A PROPÓSITO DE OLAVO E LEMBRANDO DE RASPUTIN
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 08/05/2019 19:45

(Olavo o Rasputin brasileiro)

(Rasputin, o russo degenerado)

Olavo de Carvalho, a quem o presidente Bolsonaro acaba de agraciar com a Medalha Rio Branco, no seu mais elevado grau reservado às altas autoridades da República, e dignitários estrangeiros, é, pelo que escreve e fala, um ser humano asqueroso.

Pedindo desculpas a quem nos honra com a leitura, até para justificar, também, a palavra asqueroso que usamos para classificar o tal sujeito, que a si mesmo apelidou de “filósofo, e maior escritor vivo do Brasil", transcrevemos, constrangidamente, alguns tuites do Olavo postados desde os Estados Unidos onde vive.

Sobre o general de exército Eduardo Villas Boas “filosofou”: “A quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o tempo todo”.

Prosseguindo na sua “filosofia" escatológica, Olavo de Carvalho detonou: “Os generais brasileiros são cagões”, “o general Santos Cruz é um merda, um bosta", e com a mesma classificação mal cheirosa agrediu o Vice Presidente da República general Hamilton Mourão.

Foi mais longe na sua “filosofia" cafagéstica, e tripudiou sobre o general Villas Boas, um dos nomes mais respeitados no cenário público brasileiro. Vítima de uma doença degenerativa incurável, o general se mantem ativo sobre uma cadeira de rodas, respirando por aparelhos, falando com dificuldade, e assim esteve no comando do exército brasileiro. É um cidadão e militar exemplar, que, reformado, permanece trabalhando como assessor na equipe do general Santos Cruz.

O “filósofo" que inspira o presidente e monitora o governo, enraivecido com o general Villas Boas, que divulgou uma nota de solidariedade aos colegas insultados, “filosofou" mais uma vez: “Há coisas que nunca pensei ver, como um grupo de altos oficiais militares, acossados por acusações minhas que não conseguem responder, irem se proteger acostados atrás de um doente que anda em cadeira de rodas".

A doença incurável é uma fatalidade, e quem insulta alguém nessa condição, sofre do mal maior e vergonhoso, que é a ausência de sentimento humano. Olavo de Carvalho cultiva para ele mesmo a pior das doenças: a degenerescência moral irreversível.

Nunca, na história da República, um presidente manifestou solidariedade e fez homenagens a qualquer individuo que tenha publicamente ofendido integrantes do seu governo, no caso, agora, generais de exército exercendo funções, como vice presidente, ou em ministérios, agredidos todos de forma torpe.

A reação normal, digna, altiva, e correta de um presidente, seria imediatamente tornar sem efeito a comenda concedida ao esquizofrénico, que dos Estados Unidos manipula os cordéis da Presidência da República.

Mas o presidente escreveu: “Olavo, sozinho, rapidamente tornou-se um ícone verdadeiro fã ( sic ) para muitos. Seu trabalho contra a ideia insana que matou milhões no mundo e retirou a liberdade de centenas de milhões é reconhecida ( sic ) por mim”.

Então, fecha-se a página, os generais se calam, permanecem humilhados, e o guru Olavo de Carvalho continua ditando normas para o governo, mantendo dois ministros absolutamente insanos como ele mesmo, e disparando, dos Estados Unidos onde vive, as suas costumeiras postagens repulsivas.

E aqui, merece homenagens do presidente e dos seus filhos.

Enfim, ele é o “ filósofo” da Corte, o preceptor dos Bolsonaros, todos adultos.

Mas afinal o que quer Olavo de Carvalho?

Ele integra um grupo de extrema direita americana, fanáticos com fuzis nas mãos, que defendem a supremacia branca, e a hegemonia dos Estados Unidos a qualquer preço, inclusive da guerra total, se for necessário. O grupo é visto pela maioria civilizada do país como gente desatinada, esquisita, que deve merecer o desprezo, ou a força da lei. Os que não concordam com esse retorno à barbárie, são chamados de “cagões" ou “comunistas”, inimigos da democracia, destruidores da família, e de todos os “valores da civilização ocidental". É um discurso antigo, que sobreviveu ao colapso da União Soviética e ao fim do comunismo e da “guerra fria". A narrativa se mantem porque interessa à indústria armamentista, e às corporações ultrapassadas pelo avanço tecnológico, aos desajustados sociais e esquizofrénicos, que, vez por outra, cometem atentados contra negros, Mesquitas e Sinagogas. Para esses neonazistas a ecologia é uma invenção perniciosa, uma conspiração comunista para frear a energia produtiva americana. Muitos deles passaram a defender, recentemente, a ideia da terra plana. Enxergam a América latina como um conjunto repugnante de países mestiços, que devem ser submetidos ao poder do império branco do norte.

