Joedson Telles
21/01/2018 08:18:00
A indefinição da oposição provoca açodamento e chutes

A indecisão dos políticos quanto às definições das alianças de praxe em ano eleitoral – alguns por não dependerem de si e outros por conveniência – acaba sendo um convite ao mau jornalismo. É preciso estar vacinado. Ventila-se sem provas sem o mínimo de constrangimento. Lá na frente, se a verdade factual jogar luz contrária, se aposta na falta de memória para evitar a anarquia. A indefinição da oposição em Sergipe está a alimentar a lógica estúpida.

Pego a última eleição para prefeito de Aracaju, em 2016, como base e provoco o internauta. Em janeiro de 2016, as notícias, os comentários, os “furos de reportagem” tiveram coerência com o registro das chapas mais adiante? Todas as alianças, os acordos ventilados foram fechados?As chapas divulgadas “em primeira mão” se confirmaram?

Pra lembrar só dois “furos”: Zezinho ou Edvaldo foi o candidato de Jackson? Robson Viana ou Jailton Santana o vice de João Alves? Pra ser misericordioso, escrevo que nem todas as notícias divulgadas se confirmaram. A maioria foi chute distante da trave. (interesse político?) Aliás, em época de rede social falar em “furo”, na maioria das vezes, soa ingenuidade.

O fato é que, em se tratando de 2018, temos diferenças ideológicas que separam e sempre separarão “políticos de políticos”. Por exemplo, a deputada Ana Lúcia e o deputado André Moura jamais darão os braços numa campanha. O internauta imagina Ana defendendo a Reforma da Previdência proposta por Temer? E André de vermelho no bolo da CUT descendo a lenha?

Temos também animosidades que soam impossíveis de serem contornadas: o caso do ex-deputado federal Mendonça Prado x o senador Eduardo Amorim.

Excluindo-se estes dois aspectos (ideologia e animosidade), contudo, todos os políticos têm coragem de fazer aliança com qualquer adversário. E desfazer com aliado também. Esquecem mágoas, traições, críticas... Tudo. “Os fins justificam os meios”, lembram deste lugar comum? Pois é... Tudo por espaço.

E se não há limite aparentemente, é óbvio que a indefinição irá perdurar até o momento oportuno - sobretudo numa eleição atípica atrelada mais do que nunca à decisão se o ex-presidente Lula será preso ou candidato. Esperar é o verbo. É aquela história: a política exige 10 coisas do político e as primeiras nove são: paciência, paciência, paciência...

E se é assim, como cravar que Fulano estará no palanque de Beltrano sem que Fulano, Beltrano ou aliados sequer confirmem? Como externar que “A” será candidato a isso ou aquilo e “B” será vice de “C”, se o alfabeto inteiro nega?

Às vezes, o confirmado pelas partes acaba, miseravelmente, traído pela dinâmica da política, como foi o caso de Mendonça disputar a eleição pelo PPS, imagine uma informação que as próprias pessoas citadas negam, de pronto, e a lógica da paciência reforça? Juízo é a palavra. Responsabilidade a cobrança.

Pode até não parecer, mas o eleitor começa a decidir a eleição antes mesmo de as campanhas ganharem as ruas de forma oficial. Poucos têm essa consciência, mas é assim que a coisa funciona.

Existe a indefinição dos políticos justamente porque estes acreditam que, com o tempo e ações, o eleitor pode mudar de opinião até o momento final das definições. Vão sondando o eleitor via pesquisas e, dificilmente, têm a coragem de afrontar os números.

Político respira voto e detesta ficar sem mandato. Ou seja, quer disputar com o menor risco de derrota possível. Só arriscar quando não tiver opção. Dá para ser açodado neste mundo?

P.S. A indefinição, contudo, não é uma camisa de força. Quem se organiza cedo ganha terreno.

21/01/2018 08:18:00
A indefinição da oposição provoca açodamento e chutes

A indecisão dos políticos quanto às definições das alianças de praxe em ano eleitoral – alguns por não dependerem de si e outros por conveniência – acaba sendo um convite ao mau jornalismo. É preciso estar vacinado. Ventila-se sem provas sem o mínimo de constrangimento. Lá na frente, se a verdade factual jogar luz contrária, se aposta na falta de memória para evitar a anarquia. A indefinição da oposição em Sergipe está a alimentar a lógica estúpida.

Pego a última eleição para prefeito de Aracaju, em 2016, como base e provoco o internauta. Em janeiro de 2016, as notícias, os comentários, os “furos de reportagem” tiveram coerência com o registro das chapas mais adiante? Todas as alianças, os acordos ventilados foram fechados?As chapas divulgadas “em primeira mão” se confirmaram?

Pra lembrar só dois “furos”: Zezinho ou Edvaldo foi o candidato de Jackson? Robson Viana ou Jailton Santana o vice de João Alves? Pra ser misericordioso, escrevo que nem todas as notícias divulgadas se confirmaram. A maioria foi chute distante da trave. (interesse político?) Aliás, em época de rede social falar em “furo”, na maioria das vezes, soa ingenuidade.

O fato é que, em se tratando de 2018, temos diferenças ideológicas que separam e sempre separarão “políticos de políticos”. Por exemplo, a deputada Ana Lúcia e o deputado André Moura jamais darão os braços numa campanha. O internauta imagina Ana defendendo a Reforma da Previdência proposta por Temer? E André de vermelho no bolo da CUT descendo a lenha?

Temos também animosidades que soam impossíveis de serem contornadas: o caso do ex-deputado federal Mendonça Prado x o senador Eduardo Amorim.

Excluindo-se estes dois aspectos (ideologia e animosidade), contudo, todos os políticos têm coragem de fazer aliança com qualquer adversário. E desfazer com aliado também. Esquecem mágoas, traições, críticas... Tudo. “Os fins justificam os meios”, lembram deste lugar comum? Pois é... Tudo por espaço.

E se não há limite aparentemente, é óbvio que a indefinição irá perdurar até o momento oportuno - sobretudo numa eleição atípica atrelada mais do que nunca à decisão se o ex-presidente Lula será preso ou candidato. Esperar é o verbo. É aquela história: a política exige 10 coisas do político e as primeiras nove são: paciência, paciência, paciência...

