Joedson Telles
16/11/2017 21:35:00
Do cavalo preso a D. Pedro proclamando a República

Lá vem O Globo, outra vez, pegar no pé do líder do governo no Congresso Nacional, o deputado André Moura. Escreve o jornalista Vinícius Sassine que André “publicou nas redes sociais uma imagem da declaração da Independência do Brasil, comemorada em 7 de Setembro, para referir-se à data da proclamação da República”. E se permite a aula de história: “A independência do Brasil em relação a Portugal foi declarada pelo imperador D. Pedro I em 7 de setembro de 1822. A República foi proclamada, em detrimento do Império, pelo marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889”, postou na pagina do jornal na web Vinícius. Aliás, trata-se do mesmo jornalista que, no dia 1º de agosto, redigiu uma matéria com o título “Líder do governo é condenado por desvio de R$ 1,4 milhão”. Marcação?

Que saco este jornal carioca focando Sergipe apenas em pontos negativos. Aposto que, se tomou conhecimento, noticiou também a prisão temporária de um cavalo genuíno. 

Agora, vejam quanta implicância deste jornal com o líder de Temer por coisa tão tola. Seria André o único a trocar as bolas? Evidente que não.

Ainda que qualquer criança quando pisa os pés na escola aprende, nos primeiros anos, o que o Vinícius jogou em rosto na matéria de O Globo, André não é o único a demonstrar desconhecimento neste Brasil. E desafio atirar a primeira pedra quem não tem uma história na ponta da língua. Própria ou de terceiros.

Bolas! Errar é humano.  Pra citar só três casos que chegam à mente, já testemunhei gente encher a boca para dizer que Lampião proclamou a República. Pelo menos o deputado não se evadiu da política. Há alguns anos, atribui-se a uma loura gostosa a pérola de ter respondido ao apresentador Jô Soares que o “duralex” era o seu prato predileto. E dia desses, pesquei alguém dizendo que “Dalai Lama” é americano. Certamente, estava se referindo ao atual líder espiritual do budismo, Tenzin Gyatso. Estamos no Brasil. Poderia passar a noite pensando e listando exemplos...

Se por um lado, o André Moura não domina a história, por outro lado, como político, aparece bem na fita. Iguala-se aos milhões de brasileiros que atestam, no dia a dia, as deficiências da educação brasileira – sobretudo da escola pública.  

Aliás, o que não falta é gente fazendo política argumentando que não estudou porque precisou trabalhar desde criança para ajudar a “colocar comida na mesa”. O Lula, por exemplo, é useiro e vezeiro desta tática que, evidentemente, não explica 100% da ignorância de ninguém frente determinados assuntos pra lá de óbvios.

O fato é que na semana que Sergipe foi destaque na Rede Globo pela absurda prisão de um cavalo, nada mais coerente que um jornal também da família Marinho voltar a expor negativamente o político de Sergipe mais influente no governo Michel Temer.

Não há dúvida que entra em campo o remoto preconceito. A turma do Sul e Sudeste adora tirar sarro dos nordestinos. Não é novidade. Mas, cá pra nós, prender um cavalo e atribuir a proclamação da República a D. Pedro são atos de uma infelicidade “ululante”, como adjetivaria o saudoso Chacrinha. Que Chacrinha. Kkkk. É pegadinha, internauta. O grande Nelson Rodrigues fecha este texto.

14/11/2017 20:48:00
Enquanto cavalo vai em cana, o Zé Dirceu dança

Já que é moda comentar a “prisão” (apreensão?) de um cavalo, no município de Nossa Senhora Aparecida, no último final de semana, vamos lá. Meto a colher no mingau alheio, mais uma vez. Pra começar, peço ao internauta que, sem esquecer a cena do cavalo, literalmente, atrás das grades, sequer sabendo, evidentemente, o que “justificaria” tamanho castigo, traga à mente aquela aparição recente de Zé Dirceu, dele mesmo, o homem do ‘mensalão’ e outros escândalos, dançando e rindo à toa numa festa aparentemente das boas. E feche o quadro imaginando, agora, uma grande e bela bandeira do Brasil desfraldada. Fite as palavras do símbolo da pátria: “ordem e progresso”. Pronto. Temos um 3 x 4 deste país do futuro, segundo cunhou o poeta Renato Russo.           

Zé Dirceu é um condenado. Um ladrão dito pelo próprio Judiciário. Um homem que enganou o Brasil com o discurso mole de trabalhador socialista para meter a mão no dinheiro público com vontade. Mas e daí? Quem disse que acabou, de fato, o tempo em que só iam parar na cadeia os três “pês”?

Estamos mudando, evidente. Mas ainda existes resquícios. E Zé Dirceu solto, dançando, curtindo a vida é uma prova irrefutável que, para uns, o crime compensa sim, senhor. É só ter bons companheiros, digo advogados... E como queria queimar a língua com o fogo do Judiciário mantendo presos todos os grandes fisgados pela Lava Jato...    

Mas, voltando ao cavalo, o pobre não tem sorte de certos políticos, que mesmo condenados permanecem em liberdade. O animal acabou enquadrado no que sequer existe. Veja a explicação com muita propriedade do delegado Paulo Márcio, presidente da Adepol:     

“... eventual ação de animal que resulte em destruição, inutilização ou deterioração de coisa alheia, não configura o “Crime de Dano”, previsto no artigo 163 do Código Penal, a menos que o animal seja dolosamente (intencionalmente) utilizado por alguém com essa finalidade, hipótese em que se faz necessária a instauração de procedimento investigativo para a devida apuração do fato. Assim, partindo da premissa de que o fato ocorrido é atípico, isto é, não é caracterizado como crime pela legislação penal brasileira, tem-se como desnecessária, desarrazoada e completamente equivocada a conduta dos policiais militares consistente em apreender o cavalo e mantê-lo confinado em uma cela reservada para a custódia de pessoas presas em razão do cometimento de algum ilícito penal”, explicou o delegado.

Se fosse provocado a explicar a necessidade de Zé Dirceu ter que mofar na cadeia, tendo evidente a companhia dos comparsas larápios, tenho plena convicção que o delegado Paulo Márcio, que já mostrou ser preparado na questão do cavalo, seria mais persuasivo ainda. O faria com mestria.

Mas ao que assistimos, nos últimos dias? Como termina a novela? Um cavalo inocente preso ao arrepio da lei e Zé Dirceu condenado como bandido, mas dançando numa festança, como se fosse um cidadão de bem. Um Zé Dirceu a zombar do brasileiro - inclusive do Judiciário que lhe assegurou o benefício.      

Aí o internauta que tem boa memória lembra a abertura deste texto e indaga não sem motivo: “se as histórias são reais e nada agradáveis, se é mais vergonha para o país, pra que diabos, então, fitar as palavras “ordem e progresso” na bandeira? Onde estaria a ordem? O progresso? Zé Dirceu dançando e um cavalo preso em uma delegacia sob ordem da Polícia Militar é “ordem e progresso”?

Evidente que nem uma coisa e nem a outra. Não tem nada a ver. Não existe ordem tampouco progresso em aberrações. Todavia, ao provocar o internauta, tento não me sentir solitário na missão que nunca será cumprida de encontrar duas palavras que tenham mais coerência com o Brasil. Que definam este país com precisão. Já pensei centenas de vocábulos. “Amado e injusto” foram os que chegaram mais perto, mas nada que contemple. E, assim, deixo como está. Continuo à espera de uma “ordem” e de um “progresso” que parecem cada vez mais longínquos.

12/11/2017 10:54:00
Oposição à modernização das relações de trabalho é política

O deputado federal Laércio Oliveira (SD) reafirma, nesta entrevista, que a Reforma Trabalhista, aprovada no Congresso Nacional, não é maléfica ao trabalhador brasileiro, como afirmam, principalmente, petistas e aliados. “A pergunta que eu faço aos críticos é: o que aconteceu com emprego no Brasil, da primeira semana de abril até hoje? Diga que o emprego no Brasil não cresceu. Se alguém disser, eu vou às emissoras de rádio e digo que fiz um projeto errado. Mas essa resposta não será dada porque os números estão aí”, assegura Laércio. O deputado, aliás, avalia que a oposição ao que define como “modernização das relações de trabalho” é meramente política. “Tentam jogar a população menos esclarecida contra a modernização das relações de trabalho, o ajuste fiscal, a reforma trabalhista e outras coisas boas para o país. Eu espero que a sociedade perceba que não dá mais para ser instrumento de manipulação desses políticos maldosos que querem desconstruir o Brasil com suas inverdades. A maré deles secou”, diz Laércio. A entrevista:

Apesar de o senhor explicar, pacientemente, os pontos positivos da Reforma Trabalhista, “a turma do contra” continua distorcendo?

A pergunta que eu faço aos críticos é: o que aconteceu com emprego no Brasil da primeira semana de abril até hoje? Dê-me essa resposta. Diga-me que o emprego do Brasil não cresceu. Se alguém disser que não cresceu, eu não argumento mais. Vou às emissoras de rádio e digo que fiz um projeto errado. Mas essa resposta não será dada porque os números estão aí. E vai ficar muito melhor a partir de agora, quando entra em vigor a Lei da Reforma Trabalhista, que, na verdade, não é uma lei, mas a modernização das relações de trabalho no país, vivendo um ambiente novo e promovendo um equilíbrio nas relações entre empregado e empregador.

A modernização?

