Um mundo sem pobreza
Blogs e Colunas | Saumíneo Nascimento 24/12/2018 08:03

 

 

O número de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo continua inaceitavelmente alto e a taxa de redução da pobreza pode não ser rápida o suficiente para alcançar a meta de acabar com a pobreza extrema até 2030, conforme objetivo do Banco Mundial. Um mundo sem pobreza ainda se apresenta como uma utopia, mas como economista e geógrafo entendo que é possível que futuras gerações vivam em uma prosperidade compartilhada e sustentável, isto seria um mundo sem pobreza.

O Nobel de Economia Angus Deaton, em sua obra “ A Grande Saída (saúde, riqueza e as origens da desigualdade)”aponta na introdução de sua obra que vive-se melhor hoje de que em qualquer outro período da história, mas completa que o mundo é imensamente desigual.

Analisando as condições de vida de nossos ancestrais, vivemos em um mundo melhor e felizmente o progresso alcançado na redução da pobreza tem sido efetivo, especialmente nas últimas décadas. Houve um comprometimento de várias nações para que cumpríssemos a meta de desenvolvimento do início do milênio de reduzir pela metade até 2015 a taxa de pobreza registrada em 1990, o que, segundo dados do Banco Mundial, ocorreu já em 2010, cinco anos antes do prazo esperado. Mas, apesar deste progresso na redução da pobreza, as desigualdades existentes entre os povos, as nações e internamente entre os territórios das nações ainda são enormes e desafiantes.

Temos aproximadamente 8,6% da população mundial vivendo com menos de US$ 1,90 por dia (linha de pobreza extrema), porém vale ressaltar que esta é a menor taxa de pobres que o mundo já registrou. A maioria dos pobres do mundo vive em áreas rurais e tem pouca educação, trabalha principalmente no setor agrícola e tem menos de 18 anos de idade.

Ainda há muito a ser feito para acabar com a pobreza extrema e muitos desafios permanecem. As projeções mais recentes mostram que, se a direção atual for mantida, o mundo não poderá erradicar a pobreza extrema até 2030. Isso porque na visão do Banco Mundial é cada vez mais difícil alcançar aqueles que ainda vivem em extrema pobreza, pois eles estão em países em situação de fragilidade e áreas remotas. 

Infelizmente o acesso à boa educação, cuidados com saúde, eletricidade, água potável e outros serviços essenciais permanece fora do alcance de muitas pessoas, muitas vezes por razões socioeconômicas, geográficas, étnicas e de gênero.

 Também temos que ter o cuidado de que o progresso planejado não seja temporário para aqueles que conseguiram escapar da pobreza: pois existem os riscos das crises econômicas, a insegurança alimentar, mudanças climáticas e outros fatores dificultem o progresso da redução da pobreza.

Ainda necessitamos encontrar outras maneiras de resolver esses problemas da pobreza. Os governos, os empresários e toda a sociedade em seus respectivos territórios necessitam criar e manter medidas que ajudem na identificação das populações pobres para a implementação de políticas e ações apropriadas para o desenvolvimento da humanidade e para a melhoria de suas condições de vida.  Precisamos investir nas pessoas e garantir que o crescimento econômico seja inclusivo, não podemos excluir os pobres do progresso econômico.

Uma questão que muda este cenário de redução da pobreza extrema no mundo é a sua matriz metodológica, pois o próprio Banco Mundial está revendo que a  linha internacional de pobreza estabelecida em US$ 1,90, não seja adequada e outras duas linhas de pobreza mais altas são efetivas neste final da segunda década do Século XXI: US$ 3,20 e US$ 5,50 por dia.  Para o Banco Mundial, essas linhas, que são linhas de pobreza nacionais típicas entre países de renda baixa e média-alta, respectivamente são projetadas para complementar, e não substituir, a linha de pobreza internacional de US$ 1,90. 

Os dados apontados pelo Banco Mundial revelam que os rápidos avanços em termos de pobreza extrema não correspondem às reduções no número de pessoas que vivem com esses níveis mais altos de renda. Em 2015, mais de um quarto da população mundial sobreviveu com US$ 3,20 por dia e aproximadamente metade da população mundial vive com menos de US$ 5,50 por dia.