E se é assim, como cravar que Fulano estará no palanque de Beltrano sem que Fulano, Beltrano ou aliados sequer confirmem? Como externar que “A” será candidato a isso ou aquilo e “B” será vice de “C”, se o alfabeto inteiro nega?

Às vezes, o confirmado pelas partes acaba, miseravelmente, traído pela dinâmica da política, como foi o caso de Mendonça disputar a eleição pelo PPS, imagine uma informação que as próprias pessoas citadas negam, de pronto, e a lógica da paciência reforça? Juízo é a palavra. Responsabilidade a cobrança.

Pode até não parecer, mas o eleitor começa a decidir a eleição antes mesmo de as campanhas ganharem as ruas de forma oficial. Poucos têm essa consciência, mas é assim que a coisa funciona.

Existe a indefinição dos políticos justamente porque estes acreditam que, com o tempo e ações, o eleitor pode mudar de opinião até o momento final das definições. Vão sondando o eleitor via pesquisas e, dificilmente, têm a coragem de afrontar os números.

Político respira voto e detesta ficar sem mandato. Ou seja, quer disputar com o menor risco de derrota possível. Só arriscar quando não tiver opção. Dá para ser açodado neste mundo?

P.S. A indefinição, contudo, não é uma camisa de força. Quem se organiza cedo ganha terreno.

17/01/2018 05:47:00
Mais organizados, governistas largam na frente

Se fosse desafiado a apostar quem larga na frente na disputa pelo Governo do Estado, julgando pela atual conjuntura, sem titubear, jogaria todas as fichas no time governista. Sei que acabo de levantar a bola para aquela turma que não tolera o pensamento jornalístico descer a lenha, mas dou de ombros: vejo o time governista largar na frente. Mesmo com pesquisas apontando quadros da oposição liderando, os governistas estão em vantagem. São mais organizados.

Evidente que isso não quer dizer que a eleição esteja decidida. Vai um oceano de distância. Tampouco estou a permitir-me apontar favoritos. Até porque têm outros pré-candidatos que merecem respeito como, por exemplo, Dr Emérson e Mendonça Prado, este último, inclusive, cresce a cada dia. Já há pesquisa lhe dando a dianteira.

Mas não estou e nem posso, neste instante, fazer juízo de valor e externar quem é melhor para Sergipe. Foco aqui a disputa dos dois grupos que duelaram nas últimas eleições e voltarão à arena este ano. Além disso, cabeça do eleitor é terreno desconhecido até dele mesmo. Afaste de mim este cálice.

O problema (ou solução, depende dos interesses políticos) - e já apontei neste espaço - é que enquanto no time governista existe unidade, na oposição parece que ninguém confia em ninguém. A impressão que se tem é que se toleram, mas não se aceitam.

É certo que no bloco liderado pelo governador Jackson Barreto não existe consenso sobre o nome do pré-candidato a uma das vagas. Heleno Silva e Rogério Carvalho não abrem mão de jeito nenhum, e, respeitando a física, só um corpo ocupará o espaço.

Há ainda O PSD, o PDT e o Solidariedade no páreo. Com um estilo diferente do PRB e do PT, evidente, mas Fábio Mitidieri, Fábio Henrique e Laércio Oliveira, óbvio, também sonham com uma vaga na chapa majoritária.

Apesar desta indefinição, Sergipe já sabe, há muito tempo, que Belivaldo Chagas é pré-candidato a governador e Jackson Barreto é pré-candidato a senador. As “prés” podem até não chegar a ser candidaturas. Como adora dizer, nestes momentos, o filósofo e ex-governador Albano Franco, “o futuro a Deus pertence”. Entretanto, os dois nomes já circulam com força no pequeno, geograficamente falando, Sergipe.

Já na oposição, o silêncio impera, enquanto os principais nomes andam isolados em municípios diferentes. As agendas não batem pelo visto. E quando um dos líderes abre a boca está a ariscar semear incoerência com o pensamento do aliado. Não chega a ser fogo amigo porque o gelo da relação não permite, mas o senso comum não se equivoca quando fala em bater cabeça.

Não soa novidade: especula-se que o senador Eduardo Amorim é o pré-candidato do grupo de oposição ao Governo do Estado. A notícia circula. Todavia, ao mesmo tempo, não se descarta uma pré-candidatura do senador Valadares.

O deputado federal André Moura cresceu politicamente, ao grudar no golpista Temer, e gosta quando o assunto, sobretudo na imprensa e nas redes sociais, gira em torno da possibilidade dele ser pré-candidato a governador com Amorim e Valadares apoiando. O problema é saber se Eduardo e Valadares pensam assim também...

Quer mais? O jovem deputado federal Valadares Filho já colocou seu nome à disposição do grupo para ser o pré-candidato ao Governo do Estado. E isso tudo, claro, chega ao conhecimento do eleitor o deixando atônito.

Contrariando ou não apaixonados, o momento é propício para a oposição fazer a chamada autocrítica. Refletir e perceber que já desperdiçou tempo além da conta. Isto é: se é que é possível unificar o discurso, definir as primeiras estratégias da campanha e, óbvio, os nomes dos pré-candidatos.

09/01/2018 07:57:00
Valadares não tira o chapéu

Outro dia, trouxe para este espaço um diálogo que pesquei na barbearia sobre a política genuína. O assunto girava em torno de os políticos terem como único objetivo passar a mão no dinheiro que de público só tem mesmo o epíteto. Dormem, sonham e acordam pensando em “mamar”, diziam com suas palavras.

Barbearia parece o lugar perfeito para este tipo de prosa. Creio, inclusive, que um assessor político, ao se infiltrar entre os clientes, colhe informações mais fieis à realidade do eleitor que uma qualitativa bem feita. É só estar bem pautado. O problema é filtrar as asneiras. Algumas maldosas. Outras espelham ignorância. Nenhuma contribui com a boa política.

A última vez que estive na barbaria, a conversa girou em torno de o senador Antônio Carlos Valadares não abrir mão de usar um belo chapéu durante as sessões plenárias do Senado. Desceram o sarrafo por conta de uma bobagem desta. É mole? 

