Joedson Telles
28/05/2017 06:54:00
Georgeo Passos defende o “Fora Temer”, mas com eleições indiretas

O deputado estadual Georgeo Passos (PTC) é um dos milhões de brasileiros que ecoam a frase “Fora Temer” e torcem que o presidente da República Michel Temer (PMDB) demonstre amor ao Brasil e renuncie ao mandato por não reunir mais condições de presidir a República. Na ausência deste sentimento patriota, contudo, ele espera que o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tenha a mesma postura que teve o então presidente daquela Casa, Eduardo Cunha, quando viabilizou que a democracia representada no Congresso Federal decidisse pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Não podemos engavetar impeachment porque os presidentes da Câmara e da República são aliados. Impeachment é algo constitucional em nosso país, e cabe à Câmara dar andamento. Não pode agora o deputado Rodrigo Maia engavetar esse pedido como se nada tivesse acontecendo e a população sofrendo. O clima no Congresso, com vários partidos deixando a base, fará com que o presidente Temer reflita, e as pessoas que estão em seu entorno entendam que chegou o momento dele passar o bastão”, afirma Georgeo Passos. O parlamentar diz ainda que quem errou tem que pagar independente do posto que ocupe. “Ele como qualquer cidadão brasileiro, descumprindo a lei, tem que ser apurado, investigado, dado ao contraditório e auto-defesa e, ao final, o Poder Judiciário fazer o seu papel que é sentenciar pela procedência ou improcedência. Imaginamos quantas conversas já não existiram entre o presidente e parlamentares e o pessoal da JBS. Algo que expõe muito o Brasil e que a sociedade está repudiando e com razão”, diz, ressalvando que uma vez Temer esteja fora do governo o seu sucessor precisa desembarcar via eleições indiretas, como reza a Constituição. A entrevista:

 

Como está acompanhando toda essa efervescência em Brasília, envolvendo o governo Temer?

Um momento crítico do Brasil cuja sociedade tem uma classe política sem nenhuma credibilidade em sua grande maioria. Lógico que há as exceções... Não podemos mais demorar nas soluções desses problemas. Precisamos avançar porque o Brasil não pode ficar mais um ano parado. No impeachment de Dilma, o Brasil ficou quase um ano parado. Agora, com essas novas denúncias, que são graves e devem ser apuradas, investigadas. Quem errou tem que pagar. Precisamos urgentemente virar essa página da historia e trazer para o seio político as pessoas de bem desse país, convocar as pessoas que realmente querem vestir a camisa do Brasil - e a gente poder fazer algo melhor para que o desenvolvimento volte. Afinal de contas, a cada crise dessa, abala-se a economia, os investimentos desaparecem, o desemprego aumenta, a criminalidade aumenta. Esperamos que mais uma crise seja superada o quanto antes e que o presidente Michel Temer tenha o bom senso nesse momento de tomar a melhor decisão. Lógico que ele mais do que ninguém sabe o que fez, o que ele propôs àquelas pessoas que fizeram a delação premiada. Cabe a ele, então, tomar a decisão de deixar o país seguir o seu curso de desenvolvimento.

 

Renunciar é o melhor caminho?

Eu creio que seria hoje um das saídas mais plausíveis. Lógico que os defensores do presidente entendem que ele não cometeu nada de mais. E o clima de instabilidade vai transformando, mais uma vez, o Brasil num cenário negativo. Isso é ruim porque não propicia o desenvolvimento. Esperamos que a gente consiga, e o presidente tem uma grande importância nesse momento. Ele pode fazer essa renúncia, fazer com que o presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia) assuma e faça a convocação de eleições indiretas.

 

O Brasil já assistiu ao filme impeachment da ex-presidente Dilma. Suportaria mais um sangramento em menos de um ano?

Também esperamos que o atual presidente da Câmara tenha a mesma postura que teve o então presidente da Câmara (Eduardo Cunha) na questão de Dilma. Não podemos engavetar impeachment porque os presidentes da Câmara e da República são aliados. O que entendemos é que, se houve e tem lógica, materialidade e autoria, tem que ser apurado. Impeachment é algo constitucional em nosso país, e cabe à Câmara dar andamento. Não pode agora o deputado Rodrigo Maia engavetar esse pedido como se nada tivesse acontecendo e a população sofrendo. O clima no Congresso, com vários partidos deixando a base, fará com que o presidente Temer reflita, e as pessoas que estão em seu entorno entendam que chegou o momento dele passar o bastão.

 

Ou seja, o presidente Michel Temer precisa arcar com as consequências dos seus atos?

Tem que arcar. Ele, como qualquer outro cidadão brasileiro, em descumprindo a lei, tudo em que ser apurado, investigado, dado ao contraditório e auto-defesa e, ao final, o Poder Judiciário fazer o seu papel que é sentenciar pela procedência ou improcedência, principalmente o presidente que é um grande constitucionalista. Uma pessoa que sabe bem as regras desse país. Várias gerações que passaram pelas faculdades do Brasil estudaram direito constitucional pelos livros do presidente. Esperamos, agora, que ele não queira criar problemas, dificultar investigações. Lógico que ele nunca imaginava que uma das pessoas que ele tinha um trato muito próximo (Joesley Batista, da JBS) gravasse aquelas conversas. Imaginamos quantas conversas já não existiram entre o presidente e parlamentares e o pessoal da JBS... Algo que expõe muito o Brasil e que a sociedade está repudiando e com razão. Nós que fazemos parte da classe política somos um extrato da sociedade que temos - e para melhorar a classe política temos que evoluir enquanto sociedade.

 

Independente de gravação legal ou clandestina, o fato de o presidente da República receber um investigado pela Lava Jato na residência oficial, fora da agenda, às 22 horas, e escutar o que Temer escutou de Joesley e não fazer nada já não é o bastante para colocá-lo em xeque?

Com certeza. Todo mundo, hoje tem certa desconfiança para com o presidente. Sabemos da dificuldade que é para conseguir uma agenda com o presidente. Com um governador já não é tão simples. Com algum secretário é difícil. Imagine ir conversar com o presidente, num horário fora do trabalho e para tratar de temas não republicanos como ficaram gravados? Se a gravação é legal ou ilegal é uma questão da seara penal analisar, mas temos que entender que o diálogo aconteceu e, se aquela gravação não sofreu nenhum interferência externa, com certeza, chama muita atenção, inclusive a questão de se barrar Eduardo Cunha de falar algo. Sabemos que Cunha sabe muito. Estava no Congresso há vários anos. O próprio Michel teve vários mandatos lá. Chegou o momento de passar o país a limpo. Todos que cometeram alguma irregularidade precisam ser afastados e pessoas novas e de bem, que realmente queiram o bem do país, se coloquem à disposição da população. Essas pessoas de bem precisam seguir para esse meio para que a gente possa pelo menos equilibrar as forças.

