A IDA E O RETORNO DA CENTRAL DO G. BARBOSA
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 08/06/2019 19:20 - Atualizado em 08/06/2019 19:51

(A Central Regional de Compras retornando a Aracaju)

O grupo G. Barbosa nasceu miudinho, tocado pela coragem dos irmãos empreendedores Gentil e Noel. Gentil faleceu em 2001, e o grupo prosseguiu, tendo à frente a mesma família.

Em Itabaiana surgiram os três grandes grupos de supermercados tocados por irmãos: o Paes Mendonça, criado por Mamede Paes Mendonça, o Bom Preço, iniciado por Pedro Paes Mendonça, e multiplicado pelo seu filho, João Carlos Paes Mendonça, e o G. Barbosa, o último dos três grandes. Gentil, o fundador, trabalhou como balconista num armazém de secos e molhados, a primeira empresa de Mamede.

Depois, quando se haviam expandido, e colocados entre os maiores do país, os três foram vendidos a multinacionais.

Em Itabaiana vai ganhando escala uma outra empresa semelhante, também criada por irmãos: o Grupo Irmãos Peixoto.

Vendido à multinacional de origem chilena, Cencosud, o G. Barbosa teve sua Central de Compras em Aracaju , por decisão dos novos controladores, transferida para Salvador em 2011.

Agora, anuncia-se, evidentemente com júbilo, que a Central de Compras e Administração retornará a Aracaju, concentrando a movimentação, no nordeste, de toda a rede. Nesse sentido, a direção do grupo já firmou acordo com o governador Belivaldo Chagas.

O industrial Orlando Mendonça de Carvalho, da Fabise, elenca os resultados imediatos dessa transferência: maior arrecadação para o estado, geração de empregos diretos e indiretos, presença, aqui, da numerosa equipe de vendedores, representando industrias, aquela categoria que antes era chamada de “viajantes", e os colaboradores do G. Barbosa da Central baiana, retornando a Aracaju. O impacto disso tudo será positivamente sentido nos setores imobiliário e hoteleiro, no comércio, e, de um modo geral, contribuindo para ir reduzindo a letargia no nosso panorama de negócios.

Entre os argutos observadores da realidade e da crise sergipana, constata-se que essa volta da Central seria uma espécie de marco, ou ponto de inflexão nas nossas desditas, e um aflorar do otimismo, que, no caso, será muito mais acentuado na proporção em que, lá em Brasília, boas notícias aconteçam.

Agora, a Central está de volta. Retorna a Aracaju, e isso, segundo alguns analistas do panorama de negócios, relaciona-se à diversos fatores, entre eles, a orientação de Belivaldo no sentido de estabelecer maior sintonia, e fazer parcerias com o setor empresarial. Nisso, o ex-secretário da Fazenda Ademário Alves, o Secretário do Desenvolvimento Ciência e tecnologia, José Augusto, tiveram um destacado protagonismo.

Outro fator seria a facilidade logística em Aracaju, e a própria qualidade de vida na cidade. E mais um, seguramente, o mais importante, que é o desenho realista do que será, nos próximos anos, a economia sergipana com a entrada em atividade dos excepcionais campos de gás e petróleo na nossa plataforma marítima. O impacto começa a tornar-se real já nessa fase, quando a presença das petroleiras na prospecção e montagem da estrutura de produção e logística, vai, progressivamente se intensificando.

O cenário sergipano torna-se um dos mais atrativos para novos investimentos, inclusive externos.

Nesse segundo semestre, realiza-se o leilão para classificar empresas energéticas interessadas em novos projetos.

Para instalar-se em Sergipe, estão alinhadas, como informa o economista Oliveira Junior, assessor do governo do estado para assuntos de energia, tres grandes empresas.

A gigante CELSE, que conclui na Barra dos Coqueiros em janeiro do próximo ano, a maior termelétrica a gás da América Latina, e pretende instalar, no mesmo local, mais duas térmicas. Há ainda a empresa Energia do São Francisco, com um projeto pronto para iniciar em Canindé uma usina fotovoltaica, a primeira, de grandes dimensões, surgindo em Sergipe.

Já no Riachão do Dantas, aproveitando os ventos favoráveis da região, a empresa Palma dos Ventos, projeta uma usina eólica que estará entre as dez maiores do Brasil. Somados, esses investimentos ultrapassam os dez bilhões de reais, incluída a termelétrica da CELSE, quase pronta.

O Grupo G. Barbosa não se retraiu dos negócios após a morte de Gentil, e a tragédia de outras mortes em acidente aéreo, e expandiu-se muito depois da venda da rede de supermercados. Diversificou-se, com Noel, os filhos dele, e de Gentil, à frente das novas empresas. Atua hoje no setor da distribuição de combustíveis, com uma rede de postos de gasolina e lojas de conveniência, na agropecuária, e shoppings.

