Joedson Telles
27/07/2017 22:39:00
Jackson tem em mãos a faca e a torta. É só saber cortar

O governador Jackson Barreto, que mudou o rumo da prosa e já admite disputar o Senado, mesmo não fazendo o governo que Sergipe esperava, é, entre os nomes especulados para 2018, um dos únicos que dependem da própria habilidade para confirmar o favoritismo nas urnas. Irônico ou do jogo político, não importa. O fato é que, goste-se ou não de Jackson, sendo ou não seu aliado, é preciso admitir: Jackson tem em mãos a faca e a torta. É só saber cortar.

 

Começa pelo fato de ainda haver tempo para seu governo promover ações que convençam o eleitor que a presença dele ainda é importante na vida pública. Persuadir que tem condições de ser um grande senador e contribuir para o bem de Sergipe. Não esqueçamos: um governo que consegue aprovação popular costuma dar carona ao seu comandante maior para chegar ao Senado, que abrigou, abriga e continuará abrigando vários ex-governadores.

 

Lógico que isso requer recursos, muito trabalho e um bom marketing. Mas nada impossível, sobretudo para quem tem a história de superação de Jackson. Insisto: goste-se ou não dele. Sendo ou não seu aliado político.

 

Um segundo ponto que lhe dá vantagem sobre os concorrentes, numa eventual campanha, evidentemente atrelado ao primeiro ponto, é que, mesmo não tendo mais a caneta de chefe do Poder Executivo, Jackson contaria com a lealdade do governador que assume, caso ele renuncie para ser pré-candidato.

 

Não é impossível, claro, mas ninguém imagina uma traição de Belivaldo Chagas. Jackson teria total apoio do governador. E não falo em uso da máquina pública. Ferir ou não a legislação eleitoral, e arcar depois com as consequências, é foro íntimo. Estou fora. Falo de disputar uma eleição no palanque de um governador aprovado pelo eleitor. Isso, evidente, caso vingue a tese do segundo parágrafo deste texto.    

 

Atrelado a isso, Jackson Barreto, assim como os senadores Valadares e Maria do Carmo e o ex-governador João Alves, por exemplo, pelo tempo de vida pública, amealhou uma fatia do eleitorado cuja fidelidade não pode ser colocada em xeque. Já entraria na disputa com um percentual de votos. Aponte ou não as pesquisas, as urnas sempre mostram isso na prática.

 

Ainda dentro do juízo de o Governo do Estado conseguir aprovação popular, quem subestimaria um Jackson em alta, pronto para gastar sola de sapato e usar lata de goiabada como prato nas periferias de Sergipe? Quer ver coisa? É se este contexto for acoplado ao fato de Lula conseguir se livrar dos “pepinos moristas” e partir para a disputa da Presidência numa aliança com Jackson, em Sergipe. Goste-se ou não de Jackson, sendo ou não seu aliado, é questão de bom senso: Jackson só não corta a torta se não souber usar a faca.

25/07/2017 22:01:00
Surpreende Fábio Reis negar que tentou comandar DEM

Nada mais óbvio que um político tentar conquistar o comando de um partido. Diria até ser tão natural quanto um político se candidatar. Prometer. Mentir. Sonegar a verdade dos eleitores... Aliás, almejar comandar uma legenda é algo salutar à política, creio. Exceto se para isso o projeto estiver calçado em ações antiéticas. Na chamada traição ou em coisas afins. Aí é bola fora. 

 

Como não parece ser o caso do deputado federal Fábio Reis, surpreende ele negar, pela boca de sua assessoria, que tentou (tenta?) assumir o comando do DEM em Sergipe, como foi divulgado neste espaço e confirmado em outros setores da mídia.

 

Coube ao ex-governador Albano Franco cunhar uma das frases mais felizes da política genuína: “aqui é pequeno. Todos se conhecem e tudo se sabe”. Confesso, assim, minha surpresa com tamanha trivialidade dentro do jogo político. Mas...

 

... O DEM de Sergipe é hoje um partido largado. Vivendo literalmente do passado. Centrado na figura do ex-governador João Alves Filho, que, no momento, respira mais em Brasília que em Sergipe. Evidente que tem o peso da senadora Maria do Carmo, dois vereadores da capital e pode se arrumar para as eleições 2018. Aliás, precisará fazer isso, se pretende mesmo levar a sério a especulada pré-candidatura de Ana Alves a deputada federal.

 

A propósito, aposto um picolé de graviola (grande Wellington Elias) que ninguém dentro do partido se lembra quando houve a última reunião para tratar da própria legenda. As saídas de nomes importantes como Mendonça Prado, José Carlos Machado, Augusto Bezerra, Goretti Reis, entre outros, se brincar, nunca foram discutidas internamente como precisariam ser. Não se preencheu lacunas.

 

É deste DEM ou PFL, como nunca deixou de chamar, entre outras pessoas, o próprio João Alves, que estamos falando. Um partido que tem história, mas precisa construir o futuro.

 

Logo, não é demérito algum para um deputado federal tentar assumir o comando da legenda, pensando em colocar em prática um projeto novo, que já nasceria grande, almejando compor uma chapa para disputar o Governo do Estado. Insisto: disputa-se eleição qual o problema de disputar um partido?

 

Como em política quase tudo é resolvido na conversa, é mais do que natural triunfar ou fracassar nesta tentativa. Só não poderia dar empate por razões óbvias. Deu João Alves. Mas se João tivesse perdido não seria o fim dele, da senadora Maria do Carmo, do partido e muito menos do mundo. Imagine o fim do deputado Fábio Reis?

 

P.S. Na nota na qual nega a engenharia, o deputado fala em uma "intervenção da senadora Maria do Carmo". Curioso. No texto deste espaço, porém, não tem esta informação. João Alves foi quem tratou do assunto com os caciques do DEM. Repetindo Albano, “... tudo se sabe”.