Como das outras vezes, optei por me fazer de desentendido enquanto o barbeiro fazia o seu trabalho embalado pelas críticas ao senador. Imitei aqueles três macaquinhos espertos que "não enxergam, não escutam e não falam nada”. Do jeito que o stress domina as pessoas, atualmente, qualquer gentileza é motivo para briga. Imagine uma argumentação consistente? Melhor o silêncio.

Todavia, com os confidentes botões não tive segredo e pensei enquanto a tesoura abria e fechava decepando pedaços de fios descartáveis: é deprimente ratificar o despreparo de certos eleitores para julgar os políticos. E tenha certeza: uma pesquisa revela facilmente que os comentaristas das barbearias não estão isolados no equívoco.

Longe de querer ser advogado do senador, o máximo que se pode dizer é que o tal chapéu deixou de ser obrigatório no chamado passeio completo há décadas. Valadares estaria, digamos, fora de moda. Mas julgar um parlamentar pelo traje, sobretudo em época de revelações no atacado de como a política tem servido para corruptos comprovarem a falta de limites?

Já estava naquela parte do corte em que a navalha acerta a costeleta sem misericórdia dando um ar jovial quando o termômetro subiu. Senti vontade de indagar: e quantos dos que não usam chapéu têm a moral do senador sergipano? Pegue os anos de vida pública de Valadares, a mega lista dos políticos envolvidos em corrupção no Brasil e procure o nome dele na lama? Não consta. O sergipano é uma reserva moral até que se prove o contrário. 

Mas me contive. Guardei o juízo para externar aqui em terreno apropriado. Não estou julgando o trabalho de Valadares ao longo do tempo. Podemos fazer isso em outra oportunidade. Mas o fato de assistirmos, sobretudo nos últimos anos, a tanta revelação de gatunos incontroláveis e, mesmo estando há anos e anos na vida pública, tendo as mesmas chances, Valadares nunca foi sequer acusado de qualquer ato de corrupção.

Talvez, diante do meu argumento para refutar a asneira de se pegar no pé do senador por conta de um chapéu fosse a velha e correta frase “o homem público tem obrigação de ser honesto”. Perfeito. Mas num país onde a corrupção existe até numa fila de se marcar exame médico, e cujos políticos estão sempre em xeque, por dever de justiça, devemos sublinhar o caráter ilibado do senador Valadares.

A propósito, antes de deixar a barbearia, lembrei que, enquanto aqueles comentaristas de moda detonam o senador, a maioria do eleitorado - e os dados são de pesquisas – o coloca como o primeiro colocado não apenas para o Senado Federal, mas também para o Governo do Estado. Valorizam o ficha limpa Valadares. Com ou sem chapéu.

Por outro lado, políticos quando acusados de praticar atos corruptos despencam. Lideram, mas a lista dos rejeitados. Ainda que preguem serviços prestados. Parece que ladrão, mesmo quando trabalha, acaba abdicado. E se este é o juízo popular, cá pra nós, Valadares vai tirar o chapéu? Óbvio que não. Poderia ter dito isto, mas preferir dar a última conferida no cabelo, pagar a conta e me mandar.

07/01/2018 08:17:00
Carlos Heitor Cony

“Nostalgia é saudade do que vivi, melancolia é saudade do que não vivi”.  A notícia da morte do autor da frase que abre, oportunamente, este texto, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, que, aos 91 anos, partiu vítima de falência de órgãos, transporta-me, com consternação, para o tempo em que cursei jornalismo na UFS. Ali, o descobri. Não apenas nos livros, mas também na sua coluna na Folha de S. Paulo. Vizinha ao espaço do também genial jornalista Clóvis Rossi, a propósito. Leitura obrigatória na página 2.

Revelo: a opinião sempre foi minha pedida jornalística favorita. Um texto pode ser uma obra de arte. Até hoje, leio reportagens, notas e entrevistas para me informar, mas opiniões por satisfação. Evidentemente, o texto tem que ser bem construído para atrair.

Enquanto colegas do curso de jornalismo sonhavam com TV, rádio, coluna social, esporte, revista...  O jornalismo de opinião, sobretudo focando a política, povoava a minha mente sem pedir licença.

À medida que fitava textos opinativos, ratificava o destino: opinar. Nos momentos certos. Jamais por coação. Respeitar as pessoas citadas, as leis, o leitor, mas nunca se furtar: expor o ponto de vista ainda que desagrade terceiros. Os verbos gostar e obrigar só desfilam lado a lado na exceção da regra. E glória a Deus por este modesto espaço...

Não pagaria o mico de registrar aqui que aprendi a escrever com Cony. Primeiro por achar perigosa a conjugação do verbo aprender no pretérito perfeito. Opto pelo futuro do presente. Busco dominar o ofício até hoje - e quanto mais encosto os dedos no teclado do computador, a tela diz com eloquência e frieza que preciso ler mais, amealhar mais conteúdo, exercitar mais.

Sem falar que coerência e coesão são pérolas atingíveis somente mediante esforço e paciência. Leva tempo. E esbarrar num texto do Cony é não se permitir ao grotesco. Um dia, contudo, chego lá.

Mas como ia dizendo, não tive em Carlos Heitor Cony um professor. Infelizmente, a vida não me assegurou tamanho privilégio. Sinto-me contemplado, todavia, por ter sido aluno do saudoso professor Antônio Carlos Viana, cujo legado dispensa apresentação. Cony foi mais um incentivo. Diria até inspiração para se aventurar.

Ler uma crônica, um artigo, um romance do Cony sempre será uma senha para quem nasceu com o mínimo de vocação ser apresentado a este mundo fascinante da escrita. Obrigado, Cony.

Cony é (e aqui, de propósito, ponho o verbo no presente, lembrando que o legado não desce à sepultura) um daqueles jornalistas que, ainda que o leitor não concorde com nada que ele expresse, vai até o final do texto só pelo fato de apreciar sua  qualidade gramatical. Tamanha facilidade com as letras. Que escritor acaba de nos deixar...

Fico triste - e muito mais desconfiado – quando flagro um estudante de jornalismo que não se espelha em ímpares da arte de escrever como Carlos Heitor Cony. Alguns sequer os conhecem.

Não tem sentido almejar ser jornalista – ao menos um bom jornalista – se dando ao luxo de abrir mão de Cony, Machado de Assis... São expoentes que dominam o ofício e sempre perpassam algo positivo. Tratam as letras como “você”. Assim como o Pelé tratou a bola. Na intimidade.