O que vivemos na história trabalhista do Brasil foi uma CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de 43, que cumpriu seu papel muito bem, que não foi extinta. Nos anos 80, vivemos um sindicalismo forte no Brasil, enquanto a Europa decrescia e o sindicalismo se fragilizava. No Brasil, foi o papel inverso. Foi a pujança da Petrobras. Principalmente em Sergipe, criou-se um pólo de sindicalismo muito forte que também cumpriu o seu papel. Dentro desse contexto, essas coisas foram se deteriorando com o passar do tempo - e o bom momento que o sindicalismo brasileiro viveu promoveu um desequilíbrio na relação entre empregados e empregadores. O que a modernização das relações de trabalho faz é apenas tentar dar o equilíbrio de volta a essa relação, que é importantíssima para que a gente tenha o Brasil do jeito que sonhamos. Qual o empregador brasileiro, hoje, que se acha hipossuficiente? Isso não acontece porque os sindicatos na década de 80 se fortaleceram, tornaram-se ambientes de discussões técnicas elogiáveis, de ações pró-ativas em benefício das categorias representadas. Do outro lado, o empresário passou a enxergar que, depois de 1943, e com o passar do tempo, não dá para ser uma empresa competitiva se não tiver o trabalhador dele muito bem assistido em todos os ambientes. A modernização das relações do trabalho que o Brasil passa a assistir é para trazer de volta esse equilíbrio. Mas fazer a discussão desse nível os sindicalistas não querem. Aqueles que pregam os discursos repetitivos não trazem argumentos suficientes. Com tudo isso que foi feito, que direito o trabalhador perdeu? As coisas foram equilibradas de tal forma que buscou- se uma receita infalível onde o negociado prevalece. Aquilo que os sindicatos formalizaram passa a valer mais do que a própria lei. Se existem sindicatos muito bem apresentados, hoje, que viveram um excelente momento com arrecadação e parceria de todas as formas. Portanto tem a legitimidade da representação das categorias, sabe o que vai negociar, e do outro lado também temos os empresários representados por suas entidades que sabem negociar também. Se eu quero construir um entendimento favorável para essas partes porque eu não posso fazer? Antes existia um impedimento legal. Se os empresários brasileiros resolverem, no final do ano, ao apurar seus resultados, dar um abono aos seus trabalhadores, eles podem fazer isso. Construímos liberdade de entendimento. Ambiente pavimentado de uma relação de via dupla onde a gente fala e ouve.

Mas quem faz oposição a esta modernidade argumenta que conquistas foram para o espaço. Não foram?

Todas as conquistas até agora estão asseguradas como regra de lei. Existem alguns abusos que foram construídos nesse ambiente desequilibrado que agora a modernização do trabalho ajustou. Para a perspectiva de relação de emprego, tem um projeto de minha autoria do trabalho intermitente. Segundo o IBGE, a expectativa para os seis primeiros meses é a geração de 3 milhões de empregos. Trabalho intermitente é a pessoa ser contratada para trabalhar na hora que o empregador precisar. Onde está o crime nosso? Se a pessoa trabalhar duas horas durante três dias de trabalho vai receber a verba combinada imediatamente ao final do mês. Prejuízo quem teve foi o mercado informal, porque a tendência é a informalidade acabar. O trabalhador ganha porque o trabalho deixa de ser bico. A palavra bico, biscate vai sumir do mapa das relações de trabalho. Vai prevalecer a relação de trabalho estabelecida entre as partes com todos os direitos assegurados. Ganha o trabalhador, o empresário e o governo, que passa a receber a previdência social proporcional aos dias que a pessoa trabalhou. As relações de trabalho são muito dinâmicas e se adéquam de acordo à necessidade que o mercado tem. Essas necessidades passam por tipos de atividades que antes a gente não podia enquadrar dentro da CLT. Como eu enquadro dentro da CLT a tecnologia da informação e suas variáveis? A diversidade é intensa. Eu não tenho como enquadrar essa mão-de-obra dentro da CLT posta. O país vem se desenvolvendo em termos de tecnologia há vários anos. Todo empresário que trabalha em empresas voltadas para tecnologia da informação tinha uma insegurança jurídica enorme. Agora não tem mais. Esse é o ambiente novo que eles não conseguem entender. Passam para população que o trabalhador só fez perder com a reforma.

A maioria dos sindicalistas é ligada ao PT ou a partidos aliados. Esta oposição, no momento que a Lava Jato desnuda membros destes partidos, seria uma forma ter argumento para 2018?

Eu fico assistindo aos pronunciamentos de políticos históricos desses partidos envolvidos nesse lamaçal de corrupção e parece que aquilo não os afetou. Muitos se portam como paladinos da moralidade. Ficam procurando defeitos nos outros partidos para fazer um contraponto com o se aquilo fosse uma glória para eles. A Justiça vai chegar para esses envolvidos, e os culpados precisam pagar para que a sociedade enxergue que no Brasil existe Justiça. Eu não quero desejar mal a ninguém, mas os culpados precisam ser condenados para que fique a lição para a geração que chegar, porque nossa geração está perdida. Essa é a grande lição que fica. Esses movimentos tentam jogar a população menos esclarecida contra a modernização das relações de trabalho, o ajuste fiscal, a reforma trabalhista e outras coisas boas para o país. Eu espero que a sociedade perceba que não dá mais para ser instrumento de manipulação desses políticos maldosos que querem desconstruir o Brasil com suas inverdades. A maré deles secou.

O senhor acredita que o ex-presidente Lula ficará inelegível?

Eu acho que ele já está. Quando for julgado, vamos ver o que vai acontecer. É impossível encobrir tantos desmandos. Lula não será candidato a nada porque ele não tem moral para ser. Perdeu a legitimidade em função de todo esse envolvimento que provoca essas denúncias que ele tem procurado se defender perante a Justiça. Mas quando assistimos aos pronunciamentos que ele faz não precisa ser conhecedor profundo do assunto para perceber que existe muita marmelada e menos verdade. A contradição é clara. Lula é uma página virada na história, que, infelizmente, começou de forma tão bela, mas se perdeu durante o caminho. É carta fora do baralho.

O agrupamento político que o senhor faz parte aposta na pré-candidatura do vice-governador Belivaldo Chagas ao Governo do Estado. Este projeto está deslanchando?

Eu não tenho opinião formada referente a isso. Tenho declarado meu apoio a ele. Acho que ele reúne todas as condições como o pré-candidato que Sergipe precisa para definir o destino. Na ocasião da reunião do grupo, ficou decidido que ele faria a construção (da pré-candidatura), nesse momento, num alinhamento de uma relação que ele deveria fazer com todos os partidos da base. Esse foi o dever de casa que o governador Jackson Barreto passou para ele. Tenho informações que ele tem procurado fazer esse dever de casa, e acho que, ao final, ele vai se sair muito bem. Vai construir as condições necessárias para ser pré-candidato ao governo próximo ano.

O senhor, lá atrás, chegou a colocar seu nome à disposição do grupo para ser pré-candidato a um cargo majoritário. Se Belivaldo desistir, aquela proposta ainda é válida?

Eu trabalho para construir minha pré-candidatura a reeleição. Eu tenho outros projetos na minha vida, mas não perco a política de foco. Meu nome está à disposição do meu bloco para qualquer posição. Eu não tenho exigências. A única que eu faço é que seja a vontade do bloco. Eu tenho que ter a responsabilidade de construir minha pré-candidatura a reeleição. Eu só quero que meu bloco vença as eleições e ocupe o maior número de cadeiras possíveis para desenvolvermos cada vez mais o nosso estado. Não existe contrapartida minha. Eu sou apenas parte de um grupo - e fico à disposição para construir um ambiente favorável. Eu estou no jogo, sei das minhas posições e do que sou capaz.

Existe algum problema entre o Solidariedade e o PT, como especulam setores isolados da mídia?

Eu achava que quando se falava do PT era um partido só, mas existem vários PTs dentro do próprio PT. Eu olho as pessoas e não olho muito as siglas partidárias. As siglas são importantes, porque é a regra. Ninguém pode tentar competir sem conhecer as regras. Mas olho as pessoas. Eu não enxergo esse pensamento do PT contra mim. Existe a questão ideológica, e respeito a ideologia de todos os partidos. O PT queria as regras do trabalho do jeito que estavam. Na verdade, fizemos uma disputa ideológica e eles perderam. A regra mudou e essa mudança contraria a ideologia deles. Isso causa uma reação forte contra minha pessoa, mas, havendo respeito da parte deles para comigo, eu os respeitarei da mesma forma. Se a reação for do debate eu farei. Se for uma postura diferente dessa, nós teremos as armas para fazer qualquer enfrentamento.

Laércio Oliveira estava melhor na oposição?

Eu faço parte da base do governo. Saí da oposição pela porta da frente, e tenho o respeito da oposição. Qualquer mudança desta contraria as pessoas e eu entendo isso. Quem constrói minha posição sou eu, através do meu exemplo pelo meu trabalho. Os políticos precisam pautar as suas ações em entender qual a necessidade da população e se sua prestação de serviço obrigatória está alinhada ao desejo da população. Muitas vezes, a população não entende. Acha que a terceirização foi muito ruim. Quem é trabalhador terceirizado não acha isso. De abril até outubro, os indicativos são todos positivos. O desemprego já diminuiu depois da lei da terceirização. Eu acho que o governo não é ruim, mas enfrenta todas as dificuldades que os governos vêm sofrendo. Parcelar o décimo terceiro do servidor incomoda todos os membros do governo, mas é a situação que o país vive. Dentre tantas dificuldades que o país atravessa, o governador tem conseguido avançar em muitas áreas. Eu já assisti à tristeza dele em ter que retardar o pagamento dos servidores públicos porque no caixa não existe recurso. Eu estou muito satisfeito com minha posição no governo. Acho que cresci politicamente no momento que passei para a base do governo. Sinto-me confortável, respeitado, tenho minha parcela de respeito e atuação dentro do governo. Por isso que meu esforço é para tentar ser parte de uma construção de um ambiente melhor para as eleições do próximo ano.

Como ficou a polêmica questão da coordenação da bancada sergipana em Brasília? Página virada?

É página virada com o sentimento de traição. Eu não faço jogo político dúbio, e a política é tão mal vista pela sociedade hoje por causa disso. Eu acho que a sociedade vai admirar a política a partir do momento que for limpa e honesta com as pessoas. Quando a gente desbanca para o submundo da política fica muito ruim. A gente não sabe se ali é lobo ou cordeiro. Essa política eu não quero conviver. Quando se insinuou outro nome para disputar a eleição para coordenador da bancada, essa posição não ser discute. Isso é uma construção de consenso. É mais elegante de minha parte tirar meu nome. Minha mágoa é por isso. Espero que meu estado não perca, porque vou magoar-me muito mais seu perceber que o estado perdeu com essa manobra.

Qual seria o pano de fundo para esta traição?

O comportamento é muito estranho. Como você quer mudar um desenho que foi construído lá atrás sem o governador nem conhecer o desenho novo? Parece-me que foi uma cooptação de elementos frágeis dentro da base de sustentação de governo para apregoar como se fosse uma conquista. No fundo, se tudo isso serviu para que o Estado tenha mais ação no que um coordenador precisa fazer, pra mim está bom. Caso contrário, fica exposto para avaliação da sociedade.