25/07/2017 00:36:00
Fábio Reis, por pouco, não tomou o DEM de João Alves 

Depois de anos e anos dando as cartas no DEM em Sergipe, o ex-governador João Alves Filho, por muito pouco, não levou um chapéu. Há poucos dias, o deputado federal Fábio Reis esteve bem pertinho de deixar o PMDB do governador Jackson Barreto para comandar o antigo PFL. A costura chegou a ser iniciada pelo presidente da Câmara Federal, o deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), que é ligado a Fábio Reis, e só foi desfeita quando João Alves entrou em cena e fez valer, junto aos caciques do DEM, sua história. Evidentemente, pesou também o prestígio da senadora Maria do Carmo Alves, mas Fábio Reis mandou a bola na trave.      

 

Como a política é tão dinâmica que já foi definida como uma nuvem, que a pessoa fita, desvia o olhar e quando volta a fitar já não a enxerga mais no mesmo lugar, Fábio Reis pode conseguir a chamada reviravolta, e passar a construir os destinos do DEM em Sergipe. Aliás, este era (é?) o projeto dos Reis. Uma vez Fábio Reis consiga “tomar” o partido João Alves, filia, automaticamente, entre outras pessoas, o ex-deputado e seu irmão, Sérgio Reis.

 

A ideia é, com o DEM em mãos, tentar construir uma pré-candidatura de vice-governador do Estado numa suposta chapa encabeçada pelo atual vice-governador Belivaldo Chagas - e apoiada, óbvio, pelo governador Jackson Barreto. A dobradinha tanto poderia (pode?) ser Balivaldo e Fábio como Belivaldo e Sérgio, a depender de “alguns detalhes”. Quem dos irmãos ficasse fora da chapa disputaria a Câmara Federal. Hoje, esta segunda opção estaria mais para Fábio Reis.

 

Os Reis (e registre-se que ainda há a deputada estadual Goretti e o ex-prefeito Jerônimo) precisam do DEM para colocar o projeto em prática pelo fato de Belivaldo Chagas também ser filiado ao PMDB. O chamado “puro sangue” não está em pauta. Só daria discurso aos concorrentes aliados: PSD, PRB e PT, que até ameaçam deixar a aliança, caso não ocupem, cada um deles, uma vaga na chamada majoritária.

 

Sem falar que, se o projeto “puro sangue” acabasse sendo viável, há concorrência pesada dentro da própria legenda em se tratando de representar como vice - como, por exemplo, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado Luciano Bispo.     

 

Por sua vez, o ex-governador João Alves, apesar da eterna vontade de voltar a governar Sergipe pela quarta vez, não lutou em causa própria. Ele não parece reunir grupo político, condições financeiras, para custear uma campanha deste porte, e nem saúde para, como ele costuma dizer, “gastar sola de sapato” por todo o estado.

 

O trabalho para não perder o comando do DEM está bem mais harmônico não só com os sentimentos da senadora Maria do Carmo, mas também, e, sobretudo, com o desejo da jornalista Ana Alves, filha do casal que sonha em ser eleita deputada federal pela legenda. A primeira pedra já foi removida. Outros obstáculos, contudo, emergirão até o eleitor ir à urna decidir o jogo. 

23/07/2017 08:51:00
“Temer não vai chegar ao fim do mandato. A munição está acabando”

A frase que serve de título para esta entrevista é do deputado federal Laércio Oliveira (SD), que mesmo sendo governista não acredita que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), conseguirá terminar o mandato. “O Ministério Público tem outras denúncias prontas. Com todo esse esforço no primeiro momento ele passa, mas num segundo não. Ele está no limite. A munição está acabando. Fala-se em cargos e emendas. Mas isso acaba. E se esse comércio tiver existindo dentro do governo é lamentável. Não dá para se manter no cargo de presidente com esses anteparos. Pessoalmente você percebe o constrangimento dele”, diz o deputado, ajuizando também que o ex-presidente Lula pode desistir do sonho de voltar ao poder. “Lula não tem nenhuma condição de ser presidente mais. Lula é uma página virada na história política do país. Enquanto presidente teve seus méritos, deu sua parcela de contribuição ao país, mas encerra sua carreira de uma forma muito triste.”

 

Ao explicar seu voto para que a denúncia contra o presidente Michel Temer fosse apurada, o senhor falou em consciência. Essa consciência é só a de Laércio Oliveira ou votou escutando família, amigos... Seus eleitores, enfim?

Na verdade, ecoa na sociedade como um todo. Nós homens públicos temos que tomar determinadas posições que, quase sempre, confortam um lado, mas inquietam outro. O que deve prevalecer na vida, de um modo geral, são posições claras, que estejam em sintonia com a consciência e em sociedade. O voto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tratou da denúncia e precisava da sequência, não é um voto político. Todo mundo sabe que eu sou da base do governo. Quantas e quantas vezes eu fui para o enfrentamento na terceirização, na reforma trabalhista, no teto do gasto público? E quantas vierem ações que promovam o desenvolvimento do país, eu estarei alinhado. O momento que a Câmara vive é atípico: o Ministério Público identifica uma irregularidade na conduta do presidente, mas para encaminhar essa denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) precisa da permissão da Câmara dos Deputados porque se trata do presidente da República. Um motorista, um ambulante, um padeiro, um médico, um pecuarista, um agricultor... Qualquer homem ou mulher que passe por um processo de investigação, o processo dele tramita naturalmente. Essa pessoa passa a ser investigada pelos órgãos de poder do governo e depois vai para o enfrentamento nos tribunais. Se um cidadão comum está sujeito a ser investigado por que um presidente da República não pode se submeter a uma situação como essa? Todo cidadão brasileiro gostaria que o presidente Temer fosse investigado. Eu comentei com algumas pessoas durante a semana da votação na CCJ que seria muito mais prático se o presidente pedisse a Câmara para autorizar. Acho que ele seria visto pelos brasileiros num contexto diferente, mas ele preferiu seguir o rito da Constituição e levar para CCJ. Formou-se esse embate e pelo menos na CCJ prevaleceu a não aceitação da denúncia.

 

O senhor emitiu uma nota explicando que não traiu governo nem partido. Antecipou a resposta para uma possível crítica ou foi acusado de traição?

