciou isso há 15 anos. Tudo está acontecendo hoje. João, candidato à reeleição, em 2006, perdeu em todas as cidades ribeirinhas...  (Machado volta a falar dos problemas) A questão da saúde? Por mais que se esforce, falta gestão e recursos. O déficit da previdência é igual ao que o governo gasta com saúde. Essa questão do déficit não se resolve em curto prazo. Tem que ser a médio e longo prazo, se não o Estado vai perder definitivamente sua capacidade de investir. Depois vai perder a capacidade de pagar ativos e inativos. Depois se estabelece o caos. Eu sou político, tenho esse espírito de autocrítica, mas precisamos criar juízo e recuperar a capacidade de dar bons exemplos. Essa discussão de formação de chapa não precisa se tornar tão pública como está ocorrendo em Sergipe. Temos que dar publicidade de forma clara e transparente é de nosso desejo enquanto político de sentarmos e discutirmos na busca de soluções para resolver os problemas de Sergipe. Falou-se, em determinado momento, mas parece que todo mundo esqueceu aquele dado sócio-econômico apresentado por professores da Universidade, que mostra claramente que os 10 últimos anos em Sergipe foram perdidos. Isso tem que ser resolvido. É preciso envolver a sociedade como um todo. Os empresários, os políticos, a Universidade que tem um poder de contribuir muito grande, mas, lamentavelmente, predomina nas discussões a questão que a oposição está desunida. O foco é quem vai ser o candidato de Jackson, se ele vai ser senador, quem é o candidato da oposição... Isso deveria ser tratado internamente, e estarmos discutindo com mais entusiasmo essas discussões para resolver os problemas de Sergipe. 140 mil desempregados num estado pequeno como esse é muito grave. É quase que toda a população do município de Nossa Senhora do Socorro e mais que o município de Lagarto.

 

Mas a própria sociedade, em sua maioria, tem a sua parcela de culpa, já que não cobra esta postura dos políticos - e ainda se interessa pelas especulações dos nomes, não?

Nas manifestações de João Alves, em relação ao Rio São Francisco, enquanto governador do Estado, ele dizia que a forma que estava sendo feita a transposição iria matar o rio. Tinha que cuidar da revitalização, se possível um reforço de vazão trazendo água do Tocantins. Ele tinha alternativas para que se fizesse a transposição e garantisse a sobrevivência do rio. Poucos políticos deram atenção à gravidade das denúncias de João, e ele pagou caro. Contrariou o então presidente da República (Lula) e perdeu a reeleição, em 2006. Eu sou testemunha que João tinha disponibilidade de recursos para recuperar as estradas, mas teve que usar para concluir a obra da ponte (Aracaju/Barra). Prometeram o financiamento pelo BNDES, mas na hora não veio porque a Secretaria do Tesouro disse que o Estado estava inadimplente com relação à Lei de Responsabilidade Fiscal. Esses temas de importâncias altíssimas não têm ressonância na sociedade. João perdeu as eleições em todos os municípios ribeirinhos. Agora está todo mundo preocupado.

 

Percebe-se que José Carlos Machado é um entusiasta de uma possível candidatura do deputado André Moura ao governo. É o seu nome fechado?

Setores da situação querem deixar transparecer que a oposição está desunida. Não há desunião. Eduardo Amorim concedeu uma entrevista e disse que a oposição é diferente da situação porque tem líderes e a situação tem comandante. Temos três lideranças e todos com condições de governar Sergipe: os senadores Eduardo Amorim e Antônio Carlos Valadares e o deputado federal André Moura. Se qualquer uma delas entrar na disputa, eu estarei com o mesmo entusiasmo. Mas o estilo de André eu defendo: abrir as portas para quem tem poderes para resolver - e quando ele tem condições de resolver parte dos problemas de Sergipe, junto ao Governo Federal, resolve. Ele já deu prova disso quando recebeu o governador do Estado, quando foi à Prefeitura de Aracaju ouvir o prefeito Edvaldo Nogueira, e quando recebe, quase que diariamente, prefeitos aliados e de oposição. Isso é o início de buscas de entendimento da classe política em torno de um projeto maior, que é o interesse de Sergipe. Quando se consegue a liberação de recursos no valor de R$ 1 milhão para Pinhão, não é defender os interesses de Sergipe? André ajudou muito na liberação de recursos da emenda impositiva, fruto de um trabalho do coordenador da bancada, de todos os membros. Aracaju vai receber R$ 63 milhões de uma vez só. Esse estilo me agrada. Eu converso com prefeitos e lideranças e muitos manifestam preferência. É natural que uns prefiram a candidatura de Amorim e outros a de Valadares. Está todo mundo andando e todos dizendo que não estão fazendo política. Ninguém pode se declarar candidato, mas pode se declarar pré-candidato. Somos levados a fazer isso por conta de uma legislação hipócrita. Eu defendo que os três, no momento certo, possam sentar e definir isso. Mas isso não pode ser deixado para última hora. São três e a chapa majoritária tem quatro vagas. A quarta vaga é naturalmente para tentar trazer algum partido que milita junto à situação.

 

Machado enxerga este desejo no deputado André Moura?

Ele está no papel dele em dizer que seu principal projeto é a reeleição. Mas você acha que com essa total desenvoltura dele é para estar pensando em reeleição? O plano “A” de André Moura é ser candidato a governador. Não vejo muito entusiasmo para ele ser candidato ao Senado. Eu, como bom observador, sinto total entusiasmo dele por uma candidatura majoritária ao Governo do Estado. E tenho dito a ele para aproveitar o momento, porque, talvez, não se repita ao longo da história. Mas isso é uma série de conjunturas. André, hoje, é aliado do presidente Michel Temer. Temer, lamentavelmente, tem que enfrentar problemas quase que diários. Independente dos problemas do governo, o que qualifica André é que ele tem ajudado aos gestores a resolver problemas graves. Ninguém pode deixar de reconhecer também o trabalho de Valadares e Eduardo Amorim no canal de Xingó, por exemplo. Se for André ótimo, se for Amorim ótimo e se for Valadares ótimo. Eu tenho a percepção que a oposição para ganhar a eleição tem que estar unida e com o discurso afinado. Que possa ser, sobretudo, percebido e entendido. Político para ganhar a eleição tem que ser claro nas suas afirmativas, no seu projeto e transparente quando for expor suas ideias. Se eu quero ser governador e tenho ideias para resolver o déficit da previdência, para somar os governadores do Nordeste para pressionar o atual e o futuro presidente para a solução do Rio São Francisco, e outros problemas. Se a Vale parar a produção da carnalita deixa de investir por conta de projeto anunciado e que foi abandonado. Seria um investimento de mais de R$ 4 bilhões e não se fala mais nisso. A Vale vai embora, deixará um passivo ambiental de mais de 400 km no nosso subsolo e não deixará uma obra social. Diferente da Petrobras. Sergipe é o estado hoje que é depois da Petrobras. Se eu tiver que escolher entre os três, Amorim faz um trabalho extraordinário, tenho Valadares como um dos políticos mais importantes de Sergipe, mas escolheria André.

 

O ex-deputado Heleno Silva tem demonstrado a disposição para migrar para a oposição, mas almeja ser senador. Tem lugar para ele no seu bloco?