Faltando cerca de um mês para o recesso na Câmara Federal, já é possível fazer um balanço deste ano?

Um ano bom em todos os sentidos. Primeiro pela possibilidade de honrar a cadeira que recebi da população. A certeza de dever cumprido, mais uma vez, por tudo que foi construído para o Brasil. A Câmara desempenhou muito bem o seu papel, o Governo Federal, mesmo com essa falta de popularidade, tem ações efetivas. O próprio envolvimento do presidente Michel Temer exigiu de cada um de nós parlamentares um posicionamento claro perante todos. Nesse momento, eu entendo que o voto é moral e eu me posicionei a favor da investigação do presidente. Não vou afirmar que ele tem culpa, mas não podia me omitir a continuidade da investigação. Mas o governo avançou muito e vai avançar em outros pontos que a gente precisa encarar. Próximo ano é de muito trabalho.

A Fecomércio fez um investimento alto para realizar o “Natal Iluminado”, em Aracaju?

O Natal Iluminado começa dia 1º de dezembro e vai até o dia 5 de janeiro. Nosso alvo na Federação do Comércio são os empresários do serviço, turismo e comércio e a gente não pode deixar de dar nossa parcela de contribuição para que o Natal seja melhor pra todo mundo. A Praça Fausto Cardoso será um cartão postal com um investimento de R$ 300 mil. Vamos lançar, no dia 2, o projeto piloto Comunidade, no Bairro 17 de Março. É um projeto social com aquele bairro que precisa do nosso olhar. Vamos fazer um belo trabalho. Tem projeto do Sesc perto do mercado e em Itabaiana. O Natal Iluminado é um investimento da Federação do Comércio. Claro que é um logradouro público e a prefeitura teria que ser chamada para participar do projeto, mas os recursos, a coordenação e execução do programa é uma ação da Fecomércio. Na presidência da Fecomércio, eu tenho focado minhas ações para o cumprimento estatutário daquilo que é função de uma das entidades. O Senac tem projeto da modernização dos seus equipamentos e a construção de novos equipamentos pelo interior do estado, as unidades móveis de formação profissional viajando pelo estado inteiro, a sede do Senac vai entrar em processo de reforma no começo  do próximo ano. Vamos construir a unidade de Nossa Senhora da Glória e em Lagarto. Em Propriá, no começo do ano, vamos inaugurar um posto avançado. O Sesc tem desenvolvido suas ações. Eu tenho mais de três mil alunos na parte de alfabetização e no ensino fundamental. O Sesc desenvolve um trabalho social na área de educação, saúde, de arte, mas a gente fez o cortejo que resgata a cultura  do Estado. Fizemos o Sescanção na vigésima primeira edição. Vamos inaugurar dia 30 desse mês um hotel para o comerciário na orla. Um investimento de R$ 45 milhões.

10/11/2017 08:07:00
Manifestações que só fazem o mal à população. Nem cócegas nos políticos

Para quem tem a sensibilidade de usar da empatia com quem vive um drama, poucas coisas revoltam mais que acordar às 6 horas e pescar num destes programas de rádio que há uma idosa, com câncer, dentro de uma ambulância impedida de chegar ao hospital onde precisa ser submetida a uma sessão de quimioterapia. Uma “manifestação” impede a passagem. Macabro. Sinistro. Supera a desumanidade, a falta de amor ao próximo. Beira a insanidade. Transborda a irresponsabilidade e, sobretudo, a falta de inteligência para discernir que a ideia que é nociva aos doentes, trabalhadores, pobres, inocentes, quando muito, faz um arranhão de leve nos políticos.

Lógico, evidente, trivial: qualquer pessoa neste Brasil democrático tem o direito de protestar (sem violência) contra atos políticos com os quais não concordem. Os políticos, via de regra, esquecem, mas não são donos de si. Dependem da vontade da própria sociedade para chegar e permanecer no poder. São empregados públicos. Todavia, espertos, se valem da falta de discernimento que a maioria do eleitor tem do poder que está no voto e abusam mesmo.  

O problema, contudo, é que as cabeças pensantes destas manifestações já deveriam ter discernido que esta prática atinge em 1% ou menos os políticos, assim mesmo, indiretamente, mas prejudica muito as pessoas, que não têm culpa ou que têm a mesma parcela de culpa que os próprios manifestantes. Basta lembrarmos que o presidente Temer foi eleito na mesma chapa da petista Dilma, que teve o apoio de Lula, que, por sua vez, orienta o voto de praticamente 100% dos manifestantes.

Aliás, não falta quem enxergue as tais manifestações, que lascam o cidadão comum, mas não tiram um só segundo de sono dos políticos, como política partidária. Seriam “eleitores especiais” do Lula em campanha antecipada. Isso porque são praticamente as mesmas almas que organizam manifestações em defesa do Lula, e criticam o juiz Sérgio Moro. Também são flagrados nas redes sociais com postagens afins.

Até aí tudo bem. Nada mais democrático que abraçar um político, mesmo sendo um condenado em primeira instância e um acusado de participar do maior esquema de corrupção do Brasil. O problema é transferir a conta para quem não tem culpa, sacrificando pessoas inocentes em nome do projeto político.

Com todo o respeito que cada uma destas pessoas merecem, algumas inclusive com as quais tenho boa convivência nesta terra geograficamente pequena, é preciso defender a causa com mais inteligência. Pensar em formas que, de fato, atinjam políticos desafetos sem, contudo, prejudicar as demais pessoas.

Há algo mais irresponsável e egoísta que impedir a circulação de ônibus? Bolas! Quem se submete a ser passageiro em um ônibus, mais das vezes lotados, não tem como comprar um carro ainda que financiado. Não pode também andar de Uber ou táxi. Por ironia do destino, já é uma pessoa sacrificada. Aí vem uma manifestação e lhe tira, violentamente, este direito, indiretamente podendo tirar também o seu emprego e até mesmo a sua vida? Exagero? Nada. Pobre usa ônibus quando passa mal e precisa de um médico ou não?

As perguntas inevitáveis: os manifestantes percebem que não atingem os políticos, mas são nocivos à população? Ao meio ambiente quando tocam fogo em pneus? Sabem que esse negócio de manifestação, quando muito faz cócegas no poder, mas não mudam nada? Olha o Temer aí no poder. Manifestação atrás de manifestação. Esperneio do canso. Golpista pra lá e pra cá. Tiraram? Nada. Colocaram-no, mas não têm forças para tirá-lo. E querem – e jogam – a conta no colo de quem não tem culpa. É froid...

A cada nova manifestação, a cada discurso bonito e inflamado, argumentando defender o trabalhador, lembro do suado trabalho do ministro do TSE, Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, no Tribunal Superior Eleitoral. Homem sério. Ali, se provou os métodos nada republicanos dos quais se valeram PT e PMDB para chegar ao poder. Apesar disso, não deu em nada. Aquela história lá de "couveiro de prova viva". Alguém viu uma só manifestação dessa turma sobre o escândalo? 

09/11/2017 08:23:00
E o Zé Almeida? Tarado ou vítima de uma maldade sem tamanho?

Nas últimas horas, Sergipe - seja no vício das redes sociais, via imprensa ou no popular “boca a boca” - respira a gravíssima acusação que fez o vereador Cabo Amintas contra o secretário de Saúde do Governo do Estado, José Almeida Lima. Ofuscou temas da moda do meio político sem esforço. Quem quer saber de parcelamento ou não do 13º? Empréstimo de R$ 560 milhões? Desgaste de Temer? Nada. A curiosidade é uma só: essa história de assédio sexual é verdade? Zé Almeida, como chamava o saudoso Marcelo Déda, estaria sendo caluniado e é vítima, portanto, de uma maldade criminosa sem tamanho ou é mesmo um tarado sem vergonha? Um homem público de idade avançada que não se respeita, não respeita as mulheres e, evidente, seus familiares e amigos?

Em sendo verdade a vergonha, há quando tempo Zé Almeida estaria a agir? Quantas mulheres já teriam sido vítimas do suposto tesão incontrolável deste senhor? Quantas teriam cedido aos apelos repugnantes? Felizmente, o caso tornou-se público e já está na polícia.

Aliás, o próprio Zé Almeida, que emitiu uma nota pública negando veementemente ser um tarado descontrolado, já bateu à porta da Delegacia de Crimes Cibernéticos e prestou uma queixa querendo a apuração da denúncia que, em sendo provada, complicaria sua vida familiar e, sobretudo, pública.

Como advogado, Almeida Lima sabe que cabe ao Cabo Amintas e a qualquer um que esteja a acusá-lo, neste momento, apresentar as provas. Mas Zé Almeida sabe muito mais que, se houver prova, estará em maus lençóis. E Cabo Amintas promete provar o que diz. Aliás, o vereador acredita no efeito dominó: acha que quando uma só vítima abrir a boca, outras farão o mesmo. Será?

O fato é que Sergipe, ou pelo menos a parte lúcida deste estado, espera uma apuração rigorosa. Polícia, Ministério Público e Judiciário trabalhando em sintonia com o bom senso. Com as leis. No momento, Zé Almeida é inocente. Estamos no Brasil e, por aqui, sem provas sem crime – mesmo em casos cujas evidencias afloram.

Só o desfecho do inquérito policial garantirá a Zé Almeida o direito a uma gorda indenização por danos morais ou ser enquadrado no Código Penal - e ainda pagar ele a indenização, caso se confirme que se trata de um desequilibrado, um homem público que, apesar da idade e dos cargos importantes que já ocupou, não passa de um “secretário nojento”, como define Cabo Amintas. Um tarado safado, no popular.

06/11/2017 07:00:00
Não há política local que possa resolver o problema das drogas, diz presidente da Adepol

 

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil de Sergipe (Adepol), o delegado Paulo Márcio, comenta nesta entrevista a ligação dos crimes praticados em Sergipe, sobretudo os homicídios, com as drogas e responde se a polícia perdeu a guerra, já que diagnosticou, mas não venceu a doença. “O tráfico de drogas é o flagelo da juventude pobre, negra e periférica do Brasil. E não há política local que possa resolver isso a contento, embora a repressão qualificada ao tráfico feita pelo Denarc e a prevenção realizada pela Polícia Militar venham surtindo algum efeito”, diz o delegado, que faz um balanço da sua gestão na Adepol, dos projetos futuros, caso se reeleito e ainda tenta explicar o lugar comum “a polícia prende e a Justiça solta”. “O problema está na política criminal adotada e no sistema de Justiça Criminal que consagramos. Ao contrário do que prega o velho adágio, “no Brasil o crime compensa”, sobretudo para os barões do tráfico e chefes de organizações criminosas, que gozam de impunidade e, mesmo presos, exercem seu poder de mando através de uma rede formada por agentes públicos e advogados corruptos”, afirma. A entrevista:  

O senhor tentará ser reeleito presidente da Adepol, na próxima quarta-feira, dia 8. Qual o balaço da atual gestão, que se encerra no dia 31 de dezembro?

