Sergipe optou pela mudança, mas precisa agradecer a Valadares
Blogs e Colunas | Joedson Telles 08/10/2018 08:01 - Atualizado em 08/10/2018 08:12

Leio comentários típicos de rede social velando que o senador Valadares não colheu mais uma vitória por ter abandonado o grupo dos também derrotados André Moura e Eduardo Amorim. Nunca concordo com juízos sem antes recorrer aos botões. E uma reflexão sobre as eleições 2018, em Sergipe, sem levar em conta a eleição de Alessandro Vieira já nasce equivocada.

É fato que, ao se dividir, a oposição também repartiu forças. Entretanto, quem pega os 474.479 votos do delegado não pode encarcerar o mínimo de dúvida que o eleitor queria mudança e viu em Alessandro Vieira a alternativa certa.

O trabalho da Polícia Civil, ironicamente contra deslizes dos representantes do povo no poder – e, sobretudo, o dedo do então governador JB no suspiro – davam, já ali, argumentos e mídia necessários para Alessandro iniciar seus passos vitoriosos rumo ao Senado. Não subestime o eleitor...

E tem mais: evidente que a prática nem sempre tem sintonia com a teoria, mas, o abraço que Sergipe deu na candidatura do delegado Alessandro Vieira, sem dinheiro, grupo, tradição, máquina... levanta a indagação em tom de afirmação: se a delegada Daniele Garcia também metesse a cara, Sergipe teria, hoje, suas duas vagas no Senado preenchidas por dois delegados?

Sem subestimar Rogério, o PT e Lula, evidentemente, arrisco escrever: Daniele Garcia estaria eleita também. Aliás, antes desta eleição, ela era bem mais conhecida junto ao eleitor que o próprio Alessandro. Se ali, no calor do seu afastamento da Deotap, Daniele também começasse a tocar o projeto Senado, a chance de vitória seria real. O comportamento do eleitor diz isso com eloquência.

Quer outra? Uma candidatura da promotora Euza Missano também teria o calor dos sergipanos e tudo para ser exitosa, se trabalhada no tempo e na forma correta. Tem a credibilidade que o eleitor procura com uma lupa no meio político. Veja que a defensora pública Emília Correa obteve quase 53 mil votos (52.921). O povo elegeu. Ficou de fora da lista dos deputados federais eleitos numa destas injustiças da política. Fábio Henrique, por exemplo, foi eleito com 35.226 votos...

Com este cenário, Valadares e André, mesmo que estivessem juntos, não evitariam a vitória esmagadora do delegado Alessandro Vieira. Os votos dados a Alessandro foram voluntários. Não foram atendendo pedido de cabo eleitoral. Não foram trocados em CC. Tampouco comprados por qualquer mixaria.

Um candidato como Valadares, ficha limpa, sem um conjunto de prefeitos apoiando, sem máquina e não comungando com compra de votos, óbvio, disputa a mesma faixa do eleitorado que Alessandro. Para infelicidade dele, o eleitor optou pelo novo. Abraçou a mudança.

Todavia, os botões entendem que Valadares acertou, sim, ao romper com o que não concordava. Perdeu a eleição, mas não a personalidade. Não obteve os votos necessários para se reeleger, mas, certamente, tem o respeito do eleitor. É um homem de bem. Sergipe optou pela mudança, mas precisa agradecer a Valadares. Prestou relevantes serviços.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com


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