Há três meses a Ministra da Agricultura veio a Sergipe para visitar a exposição de cavalos quarto de milha no Parque de Exposições e Vaquejadas, instalado pelo empresário Geraldo Magela. Ele é filho de Gentil Barbosa, e o empreendimento instalado em Lagarto, é considerado um dos maiores do país.

Já Álvaro Barbosa, filho de Noel, concentra-se na PETROX, com transporte de combustíveis, postos e lojas de conveniência. Alvinho, como é mais conhecido, tem visão de futuro, e já desenvolve gestões para montar, em Sergipe, uma Central de distribuição de gás liquefeito. Isso corresponde a uma mudança de paradigma no uso de combustíveis, com efeitos positivos no custo dos transportes, e no meio ambiente.

O grupo que instala a CELSE, e já ancorou, em frente, uma Usina flutuante de regaseificação, se junta às petroleiras que irão produzir o gás em Sergipe, e envolvidas no projeto.

Hoje, o maior entrave para que se efetivem todos os grandes projetos em Sergipe, é a subsidiária da calamitosa VALE, que opera com extrema ganancia e visão estreita o Terminal Marítimo da Barra dos Coqueiros.

O CENCOSUD, um grupo moderno, evidentemente enxerga muito bem as perspectivas sergipanas, e aqui planeja novos investimentos. O grupo chileno divide com o Grupo Barbosa, o custeio de diversas iniciativas no campo social, inclusive, no caso das pessoas com deficiência de audição, um dos focos do Instituto Gentil Barbosa.

A REPÚBLICA DE NEYMAR

(Neymar e a República do cai cai)

Os alemães viveram a República de Weimar, os franceses viveram a República de Vichy.

As duas, são símbolos de desgraça e humilhação para dois povos, ambos, orgulhosos da sua História, dos seus heróis surgidos das guerras, das academias, da política, do pensamento, da literatura, da filosofia, dos centros de pesquisas, dos parlamentos, enfim, da sua civilização, de tudo aquilo que faz o repertório da felicidade e da vergonha das nações, da gloria e do fracasso que viveram.

A chamada República de Weimar, surgiu após o desastre da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) e à consequente subordinação às clausulas leoninas do Tratado de Versalhes.

Já os franceses, após os calamitosos erros resultantes do preconceito, do radicalismo e da forma extremada de enxergar a política e o mundo, deixaram de enfrentar as tropas hitleristas, porque sua elite aristocrática, seus políticos oportunistas, e o Estado Maior das forças armadas, entenderam, por radicalismo e também covardia, que era melhor renderem-se, mofinamente, do que convocarem o povo à resistência, colocando em linha as suas poderosas forças em terra, no mar e no ar, para deterem a blitzkrieg nazista.

Em vez de ouvirem a voz sensata, cheia de lucidez e coragem do general De Gaulle, cederam ao lamuriento apelo do senil Marechal Pétain, e arriaram as armas, antes mesmo do combate decisivo Da força aérea não decolou um só avião, da portentosa Marinha de Guerra francesa nem um só navio acendeu seus fogos para sair ao mar. No fundo, seus generais e almirantes eram admiradores do totalitarismo nazifascista, e imaginavam em Hitler a força capaz de subjugar um outro déspota, o comunista Stalin.

E houve a vergonha da capitulação. Enquanto Hitler se deixava fotografar tendo ao fundo a Torre Eiffel, na Paris ocupada, o Marechal Phillipe Pétain, com seu séquito de canalhas, ia acomodar-se no balneário termal de Vichy, que, à falta da Paris, governada por um general alemão, tornava-se a cabisbaixa capital da República francesa, colaboracionista, reduzida a um quarto do seu território, onde Hitler permitiu que a França ainda conservasse um simularco vergonhoso de existência. Mas, em Londres, Charles De Gaulle já conclamava ( não é “concramava" não, nosso capitão presidente!) o povo francês a cerrar fileiras, na resistência pela libertação da pátria.

O resto a História registra, mas, tanto no caso da República de Weimar, na Alemanha, como da República de Vichy na França, e particularmente nesta última, há sempre um sentimento de opróbio, quando a História é revisitada, em busca daquilo que se perdeu de sensatez, discernimento e equilíbrio, para que se chegasse a tal ponto de aviltamento.

Parece, infelizmente, que agora no Brasil estamos vivendo uma nova ou embolorada República: Seria a República de Neymar?