Naquele momento, eu comecei a ouvir alguns relatos de colegas dizendo que eu tinha traído, que não entenderam meu voto. A palavra traição é muito cruel. Quando eu fui chamado para titularidade da CCJ, eu já fui um segundo membro do partido na titularidade. O primeiro era o major Lino, que foi tirado da CCJ porque ele se pronunciava efusivamente contrário ao presidente, e o líder assumiu. Só que no partido existe um consenso de todos que o líder não participa de comissão nenhuma para dar oportunidade aos colegas de ocuparem outros cargos. Quando o líder me chamou para participar da CCJ, ele me lembrou que ia chegar a denúncia contra o presidente, e eu ia ter que votar, mas ninguém estava querendo dirigir meu voto. Trair é quando você diz que vai fazer de um jeito e faz diferente. Nos primeiros minutos seguintes, saiu a informação nesse sentido: que eu tinha traído o governo. Aquilo me machucou um pouco. Eu não gosto de receber críticas injustas e essa foi uma. Eu não traí ninguém. Apenas exerci o meu direito. Claro que eu sou um deputado governista e tenho posições muito claras na minha rotina. Todos formavam um conceito do meu voto pelos compromissos que assumo e respostas que dou à sociedade. Só que naquele momento fizeram uma avaliação errônea. Esse não era um voto político, era um voto moral porque eles sabiam que se a questão fosse política eu votaria a favor do governo.

 

O presidente Michel Temer chega ao final do mandato?

Eu acho que o presidente Temer não vai chegar ao fim do mandato. O Ministério Público tem outras denúncias prontas, tem outro ataque de esquerda para esclarecer à sociedade sobre os pontos. Não ter votado, na semana passada, foi ruim para o governo. É uma resposta que a Câmara precisa dar à sociedade. Isso poderia ter acontecido no dia seguinte a CCJ. A postergação para o dia 2 fragiliza muito, porque muitos colegas da CCJ que deram seu voto disseram que até agora não viam motivo para acolher a denúncia, mas se surgirem novos fatos podem rever o voto. Com todo esse esforço no primeiro momento ele passa, mas num segundo não. Ele está no limite. A munição está acabando. Fala-se em cargos e emendas. Mas isso acaba. E se esse comércio tiver existindo dentro do governo é lamentável. Não dá para se manter no cargo de presidente com esses anteparos.

 

E o presidente demonstra enxergar o momento?

Pessoalmente você percebe o constrangimento dele. Eu fui para o Palácio para celebrar a reforma trabalhista e, nos últimos 10 dias, antes da votação na CCJ, eu tive umas três vezes no Palácio em solenidades. Você percebe o constrangimento dele para enfrentar o auditório com tudo que ele está vivendo. As duas viagens que ele fez para fora do Brasil, durante as denúncias, foram formas de fugir para tentar encontrar um norte. É um governo que está se acabando e eu falo isso com muita tristeza. Aquela reunião foi lamentável ( Quando Temer recebeu o empresário Joesley Batista). Atingiu em cheio o Brasil. É lamentável porque fragiliza um governo que estava tentando colocar o país no desenvolvimento.

 

E o ex-presidente Lula? Ele tem fôlego para chegar 2018 em liberdade e elegível?

Eu não acredito que tenha. Acho que o Brasil não conhece o próximo presidente. Lula não tem nenhuma condição de ser presidente mais. Lula é uma página virada na história política do país. Enquanto presidente teve seus méritos, deu sua parcela de contribuição ao país, mas encerra sua carreira de uma forma muito triste.

 

A prisão de Lula provocaria indignação no PT e aliados. Isso poderia gerar reações violentas?

Não acredito nisso porque tem muita gente querendo ver outro Brasil. A esquerda se movimenta hoje e a sociedade tem a capacidade de se indignar com essas coisas. Quando saiu a sentença, você percebeu que, em algumas capitais, tinha um grupo de um lado e um grupo do outro, como no impeachment teve um grupo de um lado e um do outro. Isso é mais sensacionalismo da esquerda do que um fato em si. Existem as leis do Brasil que devem ser respeitadas por todos e se infligir uma lei a sociedade não vai concordar com isso.

 

E a Reforma Trabalhista?  

Chega num momento especial. Vai proporcionar um ambiente muito bom para o setor produtivo. Trazer ganho de todos os lados. A esquerda, infelizmente, prega um discurso mentiroso dizendo que o trabalhador perdeu, que os direitos foram modificados. Mas eu quero celebrar com muita alegria e satisfação o momento da reforma, que é extremamente positivo para o Brasil. É o indicativo de retomada do emprego porque as alterações feitas na CLT trazem quase tudo ou tudo que existe em termos de relações de trabalho para formalidade. Uma empresa de eventos é contratada para um show, por exemplo. Uma empresa que tem uma estrutura, mas, nesse dia, precisa de 50 pessoas. Hoje, para fazer isso se contrata as pessoas informalmente. Não consegue fazer formalmente isso nem que você queira, mas com modernização das leis trabalhistas você consegue. Isso se chama trabalho intermitente. Um Projeto de Lei de minha autoria que foi incorporado ao texto do relator e ele acolheu a íntegra. Esse PL eu apresentei em 2012. Caiu na mão de um deputado da oposição para ser o relator. Ele não liberava o projeto. Eu conversei com o relator e disse que ia apresentar uma emenda com o texto do meu projeto, e, se ele concordasse, aprovava a emenda. Nas sazonalidades o trabalho intermitente é necessário. Modernização da força do trabalho trás toda força de trabalho para formalidade. Isso é uma conquista sem fim.

 

Qual o balanço que o senhor faz da sua presença no bloco governista?

Têm acontecido coisas positivas. Conheci melhor o estado, o funcionamento do governo, entendi as dificuldades, e tenho procurado contribuir com meu trabalho. Tenho ficado encantado com a agricultura familiar, consegui recursos na ordem de R$ 50 milhões para que viesse para nosso estado ser implantada a regularização fundiária para o fortalecimento da agricultura familiar. Somente no governo era possível viver isso. La na Sedetec, infelizmente, a gente atravessa um momento difícil e a gente pode entender as necessidades do nosso Estado. Temos um problema muito sério para as indústrias no Estado. Isso tudo são alguns fatores que me dão muita satisfação. Tem sido uma experiência muito gratificante. Tenho crescido muito nesse contexto. Só nessas duas linhas de atuação tem absolvido muito meu tempo, mas tem sido muito bom. Quando você está no papel de oposição tem dificuldade de enxergar essas coisas porque você só aponta o lado negativo do governo, e muitas vezes nessa ânsia você acaba ficando despercebido das coisas importantes do Estado. Um deputado de oposição, muitas vezes, só se atém às críticas. Eu não era tão assim. No Proinveste, por exemplo, Deus me ajudou a enxergar a necessidade do governo, mesmo sendo um deputado de oposição. Vivenciar um momento como esse na base do governo, além de toda a atenção que o governador presta em relação às coisas do Estado, a angústia na busca incansável de melhorias para o governo como um todo. E quando você se torna aliado acaba absolvendo essa angústia.