 

E este clamor por eleições diretas, mesmo contrariando a Constituição. Como analisa?

Por mais que alguns setores isolados de alguns partidos desejem uma eleição direta, e sabemos o porquê, temos uma regra. O jogo tem que ser dentro daquelas regras. Quem é o detentor do poder é o povo através de seus representantes. As regras seriam eleições diretas só para complementar o mandato ate o ano seguinte ou não teria eleição. Temos que pesar também o custo de uma eleição direta nesse momento que o Brasil passa por dificuldades. Eu creio que nesse momento, numa eleição indireta, os congressistas terão o cuidado de escolher pelo menos alguém que hoje esteja com um perfil mais técnico de gestor e que faça com que esse país volte a caminhar com tranquilidade.
Entre os nomes citados para a missão, aparece o do jurista sergipano Carlos Britto. É uma boa opção?
É uma pessoa que teve oportunidade de ser presidente do STF, comandou a CNJ... Só não sei se ele teria condições de elegibilidade, como filiação partidária em tempo hábil. Tem todo um regramento e estão na dúvida do que vão seguir, se são as regras das eleições normais. Se precisar ter filiação partidária, há pelo menos seis meses ou um ano antes, e não sei se ele teria essa condição. Seria um bom nome como temos vários nomes nesse país, afinal de contas a pessoa que assumir tem que ter um grande compromisso de complementar o seu mandato até o final do ano seguinte.

 

A declaração do delegado de polícia Alessandro Vieira sobre o desconforto que o governador Jackson Barreto teria demonstrado com o trabalho da delegada Danielle Garcia e que ele quer a polícia priorizando os chamados crimes de ruas como o senhor avalia?

Com bastante preocupação. Pelo que diz o delegado, saiu da boca do governador essa intenção. Estamos no estado onde a violência reina. Mas entendemos que uma investigação não pode parar a outra, e o que o governador sugestionou à cúpula da Policia Civil foi que se deixasse os crime de colarinho branco, e lógico com o trabalho da Deotap que atingiu várias pessoas, inclusive o dono da Torre. Isso chamou muita atenção, e não sei se foi nesse momento que o governador o convocou.

 

Foi infeliz, então?

Vemos algo grave, algo que não cabia para o representante maior do Estado aquele comentário. Ele deveria, na verdade, dar mais força às Polícias Civil e Militar para que as investigações fossem mais fortes. Se a gente for pesar, o prejuízo que passa a sociedade, porque uma pessoa que rouba um celular é um crime com ameaça. A polícia tem que agir, claro. Mas uma pessoa que rouba milhões desviando da saúde, da educação, para mim, é muito mais grave. Também quando uma pessoa nega seu imposto propositadamente. Num momento de crise, o governo deveria priorizar porque temos que tirar de circulação esses contribuintes que não querem arcar com seus compromissos, lógico que dentro da lei. Agora parar a investigação? O governador vai ter que dar suas explicações e prestar esclarecimentos à sociedade sergipana. Na entrega do título de cidadão aracajuano ao delegado Alessandro Vieira, chamou atenção ele ter dito que, se desejasse, ficaria no cargo. Bastaria atender aos pedidos que chegaram a ele. Quais pedidos? Com certeza não foram republicanos. Para ele entregar o cargo foi algo que o incomodou bastante e deve ser algo que venha nesse tom dessa conversa que ele teve com o governador ou com emissários do governador.

 

Isso acaba o próprio governador colocando em xeque quem assumiu no lugar de Alessandro Vieira e até o novo secretário de Segurança Pública?

Vamos ficar sempre com essa interrogação. Esperamos e confiamos nos dois delegados que assumiram. Que continuem o serviço de investigação. Que quando a delgada Danielle Garcia retornar de férias, retome. É necessário apurar. Têm várias investigações que é preciso dar uma resposta à sociedade. Tem a questão do lixo, da Indenizar-se, das subvenções, da sonegação fiscal... Não podemos passar a mão na cabeça de quem quer que seja. Quem errou tem que ser punido. O governador, enquanto gestor maior e representante maior do Estado, precisa dar o exemplo e pedir a todos os seus servidores da área policial que faça o que tem que ser feito, independente da amizade que ele tem.

 

O deputado Georgeo Passos trouxe a denúncia de mais de 100 taxas cobradas pelo Detran de forma ilegal...

Trouxemos e quem nos deu todo o material foi o próprio governador em sua mensagem no Projeto de Lei, onde ele realmente conhece a inconstitucionalidade e pede a essa Casa (para regularizar). São mais de 100 taxas que eram criadas e reajustadas ao bel prazer do conselho deliberativo do Detran, afrontando muito a separação de poderes: o poder do Estado contra o contribuinte, e o parlamente tem esse dever e direito de ser a defesa da sociedade e seria através de análise no parlamento e isso não ocorreu. Enviamos à OAB Sergipe, o deputado Gilmar Carvalho oficiou ao Ministério Público. Esperamos que a OAB possa se manifestar o quanto antes e inclusive entrar com ações na Justiça para que o artigo que permite o Detran fazer aquelas taxas seja extirpado do nosso texto devido sua inconstitucionalidade .

 

É quem pagou?

Tem todo direito de recorrer ao Poder Judiciário, pleitear os últimos cinco anos que pagou essas taxas indevidas. Lógico que o cidadão vai fazer os cálculos e ver se vale à pena contratar um advogado e ingressar na Justiça. Vai ficar para escolha de cada um. Hoje, como não foi regulamentada qualquer pessoa pode entrar em juízo e questionar essas taxas e aí o Estado, que desde 2005 vem com essa prática, não consertou antes, terá um prejuízo. A criação de tributos agora só pode começar a cobrar no período seguinte. O Estado pode perder de receita pelo menos R$ 70 milhões, metade que estava estimado taxa pelo Detran. Para o Estado não é bom mais e os erros tem que ser corrigidos. Não pode passar mais a mão na cabeça de ninguém.

 

Na semana passada, o deputado Georgeo Passos voltou a cobrar a convocação dos aprovados no concurso para ingressar na Polícia Civil. Seria uma forma de o governo sair da teoria, já que o discurso é o de preocupação com a Segurança Pública?

