Um garoto de 13 anos mata uma policial com dois tiros? Falhamos. Todos nós
Blogs e Colunas | Joedson Telles 01/06/2018 20:04 - Atualizado em 04/06/2018 09:08

Viralizada nas redes sociais, uma foto do principal suspeito por causar a imensa dor que está a maltratar, neste momento, familiares e amigos da estimada militar Eliana Costa nos remete à imperiosa conclusão: falhamos, continuamos a falhar e, se algo não for feito, qualquer um pode ser, ou melhor, qualquer um será a próxima vítima. Um jovem de 13 anos, que deveria estar estudando e tendo um futuro promissor projetado pelos pais com o apoio do Estado, assume o papel de um marginal? Com uma arma em punho, parte para assaltar e não pensa duas vezes em assassinar uma pessoa que nunca lhe fez mal? 13 anos? Falhamos. Não só os políticos e demais autoridades. Os pais do garoto... Eu, você e os demais mortais falhamos.

Antes de ser detonado por açodados, registro, em tempo, que o autor do homicídio, mesmo com 13 anos, precisa ser julgado e condenado. Errou e precisa pagar pelo que fez. A pena precisa ser dura até como medida pedagógica a desencorajar outros jovens iguais que não sabem dar valor a vida.

Mas, como ia dizendo, falhamos e odiar o autor dos disparos não evitará casos idênticos. Não soubemos – ou não priorizamos – promover educação, consciência para os adolescentes de todas as camadas sociais. Muitos dos nossos jovens crescem em lares, ruas, praças onde não existe a transmissão dos bons valores imprescindíveis ao bom convívio social. Ao contrário, há os péssimos exemplos. Eis o mundo do jovem que matou Eliana.

Como uma espécie de círculo vicioso, os pais, os amigos destes jovens, via de regra, são vítimas do mesmo sistema negligente, omisso, viciado que, covardemente, joga a bomba chiando no colo dos professores, na sala de aula – sobretudo das escolas públicas das periferias.

E quem disse que os jovens que se permitem “ao luxo” de frequentar uma escola, que, geralmente, não respeitam os pais em casa, respeitam os professores? Quem pensa assim é um desinformado sobre os casos de agressões e até homicídios dentro das escolas. O professor que quer preservar sua vida, evita bater de frente com este tipo de jovem. Os cemitérios têm nove valentes para um covarde...            

Mas se os responsáveis falharam, evidentemente, quem os elegeu também falhou. Nós falhamos. Se as leis, os projetos pedagógicos, os projetos sociais não são eficientes, não correspondem às expectativas, se, ao invés de estarmos educando os adolescentes para servirem ao coletivo com suas formações, estamos assistindo a estes jovens aumentarem as estatísticas da criminalidade – sobretudo dos homicídios – não restam dúvidas: pecamos também por elegermos incompetentes, salvo, evidente, exceções à regra.

Político que não faz nada de concreto para evitar o caos, mas emite notinha de pesar depois do crime para fazer a média com familiares das vítimas age com desfaçatez.          

É preciso bagagem cultural e uma reflexão profunda para entender e admitir: por mais incrível que possa parecer, antes de fazer atacar a sociedade, um jovem como o que assassinou Eliana Costa é a primeira vítima. Não justifica o crime, mas é. Este é o mundo que lhe foi apresentado. Com apenas 13 anos, um garoto andar armado? Sacar, atirar e matar? Isso é de uma gravidade sem limites, mas, paradoxalmente, está banalizado.  

Basta pegarmos as estatísticas de quantas pessoas morreram com mais de 90 anos e nunca, repita-se, nunca sequer pegaram uma arma de fogo de verdade. Só uma sociedade doente não percebe que antes de se tornarem bandidos, os garotos estão sendo marginalizados por um misto de uma sequência de erros mais um assustador desmazelo.

É como se os responsáveis por assegurar o futuro social e manter a ordem optassem por deixar os jovens de mão, e, no caso de a própria sorte falhar, como tem falhado, matá-los numa troca de tiros ou jogá-los num lixo social conhecido como presídio. A lógica mostra sua estupidez a olhos nus. Ironicamente, contudo, aos olhos estrábicos dos que podem mudar o caos, isso parece que só passa a ser perceptível quando atinge um deles.

P.S. Há muitas pessoas do bem, gente séria lutando para acabar com esta disparidade e salvar os jovens e a sociedade. É preciso crescer este importante exército.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: jornalismo@universopolitico.com.br

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