Já fui criticado por “colegas” de profissão por escrever em primeira pessoa. Normalmente, estes preferem “esta coluna pensa...” a “eu penso”. Respeito, mas dou de ombros. Questão de estilo e ponto final.

Cony costumava dizer que escrever é como colocar água numa fonte que uma hora transborda. As pessoas vão acumulando leituras, informações e uma hora escrevem. Bem, mais ou menos ou mal. Mas há ainda aqueles escritores cujos textos encantam pela qualidade bem acima da média. Cony sempre estará neste time.

P.S. Cony não acreditava em Deus. Agora tem a oportunidade de escrever sobre seu maior equívoco. O encontro com o Pai é inevitável. 

02/01/2018 22:10:00
2018 precisa ser melhor

Chegamos. 2018. Ano novo. Ano de Copa do Mundo. Ano de eleição. Ano que “tende a passar mais rápido’. E Deus estará no comando das vidas entregues a Ele pela fé: o ano 2018 precisa e será melhor que 2017, que não foi dos melhores para Sergipe. A crise persistiu. O governo Jackson Barreto até que melhorou em alguns aspectos, mas os gargalos sobreviveram ao réveillon. Sobretudo a insatisfação dos servidores, aposentados e pensionistas e a questão da segurança. Ou melhor, da insegurança.

Se por um lado houve redução dos crimes de homicídios, por outro, nunca se viu tanto roubo e furto de veículos. As drogas estão destruindo os jovens. Felizmente, esbarrei na notícia que haverá concurso público para delegado, guarda prisional, bombeiro e polícia militar. Precisamos mesmo.

Na saúde, ainda não temos um hospital especializado em tratamento para pacientes com câncer é verdade. Mas é inegável que Jackson acertou quando convidou o ex-senador Almeida Lima para assumir a pasta. Ainda temos problemas, mas já é possível ver ações positivas. Almeida é um bom gestor e prometeu soluções.

A Educação continua na mesma. Até a animosidade Jackson e Jorge x Sintese e Ana Lúcia persiste. Nos últimos dias do ano, o Sintese voltou a emitir uma avaliação negativa da educação pública, e o governo soltou nota classificando o sindicato como “mentiroso”. À medida que a eleição se aproxima o termômetro sobe. É praxe.

A mais recente notícia do governo é que Jackson, depois de conseguir aprovar, na Assembleia Legislativa, o tal empréstimo de R$ 560 milhões junto à Caixa Econômica, para recuperar as estradas, pena nas mãos do presidente Michel Temer. 

A importância deste investimento é tanta que até deputados da oposição votaram a favor, lembremos. Mas não adiantou o Governo de Sergipe fazer o dever de casa e apresentar o que lhe foi solicitado: Temer travou e chantageia Jackson. O discurso dos petistas está pronto: "além de golpista, chantagista". E tome desgaste. 

Como todos sabem, o presidente eleito vice quer que o governador convença a bancada a aprovar, na Câmara Federal, uma reforma na Previdência. Agora imagine, internauta, por exemplo, o petista João Daniel votando favorável a uma Reforma da Previdência com a qual nem o PT e nem os movimentos sindicais e sociais concordam?

Não discuto aqui necessidade da reforma. Tampouco a própria reforma proposta. Mas o internauta conhece a política: jamais um governo vai propor uma reforma que mexe diretamente com o trabalhador e, do outro lado, partidos socialistas vão perder a oportunidade de marcar território, sobretudo ele ano eleitoral. Mas chantagear governador é o fim da picada.

O curioso é que o líder do governo Temer no Congresso (aliás, “cargo” que nunca entendi, já que existe um líder na Câmara e outro no Senado...) é o deputado por Sergipe André Moura. Ou seja, das duas uma: ou André não tem forças, prestígio, importância junto ao presidente para liberar o tal empréstimo ou colocou na balança Temer e Sergipe e fez a sua escolha...

Caso queira mesmo ter êxito no seu próximo projeto político, Jackson Barreto precisa melhorar sua gestão, e não pode esquecer que joga contra o tempo – inclusive porque terá que se afastar e torcer que Belivaldo se saia bem. O vice que, por sua vez, pode virar governador com o afastamento do titular, aliás, sabe da sua importância no projeto de suceder a si mesmo. Para o bem ou para o mal, qualquer pré-candidato ligado a um governo carrega ônus e bônus deste...     

Na Prefeitura de Aracaju, Edvaldo continua tentando consertar o caos administrativo herdado do ex-prefeito João Alves. Um ano foi pouco. É óbvio que toda gestão tem suas falhas, mas vejo muita a impaciência nas críticas nada construtivas de alguns colegas de imprensa na direção do prefeito. Cobranças precisam existir, evidente. É papel da imprensa. Todavia, às vezes, “esquecem” que Roma não foi feita em um dia. Em alguns pontos, Edvaldo vai errar. Em outros, contudo, já encontrou os erros.

O deputado federal Valadares Filho, pra citar só um da oposição, faz uma oposição dura. Cerrada. Fiscaliza a gestão Edvaldo Nogueira com uma lupa e, assim, presta um excelente serviço à população. Que ele, vez por outra, se exceda é normal. É da política. Está no seu papel. Se Valadares fosse o prefeito e Edvaldo estivesse na oposição faria o mesmo. É do jogo. Mas a imprensa precisa manter o equilíbrio, sob pena de ser rotulada.

Ainda sobre a Prefeitura de Aracaju, o fato que mais chamou a atenção, em 2017, talvez tenha sido quando o Ministério Público denunciou, há duas semanas, o ex-prefeito João, seu vice, Machado, e outras pessoas acusadas de ter participação num esquema de servidores fantasmas, ocupando cargos comissionados na PMA. Tem gente acusada, mas que trabalhou e tenta provar isso. Todavia, há quem, cinicamente, admitiu ter recebido dinheiro público sem trabalhar.

Já disse aqui e volto a insistir: o MP, o TCE e a polícia precisam passar um pente fino também nos contratos de prestação de serviços. Assegurar que não existiram também trabalhos fantasmas. Empresas fantasmas. Com João doente, a coisa correu solta. Estamos falando do dinheiro público e tudo precisa ser transparente. Roubou cadeia. 