Vimos a Polícia Militar terminando mais uma turma, o governador anunciou um concurso que ainda não foi realizado e, provavelmente, quando vier será no próximo governo. Essa demora é preocupante. Policias civis temos mais de 200 preparados porque fizeram academia, o Estado investiu mais de R$ 1,5 milhão nessas pessoas e não trazem efetivamente ainda nenhum resultado à sociedade porque o governo ainda não convocou. Esse ano foram 43 aposentados da Polícia Civil. A cada dia que passa, vemos o aumento da criminalidade fruto da impunidade. Essa é uma das importâncias da Polícia Civil: combater os homicídios, os crimes de colarinho branco, os furtos e roubos. Infelizmente, o governador prometeu que convocaria pelo menos 20 a cada mês e isso não se concretizou nos meses de abril, maio e março. Fora os aposentados que ele disse que ia convocar automaticamente. Temos um déficit de mais de 400 policiais.

26/05/2017 19:09:00
Assegurando que Jackson mente, presidente da Adepol promete alertar o eleitor

Sabe aquele lugar comum do jornalismo político que aconselha não reunir à mesma mesa para um cafezinho dois desafetos? Vale neste momento para o governador Jackson Barreto e o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), Paulo Márcio. O delegado espelha o sentimento da categoria, cuja paciência com o chefe do Poder Executivo foi para o espaço. Leia o recado de Paulo Márcio para o governador Jackson Barreto.

 

“Quando ele for para a campanha fazendo promessas, vou para televisão e para o rádio dizer que é mentira. Um governador que mente para um delegado de polícia o que dirá para um cidadão do interior do estado? Um governador que mente para um secretário de Segurança, um secretário geral, 144 delegados de polícia, como é que tem moral para pedir voto para um candidato dele? Eu desafio o governador a dizer que não mentiu para a categoria. Disse que iria encaminhar todos os projetos à Assembleia Legislativa e, de uma hora para outra, mudou de ideia”, lamentou Paulo Márcio, ao ser entrevistado na Ilha FM, hoje. 

 

O delegado Paulo Márcio prossegue o desabafo assegurando que os delegados de polícia não aceitam mais o que define como jogo do governador. “A sua enrolação, a falta de competência do seu governo e o cinismo com a categoria. Eu não vou assumir a responsabilidade de ser chamado de mentiroso. Eu tenho compromisso com minha categoria e quando o senhor for às ruas pedir voto eu vou dizer para seus eleitores que o senhor mentiu para toda uma categoria”, prometeu.

 

Aí eu pergunto: e Jackson Barreto vai às ruas pedir voto, é? Será candidato? Certeza? Ele não deu a palavra que vai se aposentar, ao final do mandato, em dezembro de 2018? Bom, palavra dada em xeque, Paulo Márcio continua. Ele agradece a Deus o fato de os dias estarem passando e o governo Jackson Barreto se aproximando cada vez mais do seu fim.

 

“Estamos nos aproximando do final deste governo, cuja incompetência, burocracia, falta de compromisso são frustrantes, não só para a sociedade, mas para as categorias que estão reivindicando situações não só financeiras, mas melhorias na qualidade de vida, na prestação de um trabalho. São 240 dias de negociação com dezenas de assembleias, de reuniões nos diversos gabinetes, mas é um prazer que esse governo tem de massacrar as categorias”, lamenta.

 

O presidente da Adepol ressaltou que a categoria entende que o problema não reside nos colegas João Eloy e Katarina Feitosa, secretário de Segurança e delegada geral, mas no próprio governador do Estado.

 

“A categoria não tem a mínima confiança no governador. Foi ele quem recebeu a categoria no palácio, no dia 14 de dezembro de 2016, e firmou um compromisso. Se ele não tivesse firmado, não estaríamos dizendo o que temos dito. O governador humilhou a categoria dos delegados. Eu não sei por que tem dois delegados secretários de Estado, porque doutor Cristiano Barreto e doutor João Eloy deveriam, em solidariedade, entregar os cargos imediatamente. Por que delegado num governo que não tem o mínimo de consideração pela categoria?”, indagou.

 

Volto a indagar: há clima para um café?

24/05/2017 20:18:00
Juízo, coerência, bom senso

É importante, democrático... Eu diria até imprescritível cobrar bons frutos dos políticos que nos representam. Eles prometem em campanha e precisam honrar a palavra. Aliás, a cidadania cobra isso de qualquer cidadão de bem.

 

Todavia, esquecer que o ex-prefeito João Alves Filho deixou a Prefeitura de Aracaju um caos ou pior ainda: estar lembrado e, mesmo assim, criticar o atual gestor, Edvaldo Nogueira, que não tem nem seis meses à frente da mesma PMA?

 

Quando as críticas partem de adversários políticos até entende-se. Estão dentro do jogo. Perfeito. Mas pessoas que não são concorrentes nas urnas, ao menos declaradas, baterem no prefeito, como se ele estivesse aí há mais de um ano, tivesse encontrado a PMA perfeita e criado os problemas? "Não dá para entender​".

Tudo bem que velam a lógica de a "gestão ser impessoal", e, assim, vamos favorecer gestores irresponsáveis, que geram o caos e o deixa em mãos​ alheias​. Mas o bom senso grita por paciência com quem assume uma casa bagunçada e tenta arrumá-la numa época de crise.

Se as críticas forem necessárias, não tenham dúvidas: eu mesmo farei várias. Mas no momento certo. Agora, não. Soa covardia. Açodamento. Principalmente vindas de quem não criticou o governo João Alves, "sabe-se lá os motivos"...

 

Tenho inúmeros defeitos​. Mas não sou covarde. Tampouco injusto. O momento pede juízo, coerência, bom senso. Estas três palavrinhas são suficientes... Aliás, são imprescindíveis.

 

P.S. Fiz este texto e postei no Facebook, nesta quarta-feira 24, após constatar na própria rede que, enquanto o prefeito estava visitando áreas castigadas pela chuva pessoalmente, tinha gente nas redes sociais dando sequência à rotina açodada de criticá-lo por não ter conseguido ainda resolver os problemas de Aracaju. Muitos que o ex-prefeito João Alves não resolveu em quatro anos. Como nem todos os internautas são meus amigos no face, resolvi jogá-lo aqui também.

22/05/2017 21:16:00
O presidente Temer não levou a “bobagem" em conta. O Brasil lúcido, sim

Ainda a importunar os botões à cata de um adjetivo lacônico para encapar a entrevista que o presidente Michel Temer concedeu à Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira 22. Todavia, o trecho campeão a espelhar este adjetivo não encontrado emerge de pronto: o plágio aos ex-presidentes petistas Lula e Dilma, que escreveram na história política deste país embrutecido a frase “eu não sabia” para servir de bóia de salvação nos momentos que a medicina batiza de estado terminal.

