“Sou pré-candidato a deputado federal”, ratifica Laércio Oliveira
Blogs e Colunas | Joedson Telles 10/06/2018 10:18

O deputado federal Laércio Oliveira assegura, nesta entrevista, que continua pré-candidato a reeleição. Laércio enfatiza que não passa de uma mentira a “notícia” que acordou com o ex-governador Jackson Barreto (MDB) e com o atual Belivaldo Chagas (PSD) entrar na disputa pelo Senado Federal. “É uma notícia falsa. Sou pré-candidato a deputado federal. Uma notícia que vem do submundo da política. Infelizmente, em época de eleição, são comuns estes factoides. Há pessoas interessadas em conflitos e aí costumam plantar boatos, tentado tumultuar um ambiente político já instalado”, diz o deputado, prevendo mudanças significativas no cenário político sergipano. “Há expectativa em torno de adesões que não acontecerão, questões jurídicas serão resolvidas muito em breve, pessoas que se apresentam como pré-candidatos desistirão por iniciativa própria, por não encontrar um ambiente confortável”. A entrevista:

 

De onde surgiu essa notícia falsa que o deputado Laércio Oliveira tem acordo com o ex-governador Jackson Barreto e com o atual, Belivaldo Chagas, para disputar o Senado Federal, numa suposta saída do pré-candidato Rogério Carvalho da chapa?

Sim. É uma notícia falsa. Sou pré-candidato a deputado federal. Uma notícia que vem do submundo da política. Infelizmente, em época de eleição, são comuns estes factóides. Há pessoas interessadas em conflitos e aí costumam plantar boatos, tentado tumultuar um ambiente político já instalado. Tentam confundir o eleitor e criar atritos no nosso agrupamento, que caminha de forma harmoniosa. Mas estou tranquilo e trabalhando por Sergipe como sempre. Não existe isso. Continuo fazendo a minha pré-campanha para deputado federal. Agora, estou disponível, como já disse isso há algum tempo, portanto, não é notícia nova, para conversar sobre a possibilidade de ocupar uma posição na chapa majoritária, se isso acontecer naturalmente. É a coisa mais natural do mundo dentro de um agrupamento existir vários nomes que podem ser lançados. E sempre deixei aberta a possibilidade de colocar o meu nome à disposição para a disputa majoritária, desde que houvesse a harmonia no bloco. Mas como divulgaram, a notícia não existe. Nunca conversei isso com Jackson ou Belivaldo sobre isso. É o que chamam de “fake news”. Caminhos tortuosos da política.

O interessante é que sequer existe candidatura registrada e a baixaria já entrou em campo...

A temperatura começa a subir. As ruas serão aquecidas pelas fogueiras juninas e a política vai no mesmo ritmo. Vamos assistir, nos próximos dias, a mudanças profundas na estrutura da disputa política das próximas eleições. Há expectativa em torno de adesões que não acontecerão, questões jurídicas serão resolvidas muito em breve, pessoas que se apresentam como pré-candidatos desistirão por iniciativa própria, por não encontrar um ambiente confortável. A minha expectativa que, até o final do mês, teremos um cenário muito diferente.     

O eleitor vai levar a Lava Jato às urnas e rejeitar ficha suja?

Eu acredito e desejo que sim. Eu sou ficha limpa. Tenho procurado fazer o meu mandato dentro de um perfil conhecido dos brasileiros: trabalho na minha plenitude em defesa do setor produtivo nacional, que promove emprego para a população. O povo precisa de emprego. É a nossa bandeira. Quando você fala em ficha suja eu digo que a sociedade quer e exige mudança. Esta mudança nasce nos diversos comentários que escuto nas ruas. Inclusive, para minha alegria, nas camadas mais carentes da população, que jamais vai às urnas votar em ficha suja.  É uma esperança da sociedade em construir uma representação melhor para o seu país. Isso me deixa muito feliz.

Num estado geograficamente pequeno como Sergipe, onde os candidatos precisam olhar nos olhos do eleitor, na hora de pedir o voto, a cobrança por uma conduta séria é maior ainda, não?

Isso. O político é mais conhecido. É mais próximo do eleitor, o que permite uma avaliação muito melhor dos representantes da população.