Temos absoluta convicção que demos importantes passos rumo à consolidação da carreira de delegado de Polícia Civil de Sergipe, muito embora reconheçamos que ainda há muito por ser feito. Internamente, fizemos uma prestação de contas aos nossos associados e filiados, enumerando as conquistas do último triênio. Destas, eu destaco as seguintes: a) redução da jornada de trabalho de 40 para 36 horas semanais; b) aumento da Remuneração Provisória pelo Exercício da Atividade de Plantão (congelada desde 2014); c) fixação do turno de 6 horas contínuas, por enquanto, só na Grande Aracaju, mas que já negociamos com a Administração para que seja estendido ao interior; d) regulamentação da acumulação de delegacias no interior do Estado, depois de 16 anos de irregularidade, negligência e locupletamento ilícito do Estado; e) implementação do subsídio da Polícia Civil em maio de 2016, após um ano de intensa luta ao lado do Movimento Unificado dos Servidores e Empregados Públicos Estaduais; f) acordos com a Administração que permitiram a deflagração do processo de promoção automática antes do retorno das finanças ao limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, beneficiando 142 delegados e centenas de agentes e escrivães; g) pagamento de 600 mil reais em horas extras atrasadas para delegados, agentes e escrivães; h) acordo para o pagamento da indenização pela venda da licença-prêmio para 20 delegados; i) criação do cargo de Delegado Regional, que só existia de fato, mas não de direto, desde 1999; j) fixação de um efetivo mínimo para as delegacias, além de importantes ações internas que valorizaram a carreira e a melhoraram a imagem institucional do delegado de polícia.

O que não foi possível ser feito, mas espera uma nova oportunidade para fazer?

Não obstante as inúmeras conquistas nesses últimos três anos, outros objetivos não foram alcançados por uma série de adversidades que, no âmbito da Adepol, foram exaustivamente debatidas e compreendidas. O principal deles foi a proposta de equiparação salarial com procurador do Estado, cujas tratativas evoluíram para um acordo que, lamentavelmente, não se concretizou. A boa notícia é que, atendendo a uma solicitação do próprio governo, apresentamos uma proposta substitutiva, no mês de maio, com o compromisso de retomarmos a negociação em setembro, após a aprovação do projeto que resultou na lei estadual 8.272/17. Uma vez que já foram cumpridas as etapas iniciais, já estamos novamente negociando com o governo, que, nesse particular, encontra-se em débito com os delegados, na medida em que atendeu aos procuradores do estado e gestores públicos, relegando-nos, inexplicavelmente, a plano secundário.

Além disso, o que seria a prioridade de uma nova gestão?

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição Estadual, reconhecendo a natureza jurídica da carreira de delegado de Polícia Civil, assim como já  fizeram mais de 15 Estados da federação, talvez seja a nossa principal bandeira, aliada a uma série de medidas que visam à profissionalização e autonomia da Polícia Civil, sem falar, obviamente, na adoção de medidas judiciais e administrativas para a promoção e proteção dos direitos previdenciários dos delegados, garantindo-se a integralidade e paridade aos nossos inativos.

A Adepol emitiu uma nota, na semana passada, alertando sobre prejuízos que o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado de Sergipe (Crafi/SE) pode provocar à categoria. O que motivou o desabafo?

A Adepol se insurgiu contra uma medida abusiva do Crafi, que, unilateralmente, suspendeu a eficácia de uma lei estadual já em vigor. Felizmente, o governador Jackson Barreto e o vice Belivaldo Chagas, alertados tanto por nós quanto pelos gestores da Segurança Pública, determinaram a rápida reanálise do caso. Por fim, o direito e o bom senso prevaleceram, e o primado da legalidade foi celeremente restaurado, tanto que os plantões e sobreavisos funcionaram normalmente neste feriadão.

Isso prejudica a relação da Adepol com o Governo do Estado?

Pelo contrário: esse fato só reforça a importância do diálogo aberto e permanente entre a Adepol e o Governo, pois equívocos podem ser cometidos por ambas as partes. O que vai qualificar a relação é este compromisso e agilidade para tomar decisões que corrijam imprecisões e reforce os laços de confiança mútua.

O que ainda está na agenda para ser discutido este ano com o Governo do Estado?

Dado o curto período de tempo que nos resta, nosso foco é exclusivamente a questão salarial.

Como a Adepol está acompanhando toda esta polêmica em torno do grande número de homicídios registrados em Sergipe?

O Anuário divulgado, na semana passada, é relativo a 2016, quando chegamos à marca de 64 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Mas já tivemos uma considerável melhora em 2017. É possível que saíamos em breve da liderança e, mantida a política de investimentos na segurança pública e sistema prisional, valorização profissional e concurso permanente para as polícias, perícia e agentes prisionais, possamos reduzir a níveis aceitáveis os crimes que mais afetam a população e a economia.

Há uma tese do secretário de Segurança Pública, João Eloy, no sentido de que a maioria dos crimes praticados em Sergipe, sobretudo os homicídios, tem ligação com as drogas. Mas, mesmo diagnosticando a doença, o problema persiste. A polícia perdeu a guerra para as drogas?

Não é só uma tese do secretário João Eloy: é uma constatação baseada em um trabalho criterioso de análise criminal que confirmou aquilo que João Eloy e muitos de nós já havíamos percebido empiricamente: o tráfico de drogas é o flagelo da juventude pobre, negra e periférica do Brasil. E não há política local que possa resolver isso a contento, embora a repressão qualificada ao tráfico feita pelo Denarc e a prevenção realizada pela Polícia Militar venham surtindo algum efeito. Somente uma política criminal corajosa capitaneada pelo Governo Federal poderá impedir que o Brasil se transforme em um imenso, caótico e violento Rio de Janeiro.

A polícia reclama que “enxuga gelo”, pois prende uma pessoa, mas, logo esta ganha à liberdade. Aí dá margem para uma série de comentários: a Justiça erra, os delegados deixam brechas nos inquéritos, os políticos fazem leis frouxas... Como o senhor avalia este problema, que só facilita a vida dos bandidos?

Os erros da Justiça, da Polícia e do Ministério Público são residuais. O problema está na política criminal adotada e no sistema de Justiça Criminal que consagramos. Ao contrário do que prega o velho adágio, “no Brasil o crime compensa”, sobretudo para os barões do tráfico e chefes de organizações criminosas, que gozam de impunidade e, mesmo presos, exercem seu poder de mando através de uma rede formada por agentes públicos e advogados corruptos.

O que o senhor apontaria como experiências que deram certo em outros estados – ou mesmo em outros países – e que deveriam ser testadas em Sergipe para frear a criminalidade?

O Brasil atingiu um nível de barbárie que não encontra paralelo em nenhuma outra democracia do planeta. Por outro lado, temos uma das legislações mais avançadas do mundo em matéria de direitos fundamentais. O criminoso, no Brasil de 60 mil homicídios por ano, é um ser de direitos e garantias mais sagrados do que a de um trabalhador. Não existe modelo que dê certo se aplicado aqui, por absoluta falta de identidade de condições. As experiências da Colômbia e Nova Iorque são objeto de reiterados debates, mas as tentativas de replicá-las no Brasil foram um fiasco. Vide os inúteis teleféricos e UPPs implantados no Rio de Janeiro por Cabral. Uma lástima. Nosso desafio é, sem nos desviarmos da democracia, esmagar a criminalidade antes que ela sequestre o Estado.

A Adepol entendeu a exoneração da delegada Danielle Garcia?

A Adepol acompanhou com bastante cuidado toda essa mudança no Deotap, colocando-se à disposição dos delegados Danielle Garcia e Gabriel Nogueira naquilo que fosse necessário. Ambos já assumiram suas novas unidades e estão trabalhando com o mesmo zelo e profissionalismo que sempre os distinguiram. O Deotap também está em boas mãos, sob a coordenação da doutora Thaís Lemos e mais duas divisões, uma delas sob o comando da delegada Nádia Flausino Vitolo, que, ao lado de Danielle Garcia, atuou nos mais importantes casos de combate à corrupção de que se tem notícia.

Recentemente, o delegado Alessandro Vieira, que parece empolgado com a política partidária, participou de um debate com o ex-deputado Mendonça Prado, numa emissora de rádio, e, entre outras cutucadas, foi acusado, em tom de pito, de ganhar dinheiro sem trabalhar. O envolvimento de um delegado com a política, de alguma forma, é maléfico para a imagem da Polícia Civil, já que político é uma classe em descrédito junto à população?

De forma alguma. A política, embora desvirtuada por um bando de malfeitores, é o meio mais democrático e legítimo para a defesa da sociedade - representada pelos seus mais diversos segmentos -, e transformação da realidade que nos circunda. Particularmente, não tenho nenhuma pretensão política. Mas acho salutar que colegas da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal disputem cargos eletivos. Melhor ainda se, uma vez eleitos, eles defendam a instituição que os projetou.

03/11/2017 09:48:00
Hoje, a oposição só tem Eduardo para uma pré-candidatura ao governo

Análises sobre fatos políticos - e, sobretudo, sobre o que sequer é um fato, mas um passeio no campo das conjecturas, com bases reais ou não - são como igrejas: existem várias, mas temos o direito de acreditar na que quisermos. Seja lá por quaisquer motivos, a escolha é sempre livre. E tome análises... Em ano pré-eleitoral, então, parece obrigação ter uma opinião sobre o jogo. É democrático. E, assim, é normal eleitores a tropeçar em juízos contraditórios de diversos pensadores. Os menos atentos até ficam atônitos, ao comparar análises.

Respeitando o direito à livre manifestação contrária, acho um desperdício de tempo conjecturar uma suposta pré-candidatura do senador Valadares ou do deputado federal André Moura ao Governo do Estado. Frustrando ou não, não vai rolar. Quem insistir no contrário ou faz a leitura equivocada ou, por motivos políticos, está a externar o que tem ciência de não ser real.

