Enfim começa o Ano Novo
Blogs e Colunas | Clarisse de Almeida 05/03/2018 21:38 - Atualizado em 06/03/2018 11:20

Ano novo, cidade nova,  enfim. Após os esticados festejos por que passaram nossa cidade, podemos ver o saldo resultante das folias. Inúmeros foram os relatos de destruição causada pelas multidões que foram às ruas comemorar.

Mesmo que não fique bem claro o que justifica estes eventos, afinal nós, brasileiros, não temos hoje muito o que festejar, as consequências são motivo de mais contrariedade ao final da euforia. Gramados mantidos a duras penas restam destruídos, assim como os canteiros ajardinados, os coletores de lixo, postes de iluminação, bancos e até mesmo luminárias que hoje esperam substituição.

Aqui em nossa Praça da Bandeira, uma árvore frondosa e profícua teve seus galhos arrancados para a instalação de um palco para os shows do Rei Momo. 

 

 

Como é fácil ferir as cidades por razões frívolas e passageiras! O que é coletivo finda sem dono e sem defensor, a mercê de interesses daqueles que se preocupam com suas satisfações e lucros pessoais, ou de apenas uma minoria. 

Mas ainda que tardio, o ano novo real começou! Finalmente contratos, tarefas, negócios saem das gavetas e ganham vida no afazeres diários; planos, projetos voltam para as mesas, computadores e é nessa bendita hora que fazemos propostas, arregimentamos parceiros, bolamos um plano!

Que tal um plano para melhorar sua rua, seu condomínio, o trecho de praia que frequenta? Um sábado com amigos e filhos para recolher lixo da pracinha, ou mesmo uma manhã plantando mudinhas de árvores, ou distribuindo panfletinhos educativos pelo bairro?

 

 

Ações festivas, coletivas como num bloquinho carnavalesco, com a diferença que podem dar frutos, frutos de cidadania. Pintar o muro da escola do bairro, fazer vaquinha para comprar um brinquedo novo para o prédio, criar abrigos simples para os cachorros que vagueiam seu dono pelas redondezas, enfim, tantas ações! 

Se podemos destruir, podemos também construir. Podemos fazer diferente nesse ano novo tardio e pensar na nossa cidade, começando pela menor escala, nossa rua, evoluindo pouco a pouco até conseguirmos nos importar com o macro, até ter vergonha de estacionar em local proibido, de ocupar áreas públicas, ou furar filas. Tudo parte de uma ética. Ética desaprendida.O sentimento de urbanidade desconhecido por nossas crianças e o civismo são considerados cafonas e ultrapassados!

 

 

Mas nunca é tarde para desenvolvê-los, iniciando por plantá-los em nós mesmos. Precisamos nos indignar quando um trailer se instala em uma calçada estreita, quando vemos alguém despejando entulho de obra na avenida recém varrida ou no terreno vazio de um vizinho, quando o outro joga o lixo pela janela do carro. Não podemos achar normal! Precisamos de um plano! Precisamos mudar! Precisamos pensar coletivo! A cidade agradece! 

 
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Clarisse de Almeida
Arquiteta e Urbanista pela FAUSS/RJ, especialista em Tecnologia Educacional pela UERJ e em Paisagismo pela UFLA/MG. Atua com ênfase em Desenho Urbano e Projetos de Edificação e Paisagismo. Leciona no curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIT. Possui trabalhos reconhecidos nacionalmente e tem sido palestrante em variados eventos. É membro da equipe da Ágora Arquitetos.

E-mail: arqclarissedealmeida@gmail.com

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