Paro por aqui para não cansar (mais) o internauta. Depois focaremos as eleições e os artistas já postos. A missão é árdua. 2018 precisa ser melhor. 

01/01/2018 19:46:00
“Eu sei em Sergipe quem é ladrão e quem não é. Mendonça não é”

O crescimento do pré-candidato ao Governo do Estado pelo DEM, o ex-deputado federal Mendonça Prado, pode até surpreender desinformados, mas não provoca o mesmo espanto no também ex-deputado João Fontes, pré-candidato ao Senado Federal numa aliança com Mendonça. Nesta entrevista, João Fontes assegura que, entre os pré-candidatos, Mendonça é o quadro mais preparado de Sergipe. “Muitos iam para Brasília passear, e Mendonça ia para estudar. Ele é muito preparado. É até esquisito porque é um homem de pouca relação social. Ele gosta das coisas simples e tem uma virtude rara na política de hoje: é decente. Mendonça não fez patrimônio na política. Eu sei em Sergipe quem é ladrão e quem não é. Mendonça não é”, diz, revelando ainda que escutou do próprio governador Jackson Barreto (MDB) que ele recebeu o Estado quebrado do saudoso Marcelo Déda. "Ele desabafou. Disse-me que não podia negar que sabia, desde quando era candidato, que o Estado estava quebrado - e foi candidato empurrado por vários amigos". A entrevista:

Agora é consolidar esse projeto João Fontes/Mendonça Prado?

Eu estava afastado da política e com um propósito muito firme com a minha família. Recebi o convite de vários partidos para voltar à vida pública partidária - e isso já há muito tempo. Resolvi voltar para política, aceitar o convite de Mendonça e ser pré-candidato ao Senado, abraçando a pré-candidatura dele porque eu conheço a política de Sergipe. Conheço a história política de Sergipe. Eu fui deputado federal com Mendonça. Da geração nova que está na política, eu não tenho a menor dúvida, e não é porque estava aliado, porque quando deixei de ser deputado federal votei em Mendonça. Mendonça é o quadro mais preparado de Sergipe. Muitos iam para Brasília passear, e Mendonça ia para estudar. Ele é muito preparado. É até esquisito porque é um homem de pouca relação social. Ele gosta das coisas simples e tem uma virtude rara na política de hoje: é decente. Mendonça não fez patrimônio na política. Ele se separou e mora com a irmã até vender o apartamento para dividir com a ex-mulher. Tem um carro velho. Ele teve todas as chances (de ficar rico com a política) porque era genro de João Alves (na época governador), comandou os contratos na administração (Mendonça foi secretário de Administração). Podia ser um milionário hoje. Como eu conheço bem a política de Sergipe, resolvi aceitar o convite de Mendonça de ir para o PPS.

Então, Mendonça o motivou a se filiar ao PPS?

O PPS é um partido no qual, no plano nacional, eu tenho grandes amigos. Tem um ano e meio que Clóvis me convidava e eu dizia não. A ida de Mendonça me motivou porque era um projeto diferente. Eu fico impressionado com a inteligência de Mendonça e seu preparo intelectual. Eu sei em Sergipe quem é ladrão e quem não é. Mendonça não é. O PPS é um partido que tem Cristovam Buarque, Roberto Freire, um grande grupo de pessoas do bem. Começamos um processo de ampliação das coligações porque nenhum partido pode concorrer de forma isolada, porque a legislação privilegia os grandes partidos, o fundo partidário, fundo eleitoral. Tudo é feito com dificuldade porque, lamentavelmente, aprovaram esse fundo partidário de mais de R$ 1,7 bilhão. O que dói na minha alma é que o povo dorme em berço esplêndido. Para ser candidato não tem candidatura avulsa. Tem que se filiar a um partido. Eu resolvi abraçar esse projeto com Mendonça. Começamos a conversar com o DEM, que estava em um processo de conversa com o deputado Laércio Oliveira, que é meu amigo, e iria botar outra pessoa até a janela de março. Havia essa negociação - e com a aproximação nossa do DEM foi colocada essa situação: a senadora Maria do Carmo queria alguém com um perfil que tivesse a história do DEM e fez um convite a Mendonça para assumir o partido em sintonia com a Nacional. Maria que iria indicar. A gente sabia que, se o DEM saísse, iria para Jackson porque Laércio é seu aliado e a gente ia perder um espaço muito grande. Nesse momento que vive a família João Alves, o perfil mais adequado para defender o legado político de João Alves é o de Mendonça Prado. Tudo isso eu conversei pessoalmente com Roberto Freire - e ele disse que estávamos certos, que não se pode fazer política isolada. Mendonça estava indo para um partido que Nilson Lima foi o vice de João Alves, Clóvis Silveira era cria de João Alves, foi vice em sua chapa em 98. Quem quiser seja desonesto para negar isso. O processo natural, as circunstâncias levaram a tomar uma posição: Mendonça ser presidente do DEM, e a gente no PPS apoiando é um processo totalmente natural. Eu, em nenhum momento, disse que iria sair do partido. Espero que acalmado tudo isso o PPS reflita e apoie Mendonça Prado.

E se o PPS não apoiar?

Se o PPS não apoiar o DEM, eu vou acompanhar Mendonça por outro partido. Vou continuar pré-candidato ao Senado. Quero continuar sendo pelo PPS, mas tem declarações do presidente (Clóvis Silveira) que o partido não terá candidatura majoritária. Se essa for a decisão do partido, vou ter que sair para acompanhar Mendonça. Eu não quero estar conflitando os partidos. Eu conversei com Roberto Freire e ele disse que conversaria com Clóvis. Se ele não convencer Clóvis, eu vou tomar a posição de acompanhar Mendonça. Estou sendo muito honesto.

E se Roberto Freire o convidar para assumir o PPS em Sergipe?

Eu não tenho interesse nenhum em comandar o partido. Eu já fui presidente do PDT e disse que nunca mais na minha vida queria comandar um partido e nem quero indicar ninguém. Clóvis tem essa vocação de trabalhar partido político. Eu não quero me envolver com fundo partidário, não quero aborrecimento para minha vida. Meu projeto é encontrar caminhos para tirar Sergipe do caos que nós vivemos com educação, saúde e segurança pública destruídas. É um estado ‘alagoanizado’. Alagoas hoje é um estado crescente e nos ‘alagoanizamos’.