 

E, assim, o presidente Temer o fez. Disse ao jornal paulista, chamado de “golpista” por petistas, que não sabia que Joesley Batista, o cara da JBS, que, miseravelmente, o traiu, ao gravar a conversa entre os dois no famoso encontro fora da agenda, às 22 horas, no Palácio do Jaburu, era uma das presas da Lava Jato. Um corrupto.    

 

Ah é? Mesmo no país das empresas que dão propinas aos políticos sendo desnudado, vamos fingir que engolimos. Que um empresário poderoso está atolado até o pescoço em atos criminosos, que é fisgado na Lava Jato, mas a informação não circulou ao ponto de chegar ao presidente da República. É difícil, mas vamos imaginar que é isso mesmo.  

 

Mas e aí? E quando soube, ao vivo, da boca do próprio Joesley, o que justifica o presidente da República não ter procurado à Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal... Ele mesmo não ter dado a chamada voz de prisão? Ah, o próprio Temer, tranquilamente, respondeu à Folha: “confesso que não levei essa bobagem em conta”... O Brasil lúcido, sim.  

 

Já disse neste espaço: com ou sem provas sobre a suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa levantadas pela PGR, que pediu ao STF que investigue tudo, o presidente Temer, ao silenciar diante da, digamos, confissão de Joesley, e agora, ao chamar atos criminosos de “bobagens” perdeu quaisquer condições de permanecer à frente do governo. Pode-se e deve-se, óbvio, até investigar tudo a fundo e aplicar a lei, mas, já agora, a notícia de prevaricação por si só já colocou o ponto final no governo.  

 

Neste momento, já são mais de 10 pedidos de impeachment contra o presidente Temer, inclusive o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, a exemplo do pano de fundo deste texto, dispensa o desfecho das investigações para que Temer vaze: a prevaricação já basta.  

 

Uma pitada de cidadania, de empatia com os desempregados, de amor ao Brasil, de coerência com o sentimento em prol das reformas que o próprio Temer tanto argumentou serem necessárias para a volta do crescimento do país, seriam suficientes para que o presidente já tivesse arrumado as gavetas. Sua história grita pela ação também.

 

Há exato um ano, o Brasil “terminava” de viver a angustia do impeachment da presidente Dilma, que não renunciou e foi até o fim. Até o desfecho, o país sangrou por um tempo cruel. Investidores sumiram. A economia entrou em crise, levando a política e a ética juntas. O desemprego explodiu e até hoje faz vítimas. Temer e aliados que criticaram a petista querem o Brasil vivendo dias até piores que aqueles? Precisam dizer que não com ação. A situação está insustentável. A governabilidade jaz.

 

Ao insistir no apego à cadeira, a cada volta do ponteiro do relógio, o presidente tende a perder mais aliados. Ficar isolado soa o destino. O sentimento dos brasileiros, em sua maioria, impulsiona os políticos, sobretudo via redes sociais. Até porque, na era de Lava Jato, prisões e delações não se pode afirmar que mais podridão esteja fora do script.                    

 

Como bom jurista, o presidente tenta esquivar-se. Leva os fatos para o campo jurídico. Mas é impossível fazer isso sem combinar com os russos, que optam, evidentemente, pelo lado político da coisa. Querem eleições diretas ou indiretas.

 

Aliados que incentivam Temer a não renunciar, a soltar frases de efeito como “se quiserem, me derrubem” apostam na queda de braço. Sonham com Temer no governo de qualquer jeito. Democrático, é verdade. Em política vale tudo, é claro. Mas é preciso não esquecer que o futuro do Brasil está em xeque. E a conta chegará às urnas. Pode apostar.

21/05/2017 06:30:00
Se permanecer com Jackson, o PT será desmoralizado, alerta petista que preside a CUT/SE

Petista da Articulação de Esquerda, a mesma corrente da deputada estadual Ana Lúcia, o presidente da CUT/SE, Rubens Marques, o professor Dudu, lamenta, nesta entrevista, que o PT ainda esteja com o PMDB em Sergipe. “O PT há muito devia ter descolado de Jackson. Quanto mais descolado de Jackson menos constrangimento vai passar. Podem estar no palanque de Jackson o deputado André Moura, o senador Eduardo Amorim, Ricardo Franco... E o PT de lado fazendo o quê? Envergonhado? Já deveria ter desembarcado dessa barca de Jackson, há muito tempo. A gente defende que tenha candidatura própria”, diz o petista, assegurando que o governo Jackson Barreto, há muito tempo, deixou de ser de esquerda.  “Até quando vai o crédito de Jackson Barreto de dizer que enfrentou a ditadura? Esse crédito acaba não é? Enquanto houver esse crédito ele pode fazer aliança com a direita, perseguir sindicato, não pagar servidor público? Quem do PT continua nesse barco de Jackson precisa entender que está na hora de descer. Ou desce ou se desmoraliza. Jackson não quer saber se é de direita, se responde processo como corrupto, se está para ser cassado, se destruiu direito trabalhista. Ele quer saber de construir a candidatura ao Senado e fazer o sucessor a governador. Nesse barco não cabe o PT, ou pelo menos a Articulação de Esquerda”, pontuou durante a entrevista que foi gravada dias antes de o escândalo envolvendo o presidente Michel Temer ganhar a mídia.

A CUT saiu às ruas em protesto contra as reformas anunciadas pelo governo Michel Temer. A entidade foi compreendida pela maioria da população?

Eu acho que o Brasil inteiro compreendeu que as reformas são nocivas ao conjunto da classe trabalhadora - e terminam refletindo em toda sociedade. Por isso que fomos às ruas não só contra a reforma trabalhista, mas também contra a terceirização, contra a reforma da previdência e outras que tiram direitos.

 

Mas não há uma só proposta interessante para os trabalhadores no conjunto da obra?

Não. Algo que eu acho que é extremamente danoso ao trabalhador é negociado sobre o legislado. Parece algo simples, mas não é. Quando dizem que o trabalhador vai poder negociar livremente com o patrão, e o que for acordado vai valer sobre o legislado. Então, para quê legislação trabalhista? Se há uma coisa boa nesse país é a legislação trabalhista, o Tribunal do Trabalho. A Justiça do Trabalho se diferencia muito das outras. Ela tem sido muito coerente e importante para classe trabalhadora. Quando você abre mão de uma legislação que foi construída com toda uma história de luta desmonta todo um aparato de defesa da classe trabalhadora. Para mim, o negociado sobre o legislado é uma imoralidade.