Laércio Oliveira tem sido bem acolhido nas redes sociais. É ir na contra-mão do linchamento de praxe que vemos acontecer com outros políticos?

Eu tenho 100 mil seguidores no Facebook. As redes sociais serão importantes no processo das eleições que se aproxima. É difícil encontrar uma pessoa hoje que não esteja atenta às notícias que são postadas nas redes sociais. E nós os políticos temos que dar transparência das nossas ações à população também através das redes sociais. A juventude se comunica, não através dos programas de TV do horário eleitoral, mas nas redes sociais, onde forma o pensamento e propaga. As pessoas sabem em tempo real qual a conduta e postura dos políticos. Eu tive uma experiência importante. Foi criado um programa no qual a pessoa tira uma foto do político e sai uma ficha. Um jornalista fez comigo. Disse que queria fazer uma entrevista, mas antes queria fazer uma foto. Fez até pose (risos).  Perguntou o que eu achava da Lava Jato e dos políticos que são alcançados. Perguntou se eu achava que a Justiça deveria ser mais célere para os políticos condenados serem presos. Eu disse não só os políticos, mas qualquer pessoa que cometa um crime precisa ser julgada e condenada. Pagar pelo que fez. Então, fomos conversando e, no final, ele agradeceu a entrevista e foi embora. Antes de sair, uma assessora que estava ao meu lado disse: o nome dele é Laércio Oliveira. O jornalista respondeu: eu sei. Ele é ficha limpa. E saiu. Uns 15 dias depois, o encontrei na Câmara e disse: passei 10 minutos conversando com você e não sai no programa. Nada? Não gostou da minha entrevista? Ele disse: gostei, mas você é ficha limpa. O programa é feito para pegar só ficha suja.                    

Laércio Oliveira e o PT têm ideologias distintas, mas estão no mesmo agrupamento. É possível equilibrar a convivência em trono do projeto maior, Sergipe?

Cada um no seu quadrado.  O PT vai continuar sendo um partido de esquerda com a sua ideologia e nós com a nossa. As minhas bandeiras são o desenvolvimento, a geração de empregos, renda, um estado enxuto... O pré-candidato a governador é Belivaldo Chagas, que é do PSD, num governo de coalizão. Existem divergências entre o PT e Laércio? Sim. Mas existe o ponto de convergência que é o projeto Belivaldo Chagas.

O senhor tem demonstrado um incômodo com a burocracia que vem sendo encontrada por empresários em setores públicos para expandir seus negócios e gerar empregos. Que burocracia é essa?

É porque existe uma dificuldade muito grande para os empresários que querem abrir um negócio, hoje, em Aracaju. Em Sergipe. Existe um excesso de burocracia nos órgãos públicos, quando os empresários precisam fazer licenciamento ambiental. Por exemplo, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Aracaju demora e faz pedidos absurdos. Conheço um empresário que está há 60 dias querendo abrir uma empresa de lavagem de veículo. Mas o órgão da PMA solicita documentos dos mais diversos possíveis, criando uma burocracia enorme. Se você precisar de uma certidão da Adema para começar uma obra aqui pode se preparar para esperar seis meses esta certidão. São várias obras que já eram para terem sido iniciadas em Sergipe, e não começaram por conta do excesso de burocracia de um órgão de meio ambiente. Outra burocracia enorme está no Corpo de Bombeiros. E, para piorar a situação, agora, em áreas nas quais você precise fazer uma obra, construir, se tiver mais de 10 mil metros quadrados, você precisará de uma licença também do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão federal. Ou seja, para você obter as três certidões (Adema, Iphan e Corpo de Bombeiros) gasta mais de um ano. Não somos contra o trabalho dos órgãos ambientais, óbvio. Mas precisamos criar uma equação que simplifique. Desburocratize, porque quanto mais demore aquele estabelecimento para funcionar, você não tem geração de emprego e arrecadação de impostos, de tributos para o Estado. E o Estado necessitando de arrecadar. Este é um ponto que tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura de Aracaju precisam ter uma atenção especial. Precisamos de fórmulas que simplifiquem isso. Sei que é um problema nacional também. Não é só Sergipe, mas vamos ver se conseguimos olhar mais para as pessoas que geram emprego e pagam tributos. Não defendemos a agressão ao meio ambiente, evidente. Mas, às vezes, a burocracia para um grande empreendimento é a mesma para um pequeno empreendimento. O tratamento precisa ser diferente.    