Heleno é uma figura extraordinária. Ele me disse que o PRB não está brincando quando avisa que pode vir para oposição, se não fizer parte da chapa majoritária no governo. Eu ouvi a frase de um parlamentar da situação que disse que, quando Belivaldo assumir o governo, Jackson é que passa a ser o seu candidato. Lá tem comandante e esse é quem tiver com a caneta na mão. Na situação está resolvido que Jackson é candidato ao Senado, Belivaldo assume e é candidato a governador. O PT, PRB e PSD querem vaga na majoritária. Eles têm muito mais problemas que nós. São duas vagas para três partidos. Ainda tem o problema do PMDB que ninguém sabe como vai ficar. Fala-se que André pode assumir.

 

E vai?

Eu não conversei com ele sobre isso. O que eu sei é que a cúpula do PMDB em Brasília tem insistido para que ele assuma o partido. Recentemente, Romero Juca disse que quem vai presidir o partido em Sergipe é quem estiver com o presidente Temer. Uma parte do PMDB em Sergipe está com Temer, mais precisamente o ex-deputado Sérgio Reis.

 

André já disse que só iria para comandar. Em ele indo, o partido vai vê-lo como reforço ou haverá um esvaziamento?

Eu acho muito difícil a convivência de André com o grupo que comanda o PMDB. Eu já vi acontecer coisas praticamente impossíveis na política de Sergipe. Quem imaginava aquela aliança de Jackson e Albano? Albano tinha uma aliança com o PFL de João Alves e desmancha essa aliança e faz uma aliança com o mais tradicional adversário da sua família durante uma história de mais de 20 anos. Nada me espanta. Quando Jackson fez aquela aliança com Albano o preço que ele pagou foi caro. Albano se reelegeu para o governo e Jackson perdeu para o Senado, inclusive a eleição em Aracaju que tradicionalmente sempre foi o seu principal reduto eleitoral. A decisão quem tem que tomar é ele.

 

E a declaração do senador tucano Eduardo Amorim, revelando ser de esquerda e ter identificação com o PT? Como avalia?

Eu entendo perfeitamente. Eu disse, há poucos dias, que apesar de ter vários amigos no PT eles pensam de uma forma e eu de outra. Eu tenho a ideologia de centro moderado, acho que a política tem que ser feita com prudência, à disposição do diálogo quando estão em jogo os interesses de Sergipe e do Brasil. Se Amorim manifestou essa vocação que ele tem para esquerda, eu entendo com absoluta naturalidade. Eu também respeito o PT, mas estou pronto para divergir em quase tudo.  Amorim tem suas convicções. Recentemente, ele deu aquele voto contra a Reforma Trabalhista. Se ele fez com convicção eu posso discordar, mas não posso tirar o direito dele de demonstrar suas convicções. Muito mais importante do que este ou aquele nome para governador, senador, deputado, são as ideias, porque nós políticos somos apenas instrumentos em busca de viabilizar ideias e projetos, que implantados resolvam os problemas de Sergipe e do Brasil. Eu, politicamente, divergia de Marcelo Déda, mas o tinha como um amigo. Ele foi governador e nunca trabalhou para me tirar da coordenação da bancada sergipana em Brasília. Aonde ele chegava elogiava o trabalho de Machado. Isso é espírito público. É entender que acima dos interesses políticos tem que estar os interesses do Estado.

14/09/2017 07:27:00
Jackson sai ganhando, se André desembarcar no PMDB

Pode-se - e até se deve por dever de cidadania - cobrar do governador Jackson Barreto uma gestão eficiente à frente do Governo do Estado. Aliás, o próprio Jackson quando emite juízos sobre o momento externa uma insatisfação que só mesmo apaixonados teimam em não admitir.

Todavia é de uma ingenuidade singular, em nome disso, subestimar o político Jackson Barreto. No PMDB ou em qualquer legenda, Jackson será nome forte em 2018 - ainda que pesquisas precoces tentem ludibriar desavisados. Dito isso, alguma dúvida que, pessoalmente para ele, a depender da costura, ter o deputado André Moura na legenda, comandando ou não, seria um reforço para o script do ano eleitoral?

 

Evidente que se o deputado André Moura chegasse com a cabeça voltada para disputar o Governo do Estado esbarraria no projeto Belivaldo Chagas e a coisa teria que ser administrada. Hoje, o bloco governista tem menos espaços na majoritária que cédulas de R$ 100,00 em cuia de mendigo. Quiçá nem rolasse química, e o esvaziamento da legenda fosse a solução mais prática.

 

Todavia, se André Moura chegasse com o pensamento que tem exteriorizado – disputar a reeleição para a Câmara Federal -, exceto o concorrente direto Fábio Reis, todos os demais membros do PMDB ganhariam. Quem tem dúvida que André é hoje o político mais influente de Sergipe, em Brasília?

 

Portanto, se for esperto, e já provou ser, o experiente Jackson Barreto, em acontecendo a migração de André Moura para o PMDB, ao invés de criar problemas, tirará o maior proveito possível para o seu projeto pessoal.

 

Comandar PMDB? Tem certeza que isso preocupa Jackson Barreto? No passado talvez sim. Hoje com certeza não. Os problemas do seu governo não lhe permitem ao luxo. O projeto Senado Federal idem. No momento, PMDB seria para ele, digamos, uma espécie de “patinho feio”. Esta é a política e a sua dinâmica por natureza.

 

E não duvidem: como estamos falando de Jackson Barreto de Lima não é difícil ele estar torcendo por uma engenharia que desfalcaria em cheio a oposição, atingindo, sobretudo, o senador desafeto Eduardo Amorim.

 

Jackson tem zero de preocupação, ao imaginar João Augusto Gama, e não ele, na ótica do eleitor, passando a batuta para André Moura. Até porque Jackson não precisa comandar partido para ser Jackson. Deixou o governo, desembarca na campanha e lida direto com o eleitor. Como diz o lugar comum, “são favas contadas”.

11/09/2017 21:52:00
E Eduardo Amorim conhece mesmo o PT? Ou sou mais a Paolla

O senador Eduardo Amorim causou reações, ao declarar, há duas semanas, que não apenas se define como de esquerda, um socialista, como também que se identifica com o Partido dos Trabalhadores. Para quem deu os primeiros passos na vida pública no governo de João Alves Filho, como seu secretário de Saúde, e, posteriormente, se elegeu deputado federal aliado ao Negão, nada mais surpreendente, quando se observa que o mesmo João Alves e o mesminho PT sempre foram líquidos imiscíveis.

 

Aliás, a coisa é tão séria que perpassa companheiros genuínos e deságua no compadre Lula, que já disse horrores de João Alves. O filé, todavia, está registrado no livro “Viagens Com o Presidente”, de Eduardo Scoles e Leonencio Nossa. A saber: “Eu faço aliança com qualquer um para foder o João Alves”, teria dito o então presidente, segundo os autores da obra. Aliás, gosto não se discute mesmo. Há quem sonhe com a Paolla Oliveira. Nada contra o Negão, mas opto também pela segunda opção. Sou mais a Paolla.          

 

Mas voltando a Eduardo Amorim, pegando o contexto, tomando ciência do conjunto de verbos postos na entrevista, entretanto, entende-se que ele quis se referir à visão de mundo socialista pregada pelo PT. Nada de querer usar uma estrelinha vermelha, passar detonar todo mundo que pense diferente e não aceitar o contraditório. Segundo Eduardo Amorim, a política deve ser vista como uma missão, e seus atores precisam cuidar dos menos favorecidos. Algo tipo Jesus Cristo, que veio pelos pecadores. Eduardo teria encampado a tese ao lutar pela própria sobrevivência na infância. Não foi militante de rua.