Evidente que este é o quadro de momento. Em se tratando de política, o impossível, vez por outra, se torna mais fácil que achar desocupado pendurado em rede social. Todavia, nem sempre se observa a ressalva na carona do juízo. Afirma-se de forma seca como se fosse a palavra final e pronto.

Para não cair no mesmo buraco, pondero que podemos ter mudanças lá na frente. Nada é impossível. Mas, hoje, o senador Valadares pensa em permanecer no Senado e André Moura na Câmara Federal. Permutam sonhos pelos pezinhos no chão. E, assim, dentro do grupo da oposição, o desafio de encarar uma pré-candidatura, e por tabela outros pré-candidatos ao Governo do Estado, é íntimo ao senador Eduardo Amorim. E obviedade é o vocábulo a resumir a novela.

Como já disse neste espaço, não interessa ao senador Valadares disputar o governo. Por questões óbvias. Veja (lembre) o que escrevi no dia 25 de setembro deste ano:

“O senador tem dito nos bastidores que seu projeto é mesmo a pré-candidatura ao Senado. Não anuncia o martelo batido por estratégia política. É esperto. Sabe que é bom aparecer bem nas pesquisas para governador. Mas disputar que é bom não está nos seus planos. Pesa o alto custo de uma campanha eleitoral. Valadares não teria como ou não queria custear a mega estrutura exigida, e, em época de Lava Jato, todo cuidado é pouco com ajuda externa, sobretudo em se tratando de um político sem manchas como ele”.

E argumentávamos mais: “Experiente, o senador e ex-governador também sabe que a situação de Sergipe, tão criticada por ele mesmo, exigirá muito do futuro chefe do Poder Executivo. Por mais disposição para o trabalho, competência e verbas que o próximo governador consiga reunir em torno da sua gestão, os problemas assustam – sobretudo questões ligadas à Segurança Pública e à Previdência. Não pode descartar também a preocupação com o desemprego, a folha do servidor, a saúde…”

E fechávamos o juízo sobre a sua preferência pelo Senado: “... Sem falar que, caso seja reeleito, serão mais oito anos sem o desgaste e os custos de uma eleição majoritária, e não apenas quatro, no caso de desembarcar no governo, em janeiro de 2019. Valadares também não tem mais a idade de Valadares Filho, por exemplo. E se isso não passa pela sua cabeça precisa passar. Ou seja, por questões óbvias, não interessa a Valadares disputar o governo do Estado como reza a especulação alimentada.”

No caso de André Moura, como também já pontuado neste espaço, vive o paradoxo de ajudar Sergipe, desde que Temer, como diz o PT, golpeou para assumir a Presidência mais que qualquer um, mas ser um dos políticos mais rejeitados do estado e apoiar um governo idem. E ir para uma disputa em meio a este drama seria arriscar tudo ou nada. Ou governador ou sem mandato.

Para disputar uma eleição majoritária com chances reais de vitória, como já dito aqui também, André precisaria, pra ontem, de um marketing profissional capaz de persuadir o eleitor que ele não é o político “ficha suja” que diz o juiz Rinaldo Salvino do Nascimento e que o tal Funaro é um mentiroso descarado, entre outras coisas, saca?

Já disse inúmeras vezes que todos são inocentes até que se prove o contrário. André está se defendendo. Tem bons advogados e pode - e Deus queira sim - ser inocentado. Mas quando? A eleição é já já. André precisa cuidar da sua imagem perante o eleitor pra ontem, e só um marketing bem feito pode fazer isso por ele. Pensar diferente é desconhecer o poder do marketing ou admitir que o problema é o produto.Se o Maluf sobreviveu à custa do "rouba, mas faz", o que dizer de quem jura na cruz ser honesto? 

Diante do exposto, o senador Eduardo Amorim, mesmo bem nas pesquisas para disputar a reeleição, emerge como o nome da oposição para ser pré-candidato ao Governo do Estado. Não gratuito, foi o único que não apenas se colocou à disposição para encabeçar o projeto, mas também que até já sugeriu a chapa pronta. Aliás, miseravelmente descartada pelos aliados.

Claro e não canso de lembrar: este é o quadro de momento. Aquela história da nuvem que se move a cada olhada jamais pode ser descartada. Até a homologação das chapas, muita coisa pode acontecer. Entre elas, a maior seria Valadares deixando o grupo em busca da sonhada terceira via. Mas nada que desmoralize juízos lúcidos externados neste momento: em havendo mudanças no tabuleiro, pode ter certeza, haverá também novos fatos a justificá-las de pronto.

29/10/2017 09:22:00
“André carregar nas costas um presidente com 97% de rejeição”, diz Clóvis Silveira

O presidente do PPS de Sergipe, Clóvis Silveira, diz, nesta entrevista, que o pré-candidato da legenda ao Governo do Estado, o ex-deputado Mendonça Prado, terá, em janeiro de 2018, 10% ou mais de intenção de votos - e isso motivará o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) a ser pré-candidato ao Senado na mesma chapa, que além de Mendonça, já tem o ex-deputado João Fontes como pré-candidato ao Senado. Clóvis também assegura que surpreenderá, ao anunciar mais um nome de peso da política até o dia 17 de novembro, no Congresso do PPS. “Uma mulher”, diz sem revelar o nome, mas não negando a possibilidade de ser a jornalista Ana Alves (DEM). Clóvis ainda faz uma análise do momento político do deputado André Moura. “André se destacou como o maior sergipano com prestígio do Governo Federal. Mas isso não traz o voto. Talvez leve o voto. André carregar nas costas um presidente com 97% de rejeição. Não é fácil”, diz prevenindo André Moura sobre a consciência do eleitor. “O eleitor não é comandado mais não. No interior, você encontra 10 pessoas na rua com 15 telefones nas redes sociais. Não é uma liderança que vai mudar sua cabeça. O curral já era. Essa eleição de 2018 será de internet”, diz Clóvis. A entrevista:

Já houve uma nova conversa com o PSB sobre as eleições 2018?

Tivemos uma conversa e pedi ao senador Valadares a participação do PSB nesse projeto (a pré-candidatura de Mendonça Prado ao Governo do Estado pelo PPS). Discutimos vários assuntos, mas em relação ao fechamento ou não ficamos certos de só discutirmos no próximo ano.

Isso. Mas o PPS não abre mão da pré-candidatura de Mendonça e Valadares topa apoiar este projeto?

Eu conheço Valadares há mais de 50 anos e já fizemos várias parcerias. Eu já apoiei Valadares para prefeito e Valadares Filho para prefeito duas vezes. É uma parceria muito sadia e mais por afinidade do que por outra coisa. Diante disso, eu me propus a procurá-lo e conversar sobre nosso projeto. Como eu acho nosso projeto viável, eu pedi a ele para ver essa possibilidade e ficarmos de discutir isso a partir de janeiro do ano que vem. Com referência ao Mendonça, foi bem pensado. A gente sentou e analisou a possibilidade e vimos um vácuo que está em 2018. Eu estava conversando com ele sobre a sua participação como deputado federal porque tinha outra pessoa em vista para ser candidato a governador, que era o Henri Clay. Como Henri Clay tem algumas dificuldades, por ser presidente da OAB não pode se filiar a nenhum partido, só poderia acontecer se fosse em março ou abril de 2018, a gente lançar um nome ainda politicamente desconhecido não seria ideal esperar esse período. Foi quando eu analisei e vi essa possibilidade de Mendonça, que, por sinal, está melhor do que eu esperava. A sua filiação acontece no dia 17 de novembro, quando o PPS vai realizar seu Congresso Estadual A eleição da nova diretoria para o quadriênio 2017-2021. Nessa oportunidade, não só Mendonça Prado, mas também outros nomes de peso, como João Fontes, já estarão anunciados. Existem outros nomes que vamos deixar para ser uma surpresa para dia 17.

Essa pré-candidatura do PPS fará oposição ao Governo do Estado?

A gente ainda vai fazer planos, mas, a princípio, estamos pensando em entrar nesse vácuo e ser a terceira via. A favor do povo. O povo está pedindo uma nova opção e a dificuldade está no nome e acertamos no nome. Não somos contra ninguém, mas a favor do povo de Sergipe.

E Mendonça é o comandante?

Quando convidamos Mendonça colocamos na não dele o que ele chama de marinete. O destino é ele que vai dar. Hoje, qualquer coisa também passa por João Fontes, que também foi outro convidado. Eu sou conhecido por minha palavra.

Já tem algum partido próximo de fechar acordo com o PPS para construir uma aliança?

Existem dois partidos que estamos conversando e precisamos fechar para ganhar a eleição. Um é o PSB e o outro será uma surpresa, que está vindo por aí (risos). Um grande partido com o qual estamos conversando. Existem alguns partidos menores, que é o caso do PMN, mas nosso objetivo é trazer também Valadares e esse outro partido para engrossar essa fileira, e transformar a marinete de Mendonça numa locomotiva. É possível que esse outro partido indique uma vice, porque eu estou precisando de uma mulher na chapa. A mulher tem que ser representada numa chapa majoritária. Isso não quer dizer que já tenha decidido, mas estou discutindo com Mendonça a possibilidade de trazer um grande partido com uma mulher para ser pré-candidata a vice.

O partido é o DEM, e a mulher  a filha do ex-governador João Alves, a jornalista Ana Alves?

(Risos) Eu fui parceiro de João mais de 20 anos. Não seria ruim a possibilidade de o DEM estar com a gente. João pode não estar bem, porque teve duas gestões não muito boas por falta de recurso, mas ainda é um nome de referência em Sergipe. Isso fortalecerá muito essa candidatura que o PPS vai lançar. João vai morrer com a história dele viva. Pouca coisa em Sergipe que não foi João que fez. João seria ideal, mesmo que ele não participasse porque ele esta passando por um momento difícil. Não sei se a pré-candidata poderia ser Aninha. Poderia ter outro nome no DEM, se for o caso. Uma vaga de Senado, a de vice e a suplência serão vagas que iremos conversar. Caberia muito bem para aqueles que não estão satisfeitos nem lá nem cá.

Voltando ao senador Valadares, o que o senhor sente? Ele balançou?