 

Então não há necessidade de reformas?

Mantendo como está, tudo bem. Eu acredito que ela não está superada como os empresários dizem. O sistema é da década de 40. Foi criado por Getúlio Vargas para jogar dinheiro público na mão dos empresários. Quando Fernando Haddad foi ministro da Educação do governo Lula tentou mudar as regras e os empresários não aceitaram. O discurso dele para rasgar a CLT é que ela está superada porque é da década de 40. A classe patronal vai de acordo com seus interesses e não com a verdade.

 

O trabalhador compreende isso?

Escutamos a narrativa. A burguesia dizia uma coisa e nós dizíamos outra. Os deputados golpistas diziam uma coisa e nós outra. Naquele momento do pré-golpe, eles venceram o debate. As pessoas acreditaram que o impeachment (da ex-presidente Dilma) era porque havia corrupção, mas não era este o motivo. Combater corrupção era só um discurso. A ideia era se aproveitar da crise, derrubar uma presidente e tirar direitos, para que a classe dominante ganhasse mais dinheiro. Qual o sacrifício que os empresários estão fazendo durante a crise? O trabalhador vai trabalhar sábado, domingo, feriado, esticar seu turno e não vai ter um centavo no bolso de hora extra. Ele vai compensar num dia de semana quando o movimento tiver fraco. Você permitir ampliar a jornada de trabalho - vai ter o mesmo trabalhador em duas jornadas de trabalho. Isso tudo gera lucro para o patrão, que se aproveita da crise para ganhar mais. Quem está pagando aquele pato que estava na Avenida Paulista é a classe trabalhadora. A nossa legislação trabalhista, apesar de muito criticada, é uma das melhores do mundo. Eu conversei, há pouco tempo, com um presidente de uma Central Sindical dos Estados Unidos, em São Paulo. Se compararmos a legislação americana com a nossa encontramos uma contradição enorme. A legislação lá é quase escravizando os trabalhadores. Nossa legislação é assim porque houve muita luta. É só resgatar o que foi o início do novo sindicalismo no Brasil.

 

A esperança da CUT é tentar reverter no Senado. O senhor sente que isso é possível?

Até a greve do dia 28 de abril, o cenário era um, mas agora é outro. Do pré-golpe para cá, a classe trabalhadora tem percebido que foi golpeada. Um sintoma que dá para reverter e que o cenário mudou foi possível perceber nas manifestações. No pré-golpe, todo mundo tinha identificação. Alguém ligado a alguma entidade, mas a gente precisava de algo mais. Levar para rua quem não está ligado a nenhum movimento sindical. No mês de abril, já encontrei muita gente que eu não conhecia e ficava alegre porque o trabalhador que não entendeu antes entende agora. Nessa greve geral foi que a gente se perdeu no meio da multidão com 60 mil pessoas e muita gente livre, espontânea e gente que não é petista nem sindicalista. Por isso que recuaram temporariamente, mas é um sinal que a reforma trabalhista pode ser barrada no Senado. A da previdência não vai passar do jeito que está. Ela precisa não passar de jeito nenhum. Se fizer emenda vai terminar de um jeito danoso para classe trabalhadora. É aproveitar o momento, radicalizar na manifestação e não deixar passar. Sergipe deu um belo exemplo de mobilização. Por isso fizemos aquela greve que entrou para história.

 

Essas pessoas que se manifestam promovendo violência, depredando, usando capuz afastam pessoas que são simpáticas ao movimento, mas que não admitem baderna. Como o senhor avalia esta questão?

Aqui em Sergipe, a coisa é mais tranquila. Eu acho que há interesse dos patrões e do governo de que haja esse tipo de infiltração para macular o protesto. A inteligência da polícia pode acompanhar as manifestações. Eles conhecem de dedo as lideranças e poderiam neutralizar, mas eles deixam para gerar justificativa para a pancadaria. Se tem um grupo radical que tem como proposta destruir o patrimônio, assuma e faça. Enfrente a polícia, o Estado, mas sem se infiltrar porque gera uma série de problemas.

 

A CUT tem um posicionamento diferente do que pensa a maioria dos sindicalistas em relação ao imposto sindical. Por quê?

A CUT é contra o imposto sindical desde sua fundação, em 83. A CUT tem formulação para dialogar com a base sindical. Em 2013, a CUT fez um plebiscito. Fomos às fábricas, escolas para perguntar o que o trabalhador acha do imposto sindical. A CUT só queria mostrar que não dá para existir um imposto compulsório. Um imposto é uma imposição. O imposto sindical alimenta uma rede sindical que não defende o trabalhador e virou profissão. O cara funda um sindicato como se fosse negócio. Você tem seu dinheiro descontado e não conhece nem o sindicato. A CUT precisa acabar com os sindicatos pelegos. O acordo coletivo da categoria, que ele nem conhece, sentou, assinou e pronto, sem assembleia, nem nada. Você só pode barrar o crescimento dos sindicatos pelegos danoso à classe trabalhadora acabando com o imposto sindical porque, como eles não têm serviço prestado na base, ninguém vai se criar. Tem sindicato que não é pelego, é sério e também recebe imposto. Vá numa indústria têxtil e pegue a fichinha de filiação. Quando o gerente pega a ficha no outro dia o cara está no RH para ser demitido. O trabalhador não pode ser molestado porque se filiou, mas é. A CUT tem a proposta de acabar com o imposto sindical, e no lugar do imposto criar, através de lei, a taxa negocial e o direito ao acesso do sindicalista ao setor de trabalho para fazer a filiação. A diferença do imposto sindical para a taxa negocial é que o imposto não se tem como se livrar. O cara toma de forma brutal de sua conta. Na tora. A taxa negocial, se o sindicato fizer uma boa negociação coletiva e conquistar o aumento, ele leva para assembleia e diz que conseguimos avançar e está a proposta. A categoria pode aprovar ou não. O sindicato pelego não tem serviço prestado e não vai ter o que aprovar. O problema não são as centrais que defendem imposto. São os patrões: eles não abrem mão do imposto sindical.

 

Ano que vem tem eleição para governador do Estado. Como petista, como o senhor avalia o cenário?