 

O governador Jackson Barreto planeja disputar o Senado. Isso muda seus planos para 2018?

Não muda não. É claro que muito se falou que ele ia se aposentar, mas, pela dinâmica da política, muitas vezes você enxerga que pode contribuir mais, afinal de contas ainda tem saúde plena. Eu acho que ele é pré-candidato natural ao Senado, e tem capacidade política, tem todas as condições também, já que passou pelo Executivo e pode contribuir no exercício do seu mandato no Senado. Mas para mim não altera nada. Eu sou pré-candidato a reeleição e na base do governo tenho todas as condições de seguir em frente.

 

Descarta a possibilidade de uma candidatura majoritária?

Claro que o foco é fazer a reeleição, mas, a medida que vai se aproximando, as articulações vão sendo construídas. Claro que eu fico disponível para enxergar esses momentos na construção que está sendo feita. A minha prioridade é focar na minha reeleição, me dedicar cada vez mais ao meu mandato para me credenciar no próximo ano para pedir voto. Se você faz parte de um bloco que vai precisar sair com nomes em todas as áreas. Eu trabalho a minha reeleição, mas estou com o nome disponível para outras possibilidades.

 

Se ainda estivesse na oposição, o Solidariedade apostaria em Eduardo Amorim ou Valadares, para disputar o Governo do Estado?

Eu defenderia o nome de Eduardo. Ele viveu a experiência da candidatura. Tem um portifólio de candidato - e acho que tem todas as condições. A gente enxerga que ele será o pré-candidato a governador.

 

Seria uma disputa boa: Eduardo Amorim x Belivaldo Chagas ou Laércio Oliveira?

Pela intimidade que temos, conversamos muito isso. Uma vez conversamos se iríamos nos encontrar mais na frente para uma disputa majoritária. Eduardo é um bom nome. Ele está em um agrupamento e eu em outro, mas política grande é isso. É a política que eu admiro, que eu gosto. A política que você respeita as pessoas, conhece o valor que elas têm e vai para o enfrentamento no voto. Quanto mais candidatos qualificados se apresentarem à sociedade tivermos, o estado é quem ganha. Candidatos competentes, competitivos, com folha de serviços prestados ao Estado para que a pessoa escolhida para ser o representante de todos nós depois do pleito seja alguém que realmente possa corresponder a tudo que a maioria da sociedade escolheu. Que possamos ter um bom embate mais na frente.

 

E a coordenação da bancada sergipana, em Brasília? Houve um desgaste recentemente. Como foi?

Precisávamos entregar a LDO e informar à Comissão Mista de Orçamento (CMO) quais eram as emendas prioritárias que Sergipe apresentava ao orçamento. Das três emendas, duas são prioritárias. São emendas que o governo tem o compromisso de aplicá-las. Como tivemos esse conflito com a bancada, causou certo transtorno. Chamamos a bancada para conversar, como coordenador de bancada. Fizemos uma reunião, colhemos as assinaturas e fizemos a indicação. Eu tinha que colher a assinatura e tinha que levar os espelhos na Comissão de Orçamento. Quando eu cheguei lá, o técnico da CMO olhou e disse que não podia aceitar as emendas porque não tinha assinaturas suficientes. É preciso 3/4 de deputados e 2/3 de senadores. Preciso ter seis deputados e dois senadores. Esse argumento é o que o senador Valadares defendia dizendo que só podia ser coordenador de bancada se tiver seis deputados e dois senadores. Isso vale para as emendas. Eu fiquei muito preocupado e fui conversar com o senador Eduardo Amorim, com o senador Valadares e com os deputados. Encontrei no Plenário o deputado Adelson Barreto, pedi para ele assinar e ele assinou. Fui falar, então, com os senadores. Valadares disse que ninguém quis assinar. Então, não tinha emenda para Sergipe. Eduardo preocupado disse que a gente precisava resolver a questão e assinou. Eu disse que ocupamos cadeiras que não pertence a gente, mas ao povo de Sergipe. Pertence ao estado antes de questões políticas, de qualquer vaidade que tenhamos. Mas, no final, chegamos a um bom termo e foi feito.

 

Nessa era de Lava Jato, a sociedade vai saber cobrar dos candidatos um perfil mais coerente com a honestidade?

Eu acho que um grande momento novo da disputa política vai ser um novo perfil de político, de homem, de cidadão. Com princípios, com valores enraizados a partir do berço da família. Competente. Esse é o protótipo do vencedor das próximas eleições em todas as áreas. Eu desejo que o eleitor seja mais responsável, mais consciente da importância do seu voto. Não possível que ele não tenha enxergado tanta amargura, tanto desprezo, tantas necessidades não supridas. Tudo é conseqüência do voto que ele produzir. Não sabemos como serão as eleições do próximo ano. Vai mudar tudo e os candidatos e a sociedade como um todo vai ter que entender essas mudanças.

 

Como presidente da Fecomércio/SE, como avalia o primeiro semestre do comércio em Sergipe?

Difícil. Com muita dificuldade das empresas de se manterem no mercado. Redução de estoque, de empregados. Muita criatividade para atravessar esse período. O comerciante e o empresário continuam sendo criativos dentro desse contexto. Mas acho que o pior já passou. As conquistas evidenciadas, nos últimos meses, apontam para uma melhora no comércio como um todo. Eu acho que vamos ter um segundo semestre melhor que o primeiro. O emprego começa a voltar, fruto das conquistas firmadas lá atrás.

 

Qual o maior desafio hoje?