 

Mas o que surpreende, além da conta, não é começar a vida no ninho do antigo PFL – ou da antiga Aliança Renovadora Nacional, se o internauta preferir voltar um pouquinho mais no tempo – e se revelar socialista. Identificar-se com o mesmo PT que tanto critica a direita – com ou sem motivos.

 

Surpreende um senador novato no PSDB, partido inimigo do PT à moda “petralhas x coxinhas”, revelar com tanta naturalidade sua afinidade com os algozes. Sem meio termo: Eduardo age com excesso: de personalidade ou de ingenuidade. Aliás, vale o mesmo para definir quem abre a boca para declarar identificação com o PT numa era de Lava Jato.

 

Evidente que o senador se referiu aos pressupostos de criação do PT sustentados, ao menos na teoria, pela preocupação social. À sua militância história. À ideologia velada, e não aos desvios de comportamento. Ao tesão de certos companheiros no din din público quando chegam ao poder. Mas, ainda assim, num terreno como a política, onde adversários costumam distorcer tudo e levar juízos fabricados ao eleitor, não deixa de ser uma atitude impetuosa ou virginal, nascer e permanecer na direita conservadora e declarar identificação com inimigos.

 

A entrevista que gerou a polêmica, inclusive provocando reações do PT, foi feita pelo que assina este texto. Confesso que pequei por não ter perguntado ao senador se Lula é um inocente injustiçado ou um ladrão que vai se dando bem, mas que já deveria estar na cadeia. Deveria indagá-lo também sobre Dilma. Saber dele se ela foi vítima de um golpista - e este, sim, deveria estar preso – ou se pagou pelo que fez, perdendo o mandato que o eleitor lhe confiou. As respostas seriam a prova dos noves para sabermos se o senador é, de fato, de esquerda, um socialista que se identifica com o PT ou se falou pelo que pensa ser o PT, mas prova não conhecer a legenda. Nenhum pouco.

10/09/2017 09:49:00
Sem espaço na majoritária, PRB tem um pé na oposição  

Pré-candidato ao Senado, o ex-deputado federal Heleno Silva, um dos líderes do PRB em Sergipe, parece decidido: se não fizer parte da chapa majoritária governista, arruma as malas e pousa na oposição. Heleno argumenta que as pesquisas mostram que ele é o melhor nome do agrupamento e não abre mão da disputa. “Eu tenho, no estado, cerca de 18% e posso chegar ao final do ano com 20%. Você não quer que eu abra mão de uma pré-candidatura altamente viável em favor de outros pré-candidatos que não têm o mesmo número que eu tenho. Você pede tudo a pessoa, só não peça para ela morrer. A pergunta é: o grupo que estamos já tem nomes que teoricamente já estão definidos: Jackson e Rogério? Mas nós do PRB queremos o nosso espaço. Com muita tranquilidade, a gente já avisou, há seis meses, que se não nos couber na chapa majoritária no grupo que estamos nós vamos buscar outras alianças”, diz Heleno Silva.

 

O PRB vem se reunindo para tratar de 2018. O que já existe de concreto?

O PRB, desde o final da eleição para prefeito, em 2016, que a gente tem se reunido e já definimos o nosso projeto para 2018. Isso discutido com a Executiva Nacional. O nosso Diretório Nacional, como saímos de 8 deputados para 25 agora, e o partido quer crescer mais, em 2018 estamos focados para lutar pela reeleição do deputado Jony Marcos. Estamos aguardando a definição do não ou sim do “distritão”, que deve definir essa semana. Se passar, vamos focar nossa candidatura estadual em dois nomes, sendo que se não passar temos chapa para eleger três deputados estaduais. Temos quadros.

 

E Heleno Silva?

Estamos preparados e vamos pleitear uma vaga na chapa majoritária com meu nome para o Senado. Eu fui deputado estadual, Federal por duas vezes, estive prefeito em Canindé, onde há sete meses se falava num desgaste de Heleno e, sete meses depois, se sabe que Heleno fez uma grande gestão na cidade porque a gestão de Canindé perdeu 50% da sua receita e eu ainda consegui entregar a cidade melhor. A nova gestão ganhou a eleição em cima do meu suposto desgaste e, agora, está em Canindé sem saber o que fazer, o que dizer ao povo porque ganharam a eleição dizendo que eu era um mal gestor e eles não discutiam a crise em Canindé e agora estão tendo que discutir. Estão em maus lençóis.

 

Então, hoje seu nome aparece bem, em Canindé, motivando esta pré-candidatura ao Senado?

Em Canindé, hoje, eu sou primeiro lugar para o Senado, o que mostra que o povo reconhece o trabalho que eu fiz. A pergunta é: o grupo que estamos, hoje, já tem nomes que teoricamente já estão definidos para o Senado: o governador Jackson Barreto e Rogério Carvalho? No mundo político se fala que são pré-candidatos ao Senado no grupo que estamos. Mas nós do PRB queremos o nosso espaço, e, com o aval da nacional, iremos em buscar. Com muita tranquilidade, a gente já avisou, há seis meses, que se não nos couber na chapa majoritária no grupo que estamos nós vamos buscar outras alianças. Não é novidade pra ninguém. Eu sou o pré- candidato ao Senado que mais cresci nos últimos seis meses. Eu tenho  rodado Sergipe, visitado comunidades. Quando deixei a Prefeitura de Canindé fiquei com disponibilidade para visitar as bases onde me elegeram duas vezes deputado federal. Há sete meses, diziam que minha pré-candidatura era uma aventura. Hoje, os grupos políticos já mostram que é uma realidade com chance de vitória, porque os números mostram que eu estou 8% atrás dos primeiros colocados. Os primeiros são nomes que já são senadores, que estão há 40 anos na política. No agrupamento que eu estou sou o primeiro lugar. Vamos lutar por essa vaga. O partido está definido no que quer. Não vai vacilar na hora de fazer essa escolha.

 

O governador Jackson Barreto vai disputar o Senado. Este “fato novo” muda muita coisa no agrupamento, não?

Jackson disse que não seria candidato e incentivou pessoas do seu grupo a serem, inclusive a mim, a Fábio Mitidieri... Mas política é muito do momento. A gente respeita a atitude do governador. A gente sabe que ele tem um serviço muito grande prestado a Sergipe, nesses 40 anos de vida pública. Como são duas vagas, a gente está lutando por uma. O PT tem o nome de Rogério, mas a gente sabe que a visão de Rogério é disputar o governo. Belivaldo vai sentar na cadeira e vai ser um grande fator de decisão dessa eleição. Ele deve se lançar candidato, e as coisas passarão por ele também. A equação precisa ser fechada. Essa equação tem cinco atores para quatro vagas. O PMDB com dois nomes, o PSD que cresceu, o PT, que com a força de Lula se acha no direito de reivindicar uma vaga e o PRB. Isso será decidido no próximo ano porque a política brasileira cada dia vive uma surpresa nacional, que influencia muito aqui em Sergipe. A reforma política, o distritão não se sabe se vai passar. O PMDB pode sair de Jackson e ir para André Moura, que é a grande novidade na política majoritária hoje.