O PT há muito devia ter descolado de Jackson. Quanto mais descolado de Jackson menos constrangimento vai passar. Podem estar no palanque de Jackson o deputado André Moura, o senador Eduardo Amorim, Ricardo Franco... E o PT de lado fazendo o quê? Envergonhado? Já deveria ter desembarcado dessa barca de Jackson, há muito tempo. A gente defende que tenha candidatura própria. Quanto ao nome, eu defendo que preceda o nome o programa. Não basta ser do PT. Eu não tenho um nome no momento. Mas vejo com bons olhos a possibilidade de o PT desembarcar de Jackson Barreto e construir uma candidatura própria, ganhando ou perdendo. O PT nasceu para fazer disputa, e não para ficar na carona de um governo que, há muito tempo deixou de ser de esquerda. Até quando vai o crédito de Jackson Barreto de dizer que enfrentou a ditadura? Esse crédito acaba não é? Enquanto houver esse crédito ele pode fazer aliança com a direita, perseguir sindicato, não pagar servidor público? Quem do PT continua nesse barco de Jackson precisa entender que está na hora de descer. Ou desce ou se desmoraliza. Jackson não quer saber se é de direita, se responde processo como corrupto, se está para ser cassado, se destruiu direito trabalhista. Ele quer saber de construir a candidatura ao Senado e fazer o sucessor a governador. Nesse barco não cabe o PT, ou pelo menos a Articulação de Esquerda.

 

Pelo que o senhor coloca, há um “acórdão” a caminho. É isso?

Cabe ao PT pular fora do barco antes. Muita gente pode achar que é um absurdo, mas nesse chapão de Jackson cabe todo mundo da direita que hoje está brigando. Um “acordão”, sim. A direita não disputa para perder, a não ser que tenha certeza que perde hoje, mas amanhã está dentro. Tem muita coisa acontecendo, mas eu acho que pode sair um grande acordo com a direita e seria bom até para o PT que esse acordo saísse. Seria esse contraponto. Sair antes fazendo a crítica e dizendo por que saiu. O mais importante para mim é o programa. Qualquer candidato que apresente uma proposta decente, que reacenda a chama da esquerda do PT eu estarei com ele. A partir do programa se discute a candidatura. Foi isso que a Articulação de Esquerda apresentou no congresso do PT. A corrente que militamos era cerca de 30% do congresso e eles 70%, mas respeitaram na resolução de não fechar o nome.

 

Mas há como o PT romper com Jackson sem entregar os cargos que ocupa no seu governo?

(Risos) Esse é o X da questão. Quando a gente fala em desembarcar, não tem como fazer isso pendurado nos cargos. Não tem como desembarcar com um petista como líder do governo (leia-se o deputado Francisco Gualberto).

 

Mas e o sentimento dos petistas governistas?

A maioria faz a defesa que o governo Jackson está com Lula. Eu acho que não. Está com ele. Como foi que votou Fábio Reis no impeachment? Votou pelo golpe. Ele é do PMDB. Pupilo de Jackson. Quando Dilma teve aqui e aconteceu aquilo fatídico acidente, quando um cidadão morreu (eletrocutado) no poste, ali era um momento crucial para Dilma, a hora que ela mais precisou de apoio. Jackson estava aonde? Ninguém pode negar que a gente tem que pegar Sergipe antes e depois do PT, porque Lula e Dilma investiram muito dinheiro aqui. Mas Jackson estava em Mato Grosso, recebendo título de cidadão. Uma coisa que poderia marcar para outra data. Ele fugiu do palanque. O deputado dele votou pelo golpe. Não sei como o partido tem coragem de dizer que Jackson está com Lula. Mas não foi só Jackson que não estava no palanque. Dilma, naquele momento, era uma figura que não agregava para eles. Edvaldo Nogueira também não estava. O próprio Rogério Carvalho (presidente do PT) não estava. Quem estava lá era a gente defendendo o estado democrático de direito.

 

Como o senhor avalia o primeiro encontro entre o governador Jackson Barreto e o deputado federal André Moura, líder do Governo Federal no Congresso? A pauta foi 100% Sergipe ou teve uma pitadinha de política também?

Eu acho que ali teve mais política do que qualquer outra coisa. Ali já começaram a fazer a costura para 2018. Pra mim, não será nenhuma novidade estar todo mundo junto. Jackson não é brincadeira não. Não será surpresa se André Moura for o candidato a governador de Jackson. Com Jackson pode tudo, contanto que ele se saia bem na fita. O Jackson de hoje não respeita trabalhador, aposentado recebe quando ele quer pagar... Mas acho que também há uma complacência do Judiciário e do Ministério Público com tudo que Jackson está fazendo porque para decidir contra a classe trabalhadora eles são rápidos.

 

A história vai cobrar isso de Jackson?

Já está cobrando. Eu respeito o que ele fez no passado como militante estudantil, de esquerda. A gente não pode apagar a história como um todo, mas depois que ele começou a dar uma guinada para direita. Ele perdeu a noção do que é ser esquerda.

 

A CUT, que sempre lutou por aumentos para o trabalhador, hoje luta para os vencimentos serem pagos. O senhor imaginava esse momento?

Eu não tenho régua para medir os governos, do ponto de vista da atuação geral, mas, para o servidor público, Jackson Barreto foi o pior governo deste estado. Primeiro porque não paga e segundo porque é arrogante. Não senta para negociar. Se o povo de Sergipe entendesse didaticamente o que Jackson fez com a educação ficaria horrorizado. Jackson dá aumento salarial do piso só para quem é nível médio, quem estudou até ensino médio, que dá uns 200 professores. Mas para sociedade passa a ideia que paga o piso para a categoria. A massa de professores tem nível superior. Como o aumento vem sendo dado somente para quem é do ensino médio, o de baixo vai subindo. Tem no estado hoje professor com doutorado ganhando igual a um professor de nível médio. Ele destruiu a carreira do professor. Ele pegou as escolas de ensino médio - parece que é proposital para criar o caos – e entregou os alunos. O município começou a faturar com o dinheiro do Fundeb que é por matrícula. No Estado, o professor está sem sala de aula, humilhado. Se já tiver numa certa idade, com problema de saúde? Eu não vou medir a atuação geral, mas posso falar da educação. Até terminar o governo é possível que ele piore. Ele está entregando os alunos para rede municipal, dizendo que não é obrigação do Estado. O Estado tem obrigação de oferecer o ensino médio, mas não desobriga oferecer o fundamental. Jackson para os servidores foi o pior governador da história de Sergipe. Os números que ele apresenta, por várias vezes, o Sintese já desmontou. Já deixaram de lançar receita, maquiaram balancete para justificar que não pode pagar.