Eu acho que somando todos os políticos que se dizem experientes não chegam aos pés de Valadares. Valadares é cobra criada. Você não sente dele nada. Mas eu vejo que a possibilidade dele estar com a gente é muito grande. Não só por ele, mas o filho precisa ser eleito deputado federal. Será que lá (com Eduardo Amorim e André Moura) dá pra ele? Aqui dá. Tem o deputado estadual, e será lá também dá para o PSB? Aqui dá. O nosso projeto deverá eleger de três a quatro deputados e a votação média será 15 mil votos. O pré-candidato do PSB, Luciano Pimentel, aqui, será o campeão de votos. A mesma coisa vale para o pré-candidato a deputado federal Valadares Filho. Se vier, será o primeiro eleito. Valadares não depende de ninguém para senador. Mas no projeto do PPS iria crescer. Em imagino que vamos obter uma faixa de 160 mil votos para deputado estadual. Esses votos não irão para Valadares, se ele não tiver com a gente. Valadares é o político mais experiente de Sergipe. A gente fala em João, mas Valadares dá nele fácil. Valadares é o político mais competente e experiente. Ele deve estar vendo com muito carinho essa possibilidade na vida dele. Antes ele só tinha uma opção, hoje tem duas.

O senhor está otimista, então?

Eu tenho um relacionamento muito forte de amizade com ele. Valadares é da terra da minha esposa (Simão Dias). Meu sogro foi vereador no grupo de Valadares várias vezes. Eu não sei se todos os mandatos dele. Politicamente, tenho um relacionamento bom porque eu apoiei Valadares sempre que ele precisou de mim. Em 2000, 2012, 2016. Isso me fez criar essa esperança de trazê-lo. Eu liguei para ele dizendo que queria conversar sobre política, em 2018. Falamos das possibilidades e ficamos de discutir isso a partir de janeiro.

As pesquisas são decisivas para Valadares tomar esta decisão. Concorda?

Acredito nisso. Eu espero que Mendonça tenha ultrapassado a casa dos 10%, em janeiro, para que a gente possa buscar as pessoas que acreditem na nossa campanha. Se Mendonça alcançar em janeiro ou fevereiro de 10 pontos para cima, eu não tenho dúvida que Valadares estará conosco. Eu estou surpreendido. Não esperava que chegássemos ao que está acontecendo hoje. Mendonça está solicitado em todo Estado. Eu esperava que alguma coisa acontecesse, mas não que chegasse a esse ponto. Estou acreditando na possibilidade de a gente chegar ao segundo turno.

Mas o PPS sabe que, caso vença a eleição, pegará o Estado numa situação difícil, sem recursos, não é mesmo?

Mendonça tem dito, com muita segurança, que o projeto dele é o feijão com arroz. Ele está pensando em refazer o que tem para pensar em outras coisas. Ele não esta sonhado. Está fazendo as coisas com os pés no chão. Como pensar no Hospital do Câncer, se uma sala no Hospital João Alves não funciona? Mendonça conhece a máquina. Por isso que ele tem condições de fazer um plano de governo com os pés no chão e eu acho que vai dar certo. Eu confio, e se der errado não será por falta de vontade de querer acertar. Será apresentado, depois da convenção, o plano de trabalho de Mendonça. Desde a década de 90, eu convivo junto com o governo e conheço alguma coisa. Sabemos da necessidade. Temos que conversar para implantar a mesma linguagem.

Acredita em outros pré-candidatos, além dos que já foram colocados?

Eu acho que qualquer coisa, lá na frente, deverá passar pela pré-candidatura do governo, da oposição e do PPS. Não vejo outra pré-candidatura que cresça. Acho que Belivaldo Chagas é um nome de consenso na base do governo, hoje. Poderá não ser candidato, caso não comece a mostrar a que veio. Já deveria ter evoluído bastante nas pesquisas. Mendonça, três dias depois que lançou a pré-candidatura, já estava com 3%. Como lhe disse, acredito que Mendonça passa da casa dos 10%, em janeiro. Na oposição, eu acho que Valadares só poderá ser pré-candidato a governador se não tiver outra opção. Ele gosta de ser senador. O Senado é o céu. No governo, ele diminui a vida dele e no Senado ele amplia. Eu Acho que ele não será candidato a governador. Eduardo Amorim e Valadares para o Senado a coisa pega. A solução mais viável para todos seria Eduardo indo para o governo e o deputado André Moura para a reeleição.

Pelo momento político, o cavalo está selado para André Moura disputar uma eleição majoritária?

Nunca em Sergipe teve um político que tivesse se destacado tanto nacionalmente quando André. O próprio Augusto Franco, João, Déda, que era compadre do presidente. André se destacou como o maior sergipano com prestígio do Governo Federal. Mas isso não traz o voto. Talvez leve o voto. Se o presidente Michel Temer não mudar alguma coisa até as eleições, ser candidato ao seu lado será difícil. Temer tem 97% de rejeição. É complicado para André. O povo recebe isso (as verbas que André ajuda a viabilizar para Sergipe) como obrigação de político. Não sei se isso será devolvido. André carregar nas costas um presidente com 97% de rejeição não é fácil.

Esta ligação com um Temer rejeitado pode afastar de André os prefeitos que ele beneficiou? É isso? Esse sentimento pode perpassar os aliados?

Eu lembro que fui candidato a vice-governador na chapa de João Alves e, naquele tempo, a gente só tinha um prefeito, que era Antônio Passos, que se manteve fiel. O resto caiu. Se o candidato tiver liderando, talvez acompanhe. Se não tiver, ninguém vai para o sacrifício não.

Não pede voto? É isso que o senhor quer dizer?

O eleitor não é comandado mais não. No interior, você encontra 10 pessoas na rua com 15 telefones nas redes sociais. O pessoal do interior está afinado com a política. Não é uma liderança que vai mudar sua cabeça. O curral já era. Essa eleição de 2018 será de internet. O cara tem que ter história, projeto e tem que ir lá dar um cheiro na testa do sujeito se não perde.

E André Moura, óbvio, tem consciência disso, não?

Ele deve estar aguardando que o governo melhore um pouco. De 10 pessoas, nove falam mal de Temer. Ninguém querer que isso respingue numa candidatura, principalmente André. A conta (de apoiar um presidente rejeitado) vai chegar uma hora - e será agora em 2018. Se o governo melhorar, não será bom só para André, mas para todos. Eu tenho um termômetro que é quando o governo melhora começa a pingar um dinheirinho no bolso (risos). Eu quero que melhore para mim e para todo mundo. Só que não vai dar para notar essa mudança se não for urgente. Está vindo uma reforma previdenciária que todo mundo é contra. Se Temer tem 97% de rejeição vai para 98%. Para melhorar teria que não mexer com o povo e diminuir o desemprego.

O PPS tem tido problemas com políticos que, depois de eleitos, não fieis ao partido. O que está acontecendo?

Isso é normal. Acontece com todos os partidos. Eu exijo fidelidade e não sou carneiro que morre calado. Eu jogo pra fora. Eu acho que a pessoa se elege pelo partido e tem que ficar no partido. Eu cobro isso e os outros não cobram. Eu não concordo com isso: você chega ao partido, não conhece o estatuto, se filia, se elege com dois mil votos, quando o quociente eleitoral são 11 mil ou 12 mil. Tem que obedecer à norma do partido. O partido foi traído e eu puni o vereador que traiu o meu partido. Eu não quero alguém que venha, se aproveite da estrutura e traia o partido. Foi traído o partido e os companheiros de chapa. A pessoa acha que não deve nada a ninguém e eu não me calo. As pessoas usam o partido como um objeto. Uma estrutura partidária custa dinheiro. Ser não quer pagar o que deve ao partido é outra coisa. Eu não consigo mudar isso, mas pelo menos desabafo. Eu falo e puno. Temos um grupo que dá a vida pelo partido. Aí elegemos dois vereadores, dois deputados e depois dão um pé na bunda do partido e dos companheiros que ajudaram? Essa cultura tem que acabar. Vai acabar em 2020, quando não vai ter mais coligação. Eles vão ter pouco espaço. Com o fim da coligação diminui o número de partidos porque vários não vão atingir o quociente. Esses picaretas que usam partidos como se fosse sem importância não vão ter espaço. A partir do momento que diminui o número de partidos tem como selecionar.

23/10/2017 21:15:00
André Moura e a obrigação de persuadir que não é corrupto

Sabe aquele lugar comum que reza que uma mentira dita e repetida várias vezes “se torna verdade”? E o que dizer de uma verdade ratificada a exaustão? Agora, pense que, de uma forma ou de outra, a informação acossa negativamente um político, que, como tal, respira voto e precisa ter uma boa imagem junto ao eleitor, sob pena de ser sepultado politicamente. Dá pra imaginar o drama do deputado federal André Moura, cuja honestidade vem sendo colocada em xeque, nos últimos anos?

Seja na forma mais grave, quando o juiz Rinaldo Salvino do Nascimento o condenou, há alguns meses, entendendo que ele causou um dano de R$ 1,4 milhão ao patrimônio público, inclusive, o definindo como um “autêntico ficha suja” ou na mais recente revelação, agora com o doleiro Lúcio Funaro acusando-o de fazer parte de uma suposta lista de corruptos liderados pelo presidiário Eduardo Cunha, André está na parede.

Não há martelo batido: André Moura é ladrão e ponto final. Nada disso. Estamos num país onde todos são inocentes até que se prove o contrário. Não canso de repetir. E André está tentando se defender. Todavia, também estamos num país onde se julga, assustadoramente, de forma açodada e sem a legitimidade que só o Judiciário tem para julgar. Denúncia é confundida com condenação. 

André Moura pode não conseguir provar que é inocente e ser obrigado a se despedir da vida pública. Encarar pesadelo ainda pior... Mas pode também conseguir provar inocência - não só em relação à sua polêmica gestão na Prefeitura de Pirambu, mas também nesta história do doleiro que ultrapassa fronteiras sergipanas. Mas e daí? Ainda que seja inocentado, terá tempo de encarar as urnas limpo e persuadir? Ter o discurso que foi injustiçado este tempo todo? A eleição é dentro de um ano e a Justiça é morosa...

Nas últimas eleições, antes, portanto, de o juiz o definir como ficha suja e do doleiro lhe jogar no bolo da desonestidade do Cunha, Aracaju assistiu ao prejuízo eleitoral que o então candidato a prefeito de Aracaju, Valadares Filho, teve, simplesmente, porque o adversário, Edvaldo Nogueira, disse ao eleitor que André Moura fazia parte do projeto Valadares Filho. E as pesquisas internas não param de confirmar a rejeição que tem o nome de André, quando ventilado para uma disputa do Governo do Estado.