 

André Moura disputa o governo?

Ele está cacifado e trabalhando para ser candidato a governador. Você vê o movimento dele grande em cima disso. Ele é um articulador nato, está ocupando um cargo importante em Brasília, que é muito bom para Sergipe e a prova é que as grandes lideranças têm procurado ele para a solução de alguns problemas, inclusive, essa semana, eu estive com ele no Ministério da Fazenda tratando sobre dívidas de produtores rurais. O prefeito Edvaldo tem procurado ele e o próprio governador. André está num cargo muito importante. Eu acho que nós sergipanos que queremos o melhor para o Estado não podemos abrir mão dessa força que ele tem. Claro que com isso ele vai ganhando musculatura.

 

Acredita que ele possa mudar de grupo político em Sergipe?

Eu acho que não há espaço nem aqui (governo) e nem lá (oposição). Os grupos estão definidos. Mas pode haver mudanças nessa disputa de chapa majoritária. Você já escuta que, se não houver um espaço para Valadares, ele pode se juntar com o PT porque há uma possibilidade do PT se juntar ao PSB em nível nacional. Alguma mudança que houver vai ser nessa situação de chapa majoritária. Sergipe está igual ao Brasil, que não tem candidatos naturais. Tudo pode acontecer. Em Alagoas, já tem o Renanzinho, a Bahia tem o Rui Costa e ACM Neto, que sonha em ir também. Em Sergipe, a oposição está definindo os dois nomes do grupo: André e Eduardo. Valadares corre por fora numa boa performance. O governo tem os nomes de Belivaldo e Rogério, na força de Lula.

 

E quem seria melhor nome, hoje, para disputar o governo representando seu grupo?

Acho que o direito é de Belivaldo. Quem ousar entrar em sua frente sem a permissão dele está desrespeitando a fila do mundo político. O mundo político existe vez e a vez será de Belivaldo, até porque ele vai assumir o governo e está numa posição muito estratégica. Quem trabalha para ocupar essa cargo na posição de Belivaldo tem que trabalhar com sabedoria, até porque na força não vai conseguir. Na minha opinião, isso não vale em política. Só vale se for na amizade, respeito e união. No próximo ano, teremos uma eleição diferenciada. A gente vai falar com o povo que está decepcionado com político e com o sistema eleitoral. O povo desempregado e vendo as malas com R$ 50 milhões da vida. Vendo tanta corrupção no país. A gente tem que estar muito antenado. Eu fico muito feliz porque nós do PRB temos grandes quadros como Ivan Leite, o nome de Jony Marcos que cresceu muito com seus posicionamentos. Ele foi muito coerente nos votos em relação à Dilma, Eduardo Cunha e Michel Temer. Ele perdeu todos os espaços políticos que tinha na esfera Federal por fazer o enfrentamento com Michel Temer e isso o credenciou muito no Estado. É impressionante o quanto as pessoas, hoje, vêem em Jony uma atitude corajosa de, inclusive, ir contra o seu partido, mas ficar do lado do povo de Sergipe. Isso o credencia muito para as próximas eleições e quem sabe na frente pensar novos rumos.

 

Para eleger o saudoso Marcelo Déda, o PSB sacrificou o próprio Belivaldo, excluindo-o da chapa majoritária. Nessa conjuntura atual, o PMDB vai ter que sacrificar também ou tem espaço para dois nomes?

Aquela eleição foi interessante. Eu participei daquela discussão quando Déda anunciou que estava trazendo o PSC para o grupo e precisava da vaga de vice para Jackson. O PSB se estremeceu, Valadares não ficou satisfeito. Belivaldo depois veio ser secretário da Educação na cota do próprio Déda. Eu não sei como eles vão fazer, mas as partidos como PSD e PRB, que cresceram bem, querem seus espaços, e se não derem vão buscar suas soluções. Você não pode abrir mão de quem tem uma liderança muito grande no estado, que tem segmentos apoiando, que tem voz. Como está se deixando para cada dia a sua agonia, toda hora se muda as questões políticas no Brasil, eu acho que isso vai deixar para ser discutido no próximo ano nos 45 do segundo tempo.

 

Sergipe comporta uma terceira via?

Eu acho que não. Terceira via nunca teve sucesso. A última que a gente viu foi na eleição de 98, quando Valadares foi candidato pela terceira via e foram João e Albano para o segundo turno, naquele famoso acórdão, que Jackson perdeu para Maria. Podem ter algumas candidaturas avulsas por conta do sistema nacional. Tem um grupo que apóia Bolsonaro e deve ter candidato, a REDE apresenta nome. A grande surpresa nessas eleições de pesquisas de consumo interno que estamos fazendo é a Vera Lúcia, do PSTU. Ela tem aparecido em todo o Estado. Esse é o voto de protesto, daqueles que estão insatisfeitos com o sistema político. Ela aparece em todas as pesquisas acima de dois dígitos.

 

O caminho do PRB, então, pode ser uma composição?

A gente está discutindo isso. É difícil dizer isso, mas pode ser. Até porque o sistema nacional vai influenciar. A nacional acompanha a decisão do partido. A gente vai ouvir. O PRB nacional quer que Heleno dispute o Senado Federal. O partido conta com isso porque tem um senador e quer eleger cinco. Tocantins está na fita, Rio de Janeiro, em São Paulo Celso Russomano pode vir e aqui eles contam com Heleno. Eles não vão aceitar uma composição que Heleno não esteja participando. Outra coisa que temos a nosso favor são os números. Hoje, eu tenho, no estado, cerca de 18% e posso chegar ao final do ano com 20%. Você não quer que eu abra mão de uma pré-candidatura para o Senado altamente viável em favor de outros pré-candidatos que não têm o mesmo número que eu tenho. Você pede tudo a pessoa, só não peça para ela morrer.

 

O deputado federal Valadares Filho revelou que conversa com algumas pessoas do grupo de Jackson, viabilizando aliança. O PRB também tem dialogado com ele?

Ele encontra com a gente em aeroportos, na Câmara...

 

Não existe casamento sem namoro...

Fica bem na porta, abre a janela. A grande verdade é que a oposição está forte numericamente, mas eles precisam fechar o seu grupo. Eles percebem na gente do PRB a liderança popular muito grande. As pessoas perguntam como a gente ganha eleição. É porque a gente trabalha, está no meio do povo, leva a mensagem de fé, tem o resultado do trabalho para mostrar, e a oposição tem conversado mais com Jony do que comigo porque eles sabem da força do nosso bloco. Eles estão querendo fechar esse bloco para disputar a eleição com muita força. Em compensação, o governo procura fortalecer o nome de Belivaldo. A disputa será muito boa.

 

E qual a matemática do PRB?

É que no governo tem quatro vagas para cinco nomes e na oposição tem quatro vagas para dois nomes. Os dois senadores. André está correndo por fora. Se André conseguir êxito para o governo vai haver uma arrumação lá. Estamos referendado nacionalmente para disputar o Senado. A vice não interessa a gente, mas se tiver que discutir nós vamos, mas vai ter que ser muito discutido com a nacional.

 

O PRB não teme passar a ideia de fogo amigo? De estar “colocando a faca no pescoço” do governador?

