Mudança de comando no FMI
Blogs e Colunas | Saumíneo Nascimento 08/07/2019 07:44

Ocorreu no mês de julho/2019 uma mudança no comando principal do Fundo Monetário Internacional (FMI), em função de que Christine Lagarde, ex-Dirigente maior da entidade internacional ter sido nomeada para a Presidência do Banco Central Europeu.

Para o lugar de Christine Lagarde, o Conselho Executivo do FMI atribuiu temporariamente a responsabilidade de condução do FMI para o primeiro vice-diretor administrativo, David Lipton, ficando o mesmo como diretor-gerente interino do FMI.

O currículo de David Lipton é o seguinte: assumiu o cargo de primeiro vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 1 de Setembro de 2011. Anteriormente, desde 26 de julho de 2011, ele atuou como Assessor Especial do Diretor Geral do FMI. Antes de ingressar no FMI, o Sr. Lipton foi Assistente Especial do Presidente e Diretor Principal de Assuntos Econômicos Internacionais do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos e do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, na Casa Branca.

Consta ainda em seu currículo, que ele foi Diretor Administrativo do Citi, onde liderou a seção Global Country Risk Management. Ao desempenhar essa função, ele presidiu o Comitê de Risco do País do Citi, trabalhou para o Diretor de Risco e assessorou a gerência sênior em questões relacionadas ao risco global. Antes de ingressar no Citi em maio de 2005, ela trabalhou por cinco anos no Moore Capital Management, um fundo de investimento livre global, depois de trabalhar por um ano no Carnegie Endowment for International Peace. Dr. Lipton também serviu no Departamento do Tesouro durante a administração Clinton, de 1993 a 1998. Como secretário-assistente do Tesouro para Assuntos Internacionais.

Antes de ingressar na administração Clinton, Lipton era pesquisador do Woodrow Wilson Center.

De 1989 a 1992, ele se juntou ao professor Jeffrey Sachs, então na Universidade de Harvard, trabalhando como conselheiro econômico para os governos da Eslovênia, Polônia e Rússia durante suas transições para os regimes capitalistas.

Registre-se também que Dr. Lipton começou sua carreira trabalhando como funcionário do FMI por oito anos, lidando com questões relacionadas à estabilização econômica em países pobres e economias emergentes.

Lipton obteve seu doutorado e seu mestrado pela Universidade de Harvard em 1982 e seu diploma de bacharel pela Wesleyan University em 1975.

 

Pelo exposto, fica evidenciado que o atual Diretor Gerente do FMI possui credenciais para boa e adequada condução do órgão internacional.

Destaque-se que a ideia de criar o FMI surgiu em julho de 1944 em uma conferência das Nações Unidas realizada em Bretton Woods, New Hampshire (Estados Unidos), quando os representantes de 44 países concordaram em estabelecer um quadro de cooperação econômica internacional para evitar a repetição das desvalorizações cambiais que contribuíram para a Grande Depressão dos anos 1930. Com isso, o FMI surgiu com a missão de assegurar a estabilidade do sistema monetário internacional; ou seja, o sistema de pagamentos internacionais e taxas de câmbio que permitem que os países e seus cidadãos façam transações entre si. O FMI também busca contribuir para a cooperação monetária internacional visando a facilitação do comércio internacional para a promoção do emprego e o crescimento econômico sustentável capaz de reduzir a pobreza em todo o mundo. 

Na atualidade o FMI é administrado por 189 países membros aos quais é responsável, através de uma Diretoria Executiva com 24 diretores comandados pelo Diretor Gerente, conta com um staff de aproximadamente 2.700 funcionários de vários países e tem sua sede em Washington – Estados Unidos.

Na sua atuação, o FMI procura manter a estabilidade e evitar crises no sistema monetário internacional, o FMI procura revisar as políticas econômicas implementadas pelos países membros, bem como a situação econômica e financeira nacional, regional e global através de um sistema formal de supervisão.

Uma forma mais conhecida de atuação do FMI é prestar assistência financeira, através da concessão de empréstimos aos países membros que estão expostos a problemas de balança de pagamentos.

Registre-se que o Brasil é 10º maior país com poder de voto entre os membros do FMI com 2,32%. Além disso, conforme o Banco Central do Brasil, atualmente, além de participar como credor do FMI nas operações de concessão de empréstimos para países em dificuldades, o Brasil se submete ao monitoramento regular das suas condições econômicas e da estabilidade do sistema financeiro local, bem como toma parte em missões de prestação de assistência técnica e aconselhamento econômico a outros países-membros.

De acordo com a última avaliação do FMI sobre o Brasil, realizada em julho de 2018, os diretores executivos da entidade concordaram que a recuperação econômica do Brasil está em andamento, mas continua sujeita a riscos de queda significativos decorrentes da incerteza em relação à continuidade das reformas e ao atual aperto das condições financeiras globais. Os diretores encorajaram as autoridades a continuar seus esforços para garantir a sustentabilidade fiscal e remover os impedimentos estruturais para um crescimento forte e duradouro.

Que o novo dirigente do FMI consiga sucesso na formulação de políticas econômicas que melhorem a situação econômica dos seus membros e que sua experiência profissional seja utilizada para uma profícua liderança da instituição financeira global que tanto é estigmatizada.

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Saumíneo Nascimento
Saumíneo Nascimento é Economista, Mestre e Doutor em Geografia, tem Pós-Doutorado em Ciência da Propriedade Intelectual pela UFS, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, da Associação Brasileira de Relações Internacionais e da Academia Nacional de Economia.

E-mail: saumineon@gmail.com


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