Mas o pré-candidato João Fontes tem consciência que terá uma missão difícil, se levarmos em conta que pode precisar enfrentar os senadores Valadares e Eduardo Amorim e o governador Jackson Barreto nas urnas, não?

Em 2002, quando entrei na disputa para ser deputado federal, era a mesma coisa. Era uma vaga de um, outra vaga de outro, Marcelo Déda apoiava Samarone... Ninguém dizia que eu ganhava e eu fui o mais votado. Eu acredito naquilo que eu abraço. Há um cansaço da população com esses mesmos personagens da política. Sergipe, historicamente, já mostrou que sempre foi um estado libertário.

João Fontes e Mendonça Prado têm ciência que quem chegar, tanto ao governo quanto ao Senado, terá uma responsabilidade gigantesca, sobretudo pela situação de Sergipe?  

O Estado, hoje, vive de empréstimo. Em 2007, Nilson Lima, que era o secretário da Fazenda de Déda, foi à Assembleia e mostrou em caixa R$ 1,3 bilhão. Onde está esse dinheiro? Hoje, Sergipe é um estado devedor, que passou a viver de empréstimo. O próximo governador tem que fazer uma limpeza grande para extirpar um tumor cancerígeno da política que privilegia os amigos, os cargos comissionados, várias secretarias. Ou se prioriza a gestão competente ou Sergipe não sai desse caos nunca. A gente vive numa vaca esquelética. Mas não tenho dúvida que estamos falando do melhor pré-candidato para resolver esses problemas do estado. Estamos vivendo num país que é uma República Federativa. Têm os estados que estão arrumados, saneados, mas Sergipe é um caos. O governador Rui Costa do PT, na Bahia, é muito competente. Em Alagoas, Renan Filho é um grande governador. O Paulo Câmara, em Pernambuco, é a mesma coisa. Paulo Coutinho, na Paraíba, a mesma coisa. Nós temos um problema localizado no Rio Grande do Norte de corrupção. O Ceará é um estado pujante. O Piauí a mesma coisa. Somos um ponto fora da curva porque nos outros estados e capitais está tudo bem.

Nos bastidores, fala-se que o governador Jackson Barreto não diz publicamente, mas herdou um governo problemático, quebrado do saudoso Marcelo Déda. João Fontes já ouviu este tipo de comentário?

Eu já ouvi do próprio governador. Em janeiro de 2016, ele me chamou no Palácio porque queria me ouvir em relação aos problemas Estado. Ele desabafou. Disse-me que não podia negar que sabia, desde quando era candidato, que o Estado estava quebrado - e foi candidato empurrado por vários amigos. Eu disse a Jackson que ele não gosta do Executivo. Jackson não é gestor. Ele foi um caos na Prefeitura de Aracaju e no Governo do Estado. Jackson não tem perfil para o Executivo. Ele não sabe cortar na carne e quer fazer um governo de amigos incompetentes. Caridade se faz com dinheiro do seu bolso. Dizia doutor Leandro que “político sem poder é como rolete chupado ou puta sem cama”.

Por falar em amigos, os amigos abandonaram o ex-governador João Alves?

Maquiavel dizia que os homens são mais afinados pelas coisas presentes. Quem tem o poder tem os falsos amigos perto. Pra governar é preciso contrariar, dizer não. O Estado tem que ser esse mediador de geração de políticas públicas para melhorar a vida dos mais pobres. A situação do Estado foi resolvida momentaneamente com essa fusão dos fundos de previdência, mas daqui a cinco anos o fundo de previdência criado por Déda não vai suportar um elefante que se montou em cima, onde 1.946 servidores aposentados recebem 30% da folha de pagamentos de Sergipe com super salários. O cara se aposenta como governador e parlamentar, conta os dois tempos e tem uma aposentadoria de R$ 80 mil. Não cabe mais. Ou chama a população para conversar e cortar isso ou não vai resolver. Vai ficar o povo sofrendo a vida toda.

Mas e João Alves? Adoeceu no poder?

João Alves sofre de uma apneia muito próxima do Alzheimer. Ele já vinha, há dois anos, sofrendo com isso. Ninguém pode negar a história de João Alves como grande idealizador. Nunca foi candidato no Legislativo, não nasceu pra isso. Gosta do Executivo e é responsável pelas principais obras em Sergipe. É muito triste a gente ver um João Alves com toda capacidade intelectual se encontrar com o estado de saúde dele. João Alves tem 90% hoje de problema de saúde sério. A gente deveria até preservar e ter caridade, misericórdia, amor. A gente precisa preservar a história de um homem que fez muito por Sergipe. Eu nunca fui aliado de João Alves. Lutei sempre no campo da esquerda, mas tenho uma visão muito clara e não posso negar que João Alves foi o governador que fez mais por Sergipe, foi o melhor prefeito de Aracaju, na primeira gestão, mas, lamentavelmente, vive nessa condição hoje. Eu sei que a administração dele, no final, foi muito ruim. Não foi o perfil de sua administração. Eu soube de uma pessoa muito próxima que foi muito rápida a doença dele. Ele já vinha dando demonstrações de esquecimento, mas foi muito rápido e cruel. Essa é uma doença nova. É uma apneia muito próxima do Alzheimer. Ninguém sabe precisar se foi medicação errada. Foi diagnosticado tardiamente. Houve um equívoco médico. Se, talvez, fosse detectado antes teria mais chance de retardar.

Deveriam ter preservado João Alves?

Sacrificá-lo foi uma coisa desumana. Eu já percebia que existia alguma coisa, mas não tinha essa proximidade. Os filhos não queriam que ele fosse candidato mais, mas os aduladores do poder não gostam de perder a mamata. Esses aduladores sumiram (depois da doença). A ave de rapina suga nos tempos bons e nos tempos ruins cai fora.

Como avalia a Operação Caça-Fantasma?