Não estamos botando faca no pescoço do governador. Sabemos a nossa importância. Coloca-se pressão quando você não sabe da sua importância, mas sabemos da nossa importância, dos quadros que temos, da força política que temos. Quem vier conversar com o PRB sabe que estão conversando com pessoas que sabem o que querem. Estamos no campo da política há 20 anos e temos o que oferecer a Sergipe. Na minha ótica, essa equação vai ser difícil fechar. Alguém vai ter que ceder no bloco do governo a vaga para os que tiverem melhor posicionados diante da população, principalmente na reta final. Vamos para os números.

08/09/2017 16:24:00
Um inquérito policial é o caminho para sabermos quem falta com a verdade

O internauta conhece o cidadão Jadson Lima, que, neste instante, acusa o deputado federal de André Moura de tê-lo agredido? Sabe se ele é radialista? Não duvido. Só não sei dizer. Confesso a ignorância: nunca soube sequer da existência. E olha que conheço mais comunicadores que o número de cédulas de R$ 100 encontradas no AP do Geddel... Mas, supondo que Jadson Lima é radialista, ele exercia a profissão com a ética imperiosa quando diz que abordou a prefeita de Japaratuba, Lara Moura, na última quinta-feira, dia 7, para tratar de assuntos do município? Ou ele foi quem agrediu a gestora fora de sintonia com o bom jornalismo? Difícil, não? Perguntar não ofende. Jadson fora interrompido violentamente pelo deputado André Moura, que não apenas tomou-lhe o celular gravador, mas também lhe rumou a mão no pé do ouvido? É a sua a versão... Por sua vez, André Moura nega, se diz vítima de uma política odienta e de um caso de assédio moral. André assegura que Jadson Lima é um falso radialista e promete levá-lo à Justiça. Moverá uma ação por calúnia, injúria e difamação.

 

A versão de André Moura: “Um grupo de cinco senhoras reivindicava à prefeita Lara melhorias para uma localidade. De forma ostensiva e falando alto, o falso radialista – o suposto agredido –, interrompeu o diálogo, exigindo uma posição da prefeita. Ela pediu calma e um tempo para se colocar a par das solicitações. Neste momento, insatisfeito, o falso radialista se dirigiu a André Moura, que acabava de chegar ao local e, gritando, reclamava a devolução de um aparelho celular supostamente tomado dele. Em seguida, saindo do local sem que houvesse sequer havido um diálogo entre ele e André Moura, o falso radialista passou a gritar no meio da multidão: deputadozinho, deputadozinho.”

 

Evidente: somente uma apuração bem feita destes e de outros fatos jogará a luz necessária ao juízo perfeito. Tem-se postas, como em qualquer animosidade, duas versões dos fatos – e, exceto quem testemunhou do primeiro ao último segundo, só investigando-se é possível dirimir quaisquer dúvidas e apontar a correta.

 

O fato é que, sobretudo por envolver uma prefeita e um deputado federal x um cidadão – sendo ou não radialista -, o caso precisa ser investigado pela polícia. Todos, inclusive testemunhas, precisam ser ouvidos num inquérito não viciado. Seja ele quem for, o mentiroso precisa ser desmascarado. O episódio é de uma gravidade extrema.

 

Vamos supor que Jadson Lima esteja expondo a versão verdadeira. Não pode ser tolerável um deputado agredir um radialista, simplesmente, por este cumprir – ou tentar cumprir - seu ofício. Pessoas públicas devem, sim, satisfação dos seus atos públicos à sociedade. Não se discute.

 

Por outro lado, e se André Moura estiver sendo 100% sincero? É vítima de uma armação sem tamanho. Um falso radialista, para usar suas palavras, estaria a lhe caluniar e, querendo ou não, por tabela desgastando a imagem de duas pessoas públicas, sobretudo a de André, com uma história fantasiosa. Homens e mulheres públicos vivem da imagem. André, por exemplo, enfrentará as urnas ano que vem. A quem interessa sacaneá-lo?

 

Evidente que o ser humano é momento. André Moura pode, de fato, ter pedido a cabeça. Não sei. Como disse, só quem testemunhou tudo pode emitir um juízo de valor preciso neste momento. Todavia, poucos políticos em Sergipe foram igualmente provocados e desafiados com críticas, ofensas e acusações das mais diversas como André Moura.

 

Já escutei radialista acordar e dormir tirando dos cachorros e colocando em André. Meses e meses em pleno ano eleitoral. E pelo que consta, a resposta foi sempre buscar o caminho da Justiça. Quando muito, usar o verbo também em outro veículo. Mas agressão física de André contra um jornalista, um radialista? Não lembro. Como o ônus da prova cabe a quem acusa, um inquérito policial é uma excelente oportunidade, é o caminho para Jadson provar o que diz. Para sabermos quem falta com a verdade.

06/09/2017 05:26:00
“Eu acho que o PT deve estar de braços abertos para Eduardo Amorim”, diz Venâncio

Bem ao seu estilo, o deputado estadual Venâncio Fonseca (PP) comentou, nesta terça-feira, dia 5, uma entrevista que o senador Eduardo Amorim (PSDB) concedeu a este espaço, no último final de semana, e, ao ser provocado sobre a postura dele, Venâncio, afirmou que ser oposição não é fácil, mas é estar ao lado do povo.

 

“Eu concordo. Ser oposição não é para todo mundo. Senti na pele. Quando João Alves perdeu a eleição para o saudoso Marcelo Déda, em 2006, foram eleitos 16 deputados em sua base, mas fiquei na oposição com mais três: Augusto Bezerra, Goretti Reis e Arnaldo Bispo. Os outros foram para o colo do poder. Agora, o que me causou mais surpresa não foi nem o que ele disse sobre mim ou sobre o Capitão Samuel: foi o que estava embutido nele: o lado de esquerda, socialista e identificado com o PT, que Sergipe, durante este tempo todo, não conseguiu vislumbrar. Uma mistura do velho com o novo. Eu acho que o PT deve estar de braços abertos para Eduardo Amorim”, disse Venâncio.

 

De acordo com deputado, seu modo de fazer política é conhecido em Sergipe: sempre respeita a decisão e a independência de qualquer aliado ou adversário. “Pode fazer um levantamento da minha vida política que eu nunca comentei voto, decisão e nem atitude de ninguém. Eu acho uma coisa muito íntima, quem deve julgar é o povo. Tenho o maior respeito. Já fui líder do governo na Assembleia, por quatro anos, e nunca policiei voto de ninguém. E já fui líder da oposição, por oito anos, e nunca policiei o voto de ninguém”, assegurou.

 

Venâncio enfatizou, por fim, que tem carinho e respeito pelo senador Eduardo Amorim, e não pretende mudar sua postura. “Continuarei tendo. Jamais policiei o voto dele. Inclusive, o voto dele que foi muito comentado, na Reforma Trabalhista, eu respeitei. Não fiz nenhum tipo de comentário. Muitos comentaram, mas não de minha parte. Cada um vota como quer votar. Todo mundo tem consciência e não é certo estar policiando o voto e o comportamento de ninguém”, disse.