Não podemos esquecer que à medida que os países crescem, as definições das necessidades básicas mudam. Um exemplo citado pelo Banco Mundial é o de uma pessoa que em um país pobre pode precisar apenas de roupas e alimentos para participar do mercado de trabalho, mas nas economias mais ricas uma pessoa também pode precisar de acesso à internet, de um carro e um telefone celular.

Entendo que acabar com a pobreza extrema deve ser o objetivo principal de qualquer governante, é importante que o setor público seja capaz de analisar as privações em múltiplas dimensões e reconhecer a maior complexidade inerente ao conceito de pobreza em seu território de atuação.

Um paradoxo mundial é o de que o crescimento econômico fez com que uma proporção muito maior de pobres do mundo esteja vivendo em países mais ricos, estabelecendo linhas adicionais de pobreza, o que torna complexo a compreensão do que seja efetivamente a pobreza a partir de uma perspectiva mais ampla.

No continente em que vivemos (América Latina e Caribe), conforme os dados disponibilizados pelo Banco Mundial, no período entre 2010 e 2015, houve menos prosperidade compartilhada na região do que em anos anteriores, porque suas economias foram afetadas por um declínio nos preços mundiais das commodities. Conforme o Banco Mundial, em 2015, quase 11% da população dessa região vivia com menos de US$ 3,20 por dia e mais de 26% com menos de US$ 5,50 por dia. 

Importante referência neste assunto de redução da pobreza é o relatório “Comércio e redução da pobreza: novas evidências de impactos nos países em desenvolvimento” que foi lançado pelo Diretor Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Diplomata Brasileiro, Roberto Azevêdo, e pelo Economista Chefe do Banco Mundial, Pinelopi Goldberg, na OMC, em Genebra no ano de 2015. O relatório apresenta oito estudos de caso que mostram como o comércio ajuda os extremamente pobres no mundo em desenvolvimento, particularmente aqueles que vivem em estados em conflito, trabalham em áreas rurais ou em empregos informais ou são mulheres. 

O brasileiro Roberto Azevêdo comentou quando da publicação do material que "este relatório analisa os desafios que os mais pobres enfrentam ao ingressar nos fluxos comerciais globais. Também destaca o fato de que, em um cenário de maior incerteza na política comercial, os mais pobres podem perder mais".

Para a organização internacional comandada pelo brasileiro, a publicação demonstra que a abertura comercial tem impactos claros e positivos na redução da pobreza, como a redução dos preços do que os pobres consomem e o aumento de seu acesso aos mercados estrangeiros, onde eles podem obter um retorno melhor sobre o que vendem. O comércio também pode beneficiar os pobres, permitindo que os produtores de bens tenham acesso a suprimentos do exterior quando confrontados com choques na cadeia de fornecimento doméstica. 

O comércio também pode ajudar grupos específicos. Um estudo de caso na publicação destaca que as mulheres na África que trabalham em firmas exportadoras possuem melhor remuneração do que aquelas que trabalham em firmas não comerciais.

Conforme a OMC, os estudos destacam que, embora as reformas comerciais possam criar novas oportunidades, elas também podem implicar desafios para os pobres. O acesso aos mercados internacionais, por exemplo, pode proporcionar rendimentos médios mais altos aos agricultores que se especializam na produção de safras de exportação, mas também pode resultar em uma maior concorrência que reduz as oportunidades de trabalho para os pobres em setores concorrentes de importação.

A intenção desta breve abordagem foi relembrar para alguns que é responsabilidade de todos, a superação dos desafios que os extremamente pobres enfrentam, vamos então trabalhar, propor e encontrar maneiras de superação dos obstáculos existentes para a redução da pobreza no mundo, esta será a chave que abrirá as portas para um mundo melhor.

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Saumíneo Nascimento
Saumíneo Nascimento é Economista, Mestre e Doutor em Geografia, tem Pós-Doutorado em Ciência da Propriedade Intelectual pela UFS, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, da Associação Brasileira de Relações Internacionais e da Academia Nacional de Economia.

E-mail: saumineon@gmail.com


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