O debate entre os candidatos ao governo
Blogs e Colunas | Joedson Telles 02/10/2018 20:09

Os candidatos ao Governo de Sergipe que participarão, nesta terça-feira 2, de um debate “em uma TV da capital”, certamente, se prepararam com o foco de um treinador de um time de futebol que disputa um título contra o maior rival. Não basta treinar e escalar o que tem de melhor: é preciso estudar o adversário para saber se defender e atacar suas fraquezas. Sobretudo pela proximidade dos três primeiros candidatos mostrada nas pesquisas, pode ser decidido nesta acareação quem vai ao segundo turno. Seria falta de inteligência desprezar tal lógica. 

E o que pode ser feito por cada um dos candidatos para tirar o melhor proveito possível desta noite frente a frente com o eleitor? Evidente que são respostas pra lá de abstratas. Pessoais e diferentes como são, obviamente, os próprios candidatos por várias questões que não soam novidade. Mas podemos usar da empatia com cada um deles e imaginar como jogaríamos a importante ficha se estivesse em mãos. Permito-me o exercício mental.

O candidato Belivaldo Chagas precisa convencer o eleitor que o pouco tempo que está à frente do governo já foi suficiente para provar que é um bom gestor, mas que precisa de um tempo maior para oferecer respostas aos problemas mais complexos. Mostrar o que já fez e o que pode fazer soa óbvio, mas costuma funcionar, a depender do tamanho do repertório e do grau de impaciência do eleitor.

Por ser governo, Belivaldo, com certeza, será atacado e, de quebra, responsabilizado pelo que deu errado no governo do aliado Jackson Barreto. Porém, não pode entrar no debate com o fígado. Precisa ter em mente que as provocações são feitas pelos adversários, mas as respostas são dadas ao eleitor. Explicações convincentes e, na ausência destas, levantar pontos negativos do adversário costuma socorrer em momentos como este.

Por sua vez, o candidato Valadares Filho tem a missão de persuadir que Sergipe precisa de um novo projeto e ele é o mais preparado para comandar a mudança. Para isso, não basta apontar os erros dos últimos governos e bater no governador de plantão: precisa apontar soluções viáveis. Como a maioria destas soluções passa necessariamente por ter recursos em caixa, apontar como esta grana desembarcaria nos cofres públicos em época de crise, por certo, o colocaria bem junto ao eleitor, sobretudo à fatia mais inteligente.

Adversários tentarão lhe derrubar com o argumento de não ter experiência para ser governador. Valadares Filho, entretanto, tem em detalhar seu trabalho na Câmara Federal uma forma de a verdade prevalecer. Além disso, precisa lembrar ao eleitor que este não era o discurso de candidatos adversários que pediram voto para ele nas duas últimas campanhas para a Prefeitura de Aracaju. Precisa enfatizar: se ali Valadares Filho era o melhor e hoje não serve, seus adversários precisam dizer ao eleitor quando faltaram com a verdade.

O candidato Eduardo Amorim também precisa convencer que ele é o melhor nome para mudar Sergipe. Lembrar que fez o diagnóstico, em 2014, e antecipou muitos problemas. Mas também precisa apontar soluções. Passou quatro anos criticando o governo, e o eleitor espera, agora, que aponte como melhorar Sergipe. Como construir o Hospital do Câncer e mantê-lo funcionando. Como assegurar o pagamento em dia do servidor público. Como brecar a criminalidade entre outras chagas apontadas por ele mesmo.

Eduardo teve sérios problemas, na eleição de 2014, quando adversários argumentaram que, caso ele chegasse ao governo, seu irmão, Edivan Amorim, teria peso nas decisões. Se provocado, precisa sepultar isso. Passar segurança. O eleitor precisa estar convencido que, mesmo sendo aliado do deputado André Moura, em chegando ao poder, ele, Eduardo, dará as cartas.

Já os candidatos Mendonça Prado e Dr Emerson têm, antes de tudo, uma missão árdua: convencer o eleitor que as pesquisas estão erradas, e eles têm, sim, chances reais de vitória. Feito isso, precisam colocar na cabeça do eleitor que merecem a confiança para governar Sergipe, sendo o novo tão cobrado a cada pleito por considerável fatia do eleitorado. Os demais candidatos vão, mais ou menos, por aí também. E óbvio: usarão a audiência da TV para descer a lenha nos primeiros colocados.

Se o internauta chegou ao final do texto é porque gosta de política. Não perca hoje à noite. Debates entre candidatos ao governo são sempre palpitáveis. Como finais de campeonatos de futebol decididas entre rivais, são sempre imperdíveis.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: jornalismo@universopolitico.com.br


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