03/09/2017 11:21:00
“Sou de esquerda, sou socialista nato. Eu me identifico com alguma coisa do PT”, diz Eduardo

O senador Eduardo Amorim (PSDB) comenta, nesta entrevista, não apenas a situação crítica do presidente da República, Michel Temer, que enfrentará uma nova denúncia, mas também do PSDB, enquanto seu aliado. O senador fala das saídas dos deputados estaduais Venâncio Fonseca e Capitão Samuel do bloco da oposição rumo ao grupo governista, demonstra sua descrença na reforma política e assegura ser um socialista identificado com o Partido dos Trabalhadores, apesar de não ter militância nas ruas. “A consciência que eu tive foi da sobrevivência. Não era uma consciência política. Mas pode ter certeza que sou de esquerda, sou socialista nato. Não sou extremado capitalista, embora tenha gente próximo de mim que é. Eu acho que me identifico com alguma coisa do PT e dos partidos de esquerda. Eu acho que a gente poderia ter uma sociedade muito melhor”, diz.

 

O que o eleitor pode esperar da reforma política?

Muito pouco. A gente luta o tempo todo para que não seja simplesmente um remendo. Seja algo que venha corresponder à sociedade brasileira. Que venha prestar conta a sociedade. Mas o parlamento é plural. São 513 deputados e 81 senadores. São muitas cabeças e muitos interesses. Essa pluralidade, muitas vezes, é usada para o lado do bem, mas também pode acabar atrapalhando numa hora como essa. Eu acho que duas reformas são emergentes: a política e a tributária. Não pode num país como esse se pagar tanto tributo. Pagamos 94 tipos de tributos. Eu fiz pós-graduação em direito tributário e em direito público e são 94 tipos de tributos. Imposto é uma espécie. Imposto de Renda é uma subespécie. São inúmeras contribuições, taxas, tarifas. Acho que o Senado já votou diversas vezes fim das coligações, fim do crédito proporcional, fim da reeleição, mas, infelizmente, quando chega à Câmara dá uma parada porque a Câmara tem uma pluralidade muito maior. Um mês para que se aprove alguma coisa. Não tem como não ser pessimista porque se deixou muito para o final. Tem que ser até o dia 6 de outubro para obedecer ao princípio constitucional da anualidade, onde todas as regras têm que ser definidas um ano antes da eleição. Tem que ser obedecido isso. É um calendário extremamente apertado. Temos que votar essa semana meta fiscal, os vetos que estavam trancados. Ficamos até 3 horas da manhã, da última quarta para quinta-feira. O trabalho é muito, mas, às vezes, os regimentos das duas Casas permitem muita repetição. O mesmo tema se discute e todo mundo quer falar. A gente vive com essas contradições. Outra coisa que o Congresso precisa fazer é a revisão do seu regimento. A gente sabe que ali o espaço democrático é a vontade da maioria.

 

Qual a maior urgência que a reforma política precisa resolver?

Eu sou a favor do fim da reeleição, do voto proporcional. Eu acho que o voto proporcional nasceu na Europa no século passado e veio para nossa Constituição, incorporamos ao nosso ordenamento jurídico e, com a Constituição de 1946, ocupou o espaço que tinha que ocupar. Hoje é preciso refletir sobre o voto proporcional. Como pode um parlamentar eleger quatro? Isso contraria o maior princípio democrático que é a vontade da maioria. É preciso refletir isso. Eu acho que o voto proporcional estimulou um pouco a multiplicação de partidos. Não que não tenha que ter partido, mas é preciso ter uma reflexão sobre isso. Nos Estados Unidos, o cara pode ser candidato sem partido nenhum. É preciso se fazer alguma coisa. É preciso demonstrar para sociedade brasileira que estamos tentando fazer alguma coisa. A questão do financiamento, se público ou privado, por que não pegar o dinheiro gasto em televisões para contribuir para essas campanhas? O que se gasta hoje com o tempo de comunicação ser dado ao partido para comprar se quiser a propaganda, lógico que prestando conta ao Tribunal Regional Eleitoral. São essas coisas que precisam ser melhoradas para dar mais credibilidade ao povo brasileiro. Não teen outro caminho. A política é e sempre será um instrumento para se escolher aqueles que vão conduzir um país, Estado ou município. Desde o início da humanidade não se inventou algo melhor. Tem alguns que se apoderam desse instrumento e fazem o que não deviam nunca fazer. Pegam a coisa pública e jogam no seu patrimônio. Isso é perverso, maldoso. Eu tenho consciência que quem vai salvar o país é o povo brasileiro.

 

Um dos fatores que o deixa contra a reeleição seria o fato de muitos políticos já entrarem no exercício do mandato pensando na próxima eleição?

Com toda certeza. Principalmente do Executivo. Poderia ter um mandato de cinco anos para executar todo seu projeto. Esse tipo que estamos experimentando é muito danoso. Em outros lugares pode até ser positivo, mas aqui alguns se aproveitam disso para o mal. Quando vem o segundo mandato talvez não tenha o mesmo vigor que teve no primeiro.

 

O presidente Michel Temer resiste à nova denúncia?

Ele com certeza vai usar a mesma estratégia e vai tentar sobreviver. Temer tem um convívio, principalmente na Câmara, muito forte. A instabilidade gera mais instabilidade política, jurídica, econômica. O fato é que estamos a um ano da próxima eleição, e o brasileiro está apreendendo que o voto não tem preço, que não é mercadoria. Voto tem consequência, e, infelizmente, estamos vivendo a consequência do mal, tanto no plano federal e especialmente no plano estadual. Precisamos virar essa página e agora entrar na página do bem, da esperança que o brasileiro sempre teve.

 

O senhor ainda tem esperança de o PSDB descolar do governo?

Essa página internamente já foi virada. Os deputados estão livres para votar de acordo com sua consciência. Claro que o partido tem suas defesas, mas algum tempo atrás o partido estava literalmente dividido. No caso da primeira denúncia, estava 22 x 21 e se um deputado não tivesse se ausentado seria empate. A executiva nacional está preparando os diretórios municipais, depois vai preparar os diretórios estaduais e a previsão é até o final do ano a gente tenha uma nova eleição para que a gente aponte um novo candidato para ir para eleição no ano que vem.

 

Disputar as eleições como aliado de Michel Temer, que está em baixa com a população, não é um risco?

O eleitor vai avaliar todos os nomes e cenários. Quem fez pelo Brasil e quem não fez, quem realmente não fez o que deveria. O eleitor sergipano vai estar muito atento àquilo que nos pregamos. Quando eu vi o anuário sócio econômico da Universidade Federal de Sergipe dar o diagnóstico da situação de Sergipe, muito do que está ali dissemos em 2014. Lógico que o anuário foi muito mais preciso de município por município. Mas no macro o diagnóstico do anuário nós dissemos. O endividamento, a violência, o analfabetismo, os indicadores sociais com curvas para baixo, a saúde na UTI. Acho que o eleitor vai estar mais atento e só o cidadão pode salvar esse país e o Estado. É verdade que instituições como o Ministério Público e outras mais têm feito o seu papel, a Justiça tem seu dever constitucional, mas quem vai salvar mesmo é o povo, como já ocorreu em outros momentos da nossa história. A independência, no momento da saída do Império para República, e em outros momentos de revoluções. Que as mudanças venham, mas pela consciência e não pela força.

 

O PSDB terá mesmo um candidato a presidente?

