CHAMEM LOURIVAL FONTES O STF REINVENTOU A CENSURA
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 17/04/2019 15:53

Lourival Fontes, um sergipano, foi uma das figuras centrais do Estado Novo, aquele período em que recrudesceu a ditadura de Getúlio, entre 1937 e 1945, quando os generais que ajudaram a criar o monstrengo, resolveram  dar por encerrada a tarefa do ditador, antes que ele resolvesse mais uma vez adiar a redemocratização, com eleições já marcadas, candidatos lançados, e prolongasse indefinidamente o seu “curto período" de 15 anos. 

Lourival Fontes morreu faz mais de 50 anos, mas ele é sempre relembrado quando se fala sobre censura, restrições à liberdade, autoritarismo. 

Em relação a Getúlio, guardadas as dimensões dos personagens e a amplitude do totalitarismo, ele teve  o mesmo significado  de Joseph Goebbels para Adolf Hitler. Havia entre eles muitas similitudes   intelectuais, fisionômicas, na atração pelas mulheres, na submissão aos seus chefes, e no ardor fanático pelos regimes aos quais serviam. 

Goebbels dizia que ao ouvir falar a palavra cultura, logo sacava a sua pistola. Lourival quase entrava em transe ao ouvir falar em liberdade de expressão. 

Goebbels era feio, capenga. Lourival estava muito longe de ser bonito, e tinha um porte desengonçado. Os dois gabavam-se das suas conquistas amorosas. 

E por aqui as semelhanças começam a desaparecer.

Goebbels era casado, nunca separou-se da mulher, Magda, e matou-se com ela, depois de envenenarem  os  cinco filhos, antes que as tropas russas invadissem o bunker da Chancelaria onde  Hitler sucumbira junto com o seu teratológico regime. 

Lourival Fontes, declaradamente fascista, apaixonou-se pela belíssima Adalgisa Neri, jornalista e comunista, que trocou o marido também comunista, para formar um par,  ao que se presume, exclusivamente por afinidades na cama com o poderoso chefe do nefando DIP. 

Getúlio fez um decreto instituindo o divórcio no Brasil para que Lourival casasse com a comunista, sem as águas lustrais da Igreja Católica. Fascistas e comunistas que nos extremos sempre se deram as mãos, no caso, harmonizavam-se via genitálias. 

No dia seguinte o decreto foi revogado, e assim, acalmou-se a indignação do Núncio Apostólico. 

O Departamento de Imprensa e Propaganda, sob a chefia de Lourival, era a própria encarnação da intolerância, do arbítrio, da guerra permanente à liberdade de expressão. 

Nesses tempos repletos  de maus presságios, quando dois ministros do Supremo cometem a ignomínia de recriar a censura, ressurge a lembrança de Lourival Fontes, o homem que moveu a  máquina de propaganda do Estado Novo, e manteve sempre a tesoura na mão para decepar jornais, revistas, peças de teatro, tudo o que descontentava o regime. 

Dias Tofoli e  Alexandre de Morais, ambos com a arrogância vaidosa invadindo os espaços onde deveria existir sensatez, desmerecem, com a estupidez cometida, com o desvario autoritário, com o achincalhe às instituições, inclusive ao próprio Supremo, a nobre condição de  Juízes da última instancia, onde se propugna pela defesa e a integridade da Constituição  brasileira. 

Desservem à Nação envergando a toga que não mais lhes cabe, dada a ausência de dimensão ética, e de algum resquício de bom senso para honrá-la sobre os seus ombros. 

Ministros do Supremo,  jogaram irresponsavelmente mais lenha na fogueira de ódios e desencontros, onde padecem o Brasil e os brasileiros. 

Há radicais ensandecidos  que defendem uma fogueira ainda maior,  onde sejam postas a arder as nossas Instituições, a começar pelo Supremo Tribunal. E os dois ministros lhes fornecem um prato cheio de argumentos. 

Vozes sensatas são ouvidas em um coro unanime pelo país, e os dois ministros parecem debochar de tudo. 

Reagiram a Procuradora Geral da República Raquel Dodge, reagiu o presidente Bolsonaro, reagiram o Senado, a Câmara e até o próprio Supremo, pela palavra de tantos outros ministros; reagiu,  com voz pausada de equilíbrio e doçura cívico-republicana o Ministro Carlos Ayres  Britto, reagiu a Nação. 

Se corrigirem ainda a tempo o erro, o mal  já estará feito. E é preciso que sejam cobrados os “espalha-brasas” encastelados na Suprema Corte. 

É hora para que o Senado da República acolha a proposta do senador Alessandro Vieira, e desta vez seguindo o que traça a Constituição, seja seguido o rito para o impeachment dos dois Ministros, destituídos, agora, de força moral e  responsabilidade pública, para continuarem ocupando a cadeira de supremos magistrados. 

Deixemos, então, que descansem em paz os ossos de Lourival Fontes, guardados num túmulo em Riachão do  Dantas. 

EDVALDO NOGUEIRA E O FUTURO 

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, é um personagem sui generis na  politica sergipana, pouco generosa para acolher o que fuja aos parâmetros estreitos das nossas limitações, ceifando talentos, e tantas vezes acolhendo nulidades. 

Não nos arrisquemos aos detalhes, às caracterizações, e percorramos apenas as generalidades, evitando, assim, gerar específicas feridas. 

Edvaldo é alagoano de Porto Real do Colégio, de onde nos chegaram tantos migrantes benfazejos, que trouxeram uma espécie de up grade à nossa sergipanidade. Bastaria listar aqui, entre eles, o nome do desembargador aposentado Netônio Machado.