O maior desafio, hoje, é se manter no mercado. É abrir a loja todos os dias, porque o consumidor sumiu. Hoje, o consumidor pensa mais de uma vez antes de fazer dívidas, e isso afeta a economia como um todo e a vida do comerciante, que já começa o mês com um custo fixo, tem que superar isso. O inverso disso significa prejuízo. É por isso que criatividade é uma palavra mágica dentro desse contexto. Seja na vitrine, no balcão, no corredor do supermercado, numa publicidade, no treinamento de pessoal porque a valorização do funcionário está dentro desse contexto. As pessoas têm que ser conquistadas para fazer despesas hoje, e para isso é preciso de pessoas que tenham um bom atendimento. A criatividade é a palavra que o comerciante precisa ter para que consiga abrir a loja dele todos os dias até que a crise passe.

22/07/2017 09:47:00
Quando é preciso ratificar o óbvio: acusado não é condenado

Sanciono mais uma vez. Aliás, já está chato. Previsível. Está torrando a paciência do internauta, imagino. É a frase mais usada neste espaço, certamente. Mas não tem como substituí-la com igual precisão, então lá vai: “todos são inocentes até que se prove o contrário”. E acrescento: só o Judiciário tem o poder de condenar uma pessoa - e só o faz quando não cabe mais recurso. Após a defesa ter tido todas as possibilidades possíveis dentro da lei.

 

O Ministério Público pode acusar mil vezes. Setores da mídia colocarem em prática o showzinho de sensacionalismo o mesmo número de vezes e até persuadir a faixa da sociedade que não consegue pensar, mas quem decide é o Poder Judiciário. Detalhe: não foram poucas as vezes que a decisão final contrariou acusadores. Já disse neste espaço também.

 

E quando a coisa não é feita com muito cuidado, evidentemente, os estragos na vida pública de quem senta no banco dos réus são inevitáveis, e ninguém consegue reparar os danos. Sobretudo em se tratando de políticos, que, óbvio, vivem da imagem.

 

A bola da vez, digo, o alvo da vez é o deputado estadual Robson Viana. Na última sexta-feira, dia 21, ele precisou emitir uma nota pública comentando a denúncia apresentada pelo Ministério Público ao Poder Judiciário. O deputado é acusado de desviar verbas públicas da Câmara Municipal de Aracaju, no ano de 2013, quando exercia um mandato de vereador. E externa o óbvio: acusação não significa condenação.

 

Certo? Tudo esclarecido? Acusação não significa condenação? Nem tanto. Político só existe de verdade se for votado e eleito. E, a depender da forma como a notícia desembarque na sociedade, nem todos que têm direito a voto, infelizmente, compreenderão o episódio com a óptica correta. Muitos - desconhecedores dos tramites legais - gravam na mente a mensagem equivocada que, uma vez o Ministério Público denunciou e a mídia noticiou, acabou: o político é culpado. Exagero? Não mesmo.

 

Quer ver só? Quantos dos 10 acusados no mesmo caso de Robson Viana conseguiram êxito nas urnas, e se reelegeram vereador, nas últimas eleições? Zero. Ou não? Mera coincidência? Claro que não. Já disputaram a eleição condenados. Tidos como corruptos, ainda que isso não tenha sido provado e suas defesas estejam trabalhando até hoje com chances de provar inocência.

 

Ironicamente, contudo, esta inocência mesmo que seja provada não restituirá mandato. Não apagará da memória a vergonha e o constrangimento que, óbvio, perpassam do político e machucam familiares e amigos. Prejuízo é o vocábulo. Eleitoral, emocional, financeiro... Daí a importância de se zelar pela imagem das pessoas até o limite estabelecido pelas leis para a Justiça decidir ou não pela condenação.

 

Em maio deste ano, depois de 17 sofridos meses, os deputados estaduais Augusto Bezerra e Paulinho Filho conseguiram, no Supremo Tribunal Federal, o direito de voltarem a exercer seus mandatos. São também acusados e não condenados. Mas o estrago de confundir os adjetivos provocou danos irreparáveis na vida de ambos. Pela decisão, eles não poderiam ser afastados, mas foram e aí? Quem fará justiça, se ao final dos processos ambos forem inocentes? Ninguém. O estrago foi tanto que se tornou impossível.

 

Já disse neste espaço, repito agora e quantas vezes forem necessárias: os papeis da polícia, do Ministério Público, da imprensa e do Poder Judiciário são importantíssimos. Mais que isso: imprescindíveis. Precisa haver mesmo o olhar fiscalizador sobre os homens públicos que pode desaguar numa investigação a qualquer momento. Dinheiro público é dinheiro sagrado, e há político ladrão, sim senhor. Não sou menino. Mas a coisa precisa ser feita com muito cuidado para não se cometer injustiça. Não podemos jogar todo mundo na mesma panela. Até porque, goste-se ou não da ideia, tudo, absolutamente tudo, depende da política – direta ou indiretamente.

20/07/2017 22:19:00
André Moura e o paradoxo de ser ligado a Temer

Político costuma desdenhar da inteligência alheia. Externar juízo distinto de sentimentos. Analisa o tema, avalia a melhor linha para angariar voto e, assim, fala o que convém, saltando o que não interessa. A sinceridade, contudo, também emerge. Em momentos delicados e “apropriados”, mas emerge. Assistimos à engenharia, neste instante, com o deputado federal André Moura, sentindo a necessidade urgente de explicar ao eleitor sua ligação com o presidente Michel Temer.

 

Refiro-me, evidente, ao vídeo postado nas redes sociais com direito a texto enviado à imprensa pela assessoria do deputado, argumentando que, com Temer presidente, Sergipe deixou a fila dos estados esquecidos pelo Governo Federal e passou a ser prestigiado.

 

“Nunca, nos últimos 20 anos, Sergipe foi tão prestigiado com verbas do Governo Federal como agora. Já conseguimos liberar mais de R$ 480 milhões para o Estado e prefeituras”, de dezembro de 2016 a junho”,  resume, assim, o feito o deputado sergipano, que é líder do governo Michel Temer no Congresso Nacional.

 

André não doura a pílula. Nem com má vontade pode-se afirmar que, através da sua intimidade com o presidente da República, Sergipe não está sendo lembrado. Abrir seu gabinete, em Brasília, até para adversários políticos, como o governador Jackson Barreto e o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, ilustra o argumento. Temer está sendo melhor para Sergipe que muitos ex-presidentes juntos queiram ou não.