Eu sou um novato no PSDB, mas cheguei com experiência de vida e com a credibilidade chancelada pela nossa história. Com menos de seis meses de partido, a gente recebe a liderança do bloco. Eu não imaginava isso. O que a gente sente é que o partido está se preparando  para apontar um novo horizonte para o país, como o partido foi fundamental na saída do regime totalitário na retomada da democracia. A gente tem o nome do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria. Eu tenho afinidade com os dois. Alckmin é um médico anestesista e Doria, eu o conheço há mais tempo, o país o conhece administrativamente há mais tempo, e Doria tem uma nova forma, uma linguagem cotidiana, já que ele é um comunicador, mas ele tem um DNA político. O pai era político e foi cassado durante o regime militar, os avós dele tinham DNA sergipano ele vai estar em Sergipe em breve. Já estão agendadas duas palestras, uma sobre políticas públicas e outra sobre as drogas, que tem causado a destruição de várias famílias. Ele vem falar também da crise econômica e fiscal que o país está vivendo.

 

O PSDB precisará de um palanque em Sergipe para o presidenciável. Terá Eduardo Amorim como pré-candidato a governador?

Meu nome foi colocado à disposição. Já estava preparado em 2014 e estamos mais ainda agora. O diagnóstico já tínhamos, e, ao longo desses três anos que se passaram, a gente só vem confirmando e afirmando, mas buscando soluções para diversas áreas. Nosso bloco, com toda certeza, só teremos a definição ano que vem porque é um ano eleitoral. Discutir candidatura fora do ano eleitoral é algo contraditório. Tudo na vida, como está escrito em Eclesiastes, tem que ser no momento certo e na hora certa. Não é hora da gente está vivendo em função de uma escolha para o ano que vem. É momento de trabalho, de apontar soluções para esses gigantescos problemas que temos, e não são poucos.

 

Até porque os pretensos candidatos estão exercendo mandatos, não é isso?

Vai contribuir como, se ficar pensando em eleição? Eu diariamente, em Brasília, recebo dezenas de prefeitos. Eu gosto de ouvir as pessoas, caminhar e a gente aprende nas conversas. O estrago que continua sendo feito no nosso Estado é para no mínimo 30 anos. Sergipe saiu de uma dívida de R$ 800 milhões para mais de R$ 6 bilhões. Sergipe saiu de uma situação superavitária para uma deficitária na Previdência. O rombo da Previdência esse ano é de R$ 1,5 bilhão. Próximo ano aumenta. O fundo vai ter quase zero na conta. Como faz para pagar os aposentados? Eu não tenho nenhuma dúvida. Nesses quase 200 anos de emancipação política de Sergipe nunca vivemos um momento tão crítico e difícil, tão quebrado como esse. A culpa não é só do governo que aí está, mas ele, além de aceitar o rombo, nada fez. Ele poderia ter feito o dever de casa, as economias necessárias. Antigamente, um prefeito era muito dependente do governador para fazer uma obra no seu município. Os prefeitos sergipanos descobriram que não adianta bater à porta de quem está quebrado. Que é melhor pegar um avião e voltar no dia seguinte pra casa, mas se for vai conseguir uma escola, uma creche, calçar as ruas. Tem prefeito que pensando dessa maneira e sendo oposição ao Governo do Estado pavimentou e calçou todas as ruas da sua cidade. Não foi o Estado que foi cobrar. Hoje é um caminho que todos eles fazem. O Estado deveria estar fazendo o mesmo. Buscando os recursos e mais investimentos porque o que vem de lá é sem obrigação de retorno. No máximo a contrapartida.

 

O deputado federal Valadares Filho revelou que tem conversado com aliados do governador Jackson Barreto que estariam insatisfeitos e podem estar no palanque da oposição, em 2018. O senhor tem conversado, neste sentido, com alguém do governo também?

Tenho. Semanalmente, eu recebo gente no gabinete e converso. A insatisfação a gente percebe. O governo não correspondeu com aquilo que o povo precisa. Eu escuto até de aliados do governo que ele é mal administrado e mal gerenciado. Eles mesmos criticam o governo nas diversas formas. Mas assim como lá tem fila (para compor a chapa majoritária), aqui também têm nomes. A conversa vai existir. Não é só vir por vir.

 

Apesar das especulações de setores da mídia no sentido de o grupo ter um novo líder, o senhor não tem externado vaidade em relação a isso. Não incomoda? 

Eu aprendi a só dar importância ao que merece. Umas das coisas mais preciosas que Deus nos dá é a vida e a vida vem na forma do tempo. A gente sabe que existe aquele tipo de eleitor que é torcedor, o que defende com algum interesse. Isso a gente vê em todos os segmentos e para mim isso não tem a menor importância. Tem gente que coloca o eu na frente e esquece que antes do eu é o nós, o coletivo. Venho de uma família simples e humilde. Para eu estar na política é uma missão. Mas tem gente que está na política pelo interesse, pelas facilidades palacianas. Eu vejo a oportunidade de fazer o bem sem olhar a quem. Alguns dias atrás, eu estava em Barretos e lá encontrei uma família sergipana que tinha ficado desesperada porque um ente querido estava com câncer e desenganado e pedia pelo amor de Deus e eu bati na porta dos amigos de Barretos e pedi que ele fosse atendido. A gente percebe o quanto é bom fazer o bem. É gigantesco fazer o bem. Eu acredito muito nisso e vivo isso. Não tem como um parlamentar ficar rico de forma lícita com o salário que recebe porque muitas vezes metade do salário se ajuda aos mais necessitados. Eu só acredito no soldado que vai à guerra como um missionário. Aquele que vai com interesse eu não acredito. O povo de Sergipe só me dê qualquer mandato se for possível eu fazer o bem. Se eles acharem que eu não tenho condições eu que peço para que não me dê.

 

O que aconteceu com a bancada de oposição na Assembleia Legislativa para encolher tanto?

Com certeza, alguns se deixaram levar pelas benesses palacianas. Nem todos resistem. Ser oposição é sobreviver permanentemente de princípios, de ideias, valores, e deixar a tentação de lado. A diferença hoje para o mandato passado é que hoje não temos a maioria, mas temos bravos soldados. O governo passa porque tem a maioria. De vez em quando tem uma dificuldade, mas se deixam levar pelo imediatismo e pelo interesse. Nada sai do lugar sem uma energia, sem uma motivação.

 

Houve diálogo, antes de os deputados deixarem a oposição, ou o senhor tomou como surpresa?

Surpreendidos sempre somos. Fui surpreendido porque em algumas dessas mudanças eu bati à porta dessas pessoas e apostei, e também apostaram na gente, mas faz parte do ser humano. Tem gente que é mais firme em seus princípios e tem gente mais flexível. Eu, que por conduta de vida, só defendo o que acredito. Só me dobro todos os dias pelo que acredito.

 

É comum, principalmente na Assembleia Legislativa, comentários no sentido de que o seu grupo não deu o tratamento que o deputado Venâncio Fonseca merecia, nas eleições 2014. O senhor enxerga isso?

Não. Se eu tivesse sido governador, eu digo com toda certeza que Venâncio seria uma das pessoas mais lembradas. Teria sido uma daquelas pessoas que eu teria na primeira opção para qualquer espaço. Na campanha, eu mal dormia, mal comia. Se houve alguma coisa, eu não acredito. Mas tudo tem um motivo. Às vezes, alguém não teve a votação que esperava ter. Eu acho que Venâncio teve a votação que ele teve porque sempre foi um opositor ferrenho, detalhando as mazelas. Se ele não tivesse sido esse opositor não sei se ele teria sido eleito.