Um caso de alcova parisiense, um episódio menor entre dois jovens; um rico e deslumbrado, outra, pobre e carreirista, os dois, fúteis, e evidentemente com deficiência de lucidez. Um caso assim, apenas de fofocas em mídias sensacionalistas, se transforma no único, e até “apaixonante" debate em que se dividem duas partes de um país, desgraçado e rasteiramente rachado. Houve a visita absolutamente inoportuna de Bolsonaro a Neymar, na Clinica onde ele fazia um rápido exame, e as suas declarações mais inoportunas ainda, solidarizando-se com o atleta Depois disso, o país, ou melhor, a parte insensata do país, que se envolve na guerra entre Bolsonaristas e Lulalivristas, criou um combate paralelo. Agora, é machistas de um lado e feministas do outro.

Neymar, é canalha ou injustiçado herói, Jamile é prostituta oportunista, ou vítima do preconceito contra as mulheres.

E este passou a ser o grande tema nacional, a pauta quase única e repetitiva dos noticiários, e até das Casas Legislativas.

Neymar e Jamile, a agenda, a grande temática brasileira. E nesse conflito desarrazoado, o presidente foi o primeiro a envolver-se, ou a estimulá-lo.

A cada dia estamos nos apequenando, a cada dia o capitão acrescenta uma parcela de sandices para esse apequenamento, que já nos envergonha pelo mundo afora. Por esse caminho, corremos o risco de nos tornar a República de Neymar, ou a República trôpega do cai, cai.

Já fomos, mas isso faz muito tempo, enxergados lá de fora como uma República de Bananas.

E agora? Pátria Amada Brasil, a República de Neymar.

A CHUVA BEM FORTE E A POLÍTICA TÃO MIUDINHA

(Veneza inundada, Aracaju também)

Há mais de 15 anos não chovia tão forte em Aracaju. Há mais de 15 anos não chovia tão intensamente em quase todo o estado. Houve, até as 15 horas de sexta-feira, 7, como constatou a Defesa Civil, uma precipitação de 154 milímetros na região do Distrito Industrial. Ali, o registro foi feito pelo pluviômetro instalado na área da CODISE. Já entre a Zona de Expansão e o Mosqueiro, as chuvas variaram de intensidade entre 140 e 150 milímetros.

Somente numa parte do semiárido, nos sempre ressequidos Canindé do São Francisco e Poço Redondo, em diversas áreas a precipitação não ultrapassou os 15 milímetro.

Depois de muito tempo as lagoas nas instalações da Petrobrás na Zona Sul de Aracaju, receberam muita água, dando tranquilidade aos peixes, aos jacarés e capivaras que lá vivem, dentro d`agua ou no entorno úmido. A Barragem do Poxim, em São Cristovão andava com 18% de acumulo na sexta à noite já havia ultrapassado os 50%. Assim, registra Carlos Melo, o presidente da DESO, chegaremos ao verão com segurança hídrica. Os perímetros irrigados da região de Itabaiana estavam ameaçados com a queda no volume das barragens Jacarecica e Ribeira. Agora, no sábado, dia 8, já passavam dos 50%. Ou seja para satisfação imensa dos que estão envolvidos com a agricultura, com os recursos hídricos, as previsões do meteorologista Overland Amaral se confirmaram, embora ele tenha sido até bem mais modesto. O engenheiro João Fonseca, diretor de irrigação da COHIDRO, começa a ficar tranquilo.

Aracaju é uma cidade quase ao nível do mar. Cercada por rios e cortada por canais, seu sistema de vazão de águas pluviais é diretamente afetado pelo regime das marés. Na sexta-feira por volta das 11 da manhã a maré de lua crescente estava na preamar, e assim a correnteza dos rios e dos canais se inverte fortemente para montante, e não há milagre de engenharia por enquanto aqui disponível, para evitar o fluxo das águas espalhando-se pelas ruas da cidade e gerando inundações.

Desde o mês passado os canais da cidade começaram a ser dragados, desassoreados, os esgotos desentupidos. Não houve descaso que possa ser apontado como causa da enchente.

Na Itália Veneza já conseguiu evitar as inundações?

Evidentemente não somos uma Veneza, mas as características próximas a uma insularidade, guardam alguma semelhança, que aqui se agravam pela falta de educação ambiental, pela culpa coletiva dos que, mesmo morando em edificações luxuosas, lançam seus esgotos diretamente nos rios e canais. Isso em Veneza não acontece. Lá existe civilização, aqui, carecemos dela em tantos aspectos, a começar pela política, onde o oportunismo bota a cabeça de fora, sem constrangimentos, em qualquer situação, mesmo quando uma enchente afeta a cidade, e um politico pela mágoa de ser derrotado, posta vídeos buscando retirar das águas turvas da enchente algum combustível para definhantes carreiras políticas.

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Luiz Eduardo Costa
É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com


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