 

O problema, contudo, e o próprio André Moura admite nas entrelinhas quando sente a necessidade de se explicar, é que o impopular Michel Temer pode despencar a qualquer momento e não sem razão. Pode dormir na Presidência da República e acordar bem distante de lá. Pior: com a imagem no chão. Como todos sabem, Temer é denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a acusação de crime de corrupção passiva, e faz uma manobra atrás da outra para evitar a investigação.

 

Temer é um presidente acusado de sangrar o Brasil para se manter no poder, liberando emendas a 3 x 4 e distribuindo cargos no atacado entre outras coisas. É também um presidente tido como golpista. Um chefe de Nação que se permitiu ao luxo de receber um empresário bandido, às 22h30, na Residência Oficial, escutar algo que escandalizou o Brasil e motivou, entre outros, a OAB a pedir seu impeachment e acha tudo normal. Nada de investigação. Este é o mesmo Temer que olha para Sergipe.

 

Com a eleição batendo à porta, André Moura sabe que vive um paradoxo. Se por um lado é o homem de Temer em Sergipe, o mediador, e isso lhe garante, ao menos na teoria, importantes cabos eleitorais à disposição – seja para uma reeleição ou um voo mais alto -, por outro lado estar ligado a já arranhada (e podendo se agravar muito mais) imagem do presidente Michel Temer é oferecer munição para adversários semear ventos. Lembra da expressão “marketing do mal”? Já imagino 2018...

 

Nada mais urgente e imprescindível para o destino político do deputado André Moura, portanto, que tentar persuadir Sergipe (leia-se o eleitor) da importância de Temer continuar presidente da República. Todavia, André também precisa torcer que o presidente consiga conquistar o brasileiro, e não afunde mais. Torcer que uma nova delação não seja a pá de cal. Até porque, se Temer despencar, de fato, se a denúncia da PGR sobre corrupção tiver fundamento, dificilmente, André Moura terá o mesmo acesso ao gabinete do futuro presidente. E, lógico, precisará de um gigantesco trabalho para desatrelar sua imagem do, a esta altura, ex-presidente Temer.

19/07/2017 20:03:00
Política não é futebol. Mas há quem queira teimar  

Nesta quarta-feira 19, quando Flamengo x Palmeiras se enfrentam para ver quem mantém vivo o sonho de ganhar o Brasileirão 2017, sou abordado por um senhor de idade avançada em uma das ruas do conjunto Sol Nascente. Após indagar se falava com o jornalista Joedson Telles e receber o sinal positivo, disparou: quem são os candidatos a governador de Sergipe? Senti que desapontei o novo amigo, ao responder secamente.

 

- Não sei.

 

E arrematei:

 

- O senhor tem algum palpite?

 

- Eu não sei também. Você não é jornalista? Deveria saber. Jackson, Amorim, Valadares... João ainda quer?

 

Tomei a liberdade, então.

 

- Vamos focar os atuais mandatos. Eleição só ano que vem.

 

Evidente que o comentário do amigo daria um livro como resposta. Limitei-me, contudo, a dizer que, neste momento, tem-se, evidente, ideia de possíveis candidatos, mas, pelo menos eu, prefiro a prudência por respeitar a dinâmica da política e não subestimar os seus interesses. E lógico: a inteligência do eleitor.

 

Quanto aos nomes que ele listou, disse apenas que, como está no exercício do segundo mandato de governador do Estado, Jackson precisa ser eliminado da lista. E, lógico: não soneguei que o governador pensa no Senado Federal.

 

O amigo olhou-me com cara de quem pensa “este não sabe muita coisa” e se despediu.

 

- Está certo. Foi um prazer.

 

- A satisfação foi minha, amigo.

 

E seguir rumo à academia para não dar chance à pressão arterial, enquanto o carro dos ovos transitava em alguma rua ali pertinho oferecendo 30 ovos por 11 reais...

 

Confesso que preferia opinar sobre Flamengo x Palmeiras. Primeiro porque numa partida de futebol se justifica a paixão cega pela própria natureza do esporte, que não decide a vida de milhões de pessoas como a política.

 

Segundo porque, no futebol, é possível apontar favoritos sem interferir no resultado do jogo. Nenhum time deixa de ganhar por conta de um chute de um jornalista ou de um torcedor. Ainda que mal intencionado. Pesquisa malandra não decide campeonato.

 

Já neste terreno minado de alcunha política, não apenas se planta informações com o objetivo de promover aliados, mas também se divulga notícia sem prova alguma da veracidade para prejudicar adversários. Pesquisa tem para todos os gostos. Fora ou não de época para um trabalho científico sério.

 

Não sei o que o amigo saiu pensando sobre as eleições 2018. Tampouco se é torcedor do Flamengo, do Palmeiras ou de nenhum dos dois. Pode até sequer gostar de futebol.

 

Quanto a este jornalista, penso que precisamos parar de alimentar essa cultura nociva ao coletivo de o político dormir e acordar pensando na próxima eleição. Isso perpassou o eleitor e deu no que deu: na maioria dos casos, responsabilidade zero com o mandato atual. Já Flamengo x Palmeiras, sou Mengão. Temos os melhores jogadores e eles o melhor técnico. Mas clássico não tem favorito.

 

P.S. Não disse ao amigo, mas observo aqui: que João Alves quer voltar a governar Sergipe a resposta soa óbvia. O problema é saber se o eleitor quer. 

18/07/2017 08:38:00
Jogar Jackson contra Temer é arrastar Sergipe para a guerra

No dia 21 de maio, o petista que preside a CUT, o professor Dudu, disse em entrevista aqui que o PT precisa estar longe do palanque que estiver o governador Jackson Barreto, em 2018, sob pena de ser constrangido. O sentimento não é isolado. É da corrente petista Articulação de Esquerda, e pode ser atestado numa nota divulgada, nas últimas horas. Vejam um trecho que resume o anseio.     