 

O senhor vê diferença no Venâncio do passado para o do presente?

As coisas mudam. É preciso aprender a respeitar. Cada um sabe fazer a sua avaliação. Ser oposição não é fácil, mas eu acho que vale a pena porque ser oposição num momento desse, principalmente em nosso Estado, é estar  do lado do povo. Daquele que não tem oncologia, não tem um centro de exames por imagens para fazer um exame, uma tomografia. Quem está junta a esse governo não está defendendo o povo não.

 

Mas o deputado Capitão Samuel justifica que, na oposição, não teria como ajudar a base...

Eu prefiro ajudar todo o povo e não só a base de um e de outro. Cada um justifica do jeito que quer. A saúde está boa?  A segurança? Depois que ele foi Sergipe se tornou um Estado menos violento? Depois que ele foi as estradas ficaram mais limpas? Será que o servidor público está recebendo em dia depois que ele foi?  Mudou pra melhor ou pra pior? Se não mudou, precisamos continuar combatendo. Mas respeito e não sou inimigo. Tenho divergentes. Adversários ideológicos políticos. O Sintese tem que defender mesmo a categoria, pedir melhores condições de trabalho, valorização salarial. Eu não sei como uma criança vai para a escola e olha o teto se perguntando se vai cair ou não. Como se estuda num ambiente degradado? Eu sei o que é isso porque eu não pertenço a nenhuma elite e nem condeno quem pertence. Eu venho da simplicidade, da humildade. Eu nasci da esquerda. Eu sou socialista. Se eu quiser ser capitalista a essa altura seria um grande empresário, um dono de hospital. Eu não sou porque ainda adolescente estava num grupo de jovem aprendendo os valores cristãos, o socialismo cristão.

 

O senhor mencionou o Sintese e disse ser socialista... A deputada Ana Lúcia é um reforço para oposição?

Não. Cada um defende o que quer defender. Ana Lúcia nasceu dentro desse universo da militância. Eu não tive essa oportunidade e não critico quem teve. Eu não tinha essa consciência. A consciência que eu tive foi da sobrevivência. Eu ouvia do meu pai e minha mãe que eles eram feirante e agricultor, feirantes e passavam por dificuldades para mudar minha vida, e o único caminho que me apontam é do estudo. Eu perguntava como ia concorrer com o Unificado, Visão e eles diziam que enquanto os concorrentes estavam dormindo eu ia estudar mais. Eu consegui fazer isso. O primeiro vestibular que eu fiz, passei. Não foi uma vitória com duas mãos. Na minha caminhada eu recebi ajuda de muita gente. Então, a consciência que eu tinha era da sobrevivência. Não era uma consciência política. Talvez se eu tivesse uma consciência política tivesse essa militância que eles têm. Mas pode ter certeza que sou de esquerda, sou socialista nato. Não sou extremado capitalista, embora tenha gente próximo de mim que é. Eu acho que me identifico com alguma coisa do PT e dos partidos de esquerda. Eu acho que a gente poderia ter uma sociedade muito melhor. Vivermos e pisamos nas melhores terras do planeta. A distribuição de renda poderia ser melhor. O pobre não poderia pagar mais imposto proporcionalmente. Isso é perverso. Como ele paga muito sobra pouco para botar o filho numa escola, para um plano de saúde, para vestir e comer. Quando eu ouvi o senador Paulo Paim defendendo a reforma trabalhista e dizendo que precisamos visitar uma fábrica, um campo, ver como os agricultores trabalham, eu humildemente levantei a mão e pedi a fala na comissão de assuntos sociais e disse que não precisava porque isso pra mim foi minha vida. Eu cuidava dos porcos que minha mãe criava. No final do ano, pegava cinco porcos, que era a roupa nova no final do ano para cada um dos filhos. A manutenção dos porcos era a certeza de algo diferente. Fazer farinha no sítio de minha avó para ganhar um tostão, cuidar do galinheiro. Isso pra mim não é internet. Foi minha vida. Por isso eu tenho essa consciência e sei o que um mandato pode fazer na vida de muita gente, que, às vezes, a gente nem conhece, mas ajudamos.

29/08/2017 19:41:00
Zezinho ironiza ideia de passar imóveis para o Finamprev. “Venda o Batistão ou o Palácio”

Nesta terça-feira, dia 29, o deputado estadual Zezinho Guimarães (PMDB) ironizou a ideia de o Estado passar imóveis próprios para o Finamprev que, orçados pela Caixa Econômica Federal, cheguem ao valor R$ 300 milhões, como forma de resolver o problema da previdência. O deputado não citou nomes, mas a sugestão foi dada pelo também deputado estadual Gilmar Carvalho (Sem Partido). 

“Fala-se em R$ 300 milhões capitalizados. O problema já está em R$ 1,2 bilhão. Essas soluções mágicas não existem. A gente está fazendo uma fusão para trazer R$ 600 milhões do fundo novo e não vai resolver. Isso é um paliativo para os próximos meses. O Estado tem que fazer muita coisa, mas precisa de R$ 120 milhões por mês hoje. Não adianta enganar o povo. Não estou querendo criticar ninguém, mas temos que falar a verdade para o povo. Não é possível só de gogó resolver. Peguem os imóveis todos e entregue para ver se resolve? Venda o Batistão ou o Palácio do Governo”, disse.

Zezinho disse ainda que não tem a pretensão de não ser criticado pelo que diz, mas fala o que pensa e procura dizer a verdade. “Eu não faço como alguns que são verdadeiros deputados Posto Ipiranga, que resolvem tudo. A fusão é necessária, mas não é o suficiente. Fora disso, é jogar pra platéia e isso eu não faço. Eu não finjo ser um homem do povo. Eu quero estar ao lado do povo, mas eu não sou populista para estar fazendo medidas e estudos. O que resolve é dinheiro. Eu não mando recado pra ninguém. Estou dizendo que só resolve o problema com dinheiro. Qual a maior garantia que o Estado pode dar? O tesouro”, assegurou.

 

Zezinho explicou que não trata como vantagem ou desvantagem a questão da fusão dos dois fundos. Mas vê como essencial para que o governo possa, num horizonte de um ano, minimizar o problema dos 30 mil aposentados. “O problema é que, ao longo dos últimos 30 anos, se formou uma massa de trabalhadores que deve estar em torno de 60 mil pessoas e, simplesmente, não fizeram o fundo previdenciário para responder no momento das aposentadorias”, disse o deputado.

 

De acordo com Zezinho, num futuro próximo, mais ou menos em 10 anos, serão mais de 40 mil servidores aposentados, o que significa uma cifra astronômica. “Uma das poucas garantias que o governo está dando é assumindo a responsabilidade como patrocinador entregando o que sobra ou o que tem do tesouro do Estado. Eu não vejo nenhuma medida capaz de capitalizar. O governo pretende que a Casa tenha consciência do problema que é sério, que não foi construído por ele (Jackson). Os poderes precisam sentar-se à mesa para encontrar uma solução. Não tem outra saída: precisamos melhorar a receita corrente líquida”, explicou.

Página 1 de 20. Ir para a página:
Colunista Joedson Telles
Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

 

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do colunista.

Notícias em Sergipe
Notícias em Sergipe
Notícias em Sergipe
Notícias em Sergipe
Notícias em Sergipe
F5 News - © 2016.
criação de site