Aliás, o próprio André Moura sabe tanto disso, vela tanto esta segura informação que não ousa sequer colocar seu nome como pré-candidato a governador, mesmo com uma suposta base eleitoral robustecida pelos recursos que vem conseguindo para Sergipe pela sua intimidade com o presidente denunciado Michel Temer. André tem a faca, mas sabe que o queijo depende de melhorar muito a sua imagem junto ao eleitor. Esperto, opta por aceitar seus limites e fala numa reeleição à Câmara Federal.

O problema, perceba, é que, mesmo que resolva sua vida na Justiça e não fique inelegível, André precisa, e já disse isso neste espaço muito antes de o Funaro se levantar, de um marketing profissional capaz de persuadir o eleitor sergipano que ele é honesto. Que tudo não passa de um mal entendido ou de uma perseguição política. Que ajudou Sergipe e pode ajudar mais.  

Até hoje, este marketing não existe. Não adianta passar manteiga, tentando não contrariar seja lá por qual motivo... Comigo, não. Não engano o internauta. Não escondo o que penso. Sou jornalista. Não sou desonesto. André já está condenado como ladrão para muitas pessoas, mesmo que não tenha um veredicto neste sentido.

O líder de Temer tem a missão urgente de não só provar no fórum adequado sua inocência, mas também, pra ontem, persuadir o eleitor que é honesto. Que é do bem. Mostrar o que já fez de bom por Sergipe. É imperioso ao seu projeto político. Hoje, uma grande fatia do eleitorado pensa igualzinho ao juiz Salvino. Alguma dúvida é só olhar as pesquisas.

22/10/2017 10:32:00
“Tire meu nome. O que tem de novo na política?”, indaga Dr Emerson

Pré-candidato ao Governo de Sergipe, o ex-vereador por Aracaju e médico Emerson Ferreira (REDE) afirma nesta entrevista que a política, em Sergipe, vem sendo praticada “dentro de uma caixinha”, onde os atores debatem, mas não falam de temas como financiamento de campanha, loteamento de cargos públicos, farta distribuição de cargos comissionados porque todos praticam este tipo de coisa. “Precisamos ter pessoas decentes. A política tem se tornado, para muita gente, um meio de vida desonesto”, diz. Dr Emerson ressalta que não tem como fazer alianças com quem esteja “dentro da caixinha”. Assegura que os partidos não são democráticos. E se vê como a exceção da regra do jogo. “Tire meu nome como pré-candidato a governador. O que tem de novo na política? Isso acontece porque os partido têm donos - e estes vão impor seus nomes para sociedade. Não são nomes que partem da sociedade para a disputa. Se o povo tivesse muitos políticos decentes para votar iria mudar 90% do que está aí, mas não vão conseguir porque os donos dos partidos controlam o governo, o Senado, a Câmara Federal...”. Dr Emerson sublinha também que não abre mão dos princípios para ganhar uma eleição. “A gente não abre mão porque aí é ganhar perdendo. Se chegarmos vamos estar livres. Se não conseguir fazer não vai ser por conta de amarras”. A entrevista: 

Como estão sendo os seus dias fora da Câmara de Aracaju?

Eu sempre me conduzi com muito planejamento e de modo bem organizado. O tempo que eu fui vereador, durante oito anos, e o fato de fazer política de uma forma completamente diferente, durante a campanha e o exercício do mandato, eu nunca deixei de ser médico. Quando eu comecei a exercer o mandato de vereador ainda era professor da Universidade. Então, eu dividi meu tempo dando aula, sendo vereador e tendo consultório. Eu fazia isso sem misturar as coisas. Tinha uma frequência alta na Câmara, assistia à sessão inteiramente e tinha tudo programado. Sempre acompanhava com muita atenção, que é um problema do parlamento no Brasil não prestar atenção. Tudo é organização. É planejamento. E a gente vai fazendo muito bem.

O senhor tem a fama de não aprovar essa política de trocar voto em “favores”. Como avalia isto?

Existe uma prática na política de se estar resolvendo problemas pessoais. Pagar uma conta de luz, água, passagem, coisas que a gente pode fazer até pela amizade. Quando saiu o “Minha Casa, Minha Vida”, eu me lembro que os vereadores iam receber uma cota para distribuir. Eu nunca participei disso porque acho que isso é uma forma de comprar consciência porque estou dando algo de pouco valor e estou tirando dessas pessoas a dignidade, a escola de qualidade, a saúde. Uma pessoa com a dignidade liberta tem moradia digna, alimentação, atenção à saúde, uma escola de qualidade. No Brasil, a gente está vendo como um Estado com muitos ladrões se relaciona com setores do empresariado corruptores, que fazem uma interface da corrupção entre o público e o privado, financiando campanhas eleitorais. A própria delação de Eduardo Cunha se organiza nessa captação de recursos. A filha dele tinha uma empresa de assessoria e qualquer político entrava em contato, ele pegava uma comissão e depois mandava no mandato da pessoa.

O senhor quer dizer uma espécie de “crime organizado” existe na política?

A corrupção no Brasil foi sistematizada. O país que tem menos corrupção é a Finlândia, mas não chega atingir o máximo índice. Ela fica próximo do máximo, mas não é o máximo. É difícil zerar a corrupção, mas, do mesmo modo que é impossível zerar a corrupção, é inaceitável termos corrupção no montante que temos no Brasil. Presume-se que, a cada 20 anos, perdemos um PIB para corrupção. Tudo que se produz durante um ano inteiro no país é o que equivale à corrupção. São eleitos parlamentares que vão produzir leis. Se se sabe que 74% dos parlamentares eleitos foram financiados por essas empresas, está provado que a propina que continua durante o mandato é feita com base na produção de leis que beneficiam às empresas. Mostra que esses políticos representam quem financiou a campanha deles, e não o povo, que, muitas vezes, recebeu R$ 100,00 ou R$ 200,00 e acha que levou grande vantagem. Eles sabem que fazem uma campanha com recursos ilegais e produzem leis que atuam de modo brando em relação a esses crimes, tolerantes à corrupção que possibilita os recursos. O foro privilegiado foi colocado em prática no tempo do Império, quando o rei percebeu alguns amigos seus envolvidos com crimes. Ele disse que os amigos ele julga, e isso vem até hoje. Uma fórmula de blindar quem rouba. O nosso Código Penal protege, de certa forma, a impunidade. Aí está a necessidade de uma reforma que torne o crime de corrupção hediondo e com possibilidade de expropriação dos bens das pessoas que sejam condenadas. A gente precisa de uma grande mudança. Mas está claro que, essa mudança, nosso parlamento não produzirá, porque temos 74% deles financiados por essas empresas, dois terços ou mais da Mesa Diretora do Congresso de pessoas condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se a gente for considerar condenação desde a primeira instância, peculato, formação de quadrilha, vamos encontrar uma parcela significativa desses parlamentares. Isso é o atestado da falência da democracia representativa. Nossa Constituição aponta saídas, mas existem esses políticos que controlam o poder nos Estados. A corrupção sistêmica lançou suas garras e se capilarizou pelo Poder Judiciário. Por órgãos assistenciais como Ministério Público e Tribunal de Contas. Existem estados com quase todo o Tribunal de Contas afastado, envolvimento de promotores. Essa corrupção sistêmica produz a crise institucional. Nossas instituições são fragilizadas porque não cumprem sua função e quando ameaçam cumprir vem a tentativa de diminuir o poder. É muito grande o poder acumulado por essa corrupção sistêmica. Temos que buscar na própria Constituição os instrumentos que permitirão um processo de construção da democracia representativa para a participativa.

O eleitor precisa entender isso e parar esta “corrupção sistêmica” com o voto. Não concorda?

Isso é um processo e não vai ser de uma hora para outra. É preciso que a gente vá considerando essas coisas para alertar a população do sentimento de frustração, por exemplo. Pesquisas em Sergipe mostram que 99% das pessoas não querem saber de política. Na realidade, as pessoas não acreditam nisso que se faz em nome da política. As pessoas não gostam é do crime que se comete em nome da política. Somos seres sociáveis e para que a gente fique em sociedade o processo cultural e histórico produz normas que estabelecem os limites da relação com o Estado. Precisamos gostar de política porque fazemos isso o dia inteiro como seres sociáveis. Da nossa renda vamos ver como arrumamos a casa, como pagamos a escola do filho. Nosso modelo de Estado legal diz que dentro de sua casa você faz como quiser, inclusive, para alguma figura pública entrar nela tem que ter uma ordem judicial, porque aquele espaço é reservado e se faz a política do dia-a-dia. Da porta pra fora, contudo, você não vai ao supermercado comprar poste, mas paga um dos maiores impostos do mundo para que aqueles que lhe representam possam fazer isso. Em média, o brasileiro trabalha cinco meses para pagar impostos. Historicamente, estão administrando mal. Jamais o povo brasileiro, em qualquer momento, teve próximo desse poder de decisão. A revolução de 1930 é, na nossa história, talvez o momento que essas forças populares tentaram se organizar, mas aqui no Brasil sempre prevaleceu o poder imperial, dos senhores de engenho junto a quem tem o poder político e isso ocorre através da Primeira República do Estado Novo e até os dias atuais. Com tudo que foi denunciado pela Lava Jato, Torre de Babel, Indenizar-se, subvenções, navalhas e tudo mais o povo reage votando nulo.

Mas é o eleitor quem legitima o mandato com o voto. Não tem culpa?