Eu sou apaixonado pelo trabalho do Ministério Público. Eu, como deputado federal, fui um dos que mais trabalharam pelo fortalecimento do Ministério Público. Eu quando era deputado, em 2003, José Dirceu queria reunir a bancada do PT para tirar os poderes do Ministério Público. Eu me rebelei contra. Veio o procurador-geral da República conversar comigo e mostrar o contra-cheque dele junto com Jobim. Jobim ganhava R$ 22 mil e ele R$ 8 mil. Eu fui relator do processo do deputado Barbieri, de São Paulo, para equiparar o salário do Ministério Público com o do Judiciário. Acho que é importante e venho denunciando essa questão de excesso de cargos comissionados, há 30 anos. Eu quando era presidente da Energipe tinha gente que ganhava sem trabalhar e eu tirei da folha de pagamento. Arranjei briga para todo lado. Na Funcaju a mesma coisa. É uma doença nos 5.850 municípios do Brasil. A gente precisa ter o cuidado para não ser seletivo. Tem que ver quantos funcionários tem na Prefeitura de Aracaju, no Governo do Estado, no Tribunal de Contas. Por que o presidente do Tribunal de Contas tem na presidência 96 cargos comissionados e 28 no gabinete, sem dar espaço para as pessoas que passaram no concurso? Na realidade, o Ministério Público precisa fazer uma operação. Isso é um escárnio. Não dá mais para gente assistir a isso. Muito embora, eu, particularmente como advogado, acho que a prisão da jornalista Ana Alves foi exageradamente desproporcional. Só quem não entende de direito ou quer fazer uma avaliação caolha vê assim. Eu não estou falando isso porque é Ana. O homem tem que ser justo. Maria foi escolhida para ser a mãe de Jesus e José era justo. Temos que ser justos diante de Deus. Quando a esposa de Déda foi denunciada nessa questão do helicóptero, eu fiz a defesa dela, como fiz de José Roberto do MST, como fiz quando Gilmar Carvalho foi preso injustamente. Ana Alves não era gestora, da relação que tem lá ela conhece quatro pessoas. Uma pessoa foi intimada e foi ao partido saber e ela disse que iria arranjar um advogado para acompanhar. Isso não é obstruir Justiça coisa nenhuma. Vivemos em um estado democrático de direito. O Império é a lei. A gente precisa ter cuidado para punir as pessoas certas. Quem recebeu sem trabalhar tem que devolver o dinheiro. Mas devemos ter cautela. Eu conheço o processo. Eu fui despachar com o juiz. Impossível se caracterizar obstrução de Justiça. Peculato, se ela não tinha função pública? Não tem nenhuma prova de indicação. Apenas uma pessoa apareceu para perguntar, e ela extrapolou dizendo que ia investigar a vida dos promotores. Fui muito mais nessa linha. Se eu sou presidente de um partido e aparece alguém e diz que recebeu uma intimação, eu digo que vou arrumar um advogado, não tem nada de anormal. Beleza, riqueza e santidade depois de apurado não se dá metade da metade. Não tem ninguém sem pecado. O Ministério Público é pedagógico. É bom fazer essas investigações. A sociedade é sábia e entendeu. Até pessoas que eram inimigas da família Alves colocaram a estranheza da prisão dela. Foi desproporcional. Não tem ninguém que afrontar a ordem pública, que represente ameaça. Qual a obstrução que tem da Justiça, se as investigações continuam? E é bom que continuem mesmo. O Ministério Público fez um grande trabalho para diminuir os cargos comissionados no Tribunal de Contas. Ganhou uma sentença judicial com um grande trabalho do doutor Bruno Melo junto com sua equipe. Eu participei desse processo porque eu era advogado dos concursados do Tribunal de Contas. A Justiça mandou diminuir os cargos comissionados que caracterizam 25% em relação aos cargos efetivos. Sergipe é o único estado no Brasil que tem maior número de cargos comissionados do que efetivo. Eles não cumpriram e recorreram da decisão.

27/12/2017 21:12:00
Temer e André precisam respeitar o eleitor que não quer a Reforma da Previdência

Só mesmo uma dose incomensurável de ingenuidade para enviar uma carta ao presidente Michel Temer resmungando e apontando o ministro Carlos Marun como o responsável por condicionar a liberação de financiamentos junto a bancos públicos para os Estados à pressão que governadores estariam obrigados a fazer nos deputados para aprovar a Reforma da Previdência na base da chantagem.

Bolas! Temer, obviamente, se não for o mentor intelectual da ideia, concordou com a mesma de pronto. Um auxiliar não teria tamanha petulância. E Temer, agora, é Lula, que não sabe de nada?

O governador Jackson Barreto, que sonha com o empréstimo de R$ 560 milhões junto à Caixa, mas não assinou a tal carta, fez muito bem. Não há motivo que justifique um presidente da República colocar a faca no pescoço de governadores numa chantagem que beira a desfaçatez, se esconder e os chantageados comerem moscas.

Aliás, coragem do canso do líder do governo, o deputado por Sergipe, André Moura, de colocar a cara na TV e assumir mais este desgaste de Temer, ao admitir a “chantagem governista”. Usou palavras amenas, é verdade, mas se espremer dá no mesmo. Lembremos:

“O governo tem uma prioridade para 2018, que é a aprovação da Reforma da Previdência. O governo pede o apoio dos governadores com as suas bancadas, para que possamos ter os votos necessários para aprovação”, disse André Moura à TV Sergipe.

Que o presidente Temer, André Moura, Marun ou qualquer governista tente persuadir governadores dialogando para que, por sua vez, estes convençam deputados com os quais tenham afinidades tudo bem. Trivial. Anormal seria o governo cruzar os braços e não tentar aprovar a reforma. Mas faca no pescoço? Chantagem?
Sergipe precisa dos recursos para recuperar suas estradas e precisa, sobretudo, saber que o Governo do Estado e os deputados estaduais fizeram suas partes para viabilizar o empréstimo.

O governador tem seus pecados, há equívocos no seu governo - e já apontamos neste espaço. Mas é preciso registrar que Jackson está fazendo um esforço além das suas forças para conseguir os recursos e investir nas obras. Os mais próximos falam até em saúde em xeque.

Agora, Jackson não manda em Temer. tampouco nos votos dos deputados. Tem, evidente, afinidade com alguns. Influência, digamos. Mas não pode, e nem deveria se pudesse, perpassar a chantagem temista. A população, em sua maioria, não quer a reforma como está sendo apresentada. O próprio Temer já reconheceu isso em entrevistas.
Como, então, querer jogar governador e deputados contra o sentimento do eleitor em pleno ano eleitoral, quando a tal reforma pode ser votada?