Edvaldo, por aqui chegando ainda rapazote, depois de menino andar pelas barrancas do São Francisco como auxiliar de feirante, foi então estudar, e logo fazer política, coisa que lhe fervia no sangue, e na sua terra desagradara o coronel poderoso Elísio Maia, que, todavia, ouvindo o quase menino, apenas limitou-se a lhe transmitir alguns prudentes conselhos. Em Aracaju, Edvaldo foi militar no PC do B, uma organização ainda clandestina, e que passava a imagem de extremismo, de luta armada. Edvaldo, todavia, nunca trocou a hóstia sagrada por uma arma, sempre acreditando numa saída pacifica, numa superação do autoritarismo pela organização do povo. 

Vereador, Prefeito de Aracaju, Edvaldo construiu uma imagem de politico com preocupação social, entendendo que é preciso produzir, gerar emprego, multiplicar riquezas para garantir benefícios sociais permanentes. Do suspeito de extremismo, nasceu a personagem sólida do social-democrata, e isso o faz transitar por todas as áreas onde o diálogo for alternativa ao confronto. 

Foi a Brasília no tempo de Lula, no tempo de Dilma, no tempo de Temer, buscou o apoio do então líder deputado André Moura, recebeu recursos, destravou projetos, isso, depois de fazer um radical corte nos gastos que se desembestaram na prefeitura quando João Alves, sem condições de saúde e clareza mental, se tornou, como fora denunciado pelo o então vice prefeito José Carlos Machado um gestor  refém,  e incapacitado,  cercado de ladrões. 

A prefeitura entrou nos eixos do equilíbrio fiscal, desenvolve ações que vão de encontro à modernidade. Inova na saúde mantendo, com firmeza, a decisão de terceirizar unidades da saúde, o que no Hospital Nestor Piva começa a dar resultados visíveis. Aracaju, a cidade da qualidade de vida, é um mantra repetido por Edvaldo, que, todavia, somente se concretizará mesmo, quando for solucionado o gravíssimo problema da poluição dos nossos rios, criminalizando-se, paralelamente, a atitude nefasta de  quem impunemente, até agora, tem despejado esgoto, emporcalhando, apodrecendo, as águas que nos cercam. O desafio não será apenas para Edvaldo, mas ele já encontrou  no governador Belivaldo, um parceiro na empreitada difícil. 

Sentado na cadeira de prefeito e experimentando a nítida sensação de sucesso administrativo, Edvaldo evidentemente não deixa de ter olhos ao futuro. Se assim não o fizesse, desmereceria a  condição essencial  do animal político. Agora, com o PC do B tragado pela oportuna e indispensável clausula de barreira, que nos vai  livrar dessa fábrica de fazer partidos,  busca uma sigla onde acomodar-se, e que tenha na sua doutrina, e sobretudo na práxis, um conteúdo bem claro dos argumentos sociais democratas. Há quem o enxergue no PDT de Ciro Gomes, um politico que se eleva muito acima da mediocridade conformista que precisamos superar. Tal como fez o fundador, aquele campeador gaúcho Leonel Brizola.   

DA PETROBRAS AO CAMINHONEIRO  

A Petrobrás precisa sobreviver, mas o caminhoneiro também. A petroleira, hoje, tem de atender ao mercado, é empresa com ações nas bolsas internacionais, e sofre com qualquer interferência que sugira comando externo na sua gestão. Pode assim não corresponder exatamente aos objetivos nacionais permanentes, aos quais se identificava ao ser criada, e cresceu em anos seguintes. Agora, não tem mais jeito, a Petrobras é uma empresa multinacional. 

Assim, a interferência do presidente Bolsonaro, que seria correta não fossem essas circunstancias, gerou a queda na bolsa, apontando uma perda no valor de mercado da ordem de 32 bilhões de reais. Depois,  vieram os oportunos remédios, e solucionou-se o impasse criado entre duas visões: a do ultraliberalismo de Paulo Guedes, plenamente aceita pelo mercado,  e os restos de lembranças do Estado intervencionista que ainda andavam bailando pela cabeça do capitão, agora presidente. 

Oferecidos os remédios, Bolsonaro resultou incólume, e com a diferença de que, ao contrário de Temer, buscou sintonia com os caminhoneiros. Houve a advertência feita pelo general Heleno de que as ações anunciadas para os caminhoneiros não eram capitulação a chantagens, somente, o  resultado de um diálogo proveitoso com a classe. 

Mas o que solucionará de uma vez só os problemas dos caminhoneiros, e de todos nós brasileiros em geral, será a economia voltando a crescer. Tendo carga para transportar os caminhoneiros nem lembrarão dos preços do diesel, e tendo emprego para sustentar a vida as pessoas perderão aquela ânsia doentia pelos embates desatinados nas redes sociais. 

Se isso vier a acontecer, o Brasil começa a distensionar-se, e a política volta ao percurso normal e seguro do leito democrático. Isso, a não ser que os Tofolis e Alexandres, de dentro do STF, continuem botando fogo no circo. 

JACKSON E A DESESTATIZAÇÃO 

O ex-governador Jackson Barreto sintoniza plenamente com o governador Belivaldo Chagas, na árdua busca de caminhos para atravessar os tempos de vacas magras. JB referiu-se a uma nota aqui publicada sobre o começo da retirada do Estado dos perímetros irrigados, que podem ir à frente tocados pelos seus próprios donos. Jackson entende que não é mais admissível o Estado paternalista. A venda, a começar pelo Platô de Neópolis, renderá recursos aos cofres estaduais, e já existem grupos chineses interessados no negócio, isso, se os atuais concessionários não exercitarem o direito preferencial à compra. 

Há quem acredite que os recursos provenientes da venda, se for bem sucedida, poderão aproximar-se dos quinhentos milhões de reais. 

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Luiz Eduardo Costa
É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com


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