Qual vem sendo o carro chefe do seu mandato de deputado federal?

A reforma trabalhista. Ter sido partícipes deste momento novo que colocou o país preparado para promover, gerar mais empregos me dá uma satisfação muito grande. Quando comecei a campanha, em 2006, a bandeira era: Laércio Oliveira é o homem do emprego. E fecho o segundo mandato tendo ajudado ao Brasil a ter uma legislação trabalhista diferente. A grande conquista foi fazer uma reforma trabalhista sem retirar nenhum direito do trabalhador. Além disso, abrimos a legislação trabalhista para várias modalidades de contratação de pessoas que antes viviam na clandestinidade.  Se a pessoa se debruçar nas duas leis – tanto a reforma trabalhista quanto a terceirização – percebe que não existe mais ambiente nas relações de trabalho do país hoje para o bico – um serviço em troca de uma remuneração imediata. O trabalho intermitente proibiu isso. E eu sou o autor da lei. Isso valorizou o trabalhador. Assegurou-lhe que, mesmo só trabalhando quatro horas por semana, como requer a atividade, tenha todos os seus direitos, o que antes da lei não existia. Quem ler esta entrevista vai lembrar algum caso de uma pessoa que vivia de bico. E vai se perguntar: aquele cara vivia de bico. E se acontecesse alguma coisa com ele? Um acidente? Ele teria que resolver o problema sozinho. Agora, não. Ele tem a carteira assinada naquela modalidade de contratação. É amparado pela seguridade social. Está formalizado. Uma pessoa que trabalha quatro horas tem os mesmos direito que outra que tem a jornada de 40 horas. Isso foi bom, inclusive, para os trabalhadores que fazem uma faculdade. Os universitários que têm jornadas de trabalho mais curta. Estudam durante a semana e trabalham nos fins de semana. A terceirização trouxe segurança jurídica para 13 milhões de trabalhadores. Cessou uma escala de desemprego estúpida. A terceirização foi sancionada no dia 31 de março de 2017. Um ano antes, no dia 30 de março de 2016, até 31 de março de 2017, o Brasil perdeu 1 milhão de postos de trabalho. Aí se você mede de 1º de abril de 2017 até 31 de março de 2018, o Brasil ganhou 300 mil postos de trabalho. Aí os pessimistas argumentam que só foram 300 mil postos de trabalho. Não fazem a conta: 1 milhão de empregos não se perdeu mais. A gente retomou o emprego. Isso por conta da segurança jurídica. E não beneficiou apenas aos jovens: pessoas com 60, 65 anos, que se sentiam excluías do mercado de trabalho voltaram a trabalhar. Isso é muito gratificante ter estado envolvido como parlamentar nos projetos de terceirização e reforma trabalhista.

Mas há quem distorça esta realidade. Leva à opinião pública o discurso que tanto a reforma trabalhista quando à terceirização prejudicam os trabalhadores. Como o senhor avalia esta inversão de valores?

Os que são contra a reforma trabalhista encheram as redes sociais de argumentos equivocados ou maldosos. Disseram, por exemplo, que as férias seriam pagas em 10 vezes. Que o intervalo da jornada de trabalhado tinha sido para uma hora, que a mulher grávida teria que trabalhar num local insalubre de qualquer jeito, mas, na verdade, a lei não diz nada disso. O tempo está desmoralizando as inverdades. O emprego voltou a crescer. A gestante só trabalha em área insalubre se quiser. Ela leva um atestado do seu médico particular, que é pago pela empresa. As férias você pode dividir em três vezes, de acordo com a programação que você fará com sua família. A redução da jornada do trabalho para uma hora é para permitir que a mãe que saia às 6 horas, correndo para poder pegar seu filho na escola ou na creche, e quase sempre chegava atrasada ou não conseguia, agora, ela reduz a jornada de trabalho no intervalo do almoço, sai antes, fica livre do trânsito intenso e pode passar a escola e pegar seu filho e ir para casa. Ou seja são pontos e mais pontos positivos para o trabalhador.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: jornalismo@universopolitico.com.br


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