Hoje, Temer e seu líder André Moura estão na linha de frente, mesmo tendo consciência que estão contra a vontade do eleitor. E a rejeição apontada pelas pesquisas mostra isso. Mas estão de livre e espontânea vontade. Não há pressão.

Temer e André defendem uma reforma com a qual o povo, em sua maioria, não concorda – e basta uma olhadinha nas redes sociais para se constatar - porque querem. Não estão sendo pressionados para isso. Deveriam respeitar os eleitores que rejeitam a ideia, respeitando o direito constitucional de os deputados votarem de acordo com suas convicções.

26/12/2017 20:30:00
Sukita: todos estão errados só ele está certo?

Sergipe é um estado cujos políticos costumam criar marcas. Seja João Alves e as obras, Marcelo Déda e a oratória ou Albano Franco e a inesquecível frase “todos se conhecem”, a identidade junto ao eleitor soa marca registrada. Ana Lúcia e os professores, Adelson Barreto e os pobres, João Daniel e os Sem Terra...

Quer mais? O que dizer da ironia com que Jackson Barreto tira adversários do sério? Da astúcia do senador Valadares para encarar o jogo político? O deputado André Moura adquiriu a marca de ser próximo ao presidente Michel Temer, que, mesmo sem ser de Sergipe, não foge à regra: tem fama de “golpista”.

Quer mais? Há quem critique o jeito como Rogério Carvalho parte para cima. Mendonça Prado é sério e não tem papas na língua. Galeguinho é gente boa. Reinaldo Moura diz o que pensa. Dr Émerson é decente. Laércio emprega muita gente. Almeida é bom gestor. Amorim tem cara de padre. Vanderbal Marinho é calado...

Há político com fama de traidor e antiético, por querer passar ao eleitor que é melhor que os demais mesmo sem ser. Dissimulado. E, evidente, tem gente com fama de enganador, traidor e até de ladrão.

Quer mais? Agora use a imaginação. Já rodeamos demais, citando vários exemplos. Lembramos até textos chatos, cujo autor não sabe ir direto ao ponto e cansa o internauta com suas asneiras marca...  

Indo, então, ao ponto, o que motivou este texto foi mais uma polêmica que chega à população via mídia, neste momento, envolvendo o ex-prefeito Manuel Sukita, cuja marca vai sendo confirmada no sentido de não se unir com ninguém. Oh rapazinho que gosta de confusão... A bola da vez é a tal assinatura ainda dos tempos de PSB.

Sukita é um problemático por natureza, um criador de casos nato, chato pra cacete ou, como ele mesmo costuma dizer, chorando nos rádios, uma vítima? Um injustiçado? Todo o mundo está errado e só ele certo? Todos se combinaram para persegui-lo, inclusive o Judiciário que já o jogou na cadeia, numa trama diabólica?

Sukita é novo na idade, mas parece ter a mentalidade de um político ultrapassado. Brigou com os Valadares, os Amorim, André Moura, Zezinho Sobral, Ezequiel Leite... Provocou Jackson Barreto, criou problemas com deputados estaduais (naquela história de Carnalita) e até com jornalistas que colocaram em xeque sua honestidade enquanto homem público.

A cada nova polêmica, Sukita vai ratificando a marca de problemático, pra citar apenas uma. Vai justificando a distância que a faixa do eleitorado mais esclarecido demonstra querer ter dele, sobretudo levando em conta as opiniões postadas em redes sociais.

Sukita talvez não se dê conta, mas, caso continue assim, uma hora não restará mais nenhum político com densidade eleitoral para compor uma aliança. E o eleitor pode até ser lento, mas acaba derrubando a ficha também. 

20/12/2017 20:22:00
Vai clareando: João não defecava. João não tinha era saúde

Ao ventilar o que todos os sergipanos, minimamente informados, já suspeitavam, mas nenhum teve a coragem de dizer publicamente (João Alves adoeceu no exercício do mandato e foi usado), o ex-deputado federal Mendonça Prado dá uma luz ao MP e ao TCE: promover um pente fino nos contratos firmados entre a Prefeitura de Aracaju e empresas privadas. Não surpreenderia que, assim como desmascarou funcionários fantasma, o MP revelasse também serviços e empresas fantasmas.

Não sou açodado ao ponto de afirmar aqui que, aproveitando-se da doença de João Alves, ladrões e ladras entraram em cena. Como sempre digo, todos são inocentes até que se prove o contrário. 

Todavia, como estamos falando do suado e escasso, nos últimos tempos, dinheiro público, e a Operação Caça Fantasma dá uma dica do que pode ser encontrado, investigar contratos e empresas soa obrigação de quem zela pelo dinheiro público. Até porque investigado não é condenado.

Não esqueçamos: João Alves, ao perder a saúde, perdeu o comando e aí já viu...

Hoje, ficou evidente: João não defecava enquanto sua turma roubava, como foi denunciado e repetido várias vezes: João estava e está doente. Já parou para pensar que ele poderia não ter – e provavelmente não tinha - discernimento sobre as coisas, ficando vulnerável a qualquer ação nefasta? É difícil, juntando as pedras do quebra cabeça, imaginar que João pode, de fato, ter sido traído? Se houve os tais roubos (e só investigando se sabe), João Alves pode sequer ter sonhado com isso.            

Aliás, com a doença de João Alves, agora, pública, não surpreenderia se a casa caísse de vez e covardes se combinassem para unificar discursos e jogar a conta no colo de quem sequer pode se defender neste momento. É bom MP, TCE e Polícia Civil não fecharem os olhos.  

A indagação feita por Mendonça Prado não permite o cochilo: onde estão os que sempre se beneficiaram de João, os que se aproveitaram dele?

Outro dia, escutei o cantor Caetano Veloso soprar que “vários romances se passam em apenas uma frase”. Lembrei do consagrado baiano, ao escutar Mendonça disparar polêmicas indagações.

Imagine, internauta, quais os detalhes a encher as páginas de tais livros sobre o que levanta Mendonça? Como se beneficiaram de João Alves na Prefeitura de Aracaju? Como se aproveitaram dele? 

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Colunista Joedson Telles
Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

 

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do colunista.

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