A “filosofia" de Olavo de Carvalho (e aqui imitando a sua escatologia) é o excremento encontrado no lixo político-cultural do exterior, e derramado sobre o subdesenvolvimento político e cultural do Brasil.

Mas, lembremos de quem foi Grigori Yefimovitch Rasputin. Nasceu na Sibéria, tornou-se místico e autoproclamou-se santo, com poderes paranormais, curandeiro, vidente. Virou figura permanente na corte do Tzar Nicolau II, depois de ter curado a uma distancia de centenas de quilômetros o Tzarevitch Alexei, uma criança que nascera com hemofilia. Dai em diante Rasputin passou a fazer parte da família dos Romanov, e a tzarina Alexandra fez dele confidente e guia espiritual. O Tzar não escapou da sedução do camponês rude que se fez o conselheiro mais acreditado, com força suficiente para nomear ministros, e até afastar do circulo do poder generais e nobres, inconformados com os métodos grosseiros, o comportamento devasso de Rasputin, sobretudo, o poder enorme que ele exercia sobre o Tzar Nicolau, e, mais ainda, sobre a esposa Alexandra e os filhos, Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e Alexei.

Rasputin, um debochado, vulgar, presunçoso e arrogante, quando sob efeito de muita vodca, gabava-se de levar para a cama tanto a Tzarina, como suas três filhas mais velhas, e insinuava, até, que o próprio Tzar não escapava da sua fúria sexual de priápico.

Rasputin ultrapassou todos os limites da presunção de poder, e morreu assassinado na véspera do ano novo de 1915. Seu corpo foi jogado nas águas geladas do rio Neva, em São Petersburgo. Seus executores eram todos da alta nobreza russa e militares, chefiados pelo príncipe Yussupov.

O profeta amoral fizera a predição de que, após a sua morte, os Romanov também morreriam. Quatro anos depois toda a família real russa foi selvagemente fuzilada por um grupo de soldados bolchevistas.

Alguma semelhança entre o insano “ filósofo" Olavo e o degenerado “santo" Rasputin?

O Brasil real fica à margem dessa doideira toda, com seus treze milhões de desempregados, a economia definhando, as empresas fechando portas, milhões de brasileiros desesperançados e passando fome.

E aqueles que estão no núcleo do governo tentando fazer o melhor pelo país, são chamados de “cagões", “bostas" e “merdas", exatamente pelo guru reverenciado pelo presidente, adorado pelos seus filhos, que são três. Um derrama gasolina, outro toca fogo, e o terceiro sopra para avivar as chamas.

É surrealismo, ou é hospício mesmo?

OS MATADOUROS FECHADOS E O BOI ABATIDO NA “FOLHINHA”

 

Assevera o médico sanitarista Samarone, um permanente defensor das boas causas, que o fechamento sumário dos Matadouros em nada contribuiu para melhorar a qualidade da carne que os sergipanos consomem. Pelo contrário, o produto agora é de qualidade duvidosa, em alguns casos, quase podre. Isso, além do desmonte do sistema de abate , trato das vísceras dos animais, e comercialização. Há centenas de pessoas desempregadas.

O Ministério Público talvez não tenha avaliado as consequências do fechamento, e não estaria acompanhando a sequencia de problemas, entre eles, o boi abatido na “folhinha", ou seja, clandestino, sem recolher imposto, a carne sendo transportada a grandes distancias em caminhões sem refrigeração, e apodrecendo. Os preços subindo e a população sendo penalizada.

Mais lógico, mais racional, mais inteligente, mais adequado à prática econômica, seria deixar os Matadouros funcionando, e dando a todos um prazo razoável para que fizessem as necessárias adaptações. Quanto aos desvios que neles aconteciam, e em consequência prefeitos já foram parar na cadeia, bastaria a providencia penal saneadora.