 

A desculpa de crise não cola mais?

Não porque a receita continua crescendo. Os técnicos do Sintese têm provado. O problema de Jackson é um monte de secretarias, cargos em comissão. Esse discurso de crise não engana mais ninguém, principalmente a nós.

 

A sociedade está atenta a isso?

Se depender de mim, vou fazer questão de discutir com as pessoas, tentar formar opinião do estrago que Jackson deixou para Sergipe, sem contar com a previdência. Uma coisa que a gente não pode esquecer é a questão da venda da Deso. Um governo privatista. Na eleição, o PT colocou um carimbo na testa de Aécio que iria vender a Caixa, o Banco do Brasil, o BNDES, Petrobras e aquilo abalou ele. Jackson, agora, dizia o mesmo no palanque na eleição de Dilma e agora quer vender a Deso.

19/05/2017 09:11:00
Temer destrói a governabilidade. Nem precisa de impeachment. O governo acabou

Com ou sem provas das acusações que estão sendo feitas, o presidente Michel Temer perdeu as condições morais necessárias a garantir a governabilidade e antecipou o fim do governo que jamais foi seu (chegou na carona do PT e assumiu numa coalizão com facas no pescoço). Está óbvio o fim. Inclusive quando se assiste aos tripulantes deixando o navio às pressas. Alguns sequer levam pertences rumo à oposição dentro ou fora do Poder Legislativo.

 

Ser próximo de Temer, neste instante, representa fornecer a caneta cheia de tinta para os adversários escreverem o discurso em 2018. Lembram aquela história de marketing do mal? Pois bem. Não nasce do nada no meio de uma campanha eleitoral, mas em momentos como este para ser ferramenta letal no "momento certo". Ate imagino a cena: “Você é aliado de Temer”...

 

Sabem porque o PT fez tanta questão de massificar essa história de “golpe, golpista”? Alguma dúvida que os petistas vão abusar dessa história nas eleições?

Todavia, o governo Temer termina antes de acabar não porque o PT e seguidores estão alucinados para antecipar a eleição presidencial, apostando nas pesquisas que colocam Lula lá outra vez. Tampouco porque partidos radicais contra tudo e todos protocolaram pedido de impeachment. Até porque fazem isso sempre. Trivial.  Nem Deus agrada certas legendas.

 

Um bando de baderneiros encapuzados sempre pronto a ocupar as ruas, ainda que machuque pessoas e depredem a granel, jamais derrubaria o presidente Temer. A mídia, que quando séria, mostra e explica os fatos sem tentar enganar a sociedade idem. A parte sensacionalista sequer tem credibilidade. Ministério Público, Polícia Federal, Poder Judiciário. Todos agem à luz dos fatos existentes em coerência com a lei. Não engendram nada que possa derrubar um presidente da República.  Seria o apocalipse.

 

Afunilando ainda mais, engana-se também quem pensa que Temer só vai à guilhotina se comprovado que deu seu aval para que um dinheirão – fala-se em R$ 500 mil - fosse dado como propina pelo silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, hoje um presidiário, Eduardo Cunha.

 

Temer caiu, ao menos é o que as pessoas sérias deste país acreditam, porque não há advogado bom, ao menos quando acareado com um julgamento sério, que justifique o silêncio de um presidente da República diante da confissão do crime cometido pelo empresário Joesley Batista. Prevaricação é o verbete.

 

Aí eu indago: o que motivou o presidente Temer a não tomar as providências que o cargo, a moralidade, a ética, a cidadania, o republicanismo e, sobretudo, o sentimento dos brasileiros, em sua maioria esmagadora, obrigam? Imploram? Gritam?

 

Que o silêncio é cúmplice está óbvio. Mas o que explica Temer passar por cima de tudo e se calar? Envolvimento até o pescoço com o que é criminoso também? Presa fácil na Lava Jato? Participação não direta nas ações reprováveis, mas parceiro indireto pelo fato de ter ciência e optar pela omissão? Outro motivo que só o próprio Temer pode explicar?

 

Seja lá como for, aguardemos o momento do sepultamento deste governo. O corpo está sendo embalsamado, neste instante. Ressalve-se, contudo: é pouco provável, mas no país das arrumações, do “não sei de nada”, do jeitinho, da curta memória do povo, não soa impossível o milagre da ressurreição.

18/05/2017 09:26:00
Jackson e a obrigação de jogar a SSP na denúncia de um plano contra a vida de Clóvis

A água no pescoço do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves a roubar a cena no jornalismo, nas últimas horas, não pode ofuscar a preocupante informação vazada por um servidor público sobre o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa, estar na mira de bandidos - podendo ser vítima de um atentado a qualquer momento. Assim como foi, num passado recente, o desembargador Luiz Mendonça, nesta mesma terra onde tudo se sabe mais cedo ou mais tarde.

 

Clóvis Barbosa, e não há novidade na informação, vive a contrariar no atacado homens públicos que teimam em caçoar das leis, do TCE, da Justiça...

 

E este perfil de Clóvis, compartilhado na chamada “Operação Antidesmonte”, segundo este servidor público que vazou a denúncia, provocou o sentimento pelo “cala boca” à custa do trabalho de pistoleiros.

 

Pior: segundo o delator, que protege a fonte, há dois deputados sergipanos no bolo e ainda “uma pessoa da comunicação”.  Esta última, evidente, mexeu o mexe com dinheiro público. Caso contrário, não estaria na mira das autoridades. Não estaria contra o trabalho sério de Clóvis, Danielle Garcia e outros.

 

Dada a gravidade da denúncia, o correto, o esperado é o próprio governador do Estado, o senhor Jackson Barreto, se envolver de pronto. Usar o peso do cargo e, pessoalmente, determinar ao secretário de Segurança Pública, João Eloy, que inicie, hoje ainda, uma profunda investigação.

 

Começando, evidente, pela intimação do servidor público para que ofereça todos os detalhes e nomes que sabe à polícia. E, óbvio, intimar também quem for citado pelo delator, independente de ter ou não mandato.

 

As tais quatro pessoas que, segundo o servidor público, discutiram o assunto atentado contra Clóvis precisam se posicionar. Dar explicações. A polícia tem a obrigação de apertá-los. Ou vamos arriscar? Esperar que o pior aconteça para, só então, a SSP entrar em cena? A pele em xeque é a de Clóvis, evidente. Mas representando a de todos deste estado que não pactuam com quaisquer ações criminosas - sejam estas praticadas por quem quer que seja.