 

“... Temos divergências dentro do partido à aliança político-eleitoral com Jackson Barreto/PMDB e, para nós, tratar de nossas diferenças num momento que nos exige unidade é um equívoco. Como expressamos no Congresso Estadual do PT, no início de maio deste ano, somos contra esta aliança, por entendermos que apenas Jackson Barreto e o PMDB ganhariam. Nem o PT de Sergipe nem Lula têm nada a ganhar com o apoio de Jackson em 2018”.

 

O presidente do PT, o ex-deputado Rogério Carvalho, dará de ombros aos verbos. Quer apostar? No máximo, dirá algumas palavras políticas para minimizar estragos internos e continuará aliado ao governador Jackson Barreto, tentando um triangulo vitorioso, em 2018: os dois e mais o ex-presidente Lula, se este último estiver solto até lá, evidente.

 

Não há novidade em a Articulação de Esquerda divergir dos companheiros. É assim toda eleição. E em muitas tem razão. Democraticamente, os companheiros se fecham nos seus pensamentos e pronto. Contudo, acabam seguindo o martelo batido pela maioria. O PT é assim. 

 

Dificilmente a corrente da deputada Ana Lúcia não estará no palanque de Jackson Barreto, salvo a decisão de Rogério e outros companheiros seja pelo rompimento. Algo, aliás, que soa contraditório hoje, já que o PT ocupa cargos no governo de Jackson. Salvo engano, o próprio Rogério Carvalho está empregado no Governo do Estado.

 

A rejeição ao governador candidato ao Senado, percebam, reside no fato de Jackson Barreto não ter assumido à risca o discurso do golpe. A mágoa da Articulação de Esquerda - e isso fica cristalino no discurso – é porque o governador não faz uma oposição radical ao presidente Michel Temer.

 

Fico mais do que à vontade para defender o comportamento de Jackson. O internauta conhece a posição deste jornalista frente aos problemas do seu governo. E os arquivos estão aí à disposição dos desinformados.

 

Entretanto, querer obrigar o governador a bater de frente contra o presidente da República (legitimado ou não, golpista ou não, com ou sem condições de ser, mas sendo o presidente da República Michel Temer) é arrastar Sergipe para a guerra política e aguardar os prejuízos incalculáveis.

 

Já assistimos, num passado não tão longínquo, ao que o ex-presidente Lula pensou fazer com o ex-governador João Alves, mas fez com Sergipe em situação parecida. Não aprendemos a lição? Ou o discernimento existe, mas Sergipe que se lixe? Qual o governo estadual tem condições de abir mãos de verbas federais? Como consegui-las sem a harmonia devida? 

 

Jackson, e seria desonestidade sonegar aqui, mesmo sendo do mesmo PMDB do “golpe”, homenageemos, assim, os petistas, ficou ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff o quanto deu e mais um pouco. Aliás, até hoje paga o preço, e não tem o tratamento que um governador do mesmo partido que o presidente deveria ter.

 

Radicalizar, agredir, ir pra cima do presidente Temer, como fazem e cobram dos demais os petistas, seria de uma irresponsabilidade incalculável. Repito: a animosidade João x Lula sobrou para Sergipe.

 

A Articulação de Esquerda e o próprio PT agem e absorvem as consequências dos seus atos em suas próprias peles. Jackson, não. Qualquer passo dado por um governador compromete o estado.

 

Todavia, ao que tudo indica, não há ingenuidade. O fato é que Sergipe não é mesmo a pauta principal. A preocupação exclusiva soa o sonho de ver Lula lá outra vez, evidentemente pegando carona em sua campanha para uma eleição menor ou para ocupar cargos em um suposto governo petista.

17/07/2017 08:01:00
A missão é assassinar eleitoralmente ladrões e comparsas

Se não já está fazendo, caro eleitor, comece a fazer uma reflexão profunda, antes de ir às urnas nas eleições marcadas para outubro do próximo ano. A era Lava Jato coage todo cidadão de bem a fazer a sua parte na guerra contra a corrupção. Se conscientizar deste papel importante é bem mais útil ao país e, óbvio, inteligente que perder tempo especulando se “Fulano” ou “Beltrano” será candidato a isso ou aquilo, faltando mais de um ano para o registro das candidaturas. Sem falar que um projeto que contemple o coletivo não repousa em um nome, mas na forma que o candidato eleito adotará para exercer o futuro mandato.

 

De nada adiantará o trabalho da Operação Lava Jato, desmascarando ladrões do dinheiro público e jogando-os na cadeia (infelizmente, nem todos até o momento), e recuperando, se não todo, ao menos uma parte do dinheiro roubado, se o brasileiro não rejeitar nas urnas ladrões e defensores dos gatunos que conseguirem escapar da prisão e, consequentemente, da inelegibilidade.

 

Os bandidos que, com ou sem o “jeitinho brasileiro”, pularem a fogueira acesa pelo Ministério Público, Polícia Federal e Poder Judiciário não podem receber o voto do brasileiro, exceto daquele eleitor que aceita a roubalheira, e como tal é corrupto também. Dar carimbo de honesto a bandido e assumir a paternidade da causa nociva.

 

Não é surpresa mais que bandidos chegam ao poder financiados por empresários também bandidos que “investem” dinheiro em campanhas sujas para, posteriormente, caso o corrupto seja eleito, se beneficiar do assalto aos cofres públicos. Corrupção e caixa 2 infestam os noticiários. Os departamentos de propinas destas empresas sujas foram desmascarados. E o dinheiro público a financiar lucros astronômicos a engordar conta bancária de canalha.

 

Nenhum eleitor tem mais o direito de votar errado e justificar isso falando em desinformação. Está nítido na teoria, hoje, o que já havíamos percebido, há tempos, na prática: o projeto de quem se elege à custa desta engenharia perniciosa é o próprio bolso. Jamais o País, o Estado, o município. “O coletivo que se lixe. Eu quero e vou é roubar...” Eis a frase a nortear a corja.

 

Fome, desemprego, desabrigo, falta de projetos eficientes nas áreas de saúde, educação, segurança pública, Justiça... As demandas da população, por mais urgentes que possam ser, e, na maioria das vezes, são mesmo, não sensibilizam o político ladrão. Não tocam em todos que poderiam de alguma forma guerrear contra a corrupção. Dinheiro cega. Revela caráter. E quando atrelado ao poder nem é bom falar.