O povo quer mudar. Se derem opção que não seja trocar seis por meia dúzia já coloca o novo. Mas o novo não é a idade que a pessoa tem ou o fato da pessoa estar disputando uma eleição pela primeira vez. Eu vejo uma pessoa com 40 anos na política dizendo que é renovação. O novo na política é aquele que apresenta propostas, tem ações e um histórico que conferem coerência àquilo que é proposto. Eu gostaria de viver na cidade que os políticos prometem, mas, infelizmente, eu vivo na cidade que eles administram, que é muito diferente. O novo está nas ações, na coerência da fala e das ações e quando na gestão pública administrar com transparência. Os políticos não gostam da transparência na administração pública. As pessoas confundem o público com o privado. O político é servo do povo. A soberania do poder é do povo e o poder de administrar as cidades o povo cede parte, diz para fazer alguma coisa, mas não estão fazendo. Os partidos não são democráticos e têm donos. Tire meu nome como pré-candidato a governador. O que tem de novo na política? Isso acontece porque os partido têm donos e estes vão impor seus nomes para sociedade. Não são nomes que partem da sociedade para a disputa. Assim estaremos acabando com os currais eleitorais. O povo esta deixando de ser isso. Mas vai querer votar e, muitas vezes, não vai encontrar nomes novos. Pode ate encontrar um filho de um desses que vai se passar como novo, mas não é. Eu falo de práticas e coerência com o que se prega. Uma história de vida que respalde essa credibilidade. Se o povo tivesse muitos políticos decentes para votar iria mudar 90% do que está aí, mas não vão conseguir porque os donos dos partidos controlam o governo, o Senado, a Câmara Federal... Temos filhos de conselheiros, de ex-deputados, maridos... O povo precisa cobrar transparência de todos os gestores públicos, moralidade, legalidade e impessoalidade. Isso falta porque quem faz política dessa forma chega sem condição de exercer todos esses princípios. Faz-se eleição loteando secretarias e cargos públicos, como ter transparência? São essas coisas que a gente precisa mudar na gestão. Ter propostas com os pés no chão, não ficar a cada campanha cometendo crime de estelionato, prometendo o que não vai fazer pela própria forma de fazer política. Os grandes grupos de Sergipe, até a parte legal que aparece, são os mesmos financiadores de campanha para todos, e a gente já sabe os setores que se beneficiam com essa relação. Temos que acabar com essa cultura que, se é para serviço público, tem que cobrar a mais porque tem que pagar propina. Isso é o que a gente ouve na cidade. Precisa de um choque de gestão na administração pública, mas só vai poder fazer isso quem chegar livre das amarras da construção da campanha. Não existe transversalidade nas secretarias em Sergipe. Como a educação não vai ter influência na violência urbana? Mas as secretarias não estabelecem políticas públicas em parceria porque se estabelece que a secretaria é de um partido. Hoje, está de um jeito que o secretário é de um partido, o adjunto é de outro e cada um querendo fazer política partidária, que é algo mais abominável. A política pública de saúde em Sergipe se resume aos programas que são colocados pelo Ministério da Saúde. Em Sergipe, a história recente mostra a política partidária como prioridade na gestão pública da saúde. Não vamos resolver esses problemas. Por isso temos essa geração que está aí, inclusive estamos vivenciando um momento de mudança de ciclo que essas pessoas governam Aracaju e Sergipe nas últimas quatro décadas, mas o povo tem muito mais a reclamar porque hoje é assustador sair de casa. A insegurança pública e a vinculação dessa insegurança à escola sem qualidade, ao modelo de saúde sem qualidade, à falta de geração de emprego e renda que não dialoga com a política pública. Muitas vezes, as pessoas acham que para a violência com mais bala. Precisamos de uma polícia comunitária, cidadã, que dialogue e tenha uma ação preventiva e seja repressiva quando necessário. A gente precisa que tudo isso dialogue com o modelo educacional na implantação do período integral com atividades para as crianças menores de lazer e de esporte, e, à medida que elas crescerem, atividades técnicas, e que dialoguem com as gerações de emprego e renda.

Dentro deste contexto, o senhor vê a possibilidade de uma aliança ampla em torno da sua pré-candidatura ao governo do Estado?

Eu costumo dizer que a política em Sergipe, nessas últimas décadas, é praticada dentro de uma caixinha, que estão esses atores. O debate lá dentro é quem é melhor do que o outro. Eles não falam de financiamento de campanha porque utilizam as mesmas práticas, loteamento de cargos públicos, farta distribuição de cargos comissionados, todos fazem. Precisamos ter pessoas decentes entrando na política, porque a cultura política do Brasil é entrar na política pensando em enriquecer. A política tem se tornado para muita gente um meio de vida desonesto. Por que um custo de R$ 1 milhão com um senador? Isso é um acinte à sociedade. A maioria ganha um salário que não chega a R$ 1 mil. É uma política promotora de desigualdades. Precisamos rever tudo isso só que a turma que está aí não quer fazer. Quiseram fazer ‘distritão’ e não conseguiram, mas fizeram o fundão e botaram a possibilidade de financiamento para antes do início da campanha. Colocaram que as pessoas podem dar 10% da sua renda. Ninguém pensa que esse dinheiro vai sai do bolso dele. Vai continuar recebendo ilegalmente e apresentar contas no limite que a lei permite como sendo dinheiro dele e o resto está sendo doado. Não dá pra gente imaginar que a gente vá fazer política nessa prática.

A REDE está dialogando com o Partido Verde. Como foram estas conversas?

Conversamos com o PV e não se falou em cargo nem nada. Conversamos na construção de uma proposta de governo para Sergipe. Se a gente for pra dentro da caixinha pode pensar em ganhar, mas eu tenho dito que, para ganhar lá dentro, ganha perdendo. Só para quem não tem a visão de fazer a política coletiva. É possível a gente fazer política de uma forma diferente. O poder está na capacidade de decisão das pessoas. A gente vai priorizar o que é chamado de nova política, o cenário é favorável, não vamos comprar lideranças. A gente não quer estabelecer essa relação de dinheiro que existe na política. Esse diálogo é com a sociedade. A gente está chamando a sociedade através de fóruns para essa nova política. Existe uma série de coisas que temos que acabar na política. Eu já falei da necessidade de uma ampla reforma política controlada pela população, reforma do Código Penal, acabar com o foro privilegiado. Essa corrupção vai para os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo e a construção dos instrumentos de controle social nos poderes. Precisamos estimular que as pessoas fiscalizem de modo que a gente possa mudar da democracia representativa para democracia participativa. Precisamos de pessoas que perseverem, que façam política fora da caixinha. A gente tem que acabar com essa história de que todo político é ladrão. Isso é um discurso que interessa ao político ladrão. Não existe profissão onde todos sejam bons ou ruins. Na imprensa, temos bons profissionais e os que não são bons, e, geralmente, os que não são bons constituem a minoria. Na política é assim também. A história do rouba, mas faz é outra mentira. Se seu filho pegar o seu salário e for para farra e quando tiver voltando, no outro dia de manhã para casa, passar numa loja e comprar um sapato e lhe dar, você vai passar a mão na cabeça e aceitar? Por que, então, estabelece essa relação com o político? Tem que acabar também esse paradigma.

Então, o senhor exclui a possibilidade de uma coalizão?

Todos os governos tiveram maioria e o povo reclama que está tudo ruim. Essa lógica tem que mudar porque isso não é o que garante que vai ter uma boa administração, até porque o político que está no administrativo vai atender os financiadores de campanha, atender partidos coligados, a capacidade de investimento do Estado vai ficar reduzida e a máquina vai ficar inchada. Precisamos estabelecer uma relação harmoniosa com o Poder Legislativo, respeitando a independência e fazendo o chamamento para dialogar e produzir políticas públicas e deixar as pessoas como juízes. Quem não faz a política como carreirismo não vai se submeter a esse processo em nome de ganhar uma eleição. Com autonomia, com recursos próprios, se não houver tanta corrupção, é possível fazer mais do que tem sido feito atualmente. É preciso essa nova proposta de um choque de gestão e de uma nova prática na política. É a mesmice dentro dessa caixinha que impede que algo diferente aconteça.

E o senhor sente na recepção à sua pré-candidatura que esse pensamento está perpassando, que o eleitor quer esta mudança?   

Muitas vezes, o político pensa que consegue enganar as pessoas a vida inteira. A sabedoria popular é algo fenomenal e isso é construído ao longo do tempo. Quando eu estava vereador, no primeiro mandato, colegas falavam que, quem faz política como eu faço, só fica na Câmara uma vez, uma legislatura, porque quer fazer sem os vícios. Eu não posso abrir mão dos meus valores para ganhar uma eleição. Eu nunca vou ter um filho em qualquer cargo público (sem concurso público. Pela via do favor). Minhas campanhas são com pouco dinheiro e eu provo. Uma boa campanha precisa de dignidade, bom caráter para fazer política sem querer roubar a consciência de ninguém. A gente fez política sempre nesse caminho. Quando eu me reelegi falaram que eu quebrei um paradigma. Quando chegou o final do segundo mandato, eu disse que não iria mais. Antes, eu sempre imaginei que só poderia estar num cargo duas vezes. Fui duas vezes presidente da Sociedade de Dermatologia de Sergipe, duas vezes da direção da Unimed, da Somese, duas vezes da direção do Sindicato dos Médicos e fui saindo. Deixe que outras pessoas venham e façam. As instituições que devem ser fortes. E quem dizia que eu não passaria do primeiro mandato, falou que eu estava com o terceiro mandato garantido. Não é carreirismo e o povo vai prestando atenção a essas coisas. Na indenizar-se meu nome não foi ventilado e o povo vai prestando atenção nisso. Esse fato que eu não tenho parente no serviço público, e não é por falta de oportunidade, mas sempre orientei meus filhos nesse sentido. Fui pra eleição e tive aquele resultado. A gente vai produzindo a incorporação de um conceito perante a população. No segundo turno, a prática da caixinha é buscar os candidatos que perderam a eleição no primeiro turno. Não são todos, mas boa parte apóia outros candidatos em função dessas trocas. No segundo turno das eleições para prefeito de Aracaju, em2016, fomos procurados pelos dois candidatos (Edvaldo Nogueira e Valadares Filho). Saímos com uma nota e decidimos não apoiar nenhum dos dois. Esse aspecto foi mais importante que o resultado da eleição porque estabelecemos uma linha de coerência. O que o povo viu como vereador, na campanha para prefeito e o que o povo ouviu depois da campanha de prefeito. A progressão desta nossa proposta depende que cada cidadão sergipano faça uma reflexão sobre tudo e resolva tomar para si a responsabilidade de dizer quem pode mudar essa realidade que está indignando. Essa indignação é no sentido de esperançar. É preciso que isso que me incomoda mude e eu não posso esperar que os outros mudem. Indignação quando construída de esperança e coragem se torna consequente. É preciso que a gente acredite que é possível avançar nessa lógica e que essa construção é tarefa de cada um de nós.

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Colunista Joedson Telles
Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

 

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do colunista.

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