A PROFESSORA MARIÁ

Dos noventa e seis anos anos vividos, durante quase oitenta ela esteve na sala de aula, ou delas cuidando do lado de fora. Mariá Galrão Almeida foi mestra em tempo integral. Tomou a si a nobre missão de formar gerações, quando, com as irmãs Bernadete e Amanda criou o Colégio do Salvador. E a essa obra educacional dedicou toda a sua vida.

Era rígida e apegada a valores dos quais não abriu mão, nem mesmo quando a modernidade pedagógica assim exigia. Ela soube adaptar-se sem perder a essência do seu entendimento de educar, formar e orientar. E viu os bons frutos de gerações se sucedendo, e com elas continuando a marca de excelência do Colégio do Salvador.

Dona Mariá, um nome nobre, um ser humano exemplar.

JB, E A POLÍTICA AOS 75 ANOS

Nesse começo de maio Jackson Barreto chegou aos 75 anos. Não é mais um jovem, mas conserva a jovialidade quando se trata de fazer política. Ele é, como poucos, um ser essencialmente político, que mantem posições, conserva o pensamento e os propósitos da juventude, fazendo as revisões que a evolução social impõe, sem perder o faro que sempre o fez sentir o cheiro de povo.

Melhor do que ninguém o professor Jorge Carvalho escreveu, na data dos 75, artigo muito comentado aliás, sobre a vida e o governo de Jackson, do qual ele fez parte conduzindo com sapiência a Secretaria da Educação. Jorge revela, sobretudo, o trabalho na área cultural que Jackson deixa como legado do seu tempo de governo.

Aos 75 anos JB demonstra que absolutamente não cansou nem desistiu da política.

UCHOA REITOR DA UNIT LIGA PARA ÂNGELO REITOR DA UFS

Jouberto Uchoa, Reitor da UNIT, que é inegavelmente um modelo bem sucedido de Universidade privada, não aprovou a forma como o Ministro Onix Lorenzoni, tratou a Universidade pública fazendo uma comparação entre a UNIT e a UFS, para desqualificar as instituições públicas de ensino superior.

Uchoa reconhece, como todos os cidadãos brasileiros, que existem graves problemas a resolver no ensino público, mas não se faz isso criando confrontos e gerando insatisfações.

Uchoa telefonou ao Reitor Ângelo Antonioni para levar-lhe solidariedade.

Gesto de um cidadão sensato, que entende não ser apropriado produzir choques entre o ensino privado e o público. Para Uchoa cada um deles desempenha o seu papel, e cabem nos seus espaços próprios, e assim se complementam na obra civilizatória, o desafio que impõe a modernidade brasileira.

O PRESIDENTE E O “ VALOR AGREGADO”

Em entrevista na Rede TV à modelo Luciana Gimenez, que continua tentando ser jornalista, o presidente Bolsonaro falou sobre desemprego, e disse: “O salário é pouco para quem recebe e muito para quem paga. O que se produz aqui dentro acaba tendo um valor agregado muito alto".

Precisam explicar ao presidente o que vem a ser exatamente Valor Agregado.

Gerar valor agregado ao produto é uma das metas de qualquer empresa que almeje o sucesso. Expliquem ao presidente, com urgência, que precisamos agregar valor ao minério de ferro, à soja que exportamos, e à tudo mais que produzimos.

Agregar valor ao produto é o caminho áureo para recuperar o nosso decadente parque industrial.

Quando se agrega valor ao produto, o salário começa a deixar de ser pouco para quem recebe, e muito para quem paga.

O presidente, como se vê, precisa agregar valor às suas falas e ao seu governo. E não se agrega valor a um governo tolerando as sandices de Olavo de Carvalho, um desagregador de valores da civilidade.

LAÉRCIO E O SISTEMA S

O deputado federal Laércio Oliveira faz enfática defesa do sistema S. Aquelas instituições como o SENAC, o SESI, e tantas outras conduzidas pelas entidades empresariais. O sistema S, entre outras coisas, é responsável por boa parte da qualificação da mão de obra brasileira.

Poderá ser aperfeiçoado, mas, dele retirar recursos além de ser intromissão indevida, é algo absurdo, porque os resultados do sistema S são imensamente superiores aos possíveis desacertos em algumas áreas específicas. Em Sergipe, no comando da Federação do Comércio, o deputado Laércio demonstra como o sistema S pode ser eficiente, e necessário à sociedade.

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Luiz Eduardo Costa
É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com


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