 

É assustador, sobretudo pela ótica cristã, mas as ações dessa gente asquerosa dizem com eloquência que empatia com quem ocupa a parte de baixo do Brasil soa perda de tempo, papel de otário. A corrupção vicia e os doentes não costumam aceitar ajuda para largar o vício. O tempo que deveria ser utilizado para dar respostas às demandas da população, como, aliás, fora promessa de campanha, é desperdiçado na desfaçatez de assaltar os cofres públicos.

 

Neste cenário que começou a ser desnudado pela Ação Penal 470 e, posteriormente, se intensificou na Lava Jato, sobram os do bem. Os sérios e, por consequência, indignados. Estes estão sendo convocados consciente e inconscientemente pela verdade factual para auxiliar a Lava jato.

 

A missão é alertar eleitores ainda não esclarecidos para a necessidade de finalizar o trabalho imprescindível à moralidade e ao desenvolvimento do país: destruir um sistema corrupto. Assassinar eleitoralmente ladrões e comparsas com a arma do voto.

 

Esta destruição do que já nasceu podre, óbvio, só será possível nas urnas. Ninguém, por mais inteligente que seja, consegue um mandato sem o aval do eleitor. Persuadir da urgente necessidade de se rejeitar qualquer candidato ficha suja, maquiado ou não, portanto, é o desafio imposto.

 

Ressalvo, porém, que não apenas existem pessoas sérias exercendo mandatos, mas também que estas precisam seguir na vida pública. Temos uma minoria lúcida, sim. Nem todo mundo é corrupto. Entretanto, filtrar e renovar, de acordo com a necessidade, é imperioso. Se queremos mesmo um novo Brasil, um novo Sergipe temos como pré-requisito somente votar em quem não só comprovar honestidade, mas também distância dos corruptos. Do contrário, o trabalho ímpar e valioso da Lava Jato perderá o sentido. Terá sido, como se diz no popular, “enxugar gelo”.

14/07/2017 07:42:00
Desta vez, o PT não será juiz de si próprio

Eu disse que um dia esse negócio de se achar impecável, a única geladeira a funcionar no deserto, de não admitir equívocos e não aceitar o contraditório ainda custaria caro ao PT. Se mesmo diante de provas irrefutáveis, os companheiros nunca admitiram um erro sequer, se sempre rechaçaram de pronto qualquer juízo contrário ao pensamento predominante, como passar credibilidade, agora, na tese que o Lula é inocente, ainda que, vamos supor que o ex-presidente seja?

 

A menos que a Justiça diga isso, e diz justamente o contrário até aqui, pela boca do PT, ninguém, minimamente inteligente, acreditará na inocência do Lula. Sendo ou não sendo inocente, estando ou não errado, o PT sempre se disse o perfeito, o impecável. Mesmo agredindo os fatos. Se sempre foi assim em toda sua história, a exemplo do emblemático caso Zé Dirceu, em nome do quê se vai agora mergulhar de cabeça?

 

Aliás, o PT fala em julgamento político. Em trama para inviabilizar o projeto Lula lá outra vez. Argumenta que faz parte do golpe. Por sua vez, o juiz Sérgio Moro jura na cruz que julgou mediante provas documentais, periciais e testemunhais. Mesmo com toda boa vontade do mundo, para quem não é da cozinha, é difícil abraçar cegamente a tese petista assinando o atestado de óbito da Justiça como um Poder sério. Por que se a Justiça faz mesmo parte de uma armação contra Lula, como argumentam os zangados, ferrou. Vamos acreditar na seriedade de quem?

 

Aos olhos do PT, evidente, este texto peca por não abraçar a causa companheira. Todavia, não se tem aqui o objetivo, e nem poder para tal, de condenar ou absorver quem quer seja. Muito menos um ex-presidente da República. Agora do mesmo jeito que abri espaço para o pensamento petista, tenho mais que o direito, o dever, de deixar evidente que só o Judiciário tem o poder de mandar Lula para a cadeia ou atestar sua inocência. Discurso político é imprescindível para as eleições 2018. Mas não vale nada no tribunal. Ou pelo menos não deveria valer.

 

Se os petistas estão corretos? Do ponto de vista do jogo político, claro que sim. Se o partido é “perfeito”, se "ninguém filiado peca", se esta é a sua cultura como abandoná-la justamente no momento em que maior estrela da legenda precisa desesperadamente do apoio dos companheiros? Fora de lógica e de combinação. Morre-se na cruz. “Viva Lula”, como fechou uma nota pública a Direção Nacional do PT, ao saber da sentença de Moro.

 

O problema é que esta cultura, atrelada ao fato de não caber mais o discurso da perseguição com tanta gente de outros partidos também na cadeia e outras tantas na mira da Lava Jato, depõe contra os argumentos petistas. Dificulta persuadir. É tanto que o discurso é no sentido de que o juiz Moro condenou Lula para agradar a sociedade. Algo que é contraditório, quando se leva em conta que o mesmo Lula lidera as pesquisas para presidente da República. Como sua condenação agrada a quem lhe manifesta intenção de votos? Vá se catar.

 

Há, evidente, adversários políticos do Lula e do PT que querem a condenação de qualquer modo. Com ou sem provas. Há também quem não seja adversário, mas não aprovou seus mandatos. E há, evidente, uma faixa da população que nunca votou no PT e torce contra Lula por questões pessoais. Não gosta da legenda e pronto. Ninguém é menino. Mas são espinhos do ofício - e longe de serem exclusividades do PT.

 

Tentar empurrar goela a baixo do brasileiro que o Judiciário condenou um inocente, irresponsavelmente sem provas, para lhe tirar das eleições 2018 e não provar a trama, ficar no terreno da retórica, é, sutilmente, sugerir que o povo é tolo e o Poder Judiciário precisa baixar as portas por falência. Que não temos mais em quem confiar. Insisto. Melhor não viajar nesta maionese estragada. Se o Lula for inocente, e tomará que seja, é triste para qualquer país ter um ex-presidente mentiroso e ladrão na cadeia, a Justiça - e somente a Justiça - tem o poder de dizer. Desta vez, o PT não será juiz de si próprio.

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Colunista Joedson Telles
Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.
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