16/05/2017 21:47:00
Com a PMA devendo R$ 840 milhões, Edvaldo só fará Forró Caju com dinheiro privado

O prefeito Edvaldo Nogueira preveniu, nesta terça-feira, dia 16, que a maior festa pública da capital sergipana somente será realizada se ele conseguir custeá-la com recursos oriundos, em sua maioria, da iniciativa privada.

 

O prefeito observa que herdou uma dívida de R$ 540 milhões (curto prazo) e mais R$ 300 milhões (médio e longo prazo) deixada pelo então prefeito João Alves Filho e isso inviabiliza usar dinheiro público para custear o Forró Caju.

 

Edvaldo sabe que administrar é escolher prioridades, e, além de ter que pagar o pesado débito, já que como todos sabem a administração é impessoal, precisa dar respostas a questões mais urgentes.

 

Respeito quem pensa diferente, quem acha que o prefeito não faz a festa porque não quer ou porque não soube se organizar para fazer. Respeito também quem gosta de São João, mas, na minha ótica, festa é supérfluo.

 

Todos têm direito ao lazer, à diversão. Concordo. Todavia, em épocas de vacas magras, quando o bolso não suporta, quem não inclui as festas, as chamadas “saidinhas” na lista dos itens que serão suspensos da vida pessoal até que a grana volte a permitir tais diversões?

 

E se isso é o básico no orçamento doméstico, o que esperar de um gestor responsável, no tocante ao orçamento público confiado a ele pelo eleitor?

 

Creio que o prefeito Edvaldo Nogueira acertará na mosca, caso consiga fazer um Forró Caju em alto nível com dinheiro privado, sem comprometer o orçamento público. Sem deixar saúde, educação, o pagamento da folha, entre outras prioridades, em segundo lugar.

 

Por outro lado, não vejo motivos para críticas pelo posicionamento anunciado, caso o gestor não consiga viabilizar a festa junto à iniciativa privada.

 

Sacrificar o Forró Caju deste ano é uma bola fora? Lógico. Mas não é o fim do mundo. Usar recursos públicos para festa com a PMA devendo um dinheirão e com muitas demandas pedindo soluções seria muito pior. Soaria irresponsabilidade.

 

Se fizesse o Forró Caju sem caixa, Edvaldo estaria pensando nos adeptos da festa, é óbvio. Mas muito mais no próprio umbigo, já que, num país embrutecido como o nosso, o zelo com o dinheiro do contribuinte, muitas vezes, provoca desgaste no político que está como gestor.

 

É bom finalizar lembrando que a oposição, por sua vez, está no seu papel. Aliás, serão quatro anos catando com uma lupa erros - e o que julgar errado - para em seguida tecer críticas. E, assim, a não realização do Forró Caju emerge como um caviar. É política, amigo. É possível ser, mas não é diferente.

16/05/2017 13:22:00
“O PSB também teve caixa 2 e tem caixa 2”, afirma petista Ana Lúcia

As declarações da ex-petista e arquiteta, Ana Luiza Liborio, que fez duras críticas aos petistas, em especial aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, não ficaram sem resposta. Nesta terça-feira, dia 16, uma outra Ana, a Lúcia, deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores, respondeu com dureza semelhante à ex-companheira, que, na sua ótica, foi infeliz ao desqualificar em seu texto todos os petistas.

 

“A Ana Liborio expressou uma indignação com a corrupção, colocando a culpa no PT, quando o partido que ela concorreu para vereança, aqui em Aracaju, o PSB, também tem muita gente envolvida neste processo. Também teve caixa 2 e tem caixa 2. Então, na verdade, ela foi infeliz, porque teve uma linguagem genérica atingindo todos os petistas”, disse Ana, lendo na tribuna um texto de uma das filhas do saudoso Marcelo Déda também rechaçando as declarações de Liborio.

 

Segundo Ana Lúcia, se é que Ana Liborio fundou o PT, a arquiteta, há muito tempo não participa de nada na legenda. “Inclusive, ano passado foi candidata a vereadora pelo PSB. Não tem mais nenhum vínculo com o PT. Ela desrespeitou. Não tem nenhuma comprovação de desonestidade da minha vida pública, e nem da maioria dos meus companheiros de partido”, garantiu Ana Lúcia.

12/05/2017 08:18:00
Mesmo que seja condenado no caso Tríplex, Lula pode obter êxito no projeto 2018

Depois do histórico encontro com o juiz Moro, não seria o caso de uma pesquisa séria a revelar se Lula ganhou musculatura, como pregam apaixonados, ou se a turma não simpatizante tem razão, quando alega que o mesmo grupo de sempre faz o barulho de sempre, mas o petista não convence ninguém que é inocente?

 

Seria uma forma de as pessoas neutras, as que querem a verdade seja ela qual for, e aí contem comigo, serem contempladas. Sem dados científicos, fica-se na retórica entre o amor e o ódio ao ex-presidente.

 

Acho até que o Lula levou a melhor em cima do Moro, que fugiu muito do tema tríplex, essência do inquérito pelo que consta. Agora, se ele é ou não inocente é outra história bem diferente. Só gogó não convence. Se Lula afirmou em juízo que não tem influência no PT, imagine o que contem no repertório? 

 

Mas, evidentemente, mesmo com as provas testemunhais jogadas à mesa no atacado, se as provas materiais não emergirem nada feito. Lula continuará negando e delatores acusando o resto da vida. A palavra de um contra a de outros. E quando apertarem muito, Lula pode jogar a bola para a falecida e pronto.

 

Insisto no lugar comum: todos são inocentes até que o contrário seja provado. E as provas irrefutáveis que cabem somente aos que acusam não aparecem. Embora, como se sabe, o Ministério Público Federal já anunciou que solicitará novas diligências antes das alegações finais no processo.

 

Pelo que se viu até agora, ainda que Lula seja, de fato, o dono do famoso imóvel, situado no edifício Solaris, no Guarujá, município do litoral de São Paulo, caso o ex-presidente não admita e as provas não apareçam, ainda assim Lula será condenado? Creio que, neste momento, nem Moro tem segurança na resposta.

 

Mas vamos imaginar que, na pior das hipóteses, o petista seja condenado nesta questão do Tríplex. Estará fora do pleito como sonham os adversários? Nem tanto. A depender do calendário da Justiça, como se trata de primeira instância, recorrerá em liberdade, e, obviamente, terá conseguido o tempo necessário às suas pretensões políticas para 2018. E a julgar pelas pesquisas, pode preparar o terno. Leva no primeiro.

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Colunista Